20.1.19

Inhoaíba, 26 anos do bairro



Hoje é o aniversario do nosso querido bairro, em 20/01/1993, ele foi emancipado de Campo Grande se tornando um bairro autônomo. Conheça um pouco dessa história:

A "Fazenda de Inhoaíba" era atravessada pela Estrada Real de Santa Cruz, atual Avenida Cesário de Melo e ficava em frente à "Fazenda Campinho". Com a implantação do ramal ferroviário de Mangaratiba, atual ramal de Santa Cruz, foi inaugurado em 1912, a estação Engenheiro Trindade, chamada posteriormente de Inhoaíba, que consolidou o nome do bairro. Suas terras eram utilizadas para a lavoura do café e da laranja. A partir dos anos 70, a urbanização da área se intensifica, e surgem grandes loteamentos, como o Vilar Carioca e o Vilar Guanabara. Em 1993 o prefeito Cesar Maia emancipou Inhoaíba como um bairro autônomo de Campo Grande, porém não se tornou alvo de seus projetos, Favela-bairro e Rio-cidade. Hoje o Bairro tem aproximadamente 100.000 Habitantes.

O NOME

A história da origem do nome é controversa, pois, se era um campo ruim não poderia ser utilizado para a plantação, diz a lenda que este nome teve origem na época das grandes fazendas de escravos e a fazenda pertencia ao Sr. Aníbal, mas os escravos o chamavam de Sinhô Aníbal ou "Inho Aniba", dando origem ao nome Inhoaíba. O nome é uma corruptela de NHU (campo), AHYBA (ruim), denominação dada pelos indígenas à baixada entre a serra de mesmo nome e Campo Grande.

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

13.1.19

Morgado do Marapicú

Por Cleydson Garcia
 
Tamanho do Morgado. Ocupava 70% da Freguesia do Marapicú. O Engenho do Piranga não fazia parte.

As terras originaram da Sesmaria de Garcia Ayres, 1592. As dimensões da sesmaria era 1 légua quadrada, principiando nas margens do ribeiro Marapicú. A fazenda passou nas mãos de diversos proprietários, até chegar nas mãos do Capitão Manuel Pereira Ramos, no princípio do século XVIII.

Capela Nossa Senhora da Conceição:


A primitiva capela de Marapicú foi erguida em 1736, pelo Capitão Manuel Ramos. Anos mais tarde, o mesmo capitão, fez doação de 60 braças de terra, para edificar uma igreja de pedra a partir de 1752. E cinco anos depois, foi criada a paróquia por alvará de 4 de Fevereiro de 1759.

E nela acontecia casamentos, batizados e o sepultamento dos donos desta fazenda. No seu entorno, existia o Arraial de Marapicú, onde moravam os lavradores pardos livres e portugueses.

Freguesia de Marapicú:

Marapicú: É uma freguesia da província do Rio de Janeíro. Fica à 9 léguas ao noroeste da capital do Império. O nome original desta freguesia era para ser "Maripocú ou Mariapocú", mas está sendo chamada de "Marapicú" pelos colonos, ao tentar pronunciar este nome dado por índios. Separou-se do termo da Freguesia de Jacutinga, para fazer o de Marapicú. Acha-se este limitado, ao norte, pela Freguesia de ltinga; a leste, pelas de Iguaçú, Jacutinga e Miriti, e ao sul, confronta com os de Campo Grande. Ao oeste, fazia fronteira pelo Rio Guandú, que era o limite das terras dos Padres da Companhia de Jesus e Maripocú.. Hoje a Fazenda de Santa Cruz, antiga de Jesuítas, pertence ao Governo Imperial.

O Rio Guandú, separa Marapicú do município de ltaguahy. Neste termo possui cinco engenhos e 1.800 habitantes: lavradores de canas de açúcar, mandioca, milho, arroz e café. Os gêneros são levados em bestas muares aos portos dos rios: Jacutinga, Miriti e Irajá, onde se embarcam para o Rio de Janeiro.

