14.2.19

Freire Alemão, o botânico do Mendanha

Por André Luis Mansur Batista


Um dos maiores nomes da botânica no Brasil nasceu e morreu na Serra do Mendanha, em Campo Grande, mas infelizmente seu nome é pouco conhecido no próprio bairro. Freire Alemão tem, em sua homenagem, apenas uma escola e uma agência da Caixa Econômica. O grande botânico tinha também, para lembrá-lo, uma placa e uma efígie, mas as duas peças de bronze foram roubadas em outubro de 2017 e até hoje não foram repostas pela Seconserma, a Secretaria de Conservação e Meio Ambiente da prefeitura, apesar dos insistentes pedidos dos moradores.

Freire Alemão nasceu no final do século XVIII, em 1797, quando o Brasil ainda era colônia de Portugal e o futuro bairro de Campo Grande estava repleto de fazendas, com muita produção de açúcar e uma grande quantidade de escravos trabalhando. Ele nasceu em uma dessas fazendas, a do Mendanha, pobre e recebendo a proteção do padre Antônio Couto da Fonseca, dono da fazenda e que sonhava que o menino também se tornasse padre.

Mas Freire Alemão tinha outro destino, a ciência, e para isso, contando com a ajuda de outras pessoas, estudou Química e Medicina, tornando-se doutor em Medicina em Paris. Ao longo do período do Império brasileiro, o menino pobre do Mendanha vai ganhando fama e prestígio, tornando-se membro de instituições importantes, como a Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro e o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, e é responsável por aquela que talvez seja a primeira previsão do tempo feita de forma sistemática no Brasil, entre 1936 e 38.

Mas foi a partir da década de 1840 que Freire Alemão iria se tornar um dos maiores botânicos brasileiros, quando se torna médico de D. Pedro II e passa a ter acesso à biblioteca do imperador, fundamental para seus estudos. Alguns anos mais tarde, seria convidado por D. Pedro II a participar da Comissão Científica às regiões Norte e Nordeste, que iria coletar milhares de espécies vegetais. Nessa viagem, e também em suas andanças pelas serras e florestas do Rio de Janeiro, incluindo aí a Serra do Mendanha, Freire Alemão iria descobrir várias espécies novas.

Como mais um sinal de prestígio junto ao imperador, o botânico participou da comitiva que trouxe a imperatriz Teresa Cristina da Itália, em 1943, e receberia algumas das principais comendas do Império, como a Ordem de Cristo e a Comenda da Imperial Ordem da Rosa.

As aulas de Freire Alemão, em instituições importantes no centro do Rio e arredores, eram muito concorridas e, em 1866, mesmo com quase 70 anos, uma idade que naquela época era considerada avançadíssima, o cientista ainda teve energia para ser diretor do Museu Nacional (que ainda não era na Quinta da Boa Vista, e sim ao lado do Campo de Santana) e organizar todo o seu rico acervo.

Aliás, muito do que ele organizou infelizmente se perdeu no recente incêndio do museu. Mas o que seus biógrafos contam é que, apesar de todo o prestígio que Freire Alemão tinha na Corte do Império brasileiro, o que ele gostava mesmo era de voltar à sua querida Serra do Mendanha, indo de trem até a estação de Sapopemba (atual Deodoro), e depois seguindo de diligência até Campo Grande, já que o atual Ramal de Santa Cruz só passaria a existir a partir de 1878.

Assim, ele e os outros passageiros iam sacolejando pela Estrada Real de Santa Cruz até Campo Grande e, segundo consta, muitas vezes o cientista viajava completamente absorvido pela leitura de um livro. A casa de Freire Alemão, ou o que sobrou dela, foi demolida nos anos 1990.

E aí fica a pergunta: será que um nome tão importante para a Botânica, não só de Campo Grande, mas do Brasil, não tem direito sequer à reposição de uma efígie e uma placa roubadas, já que nem a sua casa existe mais? Ou será que ele precisaria de uma estátua com óculos na praia de Copacabana para receber um pouco mais de atenção do Poder Público?

