segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Tabaco e Ouro Contrabandeado de Minas: Holandeses e Ingleses no Tráfico de Escravos no Brasil do Século XVIII

 

Comércio de tabaco entre Holandeses e portuguêses na costa da África. Pintura Holandesa de 1678.

O envolvimento da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais no Brasil não acabou após o fim do Brasil Holandês em 1654.

Atraídos com a descoberta do Ouro das Minas Gerais na década de 1690, navios holandeses e ingleses chegavam com frequência nos portos da Bahia em segredo para vender escravos africanos em troca de ouro contrabandeado, ignorando as leis da coroa portuguesa contra tal comércio. Em 1717, o Vice Rei do Brasil, Marquês de Angeja enviou carta ao Rei de Portugal o alertando que 4 navios holandeses foram apreendidos no porto de Salvador tentando vender escravos africanos em troca do ouro brasileiro.

Um escravo do Forte Elmina com um amuleto de ouro da Companhia das Índias Ocidentais. Ouro era uma das principais moedas do comércio de escravos na costa Ocidental da África. Pintura de Daniel Vertangen, 1660.

Em 1712 os diretores da Nova Companhia das Índias Ocidentais concordaram sobre a importância de manter o comércio de escravos no território brasileiro em segredo, proibindo qualquer tipo de publicidade ou discussão do assunto na imprensa para não provocar qualquer desconfiança da coroa portuguesa.

Um comerciante da Companhia das Índias Ocidentais em 1760.

Boa parte do comércio entre portugueses e outros europeus na costa africana envolvia a venda de tabaco e ouro do Brasil. Somente em 1719, os holandeses do Forte de Elmina na atual Gana, venderam 1600 escravos para os portugueses em troca de ouro contrabandeado e tabaco. De acordo com Henk den Heijer, metade do ouro comercializado pela Companhia das Índias Ocidentais no Século XVIII tinha origem brasileira.

Mapa Holandês da Costa Brasileira e Africana de 1695.

Assim como os holandeses, os ingleses tinham contato com comerciantes da Bahia que permitiam a entrada de seus navios para vender escravos. Em 1706 Oliver Bradley, um mercador da Royal African Company, fez um acordo secreto com comerciantes baianos que garantiram a segurança se seus navios. Dois anos depois porém, Bradley foi preso pelas autoridades locais e mandado de volta para Inglaterra.

Cidade de Salvador, Bahia. Principal centro de comércio de contrabando de Ouro no Século XVIII.

A Cidade de Salvador era o principal ponto do comércio ilegal de ouro no Brasil. Em 1703 o Governador Geral Rodrigo da Costa admitiu a dificuldade em combater esse contrabando que era fomentado por vários fatores, como a corrupção e incompetência das autoridades locais, a coordenação descentralizada das Minas de Ouro e a dificuldade em manter um controle fiscal eficiente em um território tão grande.


O Forte Elmina sob o domínio Holandês em 1649.


Comércio de Tabaco no Brasil e de Escravos na África. Pintura do Século XVIII.

Em 1745 o viajante inglês William Smith Suveyor observou que a maioria do ouro comercializado em Uidá no Benim era proveniente do Brasil, e que o Rei Agajá do Daomé favorecia o comércio com os portugueses, pois gostava de colecionar placas de ouro e prata do Brasil. 

Fonte: The Legacy of Dutch Brazil. Editado por Michiel van Groesen.

Originalmente postado em A Terra de Santa Cruz

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Mulheres que fizeram e fazem diferença na História de Santa Cruz


Isabel do Brasil

O bairro de Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, tem inúmeras ruas que prestam homenagens às mulheres famosas. Há também várias escolas com a designação que nos remetem à história do Brasil, do Rio de Janeiro e também ao nosso bairro.

Há, por exemplo, uma Escola Municipal Princesa Isabel e uma Avenida Isabel, obviamente celebrando a memória da Princesa, filha de Pedro Segundo com dona Tereza Cristina, que, como Regente, assinou a Lei Áurea.

