sábado, 15 de janeiro de 2022

Aconteceu em Sepetiba: Vinte e un marinheiros fuzilados sumáriamente


Episódio histórico de que poucos se recordam - Passado e presente do famoso recanto - Paisagem que os visitantes guardam por muito tempo - Como vivem os pescadores.

Reportagem de Arnaud Pires das Chagas:


Os turistas do Rio, vem de certo tempo a esta parte fazendo excursões a vasta praia de Sepetiba, no extremo sul do Distrito Federal. Só o panorama da gigantesca Marambaia, ao longo do Atlântico, deixa-os boquiabertos. E com eles tem surgido também os veranistas, não sendo hoje fácil achar-se uma acomodação nos meios de transporte, muito embora já estejam eles multiplicados e ofereçam pitoresco gênero de se andar depressa.

Sepetiba Sepetiba, a segunda chamamos nós, visto que a primeira foi conhecida desta geração por que, também esse recanto de Santa Cruz, perdeu-se quase totalmente aí pelo decolar do século dezenove.

Era então um vilarejo atraente, todo ele emoldurado de belezas naturais, cercando, como felizmente ainda hoje se vê, um pedaço de mar sempre alegre ou triste, encantador ou nostálgico, conforme o tipo de tempo ou o aspecto que o caprichoso rei dos astros quer lhe dar, mas sempre iluminando a paisagem de cores belas e incomparáveis.

A origem do pitoresco recanto:

A esse fato não foi indiferente o príncipe regente, tanto que mesmo com os defeitos que lhe notam os cronistas injustos, concedeu aos moradores da Praia de Sepetiba uma área para o fim de se formar e dar vida segura a localidade que ainda hoje vemos. Tudo sem ônus algum para os pescadores que ali viviam ao léu da sorte, desmembrando-a para isso da fazendas de Santa Cruz e Piaí.

E Sepetiba se fez, cresceu e prosperou.

A não ser o sudoeste, que as vezes, visita os praieiros, como acontece em toda parte, os sepetibanos  passam uma vida tão boa, tão desinteressado do torvelinho urbanístico, que não pensam noutra coisa senão melhorar o que ali está.

Sepetiba de hoje, isto é, a Segunda, está rapidamente fazendo progresso.

Falar em pescadores ou em vida a beira mar não é tudo. Informação é incompleta, porque, se pela orla extensa da praia, se erguem constantemente casas boas, e as estradas perfeitamente acessíveis, a todo gênero de transportes, tem cooperado para um rápido desenvolvimento, é justo não se esquecer que todo o recôncavo já oferece garantia de um viver que pode dispensar os socorros de Santa Cruz e Campo Grande.  Sepetiba possui uma ótima escola pública tipo rural,  inaugurada há pouco tempo para ambos os sexos e outra já bem velhinha necessitando de reparos urgentes bem próximo da praia, também para ambos os sexos, uma maternidade em construção da Legião Brasileira de Assistência, uma Colônia de Pesca, Z9., uma Capelinha muito antiga para o culto de São Pedro, padroeiro da localidade, já reformada há vinte anos, pelo esforço exclusivo dos praieiros, um sub posto de Saúde e Assistência, ligado ao Hospital Geral D. Pedro Segundo, um clube de natação, Iate clube e um de futebol, Sepetiba Clube, etc.

Essa praia tem a sua história, como todos os lugares e não ficou para trás com sua tradição que narraremos dentro em breve. Mas desde já, afirmamos que, nos últimos dias do século passado,  havia em Sepetiba uma linha regular de navegação para os portos do Estado do Rio de Janeiro e São Paulo.

Essa linha dispunha de dois vapores, confortáveis, embora pequenos.

Eram o Angra dos Reis e o Sepetiba. Uma ponte de quase duzentos metros de boa argamassa, ligava a Ilha da Pescaria (hoje dos Marinheiros) a terra firme e um bonde de tração animal, partia diariamente da Estação de Sana Cruz para Sepetiba repleto de passageiros que se destinavam ao sul.

Embora essa Ferro Carril fizesse trafegar seus bondes diariamente pela manhã e a tarde, os passageiros que se destinavam aos estados citados, vinham no próprio dia da viagem. Tal era portanto a confiança que tinham na regularidade das viagens que estavam em correspondência com o horário da navegação.

Um sobrado bem construído cujos vestígios ainda se conservam na Praia de Sepetiba, era o Centro da Administração da Companhia.

