sábado, 3 de abril de 2021

O Médico mais popular da Corte Imperial



Neto de negros alforriados, Dr. Francisco de Menezes Dias da Cruz, (1826-1878) nasceu no Rio de Janeiro a 10 de fevereiro de 1826; depois de estudar o curso de humanidades, matriculou-se em 1842 na “Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro”, na qual recebeu o grau de doutor em 1847. Seis anos depois, em 1853, concorreu para o lugar de lente substituto, obtendo a nomeação em 1854 por ocasião da reforma da mesma Faculdade. Ocupou este lugar até 1864, data em que passou a reger a cadeira de Patologia Geral.

Em 1857 e 1876, quando reinou a epidemia da febre amarela no Rio, havendo mostrado grande dedicação de caridade, foi por isso nomeado Comendador da Imperial Ordem da Rosa e Cavalheiro da Ordem de Cristo, de Portugal. Muito querido entre a população da cidade do Rio de janeiro por suas obras de caridade, sempre ganhava as eleições pelo partido liberal. Prestava serviços médicos gratuitos, especialmente a população escrava da corte Imperial, e era professor de ensino primário em uma escola fundada com seus próprios recursos. Durante a Guerra do Paraguai, se voluntáriou como médico de campo entre 1865 e 1866, sendo forçado a voltar ao Rio de Janeiro por problemas de saúde.

Em 1876, publicou um Compêndio de suas lições de Patologia Geral, que foi adotada na Escola de Medicina.

Segundo Machado de Assis, era o médico preferido da Corte de D. Pedro II e foi agraciado pela Princesa Isabel com o título de “Barão da Saúde” após sua morte prematura em 1878.

Da Chácara onde residia com a esposa Rosinha e seus dois filhos Feliciano e Francisco, situada no Meier, praticava a caridade atendendo a todos que o procuravam. Após a sua morte moradores do Meier numa justa homenagem deram seu nome a uma rua naquele bairro do Rio de Janeiro. Era pai homônimo do também médico e líder espírita Francisco de Menezes Dias da Cruz (1853-1937).

Fonte: História da Instrução Pública no Brasil (1500-1889) - Página 96/Ephemerides nacionaes - Volumes 1-2 - Página 43/Grandes Espíritas do Brasil: 53 biografias - Página 298/

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segunda-feira, 29 de março de 2021

A passagem das manadas bovinas pela Linha de Austin com destino ao Matadouro de Sta Cruz

 

No final dos anos  50 ainda era possível assistir a passagem barulhenta e movimentada das manadas bovinas em deslocamento pela Linha de Austin com destino ao Matadouro de Santa Cruz. 

Da Baixada Fluminense partiam com destino ao Matadouro, provocando transtornos e alegrias por onde passavam.

Um dos vaqueiros galopava na dianteira da boiada e aos gritos pedia para os moradores fecharem seus portões e porteiras. 

A manada passava desorganizada e barulhenta entre mugidos, empurrões, cabeçadas e coices na enorme e fedorenta nuvem de poeira avermelhada. A gritaria dos vaqueiros pareciam cânticos que somente eles sabiam significado. Homens simples, humildes, fortes e honrados. Garbosos e orgulhosos sobre suas montarias.

Após a passagem da manada, os vestígios deixados permaneciam esparramados por toda Linha de Austin e o cheiro nada agradável fazia morada por dias seguidos.

Seguiam pela Estrada do Campinho, Estrada de Paciência, Estrada do Furado até alcançar o Saquassu, Morro do Chá e Santa Cruz.

Texto de autoria de Leu Lima.

sexta-feira, 12 de março de 2021

Dona Leopoldina e o Mistério da "Pretinha Andreza"



Em 1824 a Imperatriz Leopoldina recebeu a visita da Madre Superiora do Convento da Ajuda, a Soror Caetana de Jesus, acompanhada de uma bela jovem negra de 16 anos de idade, de nome Andreza dos Santos, cozinheira do Convento da Ajuda, e que havia sido alforriada para trabalhar para a Família Imperial, pois tinha fama de grande cozinheira e fazedora de Quindins.

Dona Leopoldina logo notou que a jovem estava abatida, parecia doente, sendo que Caetana de Jesus alegou que sofria de barriga d'água e já havia trabalho para Francisco Gomes da Silva, o "Chalaça", e seu amigo o Imperador Dom Pedro I. Não demorou para a Imperatriz "conectar os pontos" e chamou seu médico, o Barão de Inhomirim para examinar a menina.