Outros nomes e designações, nem sempre são reconhecidos de imediato, sendo preciso fazer algum tipo de pesquisa para ficarmos sabem de quem se trata.

É o caso de Haydea Vianna Fiúza de Castro, que designa uma escola localizada na entrada da Favela do Aço, entre os bairros de Paciência e de Santa Cruz.

Quando nos referimos às designações de escolas, quase sempre são nomes de professoras, sendo que quase todas deram aula em Santa Cruz ou nos bairros vizinhos.

Adalgiza Nery

Meralina de Castro, Sílvia de Araújo Toledo, Clara Lúcia de Souza, Dione Freitas Felisberto de Carvalho, Maria Santiago, Leila Mehl Menezes de Matos, Lourdes de Lima Rocha, Flávia dos Santos Soares, Zulmira Telles da Costa, Adalgiza Nery, Sonia Mota Molisani, Zélia Carolina da Silva Pinho, Maria de Jesus Oliveira, Eulália Rodrigues de Oliveira Vieira, Emilinha Borba, Vera Lúcia Chaves da Costa, Marlene da Silva Cardoso, Tia Dolores, Daniela Perez, Djanira Maria Ramos, Marcolina, Leuza Marins Novaes, Irinéa dos Santos Paiva, Míriam Pires, Meriluce de Oliveira Müller, Larissa dos Santos Atanazio, Maria Luiza Jobim de Queiroz, Carmen Fraga de Araújo. Rosele Nicolau Jorge Coutinho, Raquel Kelly Lanera, Elisabeth Papera, Rosa Maria Alves de Oliveira, Renée Biscaia Raposo, Inaiá Wanderley Carmo, Solange Inácia de Sá de Lacerda, Kátia Miranda Santos, Maria Rosangela Oliveira “Tia Negrinha”, Lilia Chaves da Costa, Thamiris de Andrade da Silva Santos, Maria Mesquita de Siqueira, Narcisa Amália, Leocádia Torres, Bertha Lutz, Ana Neri, Deborah Mendes de Moraes, Emma D’Ávila de Camillis, Maria Helena Sampaio Marques, Elisa Joaquina Daltro Peixoto, Myrthes Wenzel, Tatiana Chagas Memória, Josepha Ferreira da Costa, Samira Pires Ribeiro e Luiza Maria Moreira do Nascimento, foram os nomes que localizei na cartela com a lista de todas as escolas da 10ª Coordenadoria Regional de Educação que abrange os bairros de Santa Cruz, Paciência, Sepetiba, Barra de Guaratiba, Pedra de Guaratiba, Ilha de Guaratiba, Jesuítas, Areia Branca, etc.

Bertha Lutz

Das mais de cinquenta escolas acima listadas, é possível ver que nem todas foram professoras e também que nem todos os nomes indicam personalidades que tiveram algum tipo de relação específica com a nossa região. É o caso, por exemplo, da Emilinha Borba, cantora famosa; Ana Neri, enfermeira voluntária e heroína na Guerra do Paraguai e Bertha Lutz, bióloga, política e ativista feminina.

O mesmo ocorre com os nomes de ruas e outros logradouros públicos. Há designações bastante evidentes, como a citada Avenida Isabel, ruas Tereza Cristina e Dona Januária, nomes que prestam homenagem às personagens da nossa realeza, e outros quase desconhecidos, como as ruas Auristela, Fernanda e Avenida Carmen, atual Avenida Engenheiro Gastão Rangel.

Mas há também nomes com forte relação histórica que, infelizmente, não são conhecidos devidamente, faltando maior disseminação e visibilidade. Citamos, por exemplo, as ruas Marquesa Ferreira e Professora Amélia Pinto das Chagas.