O engenheiro Friedman, seu fundador, dirigia a contento esse serviço que durou muitos anos e o senhor Caldas, engenheiro chefe do tráfego que, com a extinção da Companhia, se fez funcionário público, até que mais tarde veio a falecer.

O nome se liga a um recanto da praia (Praia do Caldas). De Santa Cruz para Sepetiba os bondes corriam céleres nessa época remota, e nos dias de vapores, as famílias praieiras, tinham as suas manhãs divertidas a espera dos bondinhos, que eram recebidos, sempre com grande alegria. São dez horas da manhã, aí estão eles. A sua última etapa é uma reta de cem metros que se dirige para a praia. Velozes, eles surgem como se fossem penetrar pelo mar a dentro, mas dobram a direita sempre correndo e após uma ligeira parada a porta da estação da gerência da Companhia, ei-los a correr outras vez na mesma direção até encontrar a ponte que os há de levar ao pequeno porto onde o “Angra dos Reis” os espera. E, já agora, alcançam ao porto! A via férrea é percorrida até lá, debaixo de grande ansiedade de todos os passageiros. Chega o primeiro desses veículos, mas seus passageiros não descem calmamente, precipitam-se, saltam e correndo de malas, bolsas, embrulhos diversos abordam o “Angra”, que se balança na crista das ondas, como quem dança para também tomar parte nessa festa a beira mar.

O segundo bonde:

Daí minutos surge o segundo bonde, e o mesmo espetáculo se repete. Desta vez a sofreguidão é ainda maior. Temor, talvez de não acharem acomodação a bordo. Por fim tudo se acalma com o silvar brilhante do vapor que deixa escapar sua primeira espiral de fumaça pela negra chaminé.  Move-se, descrevendo longa curva para tomar a direção do Atlântico, que ronca como se fosse o prenúncio de tempestade.

Qual nada, é assim mesmo.  Todos se acham bem acomodados.

As malas do correio não foram esquecidas, como da outra vez, e a voz do comandante ouve-se com um eco que atinge até o interior das pobres habitações. “ - Não tenham medo, o “Angra” está brincando com o mar, não tenham medo, o mar alto é quem está roncando a tôa. Isso não é com o “Angra”. É lá com os encouraçados!” E se põe a falar e a rir com sua figura de bretão experimentado. E só quando enfrenta o oceano é que esse homem do mar, envelhecido no seio das ondas, vai procurar o seu posto. Agora, o charuto que  tragava, é jogado fora, ele cuida da viagem. Também no dia seguinte, surgem as Cartas de As Cartas de São Paulo e todo o pessoal azafamado outra vez, desembarca, produzindo a mesma comédia do dia do embarque.

Não esqueçamos de tudo quanto dizemos passou-se no século XIX.

Enfim, já descrevemos, embora ligeiramente como se faz uma viagem às Costas da Província de São Paulo, mas acrescentemos sempre que os passageiros ou pela comodidade, ou como medida econômica, preferem na sua maioria vir de trem a Santa Cruz, e as dez horas, na gare dessa estação, tomam o tradicional bondinho que os transporta ao porto da Ilha da Pescaria. Durante muitos anos, era essa a forma de viajar, embora alguns mais displicentes tomassem o vapor na Guanabara, onde é o seu ponto inicial.

Como acabamos de dizer, e pelo que narramos, tudo era festa e o prazer na vida.  Com Sepetiba em prosperidade e Santa Cruz como uma espécie de tutor, gozava dessa felicidade, partilhava dela e aqui ninguém cogitava de negociar com os vizinhos de Guaratiba ou Itaguai. Não havia necessidade alguma para a povoação de Santa Cruz, que já tinha desenvolvido o comércio do pescado como se faz hoje em todas a províncias, e só Sepetiba é que abastecia Santa Cruz, que por aqui, como dissemos é que transitava toda a sua pesca.

Os remanescentes das famílias que a esse tempo dominavam toda essa indústria ainda aí estão, são os Antunes, os Camargos, Os Terras, etc. Seus descendentes poderão testemunhar tudo isso. Atualmente vivos só encontramos poucos como os srs João Pedro da Silva, Manoel Pedro da Silva, já enxergando muito pouco. Benedito Anjo da Silva quase sem poder andar e se arrastando com grande esforço e o sr. José Afonso do Carmo, ainda firme porém já com a memória falhando, aproximando-se mais ou menos de seus 95 anos. A pesca em Sepetiba era um fator de real valor e esses bondinhos a que nos referimos bem como os vagões de transporte, chegaram a transitar ainda nos primeiros meses do século atual.

