21.4.19

Funcionamento e bens da Fazenda dos Jesuítas



Para a época em que os jesuítas, ocuparam sua fazenda, tudo ainda era muito difícil, é preciso que se entenda. Pois quase tudo que se usava, vinha da Europa de encomenda.

Pelo que os jesuítas conseguiram, Em sua fazenda desenvolver, Revela a grande capacidade, Que eles tinham em resolver, Os seus problemas básicos, Para garantir um farto viver.

A Fazenda dos Jesuítas, Era um complexo agrícola-industrial, Ali eles faziam de tudo, Era um movimento colossal, Da Olaria ao Estaleiro, Do plantio a criação do animal.

Vamos neste livreto descrever, Fatos na verdade reais, Ocorridos no ano de 1742, E que estão nos anais, Um inventário então feito, Ainda em épocas coloniais.

Em 1658 as pequenas povoações, Que na Fazenda iam surgindo, Eram chamadas de Currais, E iam então evoluindo, Pagando um foro anual, Coisa que todos iam assumindo.

Nessa época na Fazenda, Existiam 18 Currais, Além do Curral dos Índios, Todos com vida normais, Alguns ainda hoje tem, Os nomes originais.

Curral Falso, Todos os Santos, São João, São Luiz, São Barnabé, Cruz, Casa, São Marcos, São Paulo, São Boaventura, , São Francisco, São José, São Estevam, São Inácio, São Pedro, Nossa Senhora, os Currais tinham muita fé.

O foro anual por Curral, Para o dos Índios 3 Galinhas, Para os demais eram quatro, Contanto que fossem gordinhas, Só depois passou a Seis aves, Isso após muitas ladainhas.

Esse foro era uma compensação, Por lavrarem em terras da Fazenda, Pela criação do gado, Por usarem lenha e moenda, Era uma insignificância, Para quem já tinha alguma renda.

Depois o foro foi mudado, para quatro dobras anuais, A dobra era uma moeda portuguesa, Ainda dos tempos coloniais, Que passou a substituir as Galinhas, Nos pagamentos normais.

Em 1742, a Fazenda de Santa Cruz, Fez um inventário geral, De todos os seus bens, De forma muito real, Que hoje nos dá ideia clara, Do seu grande potencial.

No balanço de animais encontrava-se, 1658 cabeças de bovinos, 1140 cabeças ao todo, Era a quantidade de equinos, Apenas duzentas cabeças, Era a quantidade de ovinos.

Existiam 700 servos, Para os serviços gerais, Todos tinham tarefas, Algumas até especiais, Primavam pela organização, Embora com métodos feudais.

Alguns eram responsáveis, Pelo pastoreio dos animais, Outros amansadores de burros, Para valorização comercial, Outros nas oficinas da Fazenda, Para os trabalhos especiais.

O Jesuíta estudava com cuidado, De cada servo sua vocação, Para fazer o aproveitamento, Com bastante planificação, Para tirar de cada um, O máximo de produção.

As mulheres com seu trabalho, É que garantiam a fartura, Lidavam apenas com a terra, Desenvolvendo a agricultura, Na Fazenda colhia-se de tudo, De forma muito segura.

A Fazenda de Santa Cruz, Era uma perfeita povoação, Pois alí, havia de tudo, Dando a todos satisfação, Era uma vida civilizada, Obedecendo boa planificação.

Para a época era a Fazenda, Um estabelecimento moderno, Complexo Agrícola Industrial, Com grande movimento interno, Enfrentando as estações do ano, Da Primavera ao inverno.

Tinha uma Bela Igreja, Grande residência sobradada, Hospedaria e um Hospital, Uma escola para a gurizada, Também para catequese, Com educação bem formada.

Na Fazenda tinha Cadeia, Para a pessoa abusada, Tinha várias oficinas, Também a de prata lavrada, Ferraria e Tecelagem, E Carpintaria bem montada.

Tinha também uma Olaria, Assim como a casa de Cal, Também a casa de Farinha, Uma coisa primordial, Casa da descasca de Arroz, Tudo com base comercial.