Dona Marquesa Ferreira foi casada com o primeiro ouvidor-mor do Rio de Janeiro, Cristóvão Monteiro, português que requereu à doação das terras de Santa Cruz, alegando ter participado e ajudado Estácio de Sá na expulsão dos franceses da cidade. Marquesa aqui é nome próprio e não título de nobreza, sendo ela, já viúva, quem de fato fez a doação das terras para os padres da Companhia de Jesus, os Jesuítas.

Quanto à professora Amélia Pinto das Chagas, além de se destacar como educadora, jornalista e palestrante, foi uma ativista feminina de grande atuação em Santa Cruz e em todo o Rio de Janeiro, defendendo vigorosamente os direitos da mulher, na década de 1930, inclusive participando de todos os movimentos que clamavam pelo direito do voto feminino.

Amélia Pinto das Chagas deu aulas e foi diretora de várias escolas localizadas em Santa Cruz e na então chamada região do Triângulo Carioca, que compreendia também os bairros de Campo Grande e Guaratiba. Fundou e dirigiu jornais e museus escolares e escreveu em vários periódicos e revistas que circularam no antigo Distrito Federal, inclusive sobre futebol, considerando que naquela época, não era muito comum ver uma mulher fazendo comentários esportivos.

Um nome que não é citado, por absoluta falta de visibilidade histórica é da “Riúna”, uma variante do adjetivo “reiuno”, que significa, “o que é fornecido pelo estado, especialmente pelo exército, para uso dos soldados.”.

As “Riúnas” ou “Reiúnas” eram mulheres escravizadas, que trabalhavam nas piores condições de insalubridade, porque eram responsáveis pela limpeza das valas que circundavam os canais de irrigação.

Era um tipo de trabalho muito estafante, porque elas precisavam entrar no meio das valas para retirar o acúmulo de vegetação que provocava o assoreamento dos canais e dos rios, o que, consequentemente, causava enchentes, trazendo a mortandade do gado e destruição das plantações, com graves prejuízos econômicos para os administradores da Fazenda Real e Imperial de Santa Cruz, além da possibilidade de disseminação de doenças como a varíola e a malária entre a população local.

Era, portanto, um trabalho rústico importantíssimo, de certa forma simples, mas muito cansativo, que os homens não queriam fazer, porque ninguém dava o valor merecido. Muitas pessoas evitavam manter contato e até fugiam das Riúnas, porque, em geral, elas saiam das valas irreconhecíveis pela sujeira da lama que se acumulava nos seus corpos.

No meu ponto de vista, de todas as mulheres que aparecem citadas como personagens importantes na História de Santa Cruz, foram as Riúnas, sem qualquer sombra de dúvida, as grandes heroínas anônimas, que ficaram relegadas à posteridade, sem jamais terem recebido qualquer tipo de homenagem.

Salve! Salve! Nossos aplausos e homenagens às Riúnas de Santa Cruz, pois foram elas que marcaram a diferença na História, com seu trabalho extenuante, de grande relevância para a população local e pelos gestos simples de altivez, de nobreza e de dignidade.

Por Sinvaldo do Nascimento Souza, professor.

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Torre de Transmissão de TV da Serra do Mendanha, Campo Grande, RJ

 

Foto da Torre de Transmissão de TV. A 744 metros de altitude. Autor desconhecido. Ano 2015.

Dá para ir a pé, de carro ou de bicicleta. A subida começa no Largo do Mendanha. São 8410 metros subindo; 1400 metros de asfalto com subida forte entre 900 metros e 1400m metros. Aí tem início a parte de terra dos 1400 até 8410m. O melhor é sempre descer devagar; principalmente no início da descida devido ao risco de queda e também de lesões. Em dias ensolarados dá para visualizar uma das melhores vistas do Rio.

Lá estão localizadas as antenas das emissoras de televisão e rádio que geram sinais para a zona oeste do Rio de Janeiro. A primeira torre instalada na Serra do Mendanha, foi a de Furnas no final dos anos 1960. As outras antenas foram instaladas no local, na década de 1980. 