Desde a insignificante sardinha até os meros monstros toda a pesca em grande escala fazia-se ali para dar vida e forma a essa belíssima praia que decaiu mas agora ressurge com elementos novos.

Acontecimento histórico:

Um acontecimento que agora vamos narrar, veio mudar o aspecto de calma e pacatez entre os praieiros que como as formigas e as abelhas trabalhavam em silêncio nesse belo recanto do Distrito Federal.

Em 06 de Setembro de 1893, estalou no Rio de Janeiro a revolta da Armada com o Almirante Custódio José de Melo a sua frente. Todos os navios do porto fosse de guerra ou mercantes, hastearam a bandeira da revolução, sendo que alguns haviam saído barra a fora, rumo ao sul. Depois mais outras.

Era então boato corrente, veiculado pelos passageiros ou curiosos que chagavam do Rio, que Sepetiba seria ocupada militarmente. Ora, o Corpo do Exército, estacionado em Santa Cruz, estava sendo movimentado a toda pressa para descer a fim de ocupar os pontos estratégicos indicados por Floriano Peixoto. Por outro lado, esses militares mesmo transmitidos aos pescadores de suas famílias as notícias da seguinte ordem recebida no quartel de Santa Cruz, a qual dizia que uma parte do Corpo ficaria em Santa Cruz para defender um desembarque que estaria iminente em Sepetiba.

Agora, os bondinhos, os vagões e outros transportes usados nos serviços da Companhia não tinham mais horários. Sepetiba, como Santa Cruz era alvoroço e experimentou pela primeira vez a sensação de medo que a guerra cria. Mas isso tudo ficou pela metade, nenhum navio apareceu em Sepetiba. E dessa localidade mesmo viam os sepetibanos  a passagem dos navios revoltados para o Sul. De noite a luz forte de possantes holofotes tudo iluminava e eles acautelavam-se da melhor maneira possível. Passados os primeiros dias de inquietação, os pescadores retornaram o seu serviço de pesca e se acostumaram pouco a pouco paisanos e soldados na vida nova de precauções que os acontecimentos impunham.

Soldados de todos os lados, a desconfiança jamais se afastou dos homens do mar e a intimidade que falamos era uma  coisa artificial, principalmente quando foi aberto o recrutamento entre os habitantes dessa praia em idade de servir ao exército. Foi ocupado o Morro da Faxina bem como outros onde antigamente os coloniais haviam deixado vestígios e fortins e velhos morteiros de bronze e que se encontram até hoje, em alguns recantos da praia.

Decretada a criação da Guarda Nacional com bons ordenados, Sepetiba foi contemplada e muitos receberam a notícia com bastante prazer, sentindo-se honrados com as suas divisas amarelas de cabos e sargentos. Também conhecemos ali alguns oficiais do primeiro posto nomeados pelos primeiros decretos.

Dissemos que a pacata Sepetiba tinha mudado seu modo de vida com os acontecimentos decorrentes da Revolta da Armada tendo mesmo alguns naturais sido recrutados para a Guarda Nacional. Agora podemos acrescentar que este estado de coisas prolongou-se por alguns meses por que de toda a parte um grande número de cidadãos foi chamado ao serviço das armas.  Sepetiba porém preferia a Guarda Nacional que além de ter o mesmo soldo, ainda era de mais fácil acesso, as divisas amarelas da Guarda Nacional convidavam-nos e um bom número de filhos de pescadores apareceu logo nas suas fileiras como dissemos acima.

Tudo era agitação ali, mas honra seja feita, jamais parou o serviço da pesca. A Revolta prosseguia. Dis-se-ia naquele tempo que o Almirante Custódio José de Melo triunfaria sobre Floriano. A velha cidade de Angra dos Reis, foi invadida, não obstante tiveram os que ali desembarcaram de retirar-se para o alto mar. E que na Marambaia e na Ilha Grande, uma vez por outra, havia troca de tiros com os canhões dos revoltosos e os pequenos fortes do litoral, até que num  dia de janeiro de 1894, aquela tardinha, surgiu na praia de Sepetiba, o pequeno vapor Lamego, forçado, que foi para entregar-se, pois suspeitava-se que o navio iria incorporar-se aos revoltosos.

