18.2.18

Breve história do pão


Atualmente, o pão é o alimento mais popular no mundo, sendo produzido em quase todas as sociedades. Entretanto, ele não foi feito sempre da mesma forma e nem teve sempre o mesmo aspecto. Ao longo do tempo, sua produção foi se alterando até chegar ao que nós temos nos dias de hoje.

A produção do pão foi desenvolvida há mais de 6.000 anos e ainda hoje é essencial na alimentação da população

Há estudos que apontam que os pães começaram a ser produzidos há aproximadamente seis mil anos, na região da Mesopotâmia, onde hoje está situado o Iraque, e foram difundidos por várias civilizações da Antiguidade. Esse pão era resultado de uma mistura seca, dura e amarga feita à base de farinha de trigo. A origem do pão está intimamente ligada ao processo de sedentarização do homem, quando se iniciou o desenvolvimento da agricultura, sendo o trigo um dos cereais resultantes dessa atividade produtiva.

O processo de fermentação foi uma técnica desenvolvida pelos egípcios por volta de 4000 a.C., dando ao pão o aspecto pelo qual o conhecemos hoje em dia. Por ser um produto extremamente necessário à alimentação, ele foi usado durante muitos séculos também como moeda. Há indícios de que os faraós o utilizavam como meio de pagamento para serviços realizados. Em Roma, o pão era um dos componentes da política do panis et circenses (pão e circo), utilizada pelos imperadores para manter uma satisfação aparente da população, desviando a atenção das disputas de poder e das condições de vida a que o povo estava submetido. O trigo era distribuído em espetáculos públicos pela administração do império.

Durante a Idade Média, o pão era feito artesanalmente no ambiente doméstico pelos camponeses. A limitação agrícola e técnica que tinha essa classe social não possibilitava a produção de pães fermentados, o que resultava em um produto de menor qualidade. Situação diferente era a vivenciada pelos senhores feudais, que consumiam pães de maior qualidade produzidos nas padarias dos castelos. Foi também neste período histórico que surgiu a figura do padeiro, que aos poucos passou a se organizar em corporações de ofícios, controlando assim o processo de produção do alimento e gozando de certo prestígio nas cortes.

Com a Revolução Industrial, a produção do pão ganhou um forte impulso, seja no aumento de terras destinadas ao plantio do trigo, seja no desenvolvimento de técnicas de moagem do cereal nos moinhos, passando dos moinhos de tração animal ou humana aos moinhos a vapor, que começaram a surgir em 1784. A grande produção que se verificou se destinava a alimentar principalmente a classe operária que crescia nas cidades industriais, criando condições para uma produção em larga escala.

O pão chegou a ser inclusive um dos motivos de eclosão da Revolução Francesa. Sendo base da alimentação da população francesa há séculos, a severa queda na produção do cereal tornou o alimento caro e escasso. Este foi um dos motivos que levaram à revolta da população francesa e à queda do rei Luís XVI.

Hoje em dia, o pão está disseminado pelo mundo. Sua fabricação envolve vários métodos diferentes, que resultam numa variedade enorme de tipos e qualidades de pães. Apesar desse desenvolvimento, uma boa parcela da população mundial ainda não tem acesso a esse alimento cotidianamente.

Por Tales Pinto
http://historiadomundo.uol.com.br/curiosidades/breve-historia-do-pao.htm

17.2.18

História do Morro da Mangueira


A escola de samba muitas vezes campeã do carnaval vem de um morro cheio de histórias para contar. Mangueira é samba, mas também é mais que isso. É muito mais.

Tudo começou com uns barracos que foram erguidos nas terras do Visconde de Niterói. Terras que haviam sido doadas pelo Imperador D. Pedro II.

No início dos anos 1850, surgiu, nas proximidades da Quinta da Boa Vista, o primeiro telégrafo aéreo do Brasil. A elevação vizinha da Quinta era conhecida como Morro Telégrafos.

“Quando os primeiros barracos e barracões foram armados na Mangueira, o Visconde de Niterói já havia falecido. Por conta disso, foi mais tranquilo para as pessoas, que eram muito pobres, realizarem a ocupação” frisa o historiador Maurício Santos.

Anos depois, foi instalada ali perto do Morro uma indústria com o nome de Fábrica de Fernandes Braga, que produzia chapéus. Em pouco tempo, a indústria passou a ser conhecida como “Fábrica das Mangueiras”, já que a região era uma das principais produtoras de mangas da cidade do Rio de Janeiro.