Também estão instaladas no alto da Serra do Mendanha um conjunto de antenas transmissoras de rádios comerciais (Rádio e TV). Além de uma antena repetidora de radioamador operando na faixa de 2m em 146,890 MHZ.

Imagens retiradas do Google

Texto e pesquisa de Adinalzir Pereira Lamego

domingo, 18 de outubro de 2020

A tortura e as atrocidades de Cristóvão Colombo

 

O reinado de terror de Cristóvão Colombo é um dos capítulos mais sombrios da nossa história.

Surpreendentemente, Colombo supervisionou a venda de meninas nativas para escravidão sexual.

As meninas de 9 a 10 anos eram as mais desejadas por seus homens. Em 1500, Colombo casualmente escreveu sobre isso em seu diário. Ele disse:

"Cem castelos são tão fáceis de conseguir para uma mulher quanto para uma fazenda, e isso é muito geral e há muitos contrabandistas procurando meninas; agora há demanda por crianças de nove a dez anos."

Ele forçou esses pacíficos nativos a trabalhar em suas minas de ouro até morrerem de exaustão. Se um trabalhador "indiano" não entregasse sua cota inteira de ouro em pó antes do prazo de Colombo, os soldados cortavam suas mãos e as amarravam em volta do pescoço para enviar uma mensagem. A escravidão era tão insuportável para esse povo doce e gentil da ilha que, a certa altura, uma centena deles cometeu suicídio em massa. A lei católica proibia a escravidão de cristãos, mas Colombo resolveu esse problema. Ele simplesmente se recusou a batizar os nativos de Hispaniola.

Em sua segunda viagem ao Novo Mundo, Colombo trouxe canhões e cães de ataque. Se um nativo resistisse à escravidão, ele cortaria um nariz ou uma orelha. Se os escravos tentassem escapar, Colombo os queimava vivos.

Outras vezes, ele enviava cães de ataque para caçá-los, e os cães arrancavam os braços e as pernas dos nativos que gritavam enquanto ainda estavam vivos. Se os espanhóis ficassem sem carne para alimentar os cães, os bebês Arawak seriam mortos para comer.

Os atos de crueldade de Colombo foram tão indescritíveis e tão lendários - mesmo em sua época - que o governador Francisco De Bobadilla prendeu Colombo e seus dois irmãos, prendeu-os em correntes e os enviou à Espanha para responder por seus crimes contra os Arawaks. . Mas o rei e a rainha da Espanha, com seu tesouro cheio de ouro, perdoaram Colombo e o libertaram.

Um dos homens de Colombo, Bartolomé De Las Casas, ficou tão mortificado pelas atrocidades brutais de Colombo contra os nativos que parou de trabalhar para Colombo e se tornou padre católico. Ele descreveu como os espanhóis sob o comando de Colombo cortaram as pernas de crianças que fugiam deles para testar a nitidez de suas lâminas. De acordo com De Las Casas, os homens apostavam em quem, com um único golpe de espada, poderia cortar uma pessoa ao meio.

Diz que os homens de Colombo encheram as pessoas com sabão fervente. Em um único dia, De Las Casas foi uma testemunha ocular de quando soldados espanhóis desmembraram, decapitaram ou estupraram 3.000 nativos. "Essas desumanidades e barbáries foram cometidas aos meus olhos como nenhuma idade pode ser comparada", escreveu De Las Casas. "Meus olhos viram esses atos tão estranhos à natureza humana que agora tremo enquanto escrevo."

De Las Casas passou o resto de sua vida tentando proteger os nativos indefesos. Mas depois de um tempo, não havia mais nativos para proteger. Os especialistas geralmente concordam que antes de 1492, a população da ilha de Hispaniola provavelmente ultrapassava os 3 milhões de habitantes. Vinte anos após a chegada da Espanha, foi reduzido para apenas 60.000. Em 50 anos, nem um único habitante nativo original foi encontrado.