Existia a casa do Cortume, A Engenhoca de Aguardente, A usina de Açúcar em construção, Com maquinário já assente, E um indispensável estaleiro, Com um trabalho inteligente.

No Estaleiro se fabricava, Canoas para navegação, Também grandes Sumaças, Feitas alí com precisão, Todas servindo a Fazenda, No transporte da produção.

Existiam Roças de Mandioca, De milho, também de Feijão, Plantava-se muita verdura, Muito Arroz, Cana e Algodão, Alí encontrava-se de tudo, Era bem variada a plantação.

A Igreja tinha três Altares, Ela e a Sacristia eram azulejadas, A Pia Batismal de Pedra do Reino, Obras muito bem acabadas, Na Sacristia uma linda Arca, Com muitas coisas guardadas.

A Arca tinha 42 Gavetas, Era uma peça indispensável, Guardavam nelas os Ornamentos, De toda vida sociável, Paramentos, Toalhas etc, Era uma peça notável.

A Igreja era Completa, Com Retábulo e Painéis, Imagens, e lindo Presépio, Livros e muitos papéis, Nada de ouro, só muita Prata, E muita devoção dos fiéis.

O Hospital que existia, Para atender a servidão, Era de paredes de tijolos, Com uma vasta repartição, Com cobertura de telhas, A pintura era de caiação.

Para os Padres existia, Uma enfermaria privativa, Para qualquer necessidade, Numa doença relativa, Onde o enfermo permanecia, Durante a fase corretiva.

Fora dessa enfermaria, Havia duas salas separadas, Uma para cada sexo, Onde os enfermos eram tratados, Anexo havia pavilhões, Para epidemias mais ousadas.

Tinham alí uma Biblioteca, Com livros especiais, Sobre Medicina e Cirurgia, Para a época muito atuais, Nos quais eles se apoiavam, Para emergências normais.

A Festa titular da Igreja, Assim como do lugar, Era a Exaltação da Santa Cruz, Festa de fato bem popular, A todo 14 de Setembro, Ela tinha que se realizar.

Para finalizar a festa, Era feita linda procissão, Com todas as Confrarias, Que disso faziam questão, Com o Hino, Te-Deu Landa-mus, Encerrava-se a programação.

Os Jesuítas em sua modéstia, E pelo princípio de economia, Em 1717, foram criticados, Pelo Conde Assumar e companhia, Por ter passado pela Fazenda, E não ter encontrado mordomia.

Não é que os Jesuítas, Não soubessem as visitas honrar, Eram bons e inteligentes, Mas todos viviam a trabalhar, Não sabiam era fazer distinções, A quem os estava a visitar.

Suas louças não eram ricas, Eram comuns e vidradas, De Estanho, Latão ou Cobre, Elas eram fabricadas, E nas visitas e festividades, Elas eram sempre usadas.

Com o tempo os Jesuítas, Adquiriram da China, Um aparelho de Chá e Chocolate, Para eles coisa granfina, E da Índia uma Baixela, Matizada de Ouro Fino.

E assim os Jesuítas, Procuraram se equipar, Para atender visitas ilustres, Quando os fosse visitar, Sem fugirem a seus princípios, Os quais tudo faziam para preservar.

As grandes obras dos Jesuítas, De Engenharia Hidráulica, Para aquela época secular, Era mesmo coisa fantástica, Dando fim as inundações, Com a técnica programática.

Em sua Fazenda os Jesuítas, Deram exemplos de muito amor, No trabalho com a terra, Onde houve muito explendor, Também nos métodos de catequese, E como o grande construtor.


Fonte do texto: "Funcionamento e Bens da Fazenda dos Jesuítas em Santa Cruz". GONÇALVES, José Roque Mareira, Río de Janeiro, 1989. Livro de Literatura de Cordel baseado na obra de FREITAS, Benedicto de. Volumes I e II, Rio de Janeiro, 1985-1987. In Biblioteca do NOPH.
 
Texto editado e postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego.

16.4.19

Igreja São Francisco de Paula



Um passeio pela história do Rio de Janeiro e do Brasil.