Os lavradores consideram os portos mencionados acima, distantes. E preferem depositar os gêneros nas margens do Rio Guandú, perto de sua embocadura, onde são carregados em sumacas e levados por mar á capital. E nestas paragens também se criam gado vacum."

Fonte: Dicionário do Império do Brazil - 1845

Duração da Freguesia: 1759 - 1911.

Antecedentes:

Em 1730, as fazendas eram separadas, sendo que as Fazendas Marapicú e Cabuçu: Pertenciam ao Capitão-mor Manuel Pereira Ramos de Lemos e Faria e a Dona Helena de Andrade Souto Maior Coutinho.

Novas aquisições:
Fazendas de Mato Grosso, Pantanal e Itaúna.

Quanto a "Fazenda e Engenho do Ypiranga", a família não conseguiu anexar, porque o dono desta propriedade não quis vender para o Capitão Manuel Ramos.

Filhos:
João Pereira Ramos de Azeredo Coutinho;
Inácio de Andrade Sottomayor Redom;
Helena Josefa de Andrade Sottomayor Coutinho;
Micaela Joaquina Pereira de Faria e Lemos;
Francisco Lemos de Faria Pereira Coutinho,
52.º Bispo de Coimbra, 17.º Conde de Arganil e 6 outros.

Morgadio de Marapicu:

Foi instituído após a morte do Capitão-Mor Manoel Pereira Ramos de Lemos, quando a viúva D. Helena de Andrade Souto Maior Coutinho e seus filhos, firmaram escritura pública em 6 de Janeiro de 1772, transferindo as legítimas paternas e maternas para o filho primogênito, João Pereira Ramos de Azeredo Coutinho. A sucessão hereditária de qualquer Morgado determina que os primogênitos do sexo masculino herdem a totalidade dos bens deixados em herança.

Herdeiros:

Sucessor 1:
João Pereira Ramos de Azeredo Coutinho
Filho de Manuel Ramos.

Sucessor 2:
Inácio de Andrade Souto Maior Rendom.
Filho de Manuel Ramos.

Sucessor 3:
Marquês de Itanhaém
Manuel Inácio de Andrade Souto Maior Rendom Pinto Coelho. (1782-1867)
Filho de Inácio Sottomayor.

Sucessor 4:
Ultimo herdeiro do Morgadio do Marapicu.
Conde de Aljezur - Francisco de Lemos Faria Pereira Coutinho. (1820-1909)
Filho de Francisco Coutinho, Bispo de Coimbra.

História do Marques de Itanhaém:

Manuel Inácio, Barão de Itanhaém. Cerca de 1820.

Manuel nasceu na Fazenda de Marapicú, pertencente ao seu pai, o brigadeiro do exército português Inácio de Andrade Souto Maior.

Cresceu e teve uma educação rígida, para ser um homem influente na sociedade. Durante sua carreira militar, foi apontado general e conquistou várias medalhas e comendas entre elas a grã-cruz da Legião de Honra da França. Tendo estudado Direito, tornou-se juiz. Ele falava ao menos cinco línguas.

Manuel Inácio foi feito barão de Itanhaém tanto por Portugal quanto pelo Brasil. Recebeu primeiramente o título de D. João VI, por decreto de 3 de maio de 1819. Depois o foi por D. Pedro I do Brasil, por decreto de 1 de dezembro de 1822, em gratidão à sua lealdade ao Império. Ainda em 1822, serviu como alferes-mor na sagração e coroação de D. Pedro I, que, aos 12 de outubro de 1826, o titulou Marquês de Itanhaém.

Com a prisão de José Bonifácio em 1834, o marquês substituiu-o como tutor do jovem D. Pedro de Alcântara, então com oito anos. Tutor do imperador, ele residia em um quarto do Palácio de São Cristóvão, no Rio de Janeiro. E não demorou muito tempo, para construir seu palacete, próximo ao Palácio Imperial, na Rua São Cristóvão.