Em 1516, o historiador espanhol Pedro Mártir escreveu:

"Um navio sem bússola, mapa ou guia, mas apenas seguindo o rastro dos índios mortos que haviam sido atirados dos navios onde poderiam encontrar o caminho das Bahamas para Hispaniola."

Cristóvão Colombo ganhava a maior parte de sua renda com a escravidão, observou De Las Casas. Na verdade, Colombo foi o primeiro comerciante de escravos nas Américas. Quando os escravos nativos morreram, foram substituídos por escravos negros. O filho de Colombo se tornou o primeiro negociante de escravos africano em 1505.

Fontes de consulta:

Comércio de escravos - Assassinos em massa - Cólon Central Irlandês - Livro de Todorov, A Conquista da América. Trechos de Bartolome de las Casas.

https://revistaforum.com.br/rede/a-tortura-e-as-atrocidades-de-cristovao-colombo/

https://portalconservador.com/livros/Tzvetan-Todorov-A-Conquista-da-America.pdf

https://blog.lusofonias.net/2020/10/09/colombo-e-a-brutal-escravatura-e-tortura/

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

sábado, 17 de outubro de 2020

Soldados Judeus Sefarditas e Asquenazes na Invasão Holandesa de Pernambuco

 

Soldado da Companhia das Índias Ocidentais. Pintura de Adriaen Van Nieulandt (1625-1630)

"Os fatos sobre a conquista holandesa são conhecidos e os historiadores são unânimes em afirmar o quanto os cristãos novos portugueses estavam ansiosos para que o estabelecimento dos holandeses fosse bem sucedido, pois desse modo poderiam voltar a sua verdade de fé, o judaísmo. O principal espião dos holandeses no Brasil era o senhor de engenho João Brabantino, cristão novo que residia em Pernambuco desde 1618 ou 1620, e que forneceu informações valiosas aos invasores que ocuparam a vila de Olinda em fevereiro de 1630.


Mapa da Invasão Holandesa de Pernambuco em 1630.

Segundo o cronista Duarte de Albuquerque Coelho, o Judeu Antonio Dias Paparrobalos, serviu de guia central para as tropas que desembarcaram. A expedição militar organizada em 1629, composta de mercenários de várias nacionalidades, incluía uma unidade composta em sua maioria por judeus portugueses, chamada na época de "Companhia dos Judeus". Sua existência é confirmada pelo historiador Hermann Kellenbenz que descobriu nos documentos da Inquisição espanhola em Madri, uma lista de 41 nomes de judeus serfaditas e 20 asquenazes da Alemanha que se alistaram como soldados da frota do almirante Hendrick Lonck que tomou Pernambuco em 1630. A lista foi relatada pelo Capitão português Estevan de Ares de Fonseca, um cristão novo de Coimbra que se converteu ao judaísmo em Amsterdão. Capturado pelos espanhóis nas guerras contra os protestantes nos países baixos, Fonseca confessou aos inquisidores a participação ativa de judeus portugueses no exército da república holandesa e na invasão do Brasil.


Rabino de Recife Isaac Aboab da Fonseca.

Entre os soldados judeus que mais se destacaram no Brasil Holandês foi o Capitão Moisés Navarro, que veio a Pernambuco como soldado naval, e em 1635 se tornou um senhor de engenho, comerciante de açúcar e tabaco, se tornando um dos homens mais ricos do Brasil Holandês. Foi Moisés Navarro que serviu de intérprete para Sigismund von Schkopp com os portugueses, após a derrota na Batalha dos Guararapes em 1649, e convenceu o comandante Francisco Barreto de Menezes a permitir os holandeses enterrarem seus mortos em Guararapes. Após o fim do Brasil Holandês em 1654, Navarro e seus irmãos Aaron e Jacob se mudaram para a Ilha de Barbados.


João Maurício de Nassau, visto como o principal Protetor dos Judeus do Brasil Holandês.

