sexta-feira, 27 de maio de 2022

A Fazenda Imperial de Santa Cruz no Bicentenário da Independência


No dia 26 de maio, uma equipe da Rede Globo de Televisão esteve no Batalhão Villagran Cabrita para captar imagens que comporão uma série especial sobre o Bicentenário da Independência do Brasil para o programa Fantástico.


Durante a gravação, a jornalista Mônica Sanches entrevistou o pesquisador, jornalista e escritor André Luis Mansur, que contextualizou a importância da Fazenda Imperial de Santa Cruz, hoje 1º Batalhão de Engenharia de Combate (Escola), para a Independência do Brasil.


A reportagem especial sobre a Fazenda Imperial de Santa Cruz será exibida em 21 de agosto. A emissora de TV programou quatro reportagens sobre o Bicentenário da Independência. A primeira irá ao ar no Fantástico do dia 14 de agosto.


O local onde hoje está aquartelado o 1º BE Cmb (Es) foi também convento de Jesuítas e posteriormente, Fazenda Imperial de Santa Cruz. Após uma adaptação, passou a ser o Palácio Imperial, utilizado como residência de veraneio da Família Real.


No Palácio houve uma importante reunião da Imperatriz Leopoldina com José Bonifácio de Andrada e Silva para estabelecer as bases para a Independência do Brasil.

Com a chegada da era republicana, a antiga Fazenda passou a incorporar o Patrimônio da União. Nesse período, o local passou a abrigar a 2ª Bateria do 2º Regimento de Artilharia Montada.

Fonte: @becmbes_exercito

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

terça-feira, 24 de maio de 2022

O verdadeiro significado da palavra "criado mudo"

 
Dias atrás, alguém perguntou-me por quê aquele movelzinho que fica ao lado da cabeceira da cama chama-se "criado-mudo". Surpreendi-me com a profundidade do questionamento pois, desde criança, ouvia meus pais e os mais velhos usando o termo "criado-mudo" para falar de tal móvel e, nunca tinha ouvido qualquer professor ou outros eruditos falarem sobre a palavra.

É claro que as enciclopédias e dicionários, costumeiramente, citam com detalhes a historicidade das origens dos termos, de modo que, tais compêndios trazem ao presente narrativas que explicam o uso de determinada palavra, nos mostrando sua melhor aplicação, significância e origem.

No Diccionario Brazileiro da Língua Portugueza, de Antônio Joaquim de Macedo Soares, publicado em 1889, o termo surge como sinónimo de "bidé" e "velador", descrito como "móvel de quarto de dormir, colocado ao pé da cama, e sobre o qual se coloca o castiçal com a vela, a caixa de fósforos, o copo de água, etc.; tem (tinha) tampo de mármore , gavetinha, e duas prateleiras com porta onde se guardam urinóis".  

Explicação perfeita da utilidade do móvel, dado que na época não havia energia elétrica e, a maioria das casas, não tinha banheiro em seu interior: A vela, os fósforos e o urinol eram ítens que deviam ficar bem próximos da cama, caso o sono fosse interrompido por sentimento de "fazer as necessidades".

Complementando, a Encyclopaedia Britânica (edição 1911), cita que na Inglaterra os móveis criados-mudos eram chamados "dumbwaiter", tiveram origem no final do século 18 e que, na língua inglesa, essa palavra aparece desde 1749. Portanto, tal enciclopédia nos ajuda a descobrir sua história e utilidade e que, tais móveis existem há, pelo menos, 270 anos. Portanto, não é um móvel cujo nome possa ser associado com a escravidão brasileira, muito menos com pessoas da cor negra.

Antes de traduzir uma palavra estanquemente, é preciso conhecer suas aplicações. A palavra "criado", naquela época, era usada para indicar a existência de crianças que eram adotadas para serem "criadas" por famílias mais abastadas e, portanto, eram chamadas criados; cresciam e eram criadas naquele lar,  executando serviços domésticos de limpeza e ajuda na cozinha, muitas recebiam estudos e eram até registradas com o sobrenome da família. Era muito comum, também, uma família adotar uma ou mais crianças de parentes, devido ao estado de pobreza da outra família, as quais também eram chamadas de "criadas, criados". Também, havia casos em que pessoas adultas, desprovidas de recursos, buscavam ajuda dos mais abastados e também eram recebidos como "criados", esses trabalhavam em serviços mais pesados, cortando lenhas, plantando, tirando leite de vacas, etc. 

