quinta-feira, maio 23, 2024

Benedicto Freitas e a importância da história de Santa Cruz


Jornalista e Historiador. Benedicto Freitas nasceu no Rio de Janeiro, em 10/01/1910. Exercendo atividades jornalísticas em diversas publicações no Rio de Janeiro. Durante mais de 15 anos foi diretor e editor regional do jornal Imprensa Rural, conceituado veículo de imprensa na década de 1950, onde publicou textos de consagrados intelectuais e historiadores sobre Antropologia e, em especial, um expressivo ensaio sobre os Tupamaros, antes mesmo dos acontecimentos ocorridos no Uruguai duas décadas depois. Foi um dos fundadores do Núcleo de Orientação e Pesquisa Histórica de Santa Cruz / NOPH; fundador-ativista da Associação dos Amigos da Ponte dos Jesuítas (monumento histórico e artístico nacional); ex-presidente do Lions Club Santa Cruz / 1987; medalha de ouro no Terceiro Encontro Internacional de Eco-Museus, realizado em Santa Cruz, RJ, em maio de 2000. Foi colaborador do Mensário do Arquivo Nacional / MAN e da revista Sul-América, e de outros periódicos regionais; acadêmico-correspondente do Ateneu de Letras e Artes de Angra dos Reis, do Instituto Campograndense de Cultura e do Instituto Histórico de Parati. Faleceu no Rio de Janeiro, em 20.05.2002.

Transcrevo abaixo o texto escrito pela Museóloga Odalice Miranda Priosti / Coordenadora de Estudos e Projetos do NOPH. Escrito no ano de 2002 e que define muito bem a trajetória desse grande historiador.

"Benedicto Freitas dará nome à praça central de Santa Cruz

O NOPH - Núcleo de Orientação e Pesquisa Histórica e o Ecomuseu Comunitário de Santa Cruz - Ecomuseu do Quarteirão Cultural do Matadouro ressaltam a biografia de nosso historiador e como membros dessa comunidade que tem sabido responsabilizar-se pela divulgação da obra de Benedicto Freitas e fazer dela o sêmen de uma nova história, expressam o respeito e a admiração por alguém que fez do seu estilo de vida um modelo de oração. Cantado e louvado em prosa e verso pelos que compreendem a profundidade e a importância de anos a fio dedicados à pesquisa da história local, Benedicto Freitas não teve apenas os filhos que a natureza legou. É também pai de toda a comunidade santa-cruzense, na medida em que, como um pai, buscou conhecê-la profundamente, dedicando ao seu estudo e pesquisa os seus melhores anos. Descobriu-lhe as origens, dos tempos da Fazenda de Santa Cruz aos tempos áureos do apogeu do Matadouro. Com ele, a comunidade aprendeu a conhecer mais seu lugar e entender melhor o que prega o NOPH no dístico que se tornou sua marca distintiva:

Um povo só preserva aquilo que ama. Um povo só ama aquilo que conhece.

A história de Santa Cruz revelada pela sua dedicação e pesquisa tornou-se o tema das ações comunitárias patrimoniais e de defesa da identidade cultural do bairro. Com ela a comunidade pôde se olhar no espelho da História da Cidade do Rio de Janeiro e do Brasil, identificar sua veia cultural, deitar nela suas raízes mais profundas, criar vínculos da comunidade do futuro com seu lugar. Benedicto Freitas foi aquele que ensinou ao santa-cruzense o sentido do lugar onde vive, valorizou-o e possibilitou-lhe reconhecer suas potencialidades, acreditar nelas e escrever a sua nova história. Benedicto sai da poeira dos arquivos para a história de Santa Cruz como aquele que, recolhendo fragmentos do passado, trazidos pelos documentos estudados, lavrou a carteira de identidade cultural desse bairro. Mais aumenta a responsabilidade do NOPH e do Ecomuseu de Santa Cruz com o legado intangível de Benedicto Freitas. Sócio fundador do NOPH e seu eterno colaborador, será para todos, que ousam seguir na divulgação dos seus talentos e dos frutos que deles se originaram, seu exemplo, seu mestre, seu historiador: o que trouxe o ungüento certo na hora certa para uma sociedade ferida em sua auto-estima.