Segundo relatos de Johan Nieuhof, muitos Judeus de Recife preferiram morrer em combate contra a insurreição pernambucana a serem forçados a se converter ao catolicismo novamente. Em 1655 Frei Manoel Calado relatou que dois soldados judeus capturados em Recife, Jacques Franco, e Isaac Navarro foram rebatizados a fé católica a acabaram ficando no Brasil mesmo após o fim da presença holandesa". 

Fonte: Judeus no Brasil: Estudos e Notas. Por Thana Mara de Souza.

Originalmente postado em A Terra de Santa Cruz

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Antonieta de Barros, a parlamentar negra pioneira que criou o dia do professor

 

Antonieta de Barros nasceu em Florianópolis, Santa Catarina, em 11 de julho de 1901. De família muito pobre, ainda criança ficou órfã de pai, sendo criada pela mãe. Ingressou com 17 anos na Escola Normal Catarinense, concluindo o curso em 1921.

Em 1922, a normalista fundou o Curso Particular Antonieta de Barros, voltado para alfabetização da população carente. O curso foi dirigido por ela até sua morte e fechado em 1964. Professora de Português e Literatura, Antonieta exerceu o magistério durante toda a sua vida, inclusive em cargos de direção. Foi professora do atual Instituto de Educação entre os anos de 1933 e 1951, assumindo sua direção de 1944 a 1951, quando se aposentou.Antonieta de Barros notabilizou-se por ter sido a primeira deputada estadual negra do país e primeira deputada mulher do estado de Santa Catarina. Eleita em 1934 pelo Partido Liberal Catarinense, foi constituinte em 1935, cabendo-lhe relatar os capítulos Educação e Cultura e Funcionalismo. Atuou na assembléia legislativa catarinense até 1937, quando teve início a ditadura do Estado Novo.

Com o fim do regime ditatorial, ela se candidatou pelo Partido Social Democrático e foi eleita novamente em 1947, desta vez como suplente. Na ocasião, continuou lutando pela valorização do magistério: exigiu concurso para o provimento dos cargos do magistério, sugeriu formas de escolhas de diretoras e defendeu a concessão de bolsas para cursos superiores a alunos carentes.

Além da militância política, Antonieta participou ativamente da vida cultural de seu estado. Fundou e dirigiu o jornal A Semana entre os anos de 1922 e 1927. Neste período, por meio de suas crônicas, ela veiculava suas idéias, principalmente aquelas ligadas às questões da educação, dos desmandos políticos, da condição feminina e do preconceito racial. Dirigiu também a revista quinzenal Vida Ilhoa, em 1930, e escreveu vários artigos para jornais locais. Com o pseudônimo de Maria da Ilha, ela escreveria o livro Farrapos de Idéias, em 1937.

Ao longo de sua vida, Antonieta atuou como professora, jornalista e escritora. Como tal, destacou-se, entre outros aspectos, pela coragem de expressar suas idéias dentro de um contexto histórico que não permitia às mulheres a livre expressão; por ter conquistado um espaço na imprensa e por meio dele opinar sobre as mais diversas questões; e principalmente por ter lutado pelos menos favorecidos, visando sempre a educação da população mais carente.

Antonieta faleceu no dia 18 de março de 1952.

Originalmente postado em antigoacordacultura

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

Dona Armanda, a Escola e o Mate com Angu



A história da Escola Proletária Meriti começa em 1921, com a chegada da professora Armanda Álvaro Alberto  a estação de trem Meriti, então 8° Distrito de Nova Iguaçu e mais tarde o município de Duque Caxias. Local pobre, rural e que estava sendo devastado pela malária. Armanda moradora de Copacabana, família rica, vinha da cidade de Angra dos Reis, onde já tinha implantado nas sombras de pés de bambu, sala de aula ao ar livre para cerca de 50 crianças e adolescentes, filhos de pescadores. Suas aulas eram baseadas na realidade das crianças. Tratava sobre a geografia do local, agricultura, arte, artesanato.