André Luis Mansur Batista é jornalista e escritor
Publicado às 03h00 de 14/02/2019 

Originalmente postado na página do jornal O Dia

Imagem: Arte O Dia

Veja mais sobre o botânico Freire Alemão aqui
https://saibahistoria.blogspot.com/2018/04/a-casa-de-freire-alemao.html

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

8.2.19

Ilha do Raimundo

Por Cleydson Garcia


Neste artigo, publicado na página do Instituto Histórico e Geográfico Baixada de Irajá e de autoria do estudante de Arquitetura e Urbanismo Cleydson Garcia, um pesquisador apaixonado pela história do Rio de Janeiro, detalhes interessantes sobre a Ilha do Raimundo. “Reza a lenda, que os carmelitas ou jesuítas compraram a ilha e fizeram nela um seminário ou casa de moradia. Os frades podem ter feitos túneis na ilha ligando-a à ilha vizinha de Forra Semanas (Santa Rosa), dando origem a “Lenda do tesouro na Ilha do Raimundo”, cita o autor.

Na segunda parte temos o texto do professor Jaime Morais. Boa leitura!

ILHA DO RAIMUNDO

Por Cleydson Garcia

Desde as primeiras ocupações indígenas no entorno do “Recôncavo da Guanabara”, esta ilha e as demais, foram aproveitadas pelos tupinambás para buscar alimentos. A ilha tinha uma densa mata atlântica, e refletia o seu verde luxuriante, na piscosa Baía de Guanabara.

E este recanto, atraia os tamoios até a ilha para caçar com arco e flecha: robalos, paratis, piracanjubas, tainhas, pescadas, merotes, vermelhos e etc.

Após a conquista da cidade, a ilha passou a ser explorada por colonizadores. E aos poucos perdia a sua mata virgem, através de queimadas ou desmatamento. Teve dezenas de proprietários, ao longo dos séculos.

Nos princípios do século XVIII, a ilha era conhecida como “Ilha Cardozo”. Por volta de 1760, foi vendida para o Alferes Raimundo Ferreira da Silva, um militar! E seu posto atualmente, equivale ao  de um tenente. A partir deste século em diante, o seu nome ficou perpetuado nesta ilha. E fora registrada nos domínios da Freguesia de Irajá.

O Sr. Raimundo possuía uma casa de vivenda coberta de telhas, senzalas, bananais, algumas árvores de fruto e quatro escravos de serviço. Lidava com a propriedade como se fosse um sítio insular no meio desta grande baía. Raimundo falecera um pouco antes de 1800, e sua viúva vende a propriedade para terceiros.

A Ilha do Raimundo tem cerca de 230 metros de diâmetro e possui uma baixa colina de 20 metros de altura. A sua praia, tinha uma estreita faixa de areia branca e de bom calado para embarcações como canoas, faluas e saveiros.

Reza a lenda, que os carmelitas ou jesuítas compraram a ilha e fizeram nela um seminário ou casa de moradia. Os frades podem ter feitos túneis na ilha ligando-a à ilha vizinha de Forra Semanas (Santa Rosa), dando origem a “Lenda do tesouro na Ilha do Raimundo”.

Ao passar dos anos, a lenda era contada de pescador a pescador, de pais a filhos. E a fama da ilha cresceu nas vizinhanças. A espera que um dia, alguém encontre uns baús repletos de ouro!


ILHA DO TESOURO – 1939

Por Jaime Morais

As histórias sobre tesouros escondidos sempre pertenceram ao imaginário popular, não sendo uma novidade o que foi divulgado em 1943, por alguns jornais da época, em relação a um tesouro escondido na Ilha do Raimundo.

No inicio dos anos 40, foi vasculhada por um grupo liderado pelo Coronel Albano Davi e os senhores Francisco Lamyn e Julio da Costa e Silva, que organizaram uma empresa que tinha por objetivo localizar um tesouro avaliado na época em 100 bilhões de cruzeiros, em barras de ouro, e pedras preciosas.

Em 1943, o grupo já havia investido cerca de 1 milhão de cruzeiros, tendo encontrado apenas algumas moedas antigas de prata e cobre e poucos objetos sem muito valor. Passado o tempo, o assunto veio a tona novamente, porém o Tesouro da Ilha do Raimundo continua desafiando a imaginação de muitos.