Isso proporcionou aos moradores de Sepetiba e de Santa Cruz dias de grande sustos e surpresas. A todos momento os boatos surgiam na boca daquele povo sempre desacostumado aos fatos belicosos da revolução  E tinha razão para isso por que com o Lamego, foram capturados muitos marinheiros e a justiça marcial não se fez por esperar. O comandante dessa praça, um major bastante impulsivo “Florianista” ao extremo, fez levar vinte e um deles para a pequena Ilha da Pescaria, onde até então havia o porto da Companhia Rio-São Paulo e mandou fuzilá-los sem mais delongas. E tudo isso caiu muito mal no ânimo daquela gente.

Durante muitos anos ali, eram vistas as cruzes, indicando as suas sepulturas. Míseros brasileiros, que não eram culpados e sim obedientes as ordens de seus comandantes no mar!

Essa ilha é conhecida hoje mais como dos Marinheiros.

Por isso e bem apreciável, que os sepetibanos ficassem conhecedores das coisas de sua Pátria. Não obstante, forçoso foi confessar que ali, todos eram mais inclinados para o lado do almirante Custódio José de Melo eram seus simpatizantes como se diria hoje.

Eram todos homens do mar, mas o fuzil e o canhão implacáveis não permitiam que ninguém se manifestasse. E com esse caso ocorrido que nunca ficou bem apurado surgiram os boatos que após a chegada do Lamego, que ali estava ancorado, chegariam outros navios armados em guerra. E um dia por causa disso, noticiou-se a presença do Aquidabam que já estaria em Sepetiba e forçara a Barra do Rio Itá, para entrar em Santa Cruz, onde tinha sido o 5º Regimento de Artilharia.

Isso produziu quase um pânico, sendo que o próprio diretor do Matadouro Público, o Coronel reformado Florambei da Conceição chegou a preocupar-se tanto, que fez a secretária sua filha transmitir despachos telegráficos para Sepetiba e outros pontos, pedindo informações. Passado que foi o susto, o caso se prestou para pilhéria. Isso bem demonstra que já havia guerra de nervos naquele tempo.

Entre Sepetiba e a praça de Santa Cruz pois que tudo isso era considerado zona de guerra, transitavam constantemente coronéis com o seu estado maior. Eram eles: O Dr. Fernando Continentino Teixeira da Mota, avô do Almirante tão conhecido hoje. Alvaro Alberto e ainda o coronel Jorge de Pinho depois o escrivão de Campo Grande visto que também Campo Grande era subordinado ao Comando de Santa Cruz. Como último capítulo narraremos o caso Serra Martins e entraremos nos acontecimentos da vida contemporânea de Sepetiba.

Serra Martins, homem que mereceu a confiança de Floriano, foi feito por ele governador de Santa Catarina, mas quando já declinava a atividade dos revoltosos com a notícia da esquadra legal que de uma hora para outra devia forçar a Barra do Rio de Janeiro para dar combate decisivo aos revoltosos uma noticia correu célere por Sepetiba com repercussão imediata em Santa Cruz, fora a chegada inesperada desse coronel que fugira de Santa Catarina, com a invasão ali dos Federalistas também rebelados contra o Governo.

Não ficou bem positivado até hoje, entre eles a maneira ou os meios de condução de que lançara mão o governador de Santa Catarina para aportar as nossas praias e Serra Martins chegou de surpresa a praia da Barra onde imediatamente foi preso. Veio escoltado até Sepetiba. E seria fuzilado no dia seguinte se ele não fosse atendido pelo Marechal Floriano com quem lhe permitiram falar antes de morrer.

Uma vez comunicando-se com o marechal Presidente tais coisas revelou-lhe Serra Martins que o Marechal de Ferro expediu ordens para que o mandassem a sua presença. E assim se salvou o governador deposto. Também estavam contados os dias de revolução e a agitação foi diminuindo em Sepetiba sendo mesmo removidas dali as forças da Guarda Nacional, visto que o teatro de operações ia se deslocando para o sul do país. E com a derrota dos revoltosos no Rio, Sepetiba voltou a sua calma habitual, retornando o seu modus vivendi, o que equivale  dizer que data daí, a decadência de tão bela praia...

Um salto para o presente:

Saltemos agora para uma localidade rejuvenescida ou seja uma nova Sepetiba em pleno século vigésimo.