A Escola Proletária Meriti foi a primeira do Brasil e da América Latina que serviu a pioneira e conhecida: merenda escolar. No cardápio: angu e mate. Fubá e erva mate eram alimentos doados com frequência pelos comerciantes da região, então essa combinação sempre estava na alimentação dos alunos. A expressão “mate com angu” foi dada em tom pejorativo e de forma jocosa pelo delegado Filinto Muller. Era ele quem monitorava a professora no período da Ditadura Vargas. Perseguida, teve que  retirar a palavra “proletária” por acharem vinculada ao comunismo e o espaço passou a chamar-se: Escola Regional Meriti. Dona Armanda era acusada por exemplo de transformar a escola em um restaurante, mas argumentava: “dá para aprender com fome? E com fome, dá para viver?”

A escola foi a primeira do país a ter o método da pedagoga italiana Maria Montessori aplicado. O Método Montessori, transformou o espaço de aula em um ambiente de canto, teatro, arte e natureza, fora das amarras e educação mecânica comuns da época. No “Mate com Angu” as crianças não recebiam notas, não eram aprovados ou reprovados, tampouco se usava as carteiras, lousas. As aulas eram realizadas a céu aberto, onde as crianças aprendiam até o cultivo de hortas e como criar o bicho-da-seda e abelhas.

Foi também a primeira escola do país com horário integral, um museu com peças do Jardim Botânico e Museu Nacional, a caixa escolar que consistia em prestação de assistência em saúde aos alunos e suas famílias, cursos de corte e costura, puericultura, carpintaria, cozinha, higiene infantil e o inédito Círculo de Mães, onde a comunidade era convidada para debater o dia a dia da escola. Também foi no anexo da unidade que criou a primeira biblioteca pública de Duque de Caxias com um clube de leitura.

Dona Armanda, escreve em seus princípios, como monstra documento de abril de 1925 que a escola deve ser um local de: saúde, alegria, trabalho e solidariedade. Em 1927, participa da I Conferência Nacional de Educação, em Curitiba. Nesse encontro, a Escola Regional de Meriti recebeu um especial voto de aplauso do conselho diretor da Associação Brasileira de Educação.

Em 1928, é realizada a sonhada inauguração da sede definitiva – carinhosamente chamada por Dona Armanda de “Nossa Casa” – com projeto assinado por Lúcio Costa. A repercussão do trabalho era tamanha que a escola foi homenageada no jornal “Correio da Manhã” por Carlos Drummond de Andrade e recebeu um piano doado por Villa-Lobos e um “kodascópio” por Roquete Pinto, onde passam a ser reproduzidos semanalmente filmes do Instituto Nacional do Cinema Educativo. 

Armanda também tinha militância pelos direitos das mulheres – foi uma das três mulheres que assinaram o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, em 1932, ao lado de Noemy M. da Silveira e Cecília Meirelles que defendia uma educação pública, gratuita, laica e direcionada às necessidades de todos. Ao lado de Edgar Sussekind (seu esposo) e Francisco Venâncio Filho fazia parte da Liga Anticlerical e defenderam no conselho diretor da Associação Brasileira de Educação, uma postura  apolítica e laica. Em maio de 1935, foi uma das criadoras ao lado de Eugênia Álvaro Moreyra e, depois, a primeira presidente da União Feminina do Brasil (UFB), movimento político filiado à Aliança Nacional Libertadora (ANL). Quando se casou com o professor Sussekind, recusou-se adotar o nome do marido, por defender a posição dos movimentos feministas.

Em outubro de 1936, foi presa como suspeita de ligação com o Partido Comunista do Brasil e de participação na Intentona Comunista de 1935. Permaneceu na Casa de Detenção do Rio de Janeiroaté junho de 1937, dividindo a famosa “cela 4” com Olga Benário Prestes e Maria Werneck de Castro, local onde também passou Nise da Silveira. Durante a prisão, Armanda escrevia aos alunos e recebia cartas e cadernos dos mesmos. Em seu depoimento, Armanda negou que a UFB tivesse mantido qualquer ligação com o então Partido Comunista do Brasil (PCB). Julgada, foi absolvida, afastando-se das atividades políticas para se dedicar exclusivamente à sua obra pedagógica.