Texto e Pesquisa: Cleydson Garcia
Foto: Correio da Manhã / Ano: 1965
Fonte: Arquivo Nacional e Jornais Antigos.


Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

4.2.19

O Rio entre a beleza e o caos

Por Luiz Fernando Janot


As cidades costumam refletir em seu território as sociedades estratificadas ao longo da sua história. A qualidade do espaço urbano está intimamente ligada aos interesses do poder público e da sociedade. Na verdade, nas cidades brasileiras essa relação nunca foi harmoniosa. Ainda hoje se vê presente em nossas cidades o estigma da “casagrande e senzala”.

As favelas que se espalham pelos morros e outras áreas devolutas revelam o abismo que distingue e separa as nossas classes sociais. Os barracões de madeira com tetos de zinco, conhecidos como tradição do nosso país, não passavam de uma visão romantizada da perversa divisão social e da falta de recursos de uma parte significativa da população.

Há que se reconhecer que os espaços urbanos são extensões naturais da moradia, e, como tal, acolhem formas diversificadas de expressão cultural. Quando a habitação não oferece, de fato, condições adequadas para abrigar com dignidade os seus moradores, certamente, o conjunto delas formará um quadro de pobreza no contexto urbano.

É verdade que algumas políticas habitacionais foram criadas ao longo do tempo para atender às camadas mais pobres da população. No entanto, os conjuntos habitacionais correspondentes, em sua grande maioria, foram construídos em áreas periféricas desprovidas de infraestrutura urbana. Em decorrência, os moradores se viram obrigados a enfrentar, diariamente e por horas a fio, longos trajetos até os seus locais de trabalho. Para muitos, esse sacrifício deixou de valer a pena e, aos poucos, uma parte deles voltou a ocupar os morros e outras áreas disponíveis. O Rio é paradigma neste tipo de ocupação informal do solo. O desinteresse do poder público em atuar urbanisticamente nas favelas e dotá-las de equipamentos sociais e de infraestrutura vem facilitando o domínio desses territórios pelas facções do tráfico de drogas e pelas poderosas milícias. Aos poucos, essas forças paramilitares passaram a controlar o comércio ilegal de gás, água, luz, internet, mototáxis, vans piratas e outros serviços comunitários. Hoje, os seus negócios se expandem através da construção irregular de prédios nas próprias comunidades e em terrenos grilados nas áreas de expansão da cidade. Enquanto isso, o poder público permanece impassível frente ao crescimento das favelas e da expansão informal do tecido urbano. Diante desse quadro preocupante, indaga-se por que nenhum projeto de urbanização foi apresentado pela prefeitura para minimizar o sacrifício dessa população espoliada por bandidos? E o que levou o novo governador a não incluir entre as suas metas um plano para impedir a atuação dessas milícias? Felizmente, o Ministério Público tomou a iniciativa de investigar a ação criminosa dos milicianos. Vamos acompanhar os desdobramentos para ver o alcance desse processo.

De qualquer forma, cabe um alerta: a permanecer do jeito que está, teremos em breve uma cidade sitiada pela violência, pela miséria e por guetos de pobreza. O poder público não pode continuar indiferente à vida nas favelas e muito menos ao crescimento e ocupação descontrolada da cidade. Estejam certos de que, para o Rio continuar sendo admirado por todos, será preciso recuperar a urbanidade perdida. Entre a beleza e o caos, não há como fazer a escolha errada. Como os mais ricos podem se mudar para o exterior e parte da classe média já se enclausura em condomínio fechados, chegou a hora de o conjunto da população rejeitar a demagogia, a incompetência e a prevaricação das nossas autoridades.

Se não houver melhores condições de vida, dificilmente veremos a harmonia voltar a prevalecer na cidade. Ainda há tempo para o Rio enfrentar os seus complexos desafios e cobrar soluções de curto, médio e longo prazo para reverter essa situação desabonadora da imagem da cidade. Não dá mais para protelar uma ação efetiva que reverta a anomia que predomina no cotidiano da cidade. É agora ou nunca.


Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

27.1.19

Bem vindos ao Facebook



O lugar onde pessoas o adicionam como amigo sem saber quem és. O que não importa muito, já que a verdadeira intenção é curtir, comentar e conversar imbox, de preferência escondido. Os amigos passam a viver dentro de uma caixa e não veem mais o mundo a sua volta. Os amigos do “bom dia” passam na rua sem cumprimentá-lo. Andam como zumbis, o rosto grudado no celular. O tempo passa velozmente, o feijão queima, o leite derrama, o cotidiano vira uma miragem.

Onde relacionamentos são perfeitos, romances se iniciam, casamentos são abalados, mulheres caçam homens, homens caçam mulheres e, tolos, acreditam que estão dizendo a verdade. Aqui todos vivem no cio e uivam madrugada a dentro. O livro de faces é uma ilusão. Quando o nome não é falso, o foto de perfil é falsa, os dois são falsos ou a pessoa atrás da tela é falsa. Todos sorriem para selfies e, quem vê, inveja o sorriso ensaiado.

Aqui, seus inimigos visitam seu perfil constantemente. Familiares não aceitam a sua amizade ou se metem na sua vida: escancarada como uma janela num dia de calor. Muitos o bloqueiam porque somos todos descartáveis após sermos usados, copo cheio de mosca, lixo jogado na lata.

A vaidade impera e o espelho mágico está sempre dizendo que ninguém é mais belo que você. A maçã envenenada é servida no café da manhã, no almoço e no jantar. Mesmo que tentes fugir para a floresta todos estão teclando e terás por companhia a mata, os pássaros e o barulho do riacho. O que não é de todo mal. O mal já foi feito ao enclausurarem todos numa caixa a se multiplicarem como baratas tontas sem rumo e afundados na dor.

(Lúcia Gomes – fragmento de texto)
Imagem: Sanhaço (Parati - Estrada Real)


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20.1.19

Inhoaíba, 26 anos do bairro



Hoje é o aniversario do nosso querido bairro, em 20/01/1993, ele foi emancipado de Campo Grande se tornando um bairro autônomo. Conheça um pouco dessa história:

A "Fazenda de Inhoaíba" era atravessada pela Estrada Real de Santa Cruz, atual Avenida Cesário de Melo e ficava em frente à "Fazenda Campinho". Com a implantação do ramal ferroviário de Mangaratiba, atual ramal de Santa Cruz, foi inaugurado em 1912, a estação Engenheiro Trindade, chamada posteriormente de Inhoaíba, que consolidou o nome do bairro. Suas terras eram utilizadas para a lavoura do café e da laranja. A partir dos anos 70, a urbanização da área se intensifica, e surgem grandes loteamentos, como o Vilar Carioca e o Vilar Guanabara. Em 1993 o prefeito Cesar Maia emancipou Inhoaíba como um bairro autônomo de Campo Grande, porém não se tornou alvo de seus projetos, Favela-bairro e Rio-cidade. Hoje o Bairro tem aproximadamente 100.000 Habitantes.

O NOME

A história da origem do nome é controversa, pois, se era um campo ruim não poderia ser utilizado para a plantação, diz a lenda que este nome teve origem na época das grandes fazendas de escravos e a fazenda pertencia ao Sr. Aníbal, mas os escravos o chamavam de Sinhô Aníbal ou "Inho Aniba", dando origem ao nome Inhoaíba. O nome é uma corruptela de NHU (campo), AHYBA (ruim), denominação dada pelos indígenas à baixada entre a serra de mesmo nome e Campo Grande.

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

13.1.19

Morgado do Marapicú

Por Cleydson Garcia
 
Tamanho do Morgado. Ocupava 70% da Freguesia do Marapicú. O Engenho do Piranga não fazia parte.

As terras originaram da Sesmaria de Garcia Ayres, 1592. As dimensões da sesmaria era 1 légua quadrada, principiando nas margens do ribeiro Marapicú. A fazenda passou nas mãos de diversos proprietários, até chegar nas mãos do Capitão Manuel Pereira Ramos, no princípio do século XVIII.