Por ocasião da coroação de Pedro II, recebeu a Grã-Cruz da Imperial Ordem de Cristo.

Casamentos e Azar:

Aos vinte e cinco anos, o marquês de Itanhaém desposou, por procuração de sua família, sua prima, Teodora Egina Arnaut. Sua esposa morreu em 1828, depois de uma união insossa de quase vinte e um anos.

Aos quarenta e nove anos, o marquês casou-se com Francisca Matilde, de trinta anos. Com a morte de Francisca no ano seguinte, Manuel Inácio casou-se, menos de seis meses depois, com a cunhada, Joana Severina. Assim como a irmã, ela morreu aos trinta anos, seis meses depois.

Em 5 de julho de 1834, na capela da casa de uma amiga na Rua da Quitanda, o marquês de Itanhaém, com cinqüenta e dois anos (idade elevada na época, em que homens morriam aos quarenta), casou-se secretamente com Maria Angelina Beltrão, uma pobre faxineira lisboeta de vinte e nove anos. Maria Angelina o acordava todas as manhãs cedo no palácio, sempre limpando seu quarto. Em junho daquele ano, depois de uma conversa, o marquês pediu sua mão em casamento, e ela, surpresa, aceitou.

Marquês de Itanhaém, aos 84 anos, com esposa e netos. No ano de 1866.

No mesmo ano ainda, o Marquês candidatou-se ao senado por Minas Gerais. Para ser eleito, exigiu sigilo de seu quarto casamento. Maria Angelina continuou a trabalhar como faxineira do palácio, sem que ninguém soubesse de suas relações com ele.

A farsa continuou mesmo com a vitória do Marquês, mas chegou ao fim no início de 1835, quando revelou seu casamento secreto a D. Pedro II e a gravidez de Maria Angelina. O Imperador aceitou a união entre os dois e, inclusive, permitiu que o primogênito do casal, Manuel Inácio, fosse batizado na capela imperial do palácio, em 25 de maio daquele ano. A cerimônia contou com a presença das principais famílias nobres do Império.

Muitos anos se passaram, o Marquês continuava no comando de sua fazenda no Marapicu até a velhice, expandindo a sua fortuna e seus domínios.

Manuel Inácio faleceu no Rio de Janeiro, no dia 17 de agosto de 1867, aos 85 anos. Maria Angelina viria a falecer exatamente um mês depois, em 17 de setembro, aos 62 anos.
E o seu primo, Francisco Coutinho herda a fazenda, e toca o morgado para frente.

Conde de Aljesur:


Francisco de Lemos de Faria Pereira Coutinho, nasceu em 12 de setembro de 1820, na cidade do Rio de Janeiro. Àquela altura, o país ainda não era uma nação independente (o que só aconteceria em 7 de setembro de 1822), e, portanto, Francisco Coutinho era cidadão português, nascido na então colônia Brasil, durante o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. No dia 3 de junho de 1845, em Portugal, com 25 anos de idade, ele se casou com Maria Rita de Noronha (ela nascera na cidade de Tavira, em Portugal, em 21 de janeiro de 1826). O casal não teve filhos.

Em 15 de setembro de 1858, por meio de decreto, o rei de Portugal, Dom Pedro V, concedeu o título de Viscondessa de Aljezur à senhora Maria Rita, e na mesma data, estendeu o título a Francisco Coutinho, que adotou a designação de Visconde de Aljezur. No Brasil, o imperador Dom Pedro II confirmou o título de visconde a Coutinho, por meio de portaria de 23 de dezembro de 1858. Mais tarde, em 10 de abril de 1878, Francisco Coutinho teve o título de visconde elevado à categoria de conde, em ambos os países. Como se percebe, ele detinha os mesmos títulos de nobreza, tanto em Portugal como no Brasil.