A comunidade é a legítima herdeira desse legado vivo. Cada um é um pouco filho de Benedicto. Nada mais justo que se regozije com as glórias por ele alcançadas. Cresceu muito com ele e haverá de crescer ainda mais agora com a responsabilidade outorgada pelo NOPH e pelo Ecomuseu, motivos de sua constante preocupação e orgulho, na tarefa de continuar a desenvolver esse lugar, a partir do patrimônio por ele revelado na pesquisa histórica.

Que as homenagens não se restrinjam a palavras e moções! Que as ações firmem o compromisso com a difusão de sua obra! Que as autoridades competentes atendam ao apelo da comunidade pelo reconhecimento do mérito de seu filho ilustre! Que as escolas em todos os níveis e graus sejam as multiplicadoras de sua obra e incluam a história local nos seus currículos! Que Benedicto continue vivo na Santa Cruz viva, que como um arquiteto da História, tão silenciosamente planejou! Viva Santa Cruz, viva nos livros de Benedicto Freitas. 


O NOPH, em reconhecimento ao que Benedicto Freitas representou em vida e agora na imortalidade, unindo o tempo passado ao presente e mais que nunca ao futuro, propõe a denominação de "Praça Historiador Benedicto Freitas" à praça central do bairro, reestruturada recentemente com as obras do Rio Cidade Santa Cruz e valorizada nos próximos meses com a exposição permanente a céu aberto, realizada pela ACEC Rio Associação Cultural de Estudos Contemporâneos, em parceria com a Prefeitura do Rio, no Projeto "Uma Rua Conta Sua História", cujo projeto arquitetônico coube ao também santa-cruzense Oswaldo Eduardo Lioi. O projeto tem por objetivos:

Reconhecer e homenagear o trabalho de pesquisa e divulgação da História de Santa Cruz, bairro de origem jesuítica, tornada sede de governo de verão no período real e imperial, na Residência da Fazenda de Santa Cruz, pelo Historiador Benedicto Freitas. Tendo como alvo a Comunidade de Santa Cruz, pesquisadores, historiadores e interessados nessa parte da História do Brasil passada em Santa Cruz, foram adotadas as seguintes estratégias de ação:. Escuta à comunidade sobre a iniciativa. Construção coletiva do projeto no NOPH. Encaminhamento jurídico- burocrático da demanda aos órgãos e autoridades competentes. Proposta de inclusão da História Local nos currículos das escolas de 1° e 2° segmentos das redes pública e privada de Santa Cruz e adjacências."

Fontes de Consulta:

Freitas, Benedicto, (1910-2002) Rio de Janeiro: ASA Artes Gráficas, 1985-1987. v.1. Era jesuítica, 1567-1759. v.2. Vice-reino e reinado, 1760-1821. v.3. Império, 1822-1889.

Quarteirão 58, Julho / Agosto 2004 Pág. 15.

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sábado, maio 18, 2024

Estrada de Ferro de Mangaratiba - O trem "Macaquinho"

A origem do nome Mangaratiba deve-se a Mangara que significa ponta da banana  Tiba Lugar onde existe abundância.

A história do município reporta-se ao século XVI, mas exatamente ao período da doação das Capitanias Hereditárias, em 1534. Por viver sob ameaça dos índios Tamoios, os primeiros colonizadores não conseguiam fazer quase nada. O povoado foi fundado na praia de São Brás, em 1616, por Martim Afonso e um grupo de índios Tupiniquins.

O povoado foi transferido em 1688, devido às inundações na área do Ingaíba. Devido à grande exportação do café, foi aberta uma estrada de rodagem, a primeira inaugurada no país, pelo imperador D, Pedro II. A região entrou em decadência, quando a produção de café do vale do Paraíba foi desviada para o porto do Rio de Janeiro.

A estagnação da economia e da vida em Mangaratiba persistiu até 1914 quando foi concluído o ramal da Estrada de Ferro Central do Brasil, que integrou o Município no sistema ferroviário do Rio de Janeiro. Posteriormente ocorreu um ligeiro progresso econômico propiciado pela exportação de bananas e pela construção de residências de veraneio ao longo da linha férrea ou concentradas em alguns núcleos urbanos.

Praia de Saí - Foto: Trilhos do Rio

O ramal de Angra, posteriormente chamado de ramal de Mangaratiba foi inaugurado em 2 de dezembro de 1879, partindo da estação de Sapopemba (Deodoro) até o distante subúrbio de Santa Cruz, destinava-se ao transporte especial de carnes do novo matadouro até a estação da Corte e ao transporte de passageiros.

Fonte de Consulta: 

https://www.mobflu.com

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