Não demorou muito para que a Fábrica de Fernandes Braga mudasse para Fábrica de Chapéus Mangueira. O nome era tão marcante que a Estrada de Ferro Central do Brasil batizou de “Mangueira” a estação de trem inaugurada em 1889. A elevação ao lado da linha férrea também começou a ser chamada de Mangueira, enquanto o antigo nome de “Telégrafos” permaneceu para identificar apenas uma parte do Morro.

“Hoje em dia, Telégrafos e outros nomes são pequenos núcleos populacionais que formam o complexo do Morro de Mangueira” conta Ricardo Lopes, morador do Morro.

Impossível desassociar a história do Morro da Mangueira do samba. O português Tomás Martins, no início da ocupação do Morro, loteou terrenos e construiu barracos para alugar. Tomás Martins era padrinho do célebre compositor Carlos Cachaça. Carlos, ainda criança, era responsável por assinar recibos de aluguel, pois Tomás era analfabeto.

Há quem considere Tomás Martins o fundador do Morro da Mangueira, pois ele, muitas vezes, tomou a iniciativa para organizar os habitantes que chegavam para formar a comunidade.

No início do século XX, dois acontecimentos colaboraram para o crescimento do Morro da Mangueira. O primeiro foi em 1908, quando a prefeitura reformou a Quinta da Boa Vista e demoliu casas próximas ao local. Muitas dessas habitações eram de soldados, que ganharam o direito de carregar os restos da demolição para onde quisessem. Eles foram para a Mangueira.

Em 1916, um incêndio no Morro de Santo Antônio, no centro da cidade, levou ainda mais pessoas sem casa a tentarem uma nova vida no Morro da Mangueira.

No ano 1935, houve uma tentativa de descendentes do Visconde de Niterói, antigo proprietário das terras onde a comunidade foi erguida, de despejar os moradores do Morro da Mangueira. Contudo, os habitantes do Morro foram socorridos pelo prefeito Pedro Ernesto e continuaram por lá, onde seguem até hoje.

Há quase três décadas, vem sendo realizado um grande projeto social no Morro da Mangueira. A Vila Olímpica da Mangueira, além de preparar e formar atletas nas mais variadas modalidades esportivas, capacita crianças e jovens para o mercado de trabalho.

A famosa escola de samba, campeã de 2016 e de mais outros carnavais, foi fundada em 28 de abril de 1928, pelos sambistas Carlos Cachaça, Cartola, Zé Espinguela, entre outros. Entretanto, como já disse antes: a Mangueira é samba, mas é muito mais que isso. Muito mais.

Fonte: https://diariodorio.com/historia-do-morro-da-mangueira/

16.2.18

Os mistérios de Candiani


Musa de Machado de Assis, a atriz e cantora lírica Augusta Candiani causou furor na vida da Corte do Rio de Janeiro imperial. Mas um mistério permanece sobre o final da vida de Candiani, que chegou ao Rio em 1843, aos 23 anos, como prima dona da Companhia Italiana de Ópera.

Nascida em Milão, em 1820, Carlotta Augusta Candiani estreou na capital do Império brasileiro em 17 de janeiro de 1844, no principal palco da Corte, o Teatro São Pedro de Alcântara (localizado no então Largo do Rocio, hoje Praça Tiradentes, exatamente onde fica o João Caetano). No programa, a primeira montagem no Brasil da ópera “Norma”, de Vicenzo Bellini.

A partir do sucesso estrondoso desta primeira apresentação, Candiani, que veio acompanhada do marido italiano, vai se identificar com a capital e o povo carioca de tal forma que nunca vai sair em definitivo da cidade, incentivando os músicos brasileiros a iniciarem o movimento da Ópera Nacional e rompendo barreiras entre o erudito e o popular ao cantar modinhas, gênero tipicamente brasileiro e mal visto pela elite da época.

Candiani não se tornou musa apenas de Machado de Assis, que a reverenciou em algumas passagens de sua obra, mas também de escritores como Joaquim Manoel de Macedo Martins Penna e do próprio D. Pedro II. O imperador, aliás, e sua esposa D. Teresa Cristina seriam padrinhos de sua filha, em 1844. Dois anos depois, ela se separou do marido e passou a viver com o compositor de modinhas José de Almeida Cabral. Nem é preciso dizer que foi um escândalo para a época. Com o divórcio, Candiani perdeu todos os bens e a guarda da filha.