Francisco Coutinho era funcionário da Coroa e servia ao Império do Brasil, desempenhando inúmeras funções, encargos e missões. Ele comandou, por exemplo, o 7º Corpo de Cavalaria da então Província do Rio de Janeiro, sediada na Vila de Iguaçu, região que hoje conhecemos como município de Nova Iguaçu. Coutinho foi companheiro inseparável de Dom Pedro II, sendo-lhe leal até a morte do monarca, em 1891. Nos últimos anos de vida, Francisco, ampliou os domínios do Morgado do Marapicu, comprando outras fazendas e chegou nas fraldas da Serra do Tinguá.

O Conde de Aljezur, um homem de dois continentes (América e Europa) e de duas nações irmãs (Brasil e Portugal), faleceu em 2 de abril de 1909, em Petrópolis, Estado do Rio de Janeiro, aos 99 anos de vida e o morgado acaba após 1 século e meio de duração.

Uma curiosidade: em 12 de agosto de 1903, foi inaugurada a Estação Aljezur, em Nova Iguaçu (RJ), integrante da Linha Auxiliar da Estrada de Ferro Central do Brasil, em homenagem ao conde que possuía terras naquela localidade. Lamentavelmente, a Estação Aljezur encontra-se, desde 1996, abandonada, ocasião em que a referida linha férrea foi desativada.

Em 1911, a viúva e rica Condessa de Aljezur, vende os domínios territoriais legados por seu falecido marido para o Conde Modesto Leal, pelo valor de cento de setenta e cinco contos de réis (175:000$000 réis).

Conde Modesto Leal:


João Leopoldo Modesto Leal, titulado Conde Modesto Leal (1860-1939). Filho de João Antônio da Silva Leal e Amália Joaquina Modesto. Nasceu e cresceu em Araruama. João teve uma infância pobre, mas desde cedo já mostrava talento para o comércio.

Na adolescência, trabalhou como vendedor de sucatas, tendo, posteriormente, feito fortuna com a compra e venda de sucata de navios, negociando imóveis e dedicando-se à agiotagem. No início da vida adulta, se muda para o Districto Federal-RJ ao fazer fortuna.

Tornou-se banqueiro e acionista da Companhia Jardim Botânico e de outras empresas de bondes. Fez doações milionárias à Santa Sé, tendo sido agraciado por esta com o título nobiliárquico de Conde Modesto Leal.

No início do século XX, era o homem mais rico do Brasil. No final de sua vida foi senador da República. Comprou a fazenda do falecido Conde de Aljezur, visando em aumentar seus lucros.

Em 1916, o Conde de Modesto Leal provocou brigas com os antigos lavradores e arrendatários do Conde de Aljezur, por questões latifundiárias. Estimulou o plantio de cítricos e lucrou com isso. O Conde de Modesto Leal, faleceu em 1939, deixando uma grande fortuna aos herdeiros.

Fazenda Normandia:

Os irmãos Guinle, compraram a fazenda dos herdeiros do Conde Modesto Leal em 1940, e renomearam como Fazenda Normandia. Em seguida, promoveram diversos loteamentos nessa região de Iguaçú, dando origem às diversas ruas de Queimados, Engenheiro Pedreira, Caramujos, Marapicu e Cabuçú.

Fonte: Arrendamentos e conflitos nas terras do antigo Morgado de Marapicú.

Palavra-chave: Origens de Queimados, Engenheiro Pedreira, Marapicu, Ipiranga e Cabuçu, Fortuna e a Nobreza Fluminense.

Compartilhado da página Especial Rio Antigo

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

7.1.19

O Brasil no Império



Para quem gosta de história do Brasil.

Quando D. Pedro II do Brasil subiu ao trono, em 1840, 92% da população brasileira era analfabeta.

Em seu último ano de reinado, em 1889, essa porcentagem era de 56%, devido ao seu grande incentivo à educação, à construção de faculdades e, principalmente, de inúmeras escolas, que tinham como modelo o excelente Colégio Pedro II.

A Imperatriz Teresa Cristina cozinhava as próprias refeições diárias da família imperial apenas com a ajuda de uma empregada (paga com o salário de Pedro II).