Além de templo religioso que congrega fiéis e devotos de São Francisco de Paula, uma visita à igreja também é conhecer um pouco dos séculos XVIII e XIX, quando o Largo de São Francisco estava se tornando um dos pontos principais do Centro do Rio.

O templo, que é um dos maiores da cidade, foi iniciado ainda no período colonial, por iniciativa das Ordem Terceira dos Mínimos de São Francisco de Paula. A construção começou em 1759 e só foi concluída em 1801.

Seu interior é fruto do trabalho de grandes mestres. Entre eles, o mais talentoso artista do período no Rio de Janeiro: Mestre Valentim. É dele o altar-mor e a Capela de Nossa Senhora da Vitória, trabalho que foi feito entre 1801 até sua morte, em 1813.

Também enriqueceram a Igreja o pintor Mário Bragaldi, responsável pela decoração da nave central, além de Vitor Meireles e Manoel da Cunha. No templo, que é todo recoberto de talha, ainda conta com vitrais executados na Alemanha. Seus sinos ficara famosos e ganharam o apelido de "Aragão".

Naquela época, as igrejas também exerciam um outro papel muito importante na vida da comunidade. Elas eram responsáveis por executar toques de sinos que tinham, cada um seu significado especial. Entre os anos de 1824 e 1827, cabia aos sinos da São Francisco de Paula executar o toque de recolher do então intendente geral da Polícia, Teixeira de Aragão.

SÃO FRANCISCO DE PAULA E A ORDEM DOS MÍNIMOS

A igreja é dedicada a São Francisco de Paula, fundador da Ordem dos Mínimos. Italiano, nasceu no início do século XV, ficou conhecido pelo seu desapego aos bens materiais e total dedicação ao próximo.

A criação da Ordem dos Mínimos é uma mensagem clara de sua conduta de vida: que para servir a Jesus, é preciso ser mínimo, isto é, ser um servo de todos.

Fachada da igreja

Um dos mais belos templos do Rio de Janeiro, a Venerável Ordem Terceira dos Mínimos de São Francisco de Paula dá nome ao largo onde está localizada, no Centro do Rio de Janeiro. Seu interior neoclássico encanta muitos casais da cidade. Por isso, a Igreja é um dos endereços mais concorridos da cidade para celebração de casamentos.

​Originariamente postado em:
https://www.igrejasaofranciscodepaula.org/igreja

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

15.4.19

Catedral foi inspiração para 'O Corcunda de Notre-Dame'


Parte da torre despencou por volta das 19h50 (14h50 no horário de Brasília)
Foto: Eric Feferberg / AFP

O escritor francês Victor Hugo ajudou a popularizar a catedral com o emblemático livro "O Corcunda de Notre-Dame", de 1831

A mais famosa igreja gótica de Paris e do mundo, a Catedral de Notre-Dame, pegou fogo deixando a tarde desta segunda-feira (15) mais triste. O escritor francês Victor Hugo ajudou a popularizar a catedral com o emblemático livro "O Corcunda de Notre-Dame", de 1831, a edição que logo se tornou um best-seller e posteriormente inspirou numerosas adaptações literárias, teatrais e cinematográficas.

A história não centraliza somente na tradicional Catedral, mas traça uma panorama de toda a sociedade parisiense na Idade Média. Entre outros aspectos, apresenta personagens de diversas camadas sociais como os nobres, os ciganos e os monarcas.

Inspiração na Catedral

O romance se passa em Paris, no ano de 1482. Todo enredo se centraliza na Catedral de Notre-Dame e nos seus entornos como a Île de la Cité, localizada no rio Sena. Outra estrutura descrita por Victor Hugo no romance é o Palácio da Justiça, que à época centralizava o governo da cidade.

A obra gira em torno de um homem manco e deformado que foi adotado pelo arcediago Claudio Frollo. Batizado de Quasímodo, enfrenta uma série de peripécias por conta de um amor não correspondido por uma bela cigana, Esmeralda.

O personagem principal, Quasimodo, vive desde pequeno na igreja, aos quatro anos de idade ele foi abandonado pelos pais na porta da Catedral devido à sua deformidade singular. Em sua vida adulta, Quasimodo recebe a missão de guardar os sinos de Notre-Dame e após anos em contato com seu badalar, desenvolve surdez.