No dicionário Oxford, encontramos a tradução do termo inglês "dumbwaiter": "nome dado a uma mesa auxiliar de serviço; pequena mesa portátil", etc. No inglês americano, a palavra dumbwaiter, derivada pela junção de “dumb” (mudo), e "waiter" (mordomo). Ou seja, mordomo mudo, criado mudo.

Não precisa muito esforço mental para entender que o móvel recebeu esse nome por ser comparado a um "criado", pois estava ali aparando todos aqueles itens, sem se cansar. O móvel, por sua vez, trouxe um segundo grande benefício: era "mudo", não reclamava, não replicava, não saía quebrando o silêncio daqueles momentos íntimos da noite. Imaginem um criado boca-aberta, relatando a terceiros: "fulano acordou-me noite passada para levar vela e penico para ele".

(Fotos: pinterest e internet)

Por Paulo Grani.

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sábado, 30 de abril de 2022

Emilinha Borba - Década de 1950

 
Emília Savana da Silva Borba nasceu no Rio de Janeiro em 1923. Foi uma das intérpretes mais populares da Rádio Nacional e do Brasil no Século XX, fato comprovado através de diversas premiações e do título de “Rainha do Rádio” que conquistou em 1953. 

Ficou marcada também por uma suposta polêmica com a cantora Marlene, considerada sua “rival”. 

Faleceu em 2005 deixando um legado de músicas muito conhecidas no nosso cancioneiro, tais como as marchas “Chiquita Bacana”, “Tomara Que Chova”, “Vai Com Jeito”, a rumba “Escandalosa” e o bolero “Dez Anos”.

Compartilhado de Reinaldo Elias.

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domingo, 17 de abril de 2022

Mausoléu da Família do Conde Matarazzo no Cemitério da Consolação - São Paulo


O monumental jazigo, que mistura figuras sagradas e emblemas, foi erigido em 1925 e confeccionado pela oficina de arte tumularia de Luigi Brizzolara em Gênova. Foi trazido de navio da Itália e montado no Brasil. Composto por mármore, granito avermelhado e peças em bronze, o mausoléu, com cinco conjuntos escultóricos integrados, ocupa uma área de 150 metros quadrados, possui uma capela interna, uma cripta com capacidade para abrigar 60 cadáveres, mais ossuários. O monumento possui 25 metros. Aos visitantes a mensagem é evidente: estão diante de uma família de prestígio, riqueza, status, poder, influência e que venceu pelo trabalho. 

A respeito deste último, o Conde Francesco Matarazzo, um dos maiores empreendedores do país, proprietário das Indústria Reunidas Matarazzo (IRM) e o homem mais rico do Brasil em sua época (a quinta maior fortuna do planeta), foi o exemplo do típico imigrante enriquecido pelo trabalho. O trabalho é o valor proposto por estes imigrantes na Consolação, em contraponto aos títulos de nobreza da aristocracia local. 

Entretanto, em 1917, já bilionário, lhe foi concedido pelo Rei Vítor Emanuel III da Itália a divisa de Conde, o que foi prontamente adotado. Esses imigrantes incorporavam os brasões e títulos de Conde para se aproximarem da oligarquia brasileira e, como modo de distinção usavam a temática do trabalho para distinguir uma nova moral e maneira pela qual desejavam ser recordados. 

O primeiro sepultamento neste mausoléu foi o do Comendador Ermelino Matarazzo, falecido na cidade italiana de Bruzola em 1925. O Conde Matarazzo só viria a falecer em 1937, denotando que o patriarca esteve atuante durante todo o processo de escolha e construção deste monumento, decidindo, ainda em vida, de que maneira seria lembrado em sua morte. Este mausoléu, comporta uma narrativa mítica de imigrante italiano bem-sucedido, cumpre, até os dias de hoje, o desígnio deste chefe de família de proteger o núcleo formado por seu nome.