Capela Nossa Senhora da Conceição:


A primitiva capela de Marapicú foi erguida em 1736, pelo Capitão Manuel Ramos. Anos mais tarde, o mesmo capitão, fez doação de 60 braças de terra, para edificar uma igreja de pedra a partir de 1752. E cinco anos depois, foi criada a paróquia por alvará de 4 de Fevereiro de 1759.

E nela acontecia casamentos, batizados e o sepultamento dos donos desta fazenda. No seu entorno, existia o Arraial de Marapicú, onde moravam os lavradores pardos livres e portugueses.

Freguesia de Marapicú:

Marapicú: É uma freguesia da província do Rio de Janeíro. Fica à 9 léguas ao noroeste da capital do Império. O nome original desta freguesia era para ser "Maripocú ou Mariapocú", mas está sendo chamada de "Marapicú" pelos colonos, ao tentar pronunciar este nome dado por índios. Separou-se do termo da Freguesia de Jacutinga, para fazer o de Marapicú. Acha-se este limitado, ao norte, pela Freguesia de ltinga; a leste, pelas de Iguaçú, Jacutinga e Miriti, e ao sul, confronta com os de Campo Grande. Ao oeste, fazia fronteira pelo Rio Guandú, que era o limite das terras dos Padres da Companhia de Jesus e Maripocú.. Hoje a Fazenda de Santa Cruz, antiga de Jesuítas, pertence ao Governo Imperial.

O Rio Guandú, separa Marapicú do município de ltaguahy. Neste termo possui cinco engenhos e 1.800 habitantes: lavradores de canas de açúcar, mandioca, milho, arroz e café. Os gêneros são levados em bestas muares aos portos dos rios: Jacutinga, Miriti e Irajá, onde se embarcam para o Rio de Janeiro.

Os lavradores consideram os portos mencionados acima, distantes. E preferem depositar os gêneros nas margens do Rio Guandú, perto de sua embocadura, onde são carregados em sumacas e levados por mar á capital. E nestas paragens também se criam gado vacum."

Fonte: Dicionário do Império do Brazil - 1845

Duração da Freguesia: 1759 - 1911.

Antecedentes:

Em 1730, as fazendas eram separadas, sendo que as Fazendas Marapicú e Cabuçu: Pertenciam ao Capitão-mor Manuel Pereira Ramos de Lemos e Faria e a Dona Helena de Andrade Souto Maior Coutinho.

Novas aquisições:
Fazendas de Mato Grosso, Pantanal e Itaúna.

Quanto a "Fazenda e Engenho do Ypiranga", a família não conseguiu anexar, porque o dono desta propriedade não quis vender para o Capitão Manuel Ramos.

Filhos:
João Pereira Ramos de Azeredo Coutinho;
Inácio de Andrade Sottomayor Redom;
Helena Josefa de Andrade Sottomayor Coutinho;
Micaela Joaquina Pereira de Faria e Lemos;
Francisco Lemos de Faria Pereira Coutinho,
52.º Bispo de Coimbra, 17.º Conde de Arganil e 6 outros.

Morgadio de Marapicu:

Foi instituído após a morte do Capitão-Mor Manoel Pereira Ramos de Lemos, quando a viúva D. Helena de Andrade Souto Maior Coutinho e seus filhos, firmaram escritura pública em 6 de Janeiro de 1772, transferindo as legítimas paternas e maternas para o filho primogênito, João Pereira Ramos de Azeredo Coutinho. A sucessão hereditária de qualquer Morgado determina que os primogênitos do sexo masculino herdem a totalidade dos bens deixados em herança.

Herdeiros:

Sucessor 1:
João Pereira Ramos de Azeredo Coutinho
Filho de Manuel Ramos.

Sucessor 2:
Inácio de Andrade Souto Maior Rendom.
Filho de Manuel Ramos.

Sucessor 3:
Marquês de Itanhaém
Manuel Inácio de Andrade Souto Maior Rendom Pinto Coelho. (1782-1867)
Filho de Inácio Sottomayor.

Sucessor 4:
Ultimo herdeiro do Morgadio do Marapicu.
Conde de Aljezur - Francisco de Lemos Faria Pereira Coutinho. (1820-1909)
Filho de Francisco Coutinho, Bispo de Coimbra.

História do Marques de Itanhaém:

Manuel Inácio, Barão de Itanhaém. Cerca de 1820.