Disney

No cinema a obra de Victor Hugo também ficou muito famosa por uma animação realizada pela Disney em 1996. O romance é em alguns pontos diferente da obra original, nela, Quasimodo é um jovem com deformidades físicas que mora e se esconde nas torres da catedral de Notre-Dame.

Entre outras modificações, o personagem não é surdo e fala fluentemente, e sonha viver fora do campanário. Mesmo assim, o filme não deixa de ser considerado um clássico do desenho animado.

A bilheteria do filme fez ao todo US$ 325,3 milhões pelo mundo. Em 2019 foi revelado que a Disney planeja fazer uma versão Live Action de "O Corcunda de Notre Dame".
Incêndio

Um incêndio atingiu a emblemática Catedral de Notre-Dame, localizada na Île de la Cité, em Paris, nesta segunda-feira (15). A tragédia está "Potencialmente ligada" ao trabalho de reformas da construção, segundo o corpo de bombeiros, e já destruiu todo o pináculo do monumento.


Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

14.4.19

Rua das Violas



RUA DAS VIOLAS – Aberta em meados do século décimo sétimo, um dos primeiros ou talvez, o primeiro nome que teve foi o de Domingos Coelho. Por morte de Domingos Coelho Valadares, abastado proprietário, que construíra vários prédios no logradouro e fora irmão da Ordem Terceira da Penitência, sua viúva, Serafina de Andrade, legou um daqueles prédios à Santa Casa da Misericórdia, que desistiu do legado por achar que a casa estava situada em lugar deserto e oferecer possivelmente insignificante rendimento à instituição. No Dietário, do Mosteiro de São Bento, encontramos registada a nominação de Rua Serafina, em memória da viúva de Domingos Coelho. Em 1710 não ultrapassava a via pública da Rua dos Ourives e não podia ser prolongada devido aos grandes alagadiços, que se estendiam até o local chamado de Ilha Seca. Em meio desses terrenos pantanosos, permaneceu assim insulada a área entre as ruas dos Ourives, do Fogo e Estreita de São Joaquim.

Rua dos Três Cegos é outra denominação que lhe foi dada nos primeiros tempos. Na porção que fica aos fundos da Igreja de Santa Rita – chamou-se Rua Detrás de Santa Rita e também da Ilha Seca. Em fins do século XVIII passou a se chamar das Violas, em atenção aos violeiros que se estabeleceram na rua ou em suas redondezas.

Deveria ser reduzido o número de fabricantes e mercadores daqueles instrumentos musicais. Antônio Duarte Nunes, em seu Almanaque Histórico da Cidade de São Sebastião, (1799), regista apenas cinco violeiros na cidade Não nos diz se eram todos estabelecidos na Rua das Violas. Seriam, todavia, poucos e bem poucos, para uma terra de amigos da música e de trovadores de reisados e cantatas da festança do Divino Espírito Santo.

Apesar dos pântanos e das inundações que se seguiam às chuvas torrenciais, tornou-se assaz animado o comércio dessa rua. Em sua History of Brazil, o inglês James Hendersen registra a frequência de mercadores na Rua das Violas, – interessados na venda de produtos para o interior do país. A alguns dos lojistas vendiam, negociantes britânicos, vultosas partidas de mercadorias, que atingiam de trezentas a quatrocentos libras esterlinas diariamente.

Perdeu a Rua das Violas o seu antigo nome por deliberação da Ilma. Câmara Municipal, em sessão de 11 de novembro de 1869, recebendo o nome de Rua Teófilo Otoni, por proposta do vereador João Batista dos Santos, em memória do ilustre patriota Teófilo Benedito Otoni, falecido a 17 de outubro do mesmo ano.

Fonte:

Anotação de Noronha Santos na introdução do livro "Memórias para Servir à História do Reino do Brasil".

Legenda da imagem:

Rua das Violas no Guia e Plano da cidade do Rio de Janeiro, 1858, publicado por A.M.Mc. Kinney e Roberto Leeder, Acervo Biblioteca Nacional.