Observemos que suas terras tem sido saneadas e valorizadas, seus campos loteados, suas estradas tão melhores, que os caminhos tortuosos e cheios de areia com um sem número de obstáculos ao trânsito cederam lugar a uma nova via de transporte de toda a sorte de veículos.

Eis Sepetiba Nova, ressurgiu  com água potável canalizada, com ruas retiradas e pavimentadas em grande percurso a beira mar, fazendo lembrar uma miniatura de Av. Atlântica.

Fonte: Transcrição de uma reportagem histórica de 24,04,1949, Jornal: “A Manhã” sobre o cotidiano da antiga Sepetiba, do século XIX e começo do séc XX.

Sejam muito bem vindos a esta rica história do nosso Velho Oeste Carioca!

Pesquisa de Flávio Brandão

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Parque Natural Municipal da Serra da Capoeira Grande

 

O Decreto Municipal nº 21208 de 01/04/2002 deu valor e reconheceu o parque que possui 21 hectares e está inserido na APA da Serra da Capoeira Grande, em Pedra de Guaratiba. Sua principal característica é a presença de remanescentes de Pau-brasil,  além de outras árvores nativas de Mata Atlântica e tem como objetivo preservar o patrimônio paisagístico da área. 

Sua elevação não passa de 200 metros em alguns pontos e a mata é densa e cheia de vida. 

Localização da Unidade de Conservação:

Situada em Guaratiba, ao norte de Pedra de Guaratiba, se estende entre as Estradas do Magarça, da Pedra, do Catruz, da Capoeira Grande e a Avenida Dom João VI. É uma APA e inclui o Parque Natural Municipal da Serra da Capoeira Grande.

A Unidade de Conservação apresenta uma notável biodiversidade, em virtude da variedade de ecossistemas ali existentes, predominam os ecossistemas costeiros de mangue e restinga onde ocorrem exemplares raros ou endêmicos de fauna e flora nativa. A avifauna é variada e atrai a atenção dos visitantes pela ocorrência de cerca de 140 espécies entre residentes, visitantes e migratórias. Algumas delas acham-se ameaçadas de extinção, como o colhereiro (Ajaia ajaja), o pato-do-mato (Cairina moschata).









Também habitam a área a choca listrada, o garrinchão, o endêmico tiê-sangue, o bem-ti-vi, a saracura-do-mangue, a garça- branca-grande dentre outros. Esses animais escolhem seus locais de alimentação e de nidificação (fazer ninhos), preferencialmente na vegetação de manguezal e na formação arbórea existente no morro do Piaí.

Vegetação:

Com sua cobertura vegetal enquadra-se como Floresta Pluvial Tropical de Baixa Altitude. O Parque conserva um dos últimos fragmentos de Mata Atlântica do entorno de Guaratiba, constituído por um denso aglomerado populacional. Apresenta uma mata importante para amenização climática da região e para preservação de remanescentes da flora e fauna ali encontrados.

Entre as espécies arbóreas existentes na mata, destacam-se a carrapeteira (Guarea guidonea), a imbira (Pseudobombax grandiflorum), a embaúba (Cecropia lyratiloba), a paineira (Chorisia speciosa), dentre outras espécies como os poucos exemplares do caiapiá (Dorstenia arifolia), ameaçados de extinção.

Fauna:

A fauna é remanescente e consequentemente previsível característico desta UC. as listas de fauna permitem a pressuposição de ocorrência faunística de um pequeno levantamento. Entre os mamíferos encontrados destaca-se, o mico-estrela (Callithrix jacchus), o gambá (Didelphis marsupialis), o tatu (Dasypus novencintus),etc. A avifauna está representada pelo gavião-carijó (Rupornis magnirostriz), a coruja (Otus choliba),o tucano de bico preto (Ranphastos vitellinus ariel), dentre outras.

Objetivos da Unidade de Conservação:

Oferecer espaços verdes e livres para o lazer.

Preservar, proteger e recuperar o ecossistema de mata atlântica existente.

Preservar, proteger e recuperar o patrimônio paisagístico da área.

Promover atividades de educação ambiental visando integrar os moradores do entorno e atividades que promovam a auto sustentabilidade.



Fotos: Ives Lamego

Os principais atrativos:

O turistas poderão se beneficiar com trilhas na mata a pé ou também a cavalo como alguns grupos de aventuram pelas serras;

Os visitantes também poderão desfrutar de lindas cachoeiras e nascentes além de paisagens naturais de singular beleza.





























