17.5.18

O martelinho de ouro de Bangu.


O ofício de sapateiro é muito antigo, nasceu da necessidade que o homem tinha de proteger os pés. A profissão sobreviveu através dos séculos, sendo passada de geração à geração. Antigamente, os sapateiros, além de consertar sapatos, tinham também que fazê-los.

Por muito tempo, os sapateiros continuaram trabalhando de forma artesanal. O início da uniformização e da padronização começou na Inglaterra, quando em 1305, o rei Eduardo I estabeleceu medidas uniformizadas e padronizadas para a produção de sapatos. O Rei decretou que uma polegada fosse considerada como a medida de três grãos secos de cevada, colocados lado a lado. Os sapateiros da época compraram a ideia e passaram a fabricar seus calçados seguindo as medidas do rei. Assim, um par de sapatos para criança que medisse treze grãos de cevada, passou a receber o tamanho treze. A partir daí a padronização tornou-se uma tendência mundial.

As equipes de Futebol, também tinham os seus sapateiros, que eram os responsáveis pela criação das chuteiras para os jogadores, e alguns também ficavam responsáveis pela fabricação das bolas de futebol, naquela época não existia as grandes fabricas que hoje estão sempre em busca de inovações para os calçados e bolas para as partidas de Futebol.

Para fazer as travas de uma chuteira o couro era cortado em forma circular e depois, pregavam vários, um sobre o outro com três pregos, essas travas eram importantes para dar a estabilidade necessária para efetuar os mais diversos movimentos dentro do campo de jogo, como arrancar, frear bruscamente, mudar de direção, etc.

E o Bangu tinha o melhor sapateiro do Brasil, com participação na seleção brasileira de futebol nas Copas do mundo de futebol em 1958, 1962 e 1966, trata-se do sapateiro Aristides Pereira, que tinha uma habilidade incrível em fabricar uma chuteira, chegando a receber elogios do maior jogador de Futebol, como infere o seu neto Guilherme Guimarães , que em conversa com Pelé em 1997 disse "fiz muitos gols com as chuteiras do teu avô, o velho Aristides, o martelinho de ouro".

Créditos: Rogerio Melo.

2 comentários:

Helena Brasiliana disse...

Histórias maravilhosas do meu bairro.
Muito bom!

Jorge Cachoeira (Gim) disse...

Bangu, "Berço de Ouro"!
Mais uma linda história desse inesquecível lugar!

Os primórdios da Zona Oeste do Rio de Janeiro

A zona oeste do Rio de Janeiro, chamada de “sertão carioca” pelo escritor e pesquisador Magalhães Corrêa no livro de mesmo nome sobre J...