Origináriamente postado na página refício.cc

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

12.4.19

A Curiosa História do santo padroeiro dos cervejeiros, Santo Arnulfo de Metz


 Enciclopédia Católica. Imagens de Domínio Público

Alguns católicos pensam que o consumo de cerveja e outras bebidas alcoólicas é pecado. Sem embargo, a Igreja não vê problema no consumo moderado de álcool, sempre e, quando este se faça com responsabilidade e não ponha em risco nossa santificação. Também devemos recordar que a Igreja tem um rito em latim para abençoar a cerveja e, como não, também temos a São Arnulfo de Metz, padroeiro dos cervejeiros. Hoje falaremos sobre a vida desse grande santo.

Sua proximidade da fé:

Arnulfo nasceu na Áustria, no ano de 580, em tempos que o país era muito famoso por elaborar cervejas de excelente qualidade. Desde pequeno se sentia chamado a seguir a Deus, e por isso, entrou num monastério beneditino, sendo muito jovem. Posteriormente foi nomeado abade, finalmente bispo de Metz, na França, aos 32 anos.

Tomar cerveja ou morrer:

Sendo bispo de Metz chegou a dita região uma peste terrível que contaminou a água e muita gente ficou doente por consumi-la, por essa razão Santo Arnulfo animava seus fiéis a deixar de consumir a agua contaminada e beber cerveja. hoje sabemos que ao ferver a água para a fabricação da cerveja esta fica livre dos germes que produziam a enfermidade.

A multiplicação da cerveja:


No ano de 627, Santo Arnulfo, se retirou a um mosteiro perto de Remiremont na França onde morreu e foi enterrado, em 640. No ano seguinte, os cidadãos de Metz pediram que seu corpo fosse exumado e  levado a cidade para enterrá-lo na Igreja local. Enquanto carregavam o corpo de volta, vários fiéis sentiram-se cansados, esgotados e pararam numa taberna para comprar cerveja. Ao entrar, descobriram com tristeza que só havia uma garrafa e tiveram que compartilhar. Surpreendentemente a garrafa nunca acabou e todos puderam beber a cerveja e matar sua sede. O milagre foi atribuído a São Arnulfo e é a razão pela qual a Igreja o considera o santo padroeiro dos cervejeiros.

Hoje em dia é venerado como santo na Igreja católica e na Igreja ortodoxa e sua festa em 18 de julho.

Origináriamente postado na página pt.churchpop.com
 
Quer saber mais? Clique no link abaixo:
https://saibahistoria.blogspot.com/2006/05/histria-da-cerveja.html

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

9.4.19

Crônica de uma chuva anunciada



Apesar de Crivella ter qualificado chuva de segunda-feira como "atípica", o Rio de Janeiro sofre com alagamentos, enchentes e tempestades desastrosas desde 1570.

A cidade do Rio de Janeiro ficou literalmente debaixo d´água na noite de 8 de abril de 2019. Pelas redes sociais, cenas de ruas alagadas, pessoas ilhadas, casas destruídas e carros boiando chegavam aos borbotões. A chuvarada não poupou região alguma. De Santa Cruz a Ipanema, da Tijuca ao Vidigal, a água passou fazendo estragos materiais e vítimas fatais. As autoridades manifestaram a surpresa com o temporal. O prefeito Marcelo Crivella, que andou cortando verbas de serviços de combate a enchentes e deslizamentos, considerou a chuva "atípica". Mas será mesmo que alguém com o mínimo conhecimento sobre a história da cidade pode dizer que a enchente surpreendeu os cariocas?

— A cidade do Rio de Janeiro foi fundada lutando contra a natureza. Arrasando morros, drenando pântanos, aterrando mangues, a baía, lagoas e praias, de uma forma um tanto desordenada, chegamos aos trancos e barrancos até aqui. O fato é citado por cronistas e viajantes desde o século XVI.

— Tempestades são inevitáveis. Alterações no clima podem apenas piorar o que é comum desde os tupinambás e se aprofunda com a urbanização descontrolada. O descaso do poder público, as exceções confirmam a regra, só deixou as coisas mais difíceis ao longo dos tempos.