De fato, confirmando os temores de Leopoldina, a jovem estava grávida de 6 meses. Se temia que o pai fosse o Imperador do Brasil e os rumores logo se espalharam depois de uma carta enviada pela amiga de Dona Leopoldina, a Marquesa de Aguiar que escreveu a seu marido: "Coitada da Imperatriz! Traída até por uma preta de Quindins"

Após saber dos rumores, Dom Pedro I jamais admitiu a sua esposa se teria engravidado ou não a jovem. Dona Leopoldina dispensou os serviços de Andreza, mas a ajudou a comprar uma casa, e após ter seu filho de sangue real, passou a trabalhar para famílias da elite da corte como cozinheira.

Hoje esquecida, a História de Andreza ficou na memória de muitos da época. O Dr. Joaquim José de Carvalho, autor de algumas obras históricas, conta que, em menino, conheceu uma negra de nome Andreza dos Santos, que diziam ser mãe de um filho de D. Pedro I, um mulato de nome desconhecido. E Luiz Augusto May, diretor do jornal “A Malagueta”, em um dos seus panfletos, fez referência a um escandaloso caso sucedido com a pretinha Andreza, do Convento da Ajuda, pretinha que as freiras mandaram de presente à Imperatriz, e que, três meses depois, deu à luz uma criança, sendo voz corrente que essa criança tinha sangue real. 

Fonte: As amantes do imperador: chronicas historicas. Por Francisco de Assis Cintra, 1933. D.  Pedro I: heroi e enfermo - Página 157l 1939/

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sábado, 6 de março de 2021

Estácio, Bairro do Rio de Janeiro

 

O Estácio tem muitas estórias para contar. Leva este nome em homenagem à Estácio de Sá. É o berço do samba, já foi bairro operário, zona boêmia e até metade do século 19 era chamado de "Mata-Porcos" devido à um matadouro de suínos no local.

Origens do Nome e História do Local:

O bairro do Estácio leva este nome em homenagem à Estácio de Sá, fundador da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, comandante e herói da luta pela retomada da terra contra os invasores franceses. Esta justa homenagem ocorreu em 14 de Novembro de 1865, quando seu nome foi dado à rua conhecida como como Mata-Porcos.

Segundo o historiador e monsenhor Pizarro, o local hoje chamado Estácio, era um local coberto de matas silvestres, com caça abundante, onde se encontravam muitos porcos selvagens, decorrendo deste fato a denominação "mata-porcos" ou "mata dos porcos". Entretanto existem controvérsias, e alguns alegam que a origem do nome vem da existência no local, nos remotos tempos coloniais de um matadouro de porcos que abastecia a população da cidade com relação à este gênero alimentício. Talvez esta seja a hipótese mais plausível.

Homenagem a Estácio de Sá e Mudança de Nome de Logradouros

A homenagem feita ao sobrinho de Mem de Sá, Estácio de Sá, ocorreu em 1865, três séculos após o ano de fundação do Rio de Janeiro. Esta homenagem acabou rendendo motivo para também duas outras. Posteriormente algumas ruas próximas também foram renomeadas como Mem de Sá e Salvador de Sá.

A ex-rua "Mata-Porcos", que passou a se chamar Rua Estácio de Sá tinha seu início na até então chamada Rua do Conde d'Eu, que passou a se chamar Rua Frei Caneca após a proclamação da República. Esta Rua Estácio de Sá, tem seu término no Largo do Estácio, também assim chamado em homenagem ao fundador da cidade.

Largo do Estácio | Bairro e Largo de Mata Porcos:

O Largo do Estácio é um ponto conhecido, onde se inicia a Rua Haddock Lobo e Rua Joaquim Palhares. Assim sendo, o Largo é famoso por ser um entroncamento que leva aos bairros de São Cristóvão, Rio Comprido e Tijuca.

À título de nota, fica aqui registrado que a Rua Haddock Lobo antigamente era chamada "Estrada do Engenho Velho" por seguir em direção à Tijuca, cuja região também já foi chamada de Engenho Velho. A Rua Joaquim Palhares também já foi chamada de Rua São Cristóvão.