Fonte: @cemiteriando

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terça-feira, 12 de abril de 2022

Eufrásia Teixeira Leite: o grande destaque do mercado financeiro brasileiro


Eufrásia Teixeira Leite é uma herdeira, investidora e filantropa brasileira conhecida mundialmente por ser a primeira investidora brasileira a investir na bolsa de valores.

Além disso, Eufrásia Teixeira Leite é destaque pelas ações ligadas à filantropia que realizou ao longo de sua vida. Pelo contexto em que cresceu, Eufrásia se tornou uma figura histórica por ter conquistado a sua independência financeira em uma época em que isso não era comum, especialmente para as mulheres. Além disso, ela se tornou exemplo para diversas pessoas e mulheres que atuam no mercado financeiro ou investem na bolsa de valores.

Eufrásia Teixeira Leite nasceu em 1850, na cidade de Vassouras, interior do Rio de Janeiro. Vinda de uma família rica, neta do barão de Itambé e do barão de Campo Belo, Teixeira Leite teve uma educação diferenciada para a época.

Quando ainda era muito jovem, Eufrásia e sua irmã aprenderam a lidar com números e dinheiro, especialmente por incentivo do pai. Ou seja, ambas foram preparadas para cuidar da fortuna da família ainda na juventude. No ano de 1872, Eufrásia ficou órfã. Em seguida à perda, ela e a irmã se mudaram para Europa. Com parte da herança, Eufrásia começou a operar na bolsa de valores.

Assim como para outras mulheres da época, não era permitido realizar a compra e venda de ativos de forma direta, então a negociação era feita por intermédio. Contudo, essa barreira não impediu com que ela ganhasse destaque, especialmente por seu perfil agressivo de investimentos.

Em dado momento, a investidora chegou a ter negociações ligadas a 17 países diferentes e em 9 moedas distintas. Por ser uma das poucas mulheres que investiam na bolsa, o nome de Eufrásia teve relevância, não só naquela época mas até nos dias atuais.

Eufrásia Teixeira Leite e a bolsa de valores do Brasil:

Mesmo obtendo sucesso em sua jornada de investimentos fora do país, Eufrásia é lembrada por sua atuação no mercado financeiro brasileiro.

Conhecida como a primeira mulher a investir na bolsa de valores do Brasil, Teixeira Leite foi destaque também por sua estratégia e perfil de investimento.

Tendo uma carteira de investimento diversificada que contemplava ações de diversos segmentos, Eufrásia conseguiu alto retorno ao longo das mais de cinco décadas. Assim como fez no mercado internacional, ela priorizou títulos de grandes empresas. Destaque para Companhia Antarctica Brasil, que se tornaria posteriormente a Ambev.

Além disso, Eufrásia realizou uma série de investimentos no setor ferroviário, tendo papéis da Cia. Mogiana de Estradas de Ferro e Cia. Paulista de Estradas de Ferro. Enquanto no setor têxtil, ela investiu em ações da Tecelagem de Seda Ítalo-Brasileira e da Companhia América Fabril & Cia.

Eufrásia Teixeira Leite faleceu aos 80 anos. Como não teve filhos, toda sua fortuna foi doada para instituições. Além disso, sua residência em Vassouras se tornou o Museu da Casa da Hera, onde é contada toda a sua história.

A trajetória de Eufrásia Teixeira Leite é uma das mais marcantes da história da bolsa de valores nacional e serve de exemplo para muitas mulheres e profissionais da área, com destaque especial para sua capacidade de gerar renda no mercado.

Fonte: https://www.suno.com.br/tudo-sobre/eufrasia-teixeira-leite

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quarta-feira, 6 de abril de 2022

Casa de Quintino Bocaiuva

 Por Historiador Paulo


Devido a repercussão da Estação de Quintino, resolvi procurar alguma reportagem sobre a casa do Quintino Bocaiuva, um bem tombado e totalmente abandonado. Algo deveria ser feito para salvar o velho casarão. A nossa história não pode desaparecer assim!