— Na década de 1570, o padre jesuíta José de Anchieta manifestou espanto com as fortes chuvas que alagaram a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

— Uma chuvarada que não saiu da memória dos cariocas aconteceu em 1711, durante uma invasão de piratas franceses. Liderados por Dugay-Trouin, os corsários tomaram o Rio de Janeiro e anunciaram o sequestro da cidade no meio de um temporal que inundou tudo.

— A enchente de 1811 é das mais famosas da cidade. Recebeu até nome: "Águas do monte". Morreu gente, as muralhas da Fortaleza de São Sebastião desabaram, parte do Morro do Castelo veio abaixo. O Príncipe-Regente Dom João ordenou a abertura de todas as igrejas para acolher desabrigados.

— Em 1854, uma enchente acabou com uma procissão de quarta-feira de cinzas e destruiu o centro da cidade. Em 1897, as águas tomaram o Palácio do Itamaraty durante uma festa e arrasaram as ruas vizinhas.

— Olavo Bilac escreveu o seguinte sobre a enchente de 1904, durante as reformas do prefeito Pereira Passos: "Das ruas transformadas em rios, as praças, mudadas em lagoas, os bondes metamorfoseados em gôndolas, - e homens e cachorros nadando, como peixes, pela vasta extensão das águas derramadas”.

— Parte dos morros da Gamboa, Santa Teresa e Santo Antônio foram arrasados pelas águas, durante uma chuvarada em 1906. O Mangue transbordou, o que acontecia com alguma frequência, inundando a Praça da Bandeira e arredores. Em 1924, parte do Morro de São Carlos veio abaixo.

— A enchente de janeiro de 1966 deixou mais de 250 mortos e 50 mil desabrigados. No ano seguinte, um deslizamento em Laranjeiras arrasou uma casa e dois edifícios. Morreram mais de duzentas pessoas. A família de Paulinho Rodrigues, irmão de Nelson Rodrigues e Mário Filho, morreu soterrada.

— A enchente de fevereiro de 1988, logo depois do carnaval, deixou 289 mortos e quase 30 mil desabrigados. O desfile das campeãs daquele ano foi cancelado, com a Marquês de Sapucaí parecendo uma lagoa. Temporais similares são constantes na história da cidade. Grandes enchentes castigaram a Zona Oeste e a Baixada de Jacarepaguá na década de 1990, por exemplo.

Registro nas artes

— Os cariocas apelidaram a enchente de 1864 de "Chuva de pedra". A cidade ficou debaixo d´água, choveu granizo, casas caíram, igrejas foram destelhadas, bois passavam boiando. Machado de Assis, nascido em 1839, conta que nunca se esqueceu daquele dilúvio. Em Dom Casmurro, Machado relata que foi uma enchente que aproximou os meninos Bentinho e Capitu.

— Lima Barreto escreveu a mais famosa crônica sobre enchentes na cidade, em 1915. O escritor acusou Pereira Passos diretamente: "O prefeito Passos, que tanto se interessou pelo embelezamento da cidade, descurou completamente de solucionar esse defeito do nosso Rio."

— J. Carlos fez charges sobre diversas enchentes que apavoraram o Rio na década de 1920. No livro “O Vidente Míope”, que escrevi sobre a obra dele, com organização de imagens do caricaturista Cássio Loredano, falo sobre isso.

— Ari Barroso compôs Aquarela do Brasil por causa de uma enchente que o impediu de sair de casa, em 1939. Indignado porque não poderia ir ao bar tomar umas biritas com os amigos de boêmia, Ari resolveu relaxar ao piano. Enquanto a cidade desabava, Aquarela do Brasil surgia.

— Moreira da Silva gravou “Cidade Lagoa”, de Cícero Nunes e Sebastião Fonseca, em 1959:

"Esta cidade, que ainda é maravilhosa,
Tão cantada em verso e prosa,
Desde os tempos da vovó.
Tem um problema, crônico renitente,
Qualquer chuva causa enchente,
Não precisa ser toró.
Basta que chova, mais ou menos meia hora,
É batata, não demora, enche tudo por aí.
Toda a cidade é uma enorme cachoeira,
Que da Praça da Bandeira,
Vou de lancha a Catumbi."