Do início do século 18 em diante, o caminho que se tomava para ir do Centro da Cidade para São Cristóvão, Tijuca (antigo Engenho Velho) e Andaraí Pequeno era feito através da Rua Riachuelo que antigamente se chamada Rua Mata-Cavalos. A trajetória seguia então pela Estrada Mata-Porcos, a atual Frei Caneca e chegava até o bairro ou local conhecido como Mata-Porcos, que é o atual Largo do Estácio ou antigo Largo de Mata-Porcos.

O Largo do Estácio era um entroncamento, onde o caminho se bifurcava. Seguindo a bifurcação esquerda, era o Caminho ou Estrada do Engenho Velho, atual Rua Haddock Lobo. Seguindo a bifurcação para a direita, tomava-se o caminho de São Cristóvão, atual Rua Joaquim Palhares.

Até a primeira metade do século 20, o Largo do Estácio era o principal ponto de entroncamento, que ligava o centro da cidade com a zona norte. Com a construção de vias amplas mais amplas passando pela Praça da Bandeira, esta passou a ser o principal ponto de ligação do centro com a zona norte.

Descrição das Aquarelas de Thomas Ender:

Abaixo aquarelas do pintor Thomas Ender, que entre os vários locais que retratou está o que hoje se chama Estácio com suas antigas construções.

A primeira imagem acima é o Quartel de Mata Porcos descrito mais abaixo. A segunda imagem é o Palácio do Enviado da Áustria que em 1818 situava-se em Mata Porcos, atual bairro do Estácio, no caminho para a Quinta da Boa Vista.

Acima o casarão onde morou o Enviado Extraordinário da Áustria, Conde Von Eltz, que veio ao Brasil para acompanhar a Arquiduquesa D. Leopoldina, futura esposa de D. Pedro I.

A imagem acima é a Igreja do Divino que também está descrita mais abaixo.

Atualmente sua aparência está descaracterizada.

Igreja do Divino Espírito Santo:

É no Largo do Estácio que situa-se também a Igreja do Divino Espírito Santo, um pequeno santuário que foi construído em um lote doado pelo casal Correia da Costa, que entregaram também uma importância de cem mil reis em 1745 como contribuição para a sua construção. No ano que se seguiu, os moradores da região conseguiram completar a quantia para edificar a capela.

A irmandade ligada à esta capela teve seu compromisso aprovado no ano de 1860, e assim a freguesia do Espírito Santo foi criada em 8 de julho de 1865. Entenda-se o termo "freguesia" como paróquia. Esta freguesia foi desmembrada das de Santo António, São Cristóvão e Engenho Velho. A inauguração se deu no início do ano seguinte.

A antiga igreja ou capela, representada em aquarela pelo pintor austríaco Thomas Ender em 1817, foi demolida em 1899, e no mesmo local foi construída outra, que permanece até os dias de hoje no mesmo local.

Antigo Quartel de Mata Porcos

Imediatamente após passar o Largo do Estácio, seguindo em direção à Tijuca, no caminho do Engenho Velho, atual Rua Haddock Lobo, existia o Quartel de Mata-Porcos, um quartel da cavalaria. O quartel ficava um pouco adiante, após a Igreja do Divino Espírito Santo.


Na aquarela de Thomas Ender, feita em 1817, aparece o quartel do lado direito no que é hoje a Rua Haddock Lobo, e ao fundo parte de Igreja do Divino. Mais ao fundo aparece a antiga Estrada Mata-Porcos, atual Rua Estácio de Sá. No centro aparece alguns homens puxando o que poderia ser um carro com barril de pólvora ou talvez aguadeiros. Aguadeiros seriam os vendedores de água, atividade comum naquela época, quando a água não chegava às casas, e eram colhidas nos chafarizes.

Também ao centro da figura aparece um que parece ser um oficial, alguns vendedores ambulantes e ao fundo uma carroça e um cavaleiro. Em frente ao quartel, um soldado está próximo ao portão de entrada, e do lado do portão de entrada aparece uma pequena guarita de sentinela.

Pasmaceira:

O Largo também já foi famoso em tempos passados quando nele ficava a "Pasmaceira", um local onde havia rinhas de galo, reunindo e atraindo aficionados das brigas de galo do local e de bairros distantes.

Bairro, Morros e Comunidades do Estácio:

O nome dado à Rua Estácio de Sá em homenagem à Estácio de Sá acabou por se tornar referência para todas as cercanias imediatas, passando a se chamar bairro do Estácio ou simplesmente o Estácio.