Armanda morreu aos 81 anos em 1974 e a escola foi doada para o Instituto Central do Povo. Atualmente é mantida em parceria com a prefeitura de Duque de Caxias e tem o nome de Escola Municipal Drº Álvaro Alberto, a pedido de Armanda em homenagem ao pai. Hoje, graças a intensa mobilização da sociedade civil e organizada, o prédio da escola foi tombado como Patrimônio Histórico da cidade, após  ameaças de construção de um shopping ao redor. Intenção essa que ainda mantém vigilância em defesa do espaço que mantém a história e o legado de Dona Armanda vivos.

A historiografia de Armanda vem sendo merecidamente resgatada. Em 2010, sua ex-aluna e professora Dalva Lazaroni, lançou o livro “Mate com Angu – A História de Armanda Álvaro Alberto” e em 2017 foi lançado o documentário “Armanda” dirigido por Liliane Leroux e Rodrigo Dutra. Já a história do delegado que tentou diminuir a iniciativa de alimentar os alunos pobres, foi esquecida junto com sua mediocridade.

Por Marroni Alves

Cidadão da Baixada. Filho, neto e bisneto de pernambucanos, é caxiense, portelense, tricolor, professor de História e Jornalista. É pesquisador na área da pessoa com deficiência, voluntário do Lions Clube Xérem e no Pré-Vestibular Comunitário da Educafro.

Originalmente postado no diáriodoRio

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quarta-feira, 14 de outubro de 2020

A instalação de antenas de transmissão no alto do Morro do Sumaré, no Maciço da Tijuca, RJ

 

Esta imagem mostra profissionais da extinta TV-Rio planejando o trabalho de instalação de antenas de transmissão no alto do Morro do Sumaré, no Maciço da Tijuca, no Rio de Janeiro. A fotografia foi publicada no jornal Correio da Manhã em 3 de julho de 1955 em uma reportagem sobre as transmissões experimentais da nova emissora de televisão da cidade.

A matéria destaca as vantagens da instalação da antena no Sumaré. Situado a mais de 700 metros acima do nível do mar e podendo ser visto de quase todas as partes da cidade, o alto do morro é um ponto privilegiado para instalação de antenas de telecomunicações. Hoje, 18 torres de rádio e TV transmitem seus sinais a partir do local.

Nas últimas décadas, houve um grande desenvolvimento dos dispositivos televisivos.  Vivemos em um momento em que os avanços tecnológicos possibilitaram a implantação da TV digital e quando cada vez mais pessoas usam a TV para acessar a internet. Além disso, aparelhos de televisão estão presentes em cerca de 96% dos domicílios brasileiros, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2018.

Mas, no ano de 1955, essa realidade era ainda muito distante. Assim, é curioso ler a reportagem do jornal Correio da Manhã sobre a entrada em operação da TV-Rio. Segundo a matéria, o início das transmissões da nova emissora era algo “auspicioso para os que possuem receptor de televisão” (Correio da Manhã, edição 19101, 3 de julho de 1955, 1° Caderno, p. 9).

Na imagem, profissionais instalam antenas de transmissão no Morro do Sumaré, Rio de Janeiro, 1955. Arquivo Nacional. Fundo Correio da Manhã. BR_RJANRIO_PH_0_FOT_00907_032

Originalmente postado no Arquivo Nacional Brasil @instagram

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

Tabaco e Ouro Contrabandeado de Minas: Holandeses e Ingleses no Tráfico de Escravos no Brasil do Século XVIII

  Comércio de tabaco entre Holandeses e portuguêses na costa da África. Pintura Holandesa de 1678. O envolvimento da Companhia Holandesa das...