(1880) O Brasil era a 4º economia do Mundo e o 9º maior Império da história.

(1860-1889) A média do crescimento econômico foi de 8,81% ao ano.

(1880) Eram 14 impostos, atualmente são 98.

(1850-1889) A média da inflação foi de 1,08% ao ano.

(1880) A moeda brasileira tinha o mesmo valor do dólar e da libra esterlina.

(1880) O Brasil tinha a segunda maior e melhor marinha do Mundo, perdendo apenas para a da Inglaterra.

(1860-1889) O Brasil foi o primeiro país da América Latina e o segundo no Mundo a ter ensino especial para deficientes auditivos e deficientes visuais.

(1880) O Brasil foi o maior construtor de estradas de ferro do Mundo, com mais de 26 mil km.

A imprensa era livre tanto para pregar o ideal republicano, quanto para falar mal do nosso Imperador.

"Diplomatas europeus e outros observadores estranhavam a liberdade dos jornais brasileiros”, conta o historiador José Murilo de Carvalho.

Mesmo diante desses ataques, D. Pedro II se colocava contra a censura. "Imprensa se combate com imprensa", dizia.

O Maestro e Compositor Carlos Gomes, de “O Guarani” foi sustentado por Pedro II até atingir grande sucesso mundial.

Pedro II mandou acabar com a guarda chamada Dragões da Independência por achar desperdício de dinheiro público. Com a república a guarda voltou a existir.

Em 1887, Pedro II recebeu os diplomas honorários de Botânica e Astronomia pela Universidade de Cambridge.

D. Pedro II falava 23 idiomas, sendo que 17 era fluente.

A primeira tradução do clássico árabe “Mil e uma noites” foi feita por D. Pedro II, do árabe arcaico para o português do Brasil.

D. Pedro II doava 50% de sua dotação anual para instituições de caridade e incentivos para educação com ênfase nas ciências e artes.

Pedro II fez um empréstimo pessoal a um banco europeu para comprar a fazenda que abrange hoje o Parque Nacional da Tijuca. Em uma época que ninguém pensava em ecologia ou desmatamento, Pedro II mandou reflorestar toda a grande fazenda de café com mata atlântica nativa.

A mídia ridicularizava a figura de Pedro II por usar roupas extremamente simples, e o descaso no cuidado e manutenção dos palácios da Quinta da Boa Vista e Petrópolis. Pedro II não admitia tirar dinheiro do governo para tais futilidades. Alvo de charges quase diárias nos jornais, mantinha a total liberdade de expressão e nenhuma censura.

D. Pedro II era um Grande Templário, amigo pessoal de Dom Antonio de Sousa Fontes, 50º Grão Mestre da OSMTH Magnum Magisterium.

D. Pedro II andava pelas ruas de Paris em seu exílio sempre com um saco de veludo ao bolso com um pouco de areia da praia de Copacabana. Foi enterrado com ele. Foi o que “roubou” do Brasil.

Fonte: Biblioteca Nacional RJ, IMS RJ, Diário de Pedro II, Acervo Museu Imperial de Petrópolis RJ, IHGB, FGV, Museu Nacional RJ, Bibliografia de José Murilo de Carvalho.

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

3.1.19

Viajantes estrangeiros na zona oeste carioca no século XIX

Por Adinalzir Pereira Lamego


Este livro se propõe a contribuir no levantamento dos relatos de viajantes estrangeiros no Rio de Janeiro do século XIX, e relacionar um conjunto de textos sobre a passagem desses viajantes pela chamada Zona Oeste Carioca. Além disso, abordamos também a análise desses relatos enquanto construções discursivas e ideológicas. Na elaboração desse trabalho, utilizamos principalmente o acervo da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, da Biblioteca do Itamarati e do Arquivo Nacional. Sendo pesquisados também outros acervos menores tais como: a Biblioteca do NOPH - Núcleo de Orientação e Pesquisa Histórica de Santa Cruz. Entre outros livros e artigos de autores locais. Além disso, percebemos um pequeno número de traduções para o português dos relatos de viajantes estrangeiros no Rio de Janeiro do século XIX se compararmos com as traduções de relatos em outras línguas. Sobretudo aqueles referentes ao século XIX. O que me levou a partir de um levantamento por mim realizado, a necessidade de fazer um trabalho relacionado a textos em português escritos também por autores locais.