O bairro abrange as ruas transversais e até morros próximos que se tornaram famosos e conhecidos como berço do Samba Moderno, como os Morros de São Carlos e Matos Rodrigues, e outrora, inclusive a Chácara do Céu era parte de Matos Rodrigues.

O Morro de São Carlos foi povoado durante a política de "modernização" do Rio pelo Prefeito Pereira Passos, no ínicio do século 20. A chamada política do "bota-abaixo" visava abrir novas e amplas ruas, construção de prédios tidos como modernos para época ao estilo eclético, e derrubada de muito do casario vindo dos tempos coloniais e do império. Muitos cortiços e moradias de baixa renda foram derrubados e os habitantes expulsos. Como herança da política "modernizadora" e "saneadora da época", O Morro de São Carlos teve sua ocupação então iniciada na mesma época, devido à sua proximidade com o centro da cidade.

Mas depois que os novos moradores se instalaram e sacudiram a poeira, a junção de tantas pessoas no Morro de São Carlos, fez com que tudo acabasse em Samba. Ou melhor dizendo, fez surgir o Samba moderno e as Escolas de Samba.

O Estácio é o Berço do Samba:

Devido ao surgimento do Samba, a popularidade do Estácio se propagou, e o local passou também a ser conhecido como "Berço do Samba". A primeira Escola de Samba surgiu do Estácio em 1928, e se chamava Deixa Falar, tendo sido fundada por Ismael Silva que se tornou uma lenda do Samba. O bairro hoje tem como representante a Escola de Samba Estácio de Sá, que já conquistou o título de campeã do carnaval carioca.

Inúmeros cantores e talentos ligados à música popular brasileira vieram do local e do Morro de São Carlos.

Atualmente, um dos músicos mais conhecidos e famosos, que vieram do Morro de São Carlos é Luiz Melodia, um dos melhores compositores e "showman" da músíca popular brasileira.

O Estácio Que Passou:

No Largo do Estácio e início da antiga Rua de São Cristóvão (hoje Joaquim Palhares), situava-se a importante Escola Modelo Estácio de Sá, que posteriormente passou a se chamar José Pedro Varela.

Mais tarde esta Escola Modelo passou a ser a Escola Normal, que antes funcionava em um edifício situado na Praça da República, edifício este, onde posteriormente passou a ser a Escola Rivadavia Correia.

Onde um dia existiu a " Caixa d'Água do Estácio", passou a existir o Hospital da Polícia Militar.

Em frente à Igreja do Divino Espírito Santo era organizada antigamente a festa do Imperador do Divino, uma das festas mais conhecidas e populares do Rio de tempos passados. Se tratava de uma festa com muito brilho e grandeza, que atraía muitos moradores e talvez fosse apenas superada pela festa que ocorria em frente à antiga Igreja de Sant´Ana, que existia no Campo de Santana.

A título de nota, deve-se dizer que, a Igreja de Santana foi demolida. Esta igreja e a festa ocorria no local onde hoje existe o edifício da Central do Brasil.

Festa do Divino no Estácio de Outrora:

A Festa do Divino é uma festa antiga, que vem desde os tempos coloniais, e foi descrita por Jean-Baptiste Debret em seu livro de memórias "Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil".


O escritor Manuel Antônio de Almeida também descreveu esta festa em detalhes no romance "Memórias de um Sargento de Milícias". No livro ele descreve os fogos alegóricos que levavam multidões ao Campo de Sant´Ana (atual Praça da República). Segundo o escritor, pessoas compareciam levando refeições e esteiras carregadas por escravos, para fazer um piquenique que Manuel Antônio de Almeida chamava de "estranho e monumental", e que ainda segundo ele encantava e "enchia" a cabeça dos moços e moças, que se deslumbravam com o grande acontecimento.

Antigo Bairro de Trabalhadores no Início do Século

Até o século 19 na região do Estácio existiam chácaras. E o povoado Mata-Porcos, no século 20  ficou conhecido como um bairro operário, tendo abrigado uma famosa fábrica da Cervejaria Brahma (que ficava ao lado do Sambódromo). Na Av. Salvador de Sá existiu uma Vila Operária.