Um histórico da Mata Atlântica no local:

Originalmente, a Mata Atlântica se estendia por toda a costa brasileira, acompanhando planaltos e serras desde o Rio Grande do Norte (6º S) até o Rio Grande do Sul (30º S), adentrando o interior do território brasileiro na região dos estados da Bahia, Minas Gerais e São Paulo. Ao todo, a Mata Atlântica já cobriu 1.300.000 km2, ou cerca de 15% do território brasileiro, englobando 17 estados, atingindo até o Paraguai e a Argentina.  Devido à forte devastação, essa formação vegetal foi fragmentada, estando hoje reduzida a pequenos vestígios de sua área original de ocorrência. São 456 manchas verdes distribuídas entre o município de Osório, no Rio Grande do Sul, e a Serra da Ibiapaba... 

A longa história da devastação da Mata Atlântica começou com a chegada dos colonizadores portugueses no século 16. Estima-se que o comércio de pau-brasil tenha provocado o abatimento de, aproximadamente, 2 milhões de árvores dessa espécie. Anos mais tarde, com o início efetivo da colonização, grandes extensões da Mata Atlântica foram substituídas pela agricultura da cana-de-açúcar, no Nordeste. No final do século 19 e início do século 20, foi a vez do avanço da cultura cafeeira no Sudeste-Sul expulsar a floresta dessas regiões. A floresta foi sendo devastada também pela expansão da indústria, da agricultura, do turismo e da urbanização, que exigiram a extração de madeiras de vastas áreas... 

Para a preservação das riquezas faunísticas e florísticas da Mata Atlântica é necessário a tomada de múltiplas medidas que dependem da vontade política dos governantes, da conscientização, mobilização e participação dos cidadãos e da incorporação do conceito de sustentabilidade nas atividades econômicas. Em conjunto, outras medidas importantes são a fiscalização da caça, da posse de animais em cativeiro e do comércio ilegal de espécies silvestres, além de uma efetiva fiscalização da atividade pesqueira e da realização de programas de educação ambiental junto à população....

Fontes de Pesquisa: 

https://educacao.uol.com.br/disciplinas/geografia/mata-atlantica-floresta-e-a-mais-agredida-do-mundo.htm?cmpid=copiaecola

http://www.rio.rj.gov.br/web/smac/exibeconteudo?id=9828563

Texto de Ângelo Tiago de Miranda (UOL)

Fotos de Ives Lamego e Yury Borba

Pesquisa feita por Adinalzir Pereira Lamego

quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

Rio 450 anos - Bairros do Rio - Santa Cruz


Localizado na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro o Bairro de Santa Cruz, cuja importância histórica se confunde com a colonização do Brasil, foi assim descrito por Escragnolle Doria, na Revista da Semana nº 19, de 22 de abril de 1933:

A FAZENDA DE SANTA CRUZ

Terra de Santa Cruz, por mercê de D. Manoel I, começou a chamar-se Brasil inteiro na alva do seculo XVI.  Justo pois no paiz, catholico desde o berço, se tenha conservado o nome. Eil-o bem perto de nós, no Rio de Janeiro, em Santa Cruz, nos confins de capital quasi sem fim, embora descurada nas partes mais remotas onde a herva e os impostos crescem á vontade.

Em Santa Cruz, até á expulsão pombalina, fixaram-se jesuitas, e padres da Companhia jamais se estabeleceram em sítios feios  ou improductivos.  Julgavam talvez suprasummo do senso esthetico a contemplação das obras do Creador, também praticamente aproveitadas, porque Deus promette ajuda a quem ajuda.

Da passagem jesuitica por Santa Cruz vestígio ficou, na já bem copiada e transcripta inscripção latina do anteparo da ponte de cantaria lançada sobre o murmúrio das aguas do Guandú, folhas seccas derivando pela corrente.    

A carta régia de 16 de outubro de 1761,  confiscando-a, incorporou a fazenda jesuíta de Santa Cruz aos bens da corôa, prodiga á custa dos subditos. Noutros regimens é a mesma cousa.

Propriedade régia encontrou-a o imperio do Brasil, tornando-se a fazenda habitação de passagem do Principe Regente, de D. Pedro I e D. Pedro II, da transmigração, rota batida em 1808, á queda do alçapão da monarchia em 1889, quite de remorsos quanto á honra nacional.