Ela passa então a viajar por todo o Brasil pela Companhia Dramática Cabral, sempre misturando o erudito com o popular. Chega a morar no Rio Grande do Sul, onde atua no desenvolvimento do teatro e da ópera na província, e volta ao seu amado Rio de Janeiro em 1877. Continua a atuar até 1880, quando se retira para o bairro de Santa Cruz, na atual zona oeste carioca e na época zona rural da Corte. Morre aos 69 anos, em 28 de fevereiro de 1890, logo após o fim do Império.

Não se sabe até hoje em que casa Candiani teria morado em Santa Cruz. O que se sabe é que foi na atual rua Senador Camará. Alguns elegantes sobrados da época ainda existem no bairro e o boato é que D. Pedro II teria doado uma casa para ela em Santa Cruz. Após a morte do marido ela teria vivido com, ou próxima de, Bartholomeu Guimarães, um ator cômico português que também morreu em Santa Cruz um ano depois de Candiani. O grande desafio para os historiadores da vida da cantora é saber o que ela fez em Santa Cruz durante os dez últimos anos de vida e onde teria morado.

Mais informações no excelente blog http://agrinalda.blogspot.com/, da pesquisadora Andréa Carvalho, que está concluindo um livro sobre Candiani.

Texto de André Luís Mansur 

9.2.18

O Museu Nacional leva a Ciência para a Sapucaí


Leia a convocação do diretor do Museu Nacional e membro da Academia Brasileira de Ciências, Alexander Kellner , para ação de divulgação científica no carnaval de 2018!

Quem disse que ciência não dá samba? O Museu Nacional/UFRJ, que completa o seu bicentenário no dia 06 de junho do corrente ano, estará presente na Marques de Sapucaí. A homenagem está sendo feita pelo Grêmio Recreativo Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense, que torna a desenvolver enredos históricos com os quais a escola tanto empolgou a todos os amantes do carnaval.

Para quem não sabe, o Museu Nacional/UFRJ, fundado por D. João VI em 6 de junho de 1808, é a instituição científica mais antiga do nosso país. Situado no palácio de São Cristóvão no parque da Quinta da Boa Vista, o museu possui um riquíssimo acervo, entre animais, plantas, rochas e fósseis. Entre as peças mais importantes está o Bendegó, que é o maior meteorito encontrado no país, pesando mais de cinco toneladas. Sem contar com um valiosíssimo material etnográfico que mostra como viveram os primeiros habitantes do Brasil. Também são encontradas raridades como múmias do Egito e artefatos de Pompeia, que tanto fascinam os visitantes. E os exemplares que se encontram em exposição representam apenas uma pequena parte do acervo, composto por mais de 20 milhões de itens. Todos nós, enquanto parte da sociedade, dividimos a responsabilidade de conservar esse patrimônio!

Além disso, o próprio palácio que abriga o museu é uma joia que merece um cuidado especial. O prédio foi a moradia das famílias real e imperial e, após a deposição da monarquia em 1889, foi palco da primeira Assembleia Constituinte Republicana.

Tanta história é agora retratada de forma grandiosa pelo carnavalesco Cahê Rodrigues. Quem teve a oportunidade de ver algumas das fantasias e dos carros alegóricos está deslumbrado com a beleza e o cuidado com que a Imperatriz está tratando do tema! Nós, cientistas brasileiros, que vivemos em situação bastante delicada devido ao contexto político e econômico do país, ficamos muito felizes com a escolha do bicentenário da instituição como tema do enredo de uma escola tão destacada como a Imperatriz. Homenagear o Museu Nacional, é homenagear a Ciência do Brasil, já que o próprio desenvolvimento científico nacional veio na esteira da criação dessa instituição.

Que esse tributo possa levar o Museu Nacional para além dos 200 anos, à um patamar mais elevado no nosso país, o que será salutar para todas as demais instituições!

Como lembrete, a escola se apresentará na madrugada de 12 para 13 de fevereiro. Será a quinta a desfilar nesse dia. Vale a pena conferir.

Fonte: www.abc.org.br/centenario/
Publicado em 2/02/2018.