Até por volta de 1976, existiu também uma zona de baixo meretrício, nas áreas onde existe o Edifício da Prefeitura do Rio de Janeiro e também o Centro de Convenções da Sul América. Nesta área chamada de "mangue" existiam inúmeras casas velhas e cortiços, onde a frequência era primordialmente de trabalhadores e pessoas simples que procuravam uma "diversão rápida" nas inúmeras "casas de luz vermelha", diga-se de passagem, algumas delas cortiços caindo ao pedaços. O irônico e bem humorado apelido de "Piranhão" dado pelos cariocas ao principal edifício da Prefeitura na Cidade Nova se deve à este fato.

Nesta época, as noites eram movimentadas e ferviam em fins de semana, e um verdadeiro mercado onde alguns procuravam por suas necessidades e outros ofereciam seus "serviços" movimentava aquela parte do bairro. Embora muito próxima ao largo do Estácio, esta antiga área do Mangue pertence hpje ao bairro Cidade Nova.

O Estácio do Dias de Hoje e a Cidade Nova

Hoje o bairro está modernizado e um antigo casario do início do século 20, que abrigava muitas lojas de comercio no térreo e alguns escritórios modestos nos andares superiores, casario este que existia do lado da Rua Estácio de Sá onde fica a estação do Metro, foi demolido após um incêndio. Hoje na Rua Estácio de Sá resta muito pouco do passado ou praticamente nada.

Ainda assim, de um dos lados da Rua Estácio de Sá, próximo ao Largo do Estácio ainda existe um polo de loja de móveis, onde ainda se encontra bons móveis de madeira, polo este que se estende até o início da Rua Haddock Lobo. A região era e ainda é conhecida como local bom para se comprar móveis de madeira de lei.

A construção da linha do Metrô no último quadrante do século 20, juntamente com a imponente Estação do Estácio trouxe modernidade ao bairro. A construção da Passarela do Samba ou Sambódromo nos anos de 1980 na antiga Rua Marquês de Sapucaí também o bairro no calendário de eventos da cidade.

Do lado da Rua Estácio de Sá em direção à Av. Presidente Vargas fica a chamada Cidade Nova, que surgiu dos aterros de uma antiga área alagadiça e pantanosa, na verdade um manguezal. A antiga zona do mangue tem sido revigorada, e uma parte muito próxima do Largo do Estácio foi replanejada. Neste local, os antigos cortiços e construções caindo aos pedaços foram demolidos e no local foi erguida as construções da chamada Cidade Nova.

Entre estas construções estão a Estação do Metrô Estácio, o Centro Administrativo São Sebastião ou Sede da Prefeitura do Rio de Janeiro, o Teleporto do Rio de Janeiro e o Centro de Convenções chamado de Sul América.

Construções Importantes e Pontos de Interesse:

O antigo Complexo Penitenciário da Rua Frei Caneca também já foi um ponto de referência de uma parte do bairro, mas diga-se de passagem uma referência não muito atrativa ou positiva. Entretanto este presídio já foi desativado.

O bairro também sedia o 1º. Batalhão da Polícia Militar em um prédio neogótico que chama a atenção pelos detalhes da construção que marcaram uma época de arquitetura fantasiosa do final do século 19 e início do século 20. O edifício fica próximo à divisa com o bairro do Catumbi e próximo ao Sambódromo.

O Museu histórico da Polícia Militar e também o Hospital da Polícia Militar do Rio de Janeiro situam-se no bairro.

O Sambódromo fica na divisa com o bairro do Catumbi, e alguns consideram que este pertence aos limites do Catumbi, outros alegam que fica no Estácio.

Moradores Famosos:

Quem diria, o Estácio quando se chamava Mata-Porcos já foi moradia do Enviado da Áustria que lá morou em uma mansão.

Certamente Thomas Ender, pintor Austríaco que esteve no Brasil por volta de 1817-1818, produzindo valiosas gravuras que são um testemunho do Brasil naquela época, deve ter pelo menos morado durante algum tempo em Mata-Porcos, tendo como hospedeiro o Enviado da Áustria.

Outra famosa que durante algum tempo morou em Mata-Porcos foi Domitila de Castro Canto e  Melo ou Marquesa de Santos, nome que é mais conhecido. A Marquesa de Santos foi amante de D. Pedro I, e antes de se estabelecer em um Palacete em São Cristóvão próximo ao Palácio da Quinta, ela habitou num sobrado em Mata-Porcos.

Originalmente postado em:

https://www.riodejaneiroaqui.com/portugues/estacio-bairro.html

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

domingo, 21 de fevereiro de 2021

O Presente de Almeida Junior a Dom Pedro II



O Paulista José Ferraz de Almeida Júnior foi um dos maiores pintores do Brasil no Século XIX.