ISBN: 978-85-5696-491-5

Nº de pág.: 102
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28.12.18

Corrupção está enraizada no Brasil desde o período colonial, revela historiadora


Entrevista com Adriana Romeiro: prática é fruto de uma elite que se perpetua no poder para se enriquecer sem escrúpulos

A corrupção que assola a política nacional e indigna os brasileiros está atracada no país desde os tempos do Brasil colônia. E os mesmos estratagemas usados pela elite colonial persistem até hoje nas práticas ilícitas daqueles que se dizem representantes do povo. As constatações integram um trabalho inédito no país, em que a historiadora Adriana Romeiro vasculhou documentos em arquivos e bibliotecas do Brasil, Portugal e Espanha para investigar a corrupção praticada por aqui, entre os séculos 16 e 18. O resultado é o livro Corrupção e poder no Brasil: uma história, séculos XVI a XVIII, que será lançado no próximo dia 26, em Belo Horizonte.

“Dizia-se que era preferível ser roubado por um pirata em alto-mar do que aportar no Brasil. A elite colonial é a mesma que está hoje no poder, com a mesma mentalidade, de estar numa terra em que pode enriquecer sem qualquer escrúpulo”, afirma a historiadora, que concedeu entrevista exclusiva ao Estado de Minas. Adriana Romeiro é doutora em história pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Numa pesquisa minuciosa iniciada em 2013, quando se dedicava a um pós-doutorado na Espanha, a autora levantou toda a documentação datada entre os séculos 16 e 18 em que os governadores no Brasil são acusados de alguma prática ilícita. São textos que vão desde sátiras, sermões, poemas e ofícios com acusações aos governantes da época. “Descobri coisas assustadoras, desde o envolvimento dos governadores em escândalos sexuais até casos mais escabrosos de enriquecimento ilícito”, conta.

De que forma a corrupção se manifestava no Brasil colonial?

O conceito de corrupção era muito mais abrangente e também incluía questões morais e religiosas. Mas, ao levantar toda a documentação em que os governadores são acusados de alguma prática ilícita, entre os séculos 16 e 18, descobri que não só já havia o conceito de corrupção como também englobava práticas que hoje associamos a isso, como tráfico de influência, nepotismo, favorecimento e abuso de autoridade. As práticas que vemos hoje na política brasileira já remontam ao século 16.

E o que essa documentação aponta?

Descobri o enriquecimento ilícito de governadores, autoridades e políticos. Mem de Sá (governador-geral do Brasil entre 1558 e 1572), por exemplo, já era acusado de enriquecimento ilícito. No Rio de Janeiro, dizia-se que os mercadores de escravos que saíam da África e seguiam para o Rio da Prata e tinham que parar no Rio para abastecer já sabiam que tinham que pagar propina ao governador da capitania. Para que essas embarcações parassem na costa era exigido algum tipo de contribuição ilícita, como o direito de subir a bordo e escolher os melhores escravos.

Há outros corruptos que chamam a atenção?

Dedico uma parte do livro a dom Lourenço de Almeida, que governou Minas entre 1720 e 1732. Ele era acusado de ter constituído fortuna a partir do ouro e diamantes por meio de práticas ilícitas. Em pouco tempo estava riquíssimo, com mais de 100 contos de réis, que era um valor considerável para a época. Encontrei o testamento dele em Portugal e o inventário. Com base na reconstituição do patrimônio, consegui identificar o enriquecimento ilícito, dando razão às sátiras que já denunciavam isso. Havia dois tipos de requisitos para que a pessoa pudesse roubar sem ser importunada no Brasil colônia. Ela deveria agir com discrição e respeitar determinados limites. Dom Lourenço transgrediu tudo isso e chegou a extrair diamantes sem notificar a Coroa.