O texto a seguir está baseado numa reportagem de 1993. Se alguém souber como está atualmente o casarão. Deixe alguma informação nos comentários!

A casa fica na Rua Goiás, 900. Em 1993 ela estava sendo "conservada" pelo Centro Cultural Ilê Alabalese, uma casa espírita que fez questão de homenagear o antigo dono de uma forma curiosa: Eles invocam o espírito do Bocaiuva para celebrar a sua vida.

Segundo pesquisas, outras pessoas moravam no casarão nos anos 1930 e 1940. Inclusive uma moradora morreu atropelada em frente a casa, mas existe um hiato de anos. Mas pelo abandono da casa. Nenhum dos moradores procurou conservá-la como ela merece.

Voltando a reportagem, o casarão servia também de cortiço. Nele moravam cinco famílias, junto com a organização espírita. Em 1993, o bem foi tombado, mas o estado que ele se encontrava e ainda se encontra, é motivo de tristeza para os moradores do bairro e para a historiografia carioca.

Fonte: Jornal do Brasil, Ano 1993, Rio de Janeiro, RJ.

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quinta-feira, 17 de março de 2022

Moda mortal e drogas: os estranhos costumes da Era Vitoriana

Os tempos da rainha Vitória geralmente evocam associações com um código moral estrito, mulheres inglesas recatadas, vestidos de ampulheta fechados e festas de chá sérias. Mas se você for um pouco além das ideias estereotipadas sobre a Inglaterra do século XIX, poderá encontrar muitos detalhes curiosos e até chocantes. Espartilhos apertados, o principal atributo da moda vitoriana levaram à deformação dos órgãos internos, crinolinas exuberantes causaram mortes ridículas e drogas ajudaram as jovens a se recuperar de todas as doenças!

A moda inglesa desta época prescrevia um estilo de vestir estrito e contido. Acessórios invariáveis ​​eram luvas compridas e guarda-chuvas - a palidez era considerada um sinal de aristocracia. Um requisito obrigatório para os fashionistas era uma cintura de vespa, cujo volume ideal - 55 cm, era completamente antinatural para uma mulher saudável. Em um esforço para alcançar o ideal, as meninas usavam espartilhos. Muitas vezes, isso levou a consequências desastrosas: em 1859, uma jovem de 23 anos morreu após um baile devido ao fato de as costelas comprimidas pelo espartilho ficarem presas em seu fígado.

Em meados do século XIX, a crinolina entrou na moda - argolas que davam ao vestido a forma desejada. Em saias incrivelmente largas, era impossível circular pelas ruas e entrar na carruagem. Além disso, vestidos inchados muitas vezes se inflamavam com uma faísca de uma lareira ou de uma vela. Na melhor das hipóteses, as jovens receberam queimaduras, na pior, isso levou à morte. Devido aos muitos problemas que as enormes saias de crinolina criaram para as mulheres, ele logo saiu de moda, foi substituído por anquinhas.

Perigo mortal aguardava as jovens em suas próprias casas. As tintas usadas para móveis e papel de parede continham chumbo e mercúrio, e a popular tinta verde escura era feita de arsênico. Como resultado, as jovens ficaram lânguidas, com dores de cabeça constantes e palidez do rosto, desmaiaram. Mas apenas isso foi percebido como sinais de aristocracia, e não como sintomas de envenenamento.

Os médicos prescreveram generosamente láudano, uma droga sedativa e analgésica à base de ópio, para jovens doentes. 25 gotas de láudano continham 60 miligramas de ópio, que era uma dose bastante pesada. Um remédio milagroso foi prescrito para tosse, reumatismo e epilepsia. Naturalmente, a droga acabou se tornando viciante. No final do século XIX, o nível de dependência feminina de drogas e morte por overdose aumentou tanto que os médicos soaram o alarme e pararam de prescrever láudano. No entanto, as drogas eram usadas não apenas para fins medicinais.

Tradução: © Christiane Wittel - pesquisadora e historiadora

*Autorizo a reprodução e divulgação total ou parcial desta TRADUÇÂO, por qualquer meio convencional ou eletrônico, para fins de ensino, estudo ou pesquisa, desde que CITADA A FONTE.

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