Na Academia Imperial de Belas Artes, foi Aluno de Jules Le Chevrel, Victor Meirelles e Pedro Américo. Diversas crônicas relatam que seu jeito simplório e linguajar matuto causavam espanto aos membros da Academia. Em 1876, durante uma viagem ao interior paulista, o Imperador D. Pedro II, impressionado com seu trabalho, ofereceu pessoalmente a Almeida Júnior o custeio de uma viagem a Europa, para aperfeiçoar seus estudos em Paris.

Anos depois em 1881, Almeida Junior apresentou em Paris sua primeira obra impressionista, a tela de temática Bíblica "Fuga da Sagrada Família para o Egito", quadro este presenteado ao Imperador em 1882 como testemunho de gratidão do artista. A tela foi posteriormente doada por Dom Pedro II para enriquecer as galerias da Academia Imperial de Belas Artes. Atualmente faz parte do Acervo do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro. 

Fonte: Almeida Júnior, vida e obra - Página 50.

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sábado, 30 de janeiro de 2021

Presentes de Natal no Tempo de Dom João VI


"Dão-se presentes no Brasil, especialmente por ocasião das festas de Natal , de Primeiro Ano e de Reis. No dia de Natal e no dia de Reis , sobretudo são de rigor os presentes de comestíveis, caças, aves, leitões, doces, compotas, licores, vinhos, etc. Costuma-se renovar na mesma época roupas dos escravos o que leva a conceder em geral, gratificações aos subalternos."

"Entretanto entre as pessoas de bem, os presentes de um gosto mais apurado são mandados em bandejas de prata com toalhas de musselina muito fina, pregueadas com arte e presas com laços de fita cuja cor é sempre interpretativa, linguagem erótica complicada pela adição engenhosamente combinada de algumas flores inocentes." 

Fonte: Debret / Viagem pitoresca ao Brasil / 1834 - Imagem Presentes de Natal. Ilustração de Jean Baptiste Debret- 1819.

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segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Paulo Rezzutti e o Aniversário de São Paulo



Há 467 anos, era fundada a primeira cidade no interior do Brasil a perseverar. São Paulo nasceu a 25 de janeiro de 1554. Separada por 72 quilômetros do seu principal porto, Santos, e ainda tendo que vencer mais de 790 metros de altitude da Serra do Mar, com declives de mais de 45 graus, São Paulo foi uma cidade improvável, assim como improvável é amá-la ou odiá-la completamente.

São Paulo já não é mais um colégio construído por jesuítas que pediam por carta velas velhas de navios para fazer roupas com que vestissem os seus discípulos indígenas. De indígenas, no centro da cidade, ainda existem nomes de antigos rios que correram abertos pela região, como o Anhangabaú e o Tamanduateí.

A vila jesuítica de Nóbrega e Anchieta deu lugar à terra dos "homens bons", como o português que sequestrou uma freira em Portugal, acabou degredado no Brasil e virou vereador. Os "homens bons", a elite da época, eram os que podiam votar e ser votados e fazer guerras entre eles mesmos. Famosa ficou a rixa entre as famílias Pires e Camargo, que teve que ter intervenção do governador-geral do Brasil, Francisco Barreto de Menezes, para não colocar em risco a própria existência da vila. 

Mas não só de testosterona vivia a Pauliceia. São Paulo foi uma cidade feminina. Com os bandeirantes paulistas entrando interior brasileiro adentro pelos caminhos fluviais e terrestres, desfazendo-se da linha de Tordesilhas, a cidade ficava nas mãos das mulheres, que, com seu trabalho, ervas e rezas, mantinham a povoação funcionando, os filhos sadios, e ainda mandavam nos homens. Famosa ficou a história da Guerra dos Emboabas, quando São Paulo perdeu as minas de ouro para um bando de baianos e aventureiros portugueses. As mulheres não quiseram saber, mandaram seus maridos voltarem e reconquistarem as minas. Perderam novamente. Moral da história: elas nem sempre têm razão, mas é melhor obedecer.

Por Paulo Rezzutti.

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O Médico mais popular da Corte Imperial

Neto de negros alforriados, Dr. Francisco de Menezes Dias da Cruz, (1826-1878) nasceu no Rio de Janeiro a 10 de fevereiro de 1826; depois de...