Da fazenda de Santa Cruz, em Janeiro de 1850, sahia enterro de pompa, levando a jazigo o tenro corpinho de D. Pedro Affonso, último filho de D. Pedro II sem successores varões.


Não foram muitos os bens da corôa no Brasil, entre elles a fazenda de Santa Cruz.  Apesar de remodelações, não perdeu de todo o caracter de habitação da Companhia que elegeu Jesus para exemplo e protecção, alumiando-lhe Christo a experiencia dolorosa dos homens.

Em 1848, em Pernambuco, alta e accesa a luta politica e bellica entre praieiros e guabirús, o coronel de engenharia Pedro de Alcantara Bellegarde e discipulos seus pacificamente levantavam desenhada pelo tenente Gamo Lobo, a "Planta Corographica de Huma Parte da Providência do Rio de Janeiro na qual se incerre a Imperial Fazenda de Santa Cruz".

Era o trabalho de Bellegarde calçado na primitiva medição dos jesuítas em 1729 e remedição de 1783, e em medição annulada  em 1827.


Extensa a fazenda em 1848.  Entrada geral para a Côrte ia ter no portão da Corôa, logo após o qual o largo de Palácio. Ao fundo d'este erguia-se o paço imperial em cujo centro pompeava igreja velha. Outra nova ficava do lado direito do largo de Palácio olhando para a igreja velha e para o palácio, ambos em especie de recordação do passo-convento de Mafra erguido pelo fidelissimo orgulho de D. João V.

Nada no palácio de Santa Cruz lembrava a riqueza, embóra muitas vezes de máu gosto, da construcção de Mafra na qual entrou tanto o Brasil por ouro e madeiras.

Tudo era singelo, mesmo pobre ás vezes no paço de Santa Cruz, como sempre foram as habitações régias ou imperiaes   no Brasil onde dynastias jamais fizeram gala de haveres, nem desedificaram pelo orgulho.  Numerosas eram, porém, as dependencias da fazenda: casa do superintendente, caso do escrivão, do vigário, hospedaria, botica, repartição do telegrapho, quartel, casa do cirurgião, edifício do theatro, perto de outro desagradável, a prisão, pois ninguem quer ser encarcerado até para comer doce.


Quem quisesse vagear pela fazenda de Santa Cruz nella poderia topar muito recanto curioso, engenhos de arroz, café e mandioca, duas hortas uma atrás de outra, a primeira de acesso por extensa rua onde o vento punha a vergar babuaes num como que gemer de vagas oceanicas.

Ao lado da primeira horta estendia-se vasta plantação de amoreiras, das brancas cuja folhas servem de alimento ao bombyce que, produzindo fio fino e brilhante, tanto veste de seda formosuras femininas, castas ou impuras.

Terra não falta no Brasil.  Na fazenda de Santa Cruz, ainda dando para a rua do bambual, existia terceira horta ao fundo da qual se estendiam capinzaes a perder de vista para satisfação do gado e d'elle engorda.  Todas as mencionadas hortas demoravam do lado esquerdo da fazenda;  no direito outras hortas, outras plantações de capim havia, bem como novo renque de amoreiras, por entre as quaes serpeavam atalhos.

Um pouco da agricultura, muito de pecuária podiam ser observadas na imperial fazenda de Santa Cruz...

Espetáculo curioso, em Santa Cruz como alhures, o soltar ou recolher do gado, o bovino sahido dos estabulos, o equino das cavallariças, o ovino dos apriscos ou dos redís, o suino da, para elle, deliciosa lama dos chiqueiros, porcos bácoros de passo lento.

A imperial fazenda de Santa Cruz estava encravada no curato  do mesmo nome, parte das freguesias suburbanas do Município Neutro, ora Districto Federal. Continha a pouco mais de meio seculo duzentos e setenta e quatro mil habitantes, e tinha população escolar primária superior a quarenta mil alumnos dos seis aos quinze annos...

Leia todo o texto escrito acima. No link abaixo: 

http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=025909_03&PagFis=7395

Conheça um pouco mais sobre Santa Cruz e os jesuítas na Revista da semana de 26/10/1940 

http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=025909_04&PagFis=2164

Pesquisa feita no link abaixo: 

https://www.bn.gov.br/es/node/602

Por Adinalzir Pereira Lamego