Manuel nasceu na Fazenda de Marapicú, pertencente ao seu pai, o brigadeiro do exército português Inácio de Andrade Souto Maior.

Cresceu e teve uma educação rígida, para ser um homem influente na sociedade. Durante sua carreira militar, foi apontado general e conquistou várias medalhas e comendas entre elas a grã-cruz da Legião de Honra da França. Tendo estudado Direito, tornou-se juiz. Ele falava ao menos cinco línguas.

Manuel Inácio foi feito barão de Itanhaém tanto por Portugal quanto pelo Brasil. Recebeu primeiramente o título de D. João VI, por decreto de 3 de maio de 1819. Depois o foi por D. Pedro I do Brasil, por decreto de 1 de dezembro de 1822, em gratidão à sua lealdade ao Império. Ainda em 1822, serviu como alferes-mor na sagração e coroação de D. Pedro I, que, aos 12 de outubro de 1826, o titulou Marquês de Itanhaém.

Com a prisão de José Bonifácio em 1834, o marquês substituiu-o como tutor do jovem D. Pedro de Alcântara, então com oito anos. Tutor do imperador, ele residia em um quarto do Palácio de São Cristóvão, no Rio de Janeiro. E não demorou muito tempo, para construir seu palacete, próximo ao Palácio Imperial, na Rua São Cristóvão.

Por ocasião da coroação de Pedro II, recebeu a Grã-Cruz da Imperial Ordem de Cristo.

Casamentos e Azar:

Aos vinte e cinco anos, o marquês de Itanhaém desposou, por procuração de sua família, sua prima, Teodora Egina Arnaut. Sua esposa morreu em 1828, depois de uma união insossa de quase vinte e um anos.

Aos quarenta e nove anos, o marquês casou-se com Francisca Matilde, de trinta anos. Com a morte de Francisca no ano seguinte, Manuel Inácio casou-se, menos de seis meses depois, com a cunhada, Joana Severina. Assim como a irmã, ela morreu aos trinta anos, seis meses depois.

Em 5 de julho de 1834, na capela da casa de uma amiga na Rua da Quitanda, o marquês de Itanhaém, com cinqüenta e dois anos (idade elevada na época, em que homens morriam aos quarenta), casou-se secretamente com Maria Angelina Beltrão, uma pobre faxineira lisboeta de vinte e nove anos. Maria Angelina o acordava todas as manhãs cedo no palácio, sempre limpando seu quarto. Em junho daquele ano, depois de uma conversa, o marquês pediu sua mão em casamento, e ela, surpresa, aceitou.

Marquês de Itanhaém, aos 84 anos, com esposa e netos. No ano de 1866.

No mesmo ano ainda, o Marquês candidatou-se ao senado por Minas Gerais. Para ser eleito, exigiu sigilo de seu quarto casamento. Maria Angelina continuou a trabalhar como faxineira do palácio, sem que ninguém soubesse de suas relações com ele.

A farsa continuou mesmo com a vitória do Marquês, mas chegou ao fim no início de 1835, quando revelou seu casamento secreto a D. Pedro II e a gravidez de Maria Angelina. O Imperador aceitou a união entre os dois e, inclusive, permitiu que o primogênito do casal, Manuel Inácio, fosse batizado na capela imperial do palácio, em 25 de maio daquele ano. A cerimônia contou com a presença das principais famílias nobres do Império.

Muitos anos se passaram, o Marquês continuava no comando de sua fazenda no Marapicu até a velhice, expandindo a sua fortuna e seus domínios.

Manuel Inácio faleceu no Rio de Janeiro, no dia 17 de agosto de 1867, aos 85 anos. Maria Angelina viria a falecer exatamente um mês depois, em 17 de setembro, aos 62 anos.
E o seu primo, Francisco Coutinho herda a fazenda, e toca o morgado para frente.