6.2.18

Getúlio Vargas em Santa Cruz


Em 1951, Getúlio Vargas recebeu em audiência no Palácio do Catete vários associados do Grêmio Procópio Ferreira (clube de Santa Cruz).
Foto Arquivo Nacional. Colaboração de Guaraci Rosa.

Getúlio Vargas visitando Santa Cruz em 1938. Em frente ao Batalhão Villagran Cabrita.
Fonte Arquivo Nacional. Colaboração de Guaraci Rosa.

5.2.18

A evolução econômica e populacional de Campo Grande - RJ


A imagem acima trata-se de uma raridade. Um mapa de uma área entre Cosmos e Campo Grande, de 1969. No mapa aparece a famosa Linha de Austin, a Estrada do Campinho e o Rio Campinho. Na  época a região era dominada por laranjais e sítios, características típicas dos bairros da Zona Oeste, como mostra a imagem.

O mapa pertence a Léu Lima. Foi desenhado pelo mesmo, que é um morador antigo de Cosmos e profundo conhecedor das terras do bairro, além de Santa Margarida, Inhoaíba e Palmares.
 
Texto de Carlos Eduardo Souza e Adinalzir Pereira.
https://www.facebook.com/evolucaoeconomicaepopulacionalcg/

4.2.18

Por dentro da Matriz de Campo Grande


Foto. Fonte: Carlos Eduardo de Souza.

Localizada numa pequena elevação, no centro econômico e comercial do bairro de Campo Grande, a Igreja de Nossa Senhora do Desterro possui uma história que acaba se confundindo com a origem do bairro. A construção da Capela original se deu em 1673, em terras que atualmente localiza-se o bairro de Bangu. Segundo alguns pesquisadores, também nesse ano, foi criada a Freguesia de Nossa Senhora do Desterro de Campo Grande. Ainda em terras que hoje é o bairro de Bangu, a capela é palco de uma tragédia, no ano de 1716, com assassinatos, incluindo a de um padre. Mais tarde, a igreja "mudou-se" para uma área onde atualmente encontra-se o bairro de Campo Grande.
    
Em 1757 é concedido o Alvará, que é o título da criação de uma freguesia. Por isso, para alguns historiadores, só a partir dessa data é que realmente foi criada a Freguesia de Nossa Senhora do Desterro de Campo Grande. Já em solos campograndenses, em 1882, a igreja passa por outro momento terrível: o templo sofre um incêndio, praticamente destruindo a Paróquia. Porém, com a atitude e os esforços do Padre Belisário dos Santos, de fazendeiros e de autoridades, a Igreja foi reconstruída.
    
Em seu interior, é possível encontrar anotações antigas nas paredes que dão acesso aos sinos, feitas por colaboradores (talvez pintores) que atuaram nas reformas que aconteceram na igreja.



Fotos. Créditos: Carlos Eduardo de Souza.

Abaixo, imagens de um sino da Paróquia e informações sobre ele.


Fotos. Créditos: Carlos Eduardo de Souza.

No local do presbitério e no altar-mor, abaixo encontra-se um ossário, que abriga restos mortais do padre Belisário dos Santos, de Freire Alemão, botânico e médico conceituado que nasceu e morreu no bairro, além de famílias ilustres do bairro.

Foto. Crédito: Carlos Eduardo de Souza.

No teto e nas paredes do templo, imagens que ilustram o religioso.
Abaixo, uma imagem de Jesus Cristo, considerada uma arte Roca, porém, incompleta. Essas imagens eram usadas em procissão, mas perderam espaço para as imagens de gesso, com a chegada da industrialização. O detalhe é o "cabelo", que lembra muito o de um humano.

 Foto. Crédito: Carlos Eduardo de Souza.

Outros "pertences" da  Paróquia.

Órgão de muitas décadas atrás.

Capela ou oratório localizado ao lado da Paróquia, sob o domínio da mesma.


Acima imagens do teto da Igreja.

Imagem de Damião de Molokai, padre que partiu em missão para o arquipélago da Havaí para cuidar de pessoas atingidas por uma epidemia de lepra que havia se instalado no local. A imagem se encontra no que chamam de átrio da igreja.

Foto tirada de dentro das torres dos sinos da Paróquia.



Fotos e Reproduções: Carlos Eduardo de Souza.
Colaboração para o artigo: Deca Serejo.

Breve história do pão

Atualmente, o pão é o alimento mais popular no mundo, sendo produzido em quase todas as sociedades. Entretanto, ele não foi feito sempre...