A quem interessar

— Para quem quiser saber mais, sugiro Vivaldo Coaracy: “Memórias da cidade do Rio de Janeiro”. Vieira Fazenda tem o clássico “Antiqualhas e Memórias do Rio de Janeiro”. De Marques Rebelo, grande cronista da cidade, sugiro “O Trapicheiro”, que fala das chuvas. "As enchentes", crônica de Lima Barreto, é facilmente encontrada na rede. As crônicas cariocas de Machado de Assis estão reunidas em "A Semana". Andréa Casa Nova Maia tem o artigo "Memórias de Rio de Janeiro inundado em relatos de cronistas e literatos", publicado nos anais do XXVII Simpósio Nacional de História, realizado em Natal, no Rio Grande do Norte.

— Apesar disso, o prefeito Marcelo Crivella, mais de quatrocentos anos depois de o Padre Anchieta manifestar preocupações com as chuvas de 1570, se declarou surpreso e considerou "atípico" o que aconteceu na cidade em abril de 2019.

Por Luiz Antonio Simas

Originariamente postado epoca.globo.com

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

7.4.19

Sepetiba fazia parte da Fazenda Real, a Joia da Capitania



Banhado pela baía de mesmo nome, o bairro de Sepetiba, no extremo oeste do Rio de Janeiro, possui cerca de 40 mil habitantes e um dos piores índices de desenvolvimento social – IDS – do município, segundo o Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos. O IDS leva em conta o acesso dos moradores a saneamento básico, qualidade habitacional, grau de escolaridade e renda.

Lugar privilegiado pela natureza, de beleza ímpar, separado do Oceano Atlântico pela delgada Restinga da Marambaia, sofre atualmente - tanto pelo aspecto social quanto pelo econômico - com a poluição de suas praias, já que a pesca e o turismo, atividades básicas de sobrevivência local, estão comprometidas.

O bairro possui grande relevância histórica. Estudos de pesquisadores da Uerj e da UFRRJ atestam que há registros pré-históricos de ocupação indígena no litoral da Baía de Sepetiba. Foram encontrados 34 sambaquis, ou seja, depósitos de materiais orgânicos e calcários empilhados ao longo do tempo, que serviam, entre outras finalidades, para identificar o grupo indígena que habitava a região. Os sambaquis continham conchas, lâminas de quartzo, pedras de amolar, machado e fragmentos de ossos.

Os índios tamoios deram nome à localidade ao notarem que havia muito sapê na região, e a chamaram de çape-tyba, ou sítio dos sapês – vegetação nativa. A palavra tupi foi aportuguesada pelos jesuítas, tornando-se Sepetiba.

Companhia de Jesus

No período colonial, Sepetiba fazia parte da gigantesca Fazenda de Santa Cruz, pertencente aos jesuítas e conhecida como a Joia da Capitania. A propriedade, de 1.167 km², estendia-se até Vassouras. Havia pecuária, produção de açúcar, arroz, feijão, mandioca, anil, fumo, algodão, legumes, frutas, cacau e café, entre outros. E também manufaturas: olaria, ferraria, carpintaria, serraria, fábricas de cerâmica, de canoas, de móveis e de artigos de couro, estaleiro, ourivesaria, prateiros, tecelagem, forno de cal, casa de farinha, engenhos. A propriedade ainda possuía hospital, botica (espécie de farmácia), senzalas e armazéns. Ou seja, era um grande centro agrário-fabril, autônomo, cujo excedente de produtos era escoado tanto em direção à corte quanto para outros engenhos próximos.

A porção da fazenda onde hoje se situa o bairro de Sepetiba, junto à faixa litorânea, era dividida em arrendamentos. Em 1729, contava-se 26 arrendatários. Entre eles, os índios, que pagavam a título de foro, anualmente, três galinhas, e os demais foreiros, quatro. Posteriormente, esse valor foi substituído por meia dobra (antiga moeda portuguesa). Deste modo, os jesuítas garantiam o controle da região do porto que havia em frente à Ilha da Madeira.