Conde de Aljesur:


Francisco de Lemos de Faria Pereira Coutinho, nasceu em 12 de setembro de 1820, na cidade do Rio de Janeiro. Àquela altura, o país ainda não era uma nação independente (o que só aconteceria em 7 de setembro de 1822), e, portanto, Francisco Coutinho era cidadão português, nascido na então colônia Brasil, durante o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. No dia 3 de junho de 1845, em Portugal, com 25 anos de idade, ele se casou com Maria Rita de Noronha (ela nascera na cidade de Tavira, em Portugal, em 21 de janeiro de 1826). O casal não teve filhos.

Em 15 de setembro de 1858, por meio de decreto, o rei de Portugal, Dom Pedro V, concedeu o título de Viscondessa de Aljezur à senhora Maria Rita, e na mesma data, estendeu o título a Francisco Coutinho, que adotou a designação de Visconde de Aljezur. No Brasil, o imperador Dom Pedro II confirmou o título de visconde a Coutinho, por meio de portaria de 23 de dezembro de 1858. Mais tarde, em 10 de abril de 1878, Francisco Coutinho teve o título de visconde elevado à categoria de conde, em ambos os países. Como se percebe, ele detinha os mesmos títulos de nobreza, tanto em Portugal como no Brasil.

Francisco Coutinho era funcionário da Coroa e servia ao Império do Brasil, desempenhando inúmeras funções, encargos e missões. Ele comandou, por exemplo, o 7º Corpo de Cavalaria da então Província do Rio de Janeiro, sediada na Vila de Iguaçu, região que hoje conhecemos como município de Nova Iguaçu. Coutinho foi companheiro inseparável de Dom Pedro II, sendo-lhe leal até a morte do monarca, em 1891. Nos últimos anos de vida, Francisco, ampliou os domínios do Morgado do Marapicu, comprando outras fazendas e chegou nas fraldas da Serra do Tinguá.

O Conde de Aljezur, um homem de dois continentes (América e Europa) e de duas nações irmãs (Brasil e Portugal), faleceu em 2 de abril de 1909, em Petrópolis, Estado do Rio de Janeiro, aos 99 anos de vida e o morgado acaba após 1 século e meio de duração.

Uma curiosidade: em 12 de agosto de 1903, foi inaugurada a Estação Aljezur, em Nova Iguaçu (RJ), integrante da Linha Auxiliar da Estrada de Ferro Central do Brasil, em homenagem ao conde que possuía terras naquela localidade. Lamentavelmente, a Estação Aljezur encontra-se, desde 1996, abandonada, ocasião em que a referida linha férrea foi desativada.

Em 1911, a viúva e rica Condessa de Aljezur, vende os domínios territoriais legados por seu falecido marido para o Conde Modesto Leal, pelo valor de cento de setenta e cinco contos de réis (175:000$000 réis).

Conde Modesto Leal:


João Leopoldo Modesto Leal, titulado Conde Modesto Leal (1860-1939). Filho de João Antônio da Silva Leal e Amália Joaquina Modesto. Nasceu e cresceu em Araruama. João teve uma infância pobre, mas desde cedo já mostrava talento para o comércio.

Na adolescência, trabalhou como vendedor de sucatas, tendo, posteriormente, feito fortuna com a compra e venda de sucata de navios, negociando imóveis e dedicando-se à agiotagem. No início da vida adulta, se muda para o Districto Federal-RJ ao fazer fortuna.

Tornou-se banqueiro e acionista da Companhia Jardim Botânico e de outras empresas de bondes. Fez doações milionárias à Santa Sé, tendo sido agraciado por esta com o título nobiliárquico de Conde Modesto Leal.

No início do século XX, era o homem mais rico do Brasil. No final de sua vida foi senador da República. Comprou a fazenda do falecido Conde de Aljezur, visando em aumentar seus lucros.

Em 1916, o Conde de Modesto Leal provocou brigas com os antigos lavradores e arrendatários do Conde de Aljezur, por questões latifundiárias. Estimulou o plantio de cítricos e lucrou com isso. O Conde de Modesto Leal, faleceu em 1939, deixando uma grande fortuna aos herdeiros.

Fazenda Normandia:

Os irmãos Guinle, compraram a fazenda dos herdeiros do Conde Modesto Leal em 1940, e renomearam como Fazenda Normandia. Em seguida, promoveram diversos loteamentos nessa região de Iguaçú, dando origem às diversas ruas de Queimados, Engenheiro Pedreira, Caramujos, Marapicu e Cabuçú.