O que vemos hoje é a multiplicação de políticos como dom Lourenço?

Nem dom Lourenço chegaria a tanto como chegaram Sérgio Cabral Filho, Eduardo Cunha, numa indiferença própria da nossa classe política desde o século 16.

É possível identificar um ambiente que favoreça a corrupção?

A corrupção sempre esteve presente na história do Brasil. Uma das razões é a distância de Portugal. Por estar longe do centro político, a vigilância era muito frágil e precária. É preciso lembrar que o Brasil sempre foi a terra de oportunidades. No início do século 17, em Minas, tem a chegada de milhares de camponeses analfabetos, que, em 10 anos, ficam muito ricos. São eles que integram a elite local e mandam na política e na economia. Eles viam o Brasil como uma terra a ser explorada, roubada e espoliada. O Brasil também foi até recentemente um país escravocrata. Para manter uma instituição como a escravidão por tanto tempo, é preciso que você não tenha o menor escrúpulo moral em relação ao outro.



Quais eram os mecanismos para coibir e punir essas práticas no período colonial?

Cada vez que o governador terminava o seu mandato de três anos, ele tinha que ser auditado, investigado pelo ouvidor local. Esse mecanismo chamava juízo de residência e devassava os procedimentos dos governantes e detentores de cargos administrativos. Só que a gente sabe que, na prática, isso não funcionava. O governador investigado acabava subornando a autoridade responsável pela devassa.

Esses crimes se mantinham impunes?

A impunidade estava prevista na lei. Casos em que investigar e punir alguém pudesse ser algo tão catastrófico, que poderia prejudicar o bem comum, era preferível fazer vistas grossas. No Brasil, a impunidade era também um privilégio que o rei concedia às elites locais. As elites locais prestavam serviços aos reis, participavam da obra de colonização, abriam estradas, faziam o comércio funcionar. Em troca desse serviço, ganharam o direito da impunidade. O contrabando foi, de longe, a prática ilícita mais comum no Brasil. O rei sabia, as autoridades envolvidas na repressão ao contrabando praticavam contrabando, as elites lucravam muito e o rei fazia vistas grossas. Havia um abismo entre a norma e a prática.

Havia, então, um interesse da Coroa portuguesa em manter a corrupção no Brasil?

Pela corrupção, nossas elites puderam de alguma forma garantir os interesses econômicos e políticos e participar do jogo político e do processo de colonização. Através de tretas e manhas, homens comuns ascenderam socialmente e adentraram as elites. Foi isso que deu flexibilidade ao império português, fazendo com que ele durasse tantos anos. Se a política da Coroa fosse implantada de forma inflexível, muito rígida, o Império não teria resistido. A corrupção teve efeito benéfico e positivo para Portugal e, por isso, essa tolerância da Coroa em relação às práticas ilícitas das nossas elites.

Mas não se trata de um fenômeno exclusivo do Brasil...

A corrupção é um problema do mundo todo, mas, no Brasil, em razão do nosso passado colonial, isso é mais forte. O contexto colonial exigiu que os brasileiros de modo geral soubessem desenvolver estratégias e artifícios para burlar o pacto colonial. As nossas elites passaram a perna nos portugueses. Havia esse divórcio entre a sociedade e o Estado, que só aparecia para cobrar impostos e barrar toda a iniciativa privada. A classe política reflete a mentalidade que está aí desde o século 16. Da mesma forma, no passado, a corrupção só pôde existir porque estava disseminada na sociedade. Acredito que as pessoas hoje estão muito mais exigentes e vão desenvolver uma intolerância às práticas corruptas.