Do porto da Fazenda de Santa Cruz seguiam víveres para a Companhia de Jesus – 500 bois anuais, verduras, legumes e açúcar –, cujo ancoradouro ficava na Praia Dom Manuel (que não existe mais), no canto da Praça Quinze.

Palácio de veraneio Real

Em 31 de agosto de 1808, o então príncipe regente Dom João, por meio de decreto, subordinou a administração da Fazenda de Santa Cruz à Casa Real. A partir daí, a residência dos jesuítas transformou-se em palácio de veraneio real, houve melhoramentos na estrada que a ligava à Quinta da Boa Vista e foram construídas as pontes de Piraquara, Bangu e Cabuçu.

Ergueram-se três fortes equipados com baterias de canhões para garantir a segurança da família real: o de São Pedro (guardava as praias de Sepetiba e as ilhas da Pescaria e do Tatu), o de São Paulo (praias de Sepetiba e Piahy) e o de São Leopoldo (no Morro de Sepetiba). Nenhum deles sobreviveu ao tempo.

Em 26 de julho de 1813, Dom João VI, novamente por meio de decreto, fez de Sepetiba um povoado, delimitando sua área e doando as terras aos pescadores e lavradores, inicialmente, formando oito sítios. Durante a República, chegaram habitantes de outras localidades para se fixar nas praias da região, em casas rústicas de telhados de sapê. Desde então, a principal atividade econômica do local é a pesca.

Sepetiba hoje

Atualmente, os pescadores precisam se afastar cada vez mais do litoral para garantir o produto, pois as praias do bairro – Sepetiba (2,6 km), do Cardo (pouco mais de 2 km) e de Dona Luiza ou do Recôncavo (1km) – estão poluídas, justamente por estarem localizadas no fundo da baía, a parte mais assoreada. E não é qualquer tipo de sedimento. Segundo estudo de Julio Cesar Wasserman, coordenador da Rede de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da UFF, há elevada concentração de zinco e cádmio, metais pesados, potencialmente maléficos à saúde humana.

A poluição da Baía de Sepetiba está diretamente relacionada com a água dos rios que deságuam nela, como é o caso do Rio Guandu, trazendo em grande escala esgotos sanitários, resíduos sólidos e despejos industriais sem tratamento adequado.

O Movimento Ecomuseu de Sepetiba busca unir a comunidade local para resistir à degradação do bairro frente às dificuldades. Além da poluição, os moradores convivem com poucas linhas de ônibus, que funcionam em horários espaçados. O transporte é feito predominantemente por vans e kombis, que seguem em direção a Santa Cruz, Campo Grande e Bangu.

Em relação a saúde e educação, a Rua José Fernandes é fundamental, pois concentra o pronto-socorro, a Casa de Saúde República da Croácia, o posto de saúde e dois cieps: Deputado Ulysses Guimarães e Ministro Marcos Freire. Saindo dali, o bairro possui também quatro escolas municipais: Nair da Fonseca, Nelson Romero, Felipe Camarão e Júlio Cesário de Melo, além de um colégio estadual: Carlos Arnoldo Abruzzini da Fonseca.

O comércio é formado por padarias, farmácias, minimercados, um único supermercado, algumas academias de ginástica, muitos quiosques e bares. São destaques a Capela de São Pedro, de 1895, o Sepetiba Iate Clube, fundado em 1947, e o coreto de ferro com base de alvenaria da Praça Washington Luiz, tombado desde 1985, que serviu de cenário para a novela O Bem-Amado, de Dias Gomes, local onde o prefeito Odorico Paraguaçu, interpretado por Paulo Gracindo, fazia seus discursos.

Texto de Larissa Altoé

Originalmente postado na página multirio.rj.gov.br
 
Postado nesta página por Adinalzir Pereira Lamego - Professor e Pesquisador do NOPH

Funcionamento e bens da Fazenda dos Jesuítas

Para a época em que os jesuítas, ocuparam sua fazenda, tudo ainda era muito difícil, é preciso que se entenda. Pois quase tudo que se ...