Fonte: Arrendamentos e conflitos nas terras do antigo Morgado de Marapicú.

Palavra-chave: Origens de Queimados, Engenheiro Pedreira, Marapicu, Ipiranga e Cabuçu, Fortuna e a Nobreza Fluminense.

Compartilhado da página Especial Rio Antigo

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

7.1.19

O Brasil no Império



Para quem gosta de história do Brasil.

Quando D. Pedro II do Brasil subiu ao trono, em 1840, 92% da população brasileira era analfabeta.

Em seu último ano de reinado, em 1889, essa porcentagem era de 56%, devido ao seu grande incentivo à educação, à construção de faculdades e, principalmente, de inúmeras escolas, que tinham como modelo o excelente Colégio Pedro II.

A Imperatriz Teresa Cristina cozinhava as próprias refeições diárias da família imperial apenas com a ajuda de uma empregada (paga com o salário de Pedro II).

(1880) O Brasil era a 4º economia do Mundo e o 9º maior Império da história.

(1860-1889) A média do crescimento econômico foi de 8,81% ao ano.

(1880) Eram 14 impostos, atualmente são 98.

(1850-1889) A média da inflação foi de 1,08% ao ano.

(1880) A moeda brasileira tinha o mesmo valor do dólar e da libra esterlina.

(1880) O Brasil tinha a segunda maior e melhor marinha do Mundo, perdendo apenas para a da Inglaterra.

(1860-1889) O Brasil foi o primeiro país da América Latina e o segundo no Mundo a ter ensino especial para deficientes auditivos e deficientes visuais.

(1880) O Brasil foi o maior construtor de estradas de ferro do Mundo, com mais de 26 mil km.

A imprensa era livre tanto para pregar o ideal republicano, quanto para falar mal do nosso Imperador.

"Diplomatas europeus e outros observadores estranhavam a liberdade dos jornais brasileiros”, conta o historiador José Murilo de Carvalho.

Mesmo diante desses ataques, D. Pedro II se colocava contra a censura. "Imprensa se combate com imprensa", dizia.

O Maestro e Compositor Carlos Gomes, de “O Guarani” foi sustentado por Pedro II até atingir grande sucesso mundial.

Pedro II mandou acabar com a guarda chamada Dragões da Independência por achar desperdício de dinheiro público. Com a república a guarda voltou a existir.

Em 1887, Pedro II recebeu os diplomas honorários de Botânica e Astronomia pela Universidade de Cambridge.

D. Pedro II falava 23 idiomas, sendo que 17 era fluente.

A primeira tradução do clássico árabe “Mil e uma noites” foi feita por D. Pedro II, do árabe arcaico para o português do Brasil.

D. Pedro II doava 50% de sua dotação anual para instituições de caridade e incentivos para educação com ênfase nas ciências e artes.

Pedro II fez um empréstimo pessoal a um banco europeu para comprar a fazenda que abrange hoje o Parque Nacional da Tijuca. Em uma época que ninguém pensava em ecologia ou desmatamento, Pedro II mandou reflorestar toda a grande fazenda de café com mata atlântica nativa.

A mídia ridicularizava a figura de Pedro II por usar roupas extremamente simples, e o descaso no cuidado e manutenção dos palácios da Quinta da Boa Vista e Petrópolis. Pedro II não admitia tirar dinheiro do governo para tais futilidades. Alvo de charges quase diárias nos jornais, mantinha a total liberdade de expressão e nenhuma censura.

D. Pedro II era um Grande Templário, amigo pessoal de Dom Antonio de Sousa Fontes, 50º Grão Mestre da OSMTH Magnum Magisterium.

D. Pedro II andava pelas ruas de Paris em seu exílio sempre com um saco de veludo ao bolso com um pouco de areia da praia de Copacabana. Foi enterrado com ele. Foi o que “roubou” do Brasil.

Fonte: Biblioteca Nacional RJ, IMS RJ, Diário de Pedro II, Acervo Museu Imperial de Petrópolis RJ, IHGB, FGV, Museu Nacional RJ, Bibliografia de José Murilo de Carvalho.

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

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