Texto de Flávia Ayer

Foto: Jair Amaral / EM / D.A Press

Originariamente postado na página em.com.br Política

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

16.12.18

Cheiro de mato: odores emitidos pela natureza podem evitar estresse e câncer



Basta uma boa caminhada por uma mata fechada ou no meio de uma floresta para ter certeza do bem estar e da tranquilidade que os ares e odores do verde nos trazem. 

Cientistas da escola de medicina Nippon, em Tóquio, confirmaram objetivamente o que nosso corpo nos diz: sentir o cheiro da natureza pode diminuir dramaticamente a pressão do corpo humano e ainda estimular moléculas que combatem doenças diversas como o câncer.

Segundo o estudo, assim que os odores da floresta adentram o nosso organismo, os níveis de estresse e irritação diminuem-se imediatamente. 

A exposição mais prolongada e intensa ao cheiro do verde pode reduzir portanto a pressão arterial e fortalecer a imunidade dos corpos. 

O cientista Qing Li criou dentro da escola o centro de pesquisa International Society of Nature and Forest Medicine, que visa aplicar a aromaterapia baseada no odor das florestas como tratamentos alternativos. 

Efeito similar ocorre quando simplesmente olhamos às florestas - mesmo que em fotografias - mas o estudo de Li aponta efeito especialmente eficiente quando utilizados os odores. 

Se muitas vezes a ciência é fundamental para descobrir e inventar melhorias para nossas vidas, outras vezes sua tarefa é somente confirmar aquilo que a sabedoria popular e ancestral já sabe: dar uma volta em meio ao verde e respirar fundo faz um enorme bem para nossos corpos. 

Torna-se mais evidente que salvar a natureza é uma questão imediata de saúde pública.

Originariamente postado na página Redação Hypeness

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

13.12.18

Perseguição Policial em Ricardo de Albuquerque, Zona Norte do Rio, na década de 1970



"Fotos mostram perseguição a bandido que fugiu da PM na porta da delegacia, mas foi capturado, há 40 anos.

Os policiais militares que prenderam João Ferreira, de 23 anos, acharam que ele estava sob controle, mas o assaltante não pensava da mesma forma. Assim que o camburão parou diante da 31ª DP (Ricardo de Albuquerque), naquela sexta-feira de 21 de julho, há 40 anos, o suspeito fingiu que estava com dor nas pernas e, percebendo a distração dos PMs, correu em direção à linha férrea. Quase foi atropelado por dois ônibus ao cruzar a Estrada Marechal Alencastro, enquanto os policiais gritavam e disparavam tiros na sua direção. Baleado na perna, ainda estendeu a fuga por 500 metros, invadindo quintais de casas na Avenida Nazaré até ser recapturado na Rua Beberibe.

A tentativa de fuga foi flagrada pelo fotógrafo Luiz Alberto Peña, que registrou todo o episódio. As imagens ganharam destaque na edição do GLOBO do dia seguinte.

João Ferreira foi preso por roubo de carros, na madrugada daquele dia. Na delegacia, depois da tentativa de fuga, ele contou que se encontrou com três cúmplices no ponto final da linha de ônibus 378, em Marechal Hermes. Os quatro cheiraram cocaína e decidiram praticar assaltos. Ao todo, roubaram três carros. Num dos crimes, renderam um morador do bairro de Guadalupe quando ele estava entrando em casa. De acordo com a reportagem da época, o bando pretendia estuprar a mulher do morador, mas desistiram ao ver uma viatura da polícia passando perto da residência. Fugiram, então, levando um carro modelo Volks SW-6087, além de 1.300 cruzeiros (cerca de R$ 1 mil), as alianças do casal e o relógio do homem.

Eles continuaram assaltando até que uma das vítimas avisou um carro da PM, que perseguiu os bandidos e capturou João Ferreira e um comparsa. Outros dois fugiram."

Originariamente postado na página do Acervo O Globo

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

Inhoaíba, 26 anos do bairro

Hoje é o aniversario do nosso querido bairro, em 20/01/1993, ele foi emancipado de Campo Grande se tornando um bairro autônomo. Conhe...