sábado, 18 de março de 2023

O Turf suburbano: O Club de corridas de Santa Cruz

Fazenda Santa Cruz – Revista da Semana 22/04/1933.

O Bairro de Santa Cruz, estabelecido na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, cuja importância histórica se confunde com a colonização do Brasil, teve outros momentos além dos trabalhos jesuíticos e o espaço de veraneio para a família real. Na primeira década do século XX, a região mostrou-se um verdadeiro espaço de entretenimento, sendo um dos principais palcos do Turf carioca.

O Imparcial, 25 de março de 1913.

A inauguração da nova pista atraiu, em março de 1913, olhares dos mais variados periódicos, nos quais analisaram com detalhes as instalações dessa simpática sociedade. Além da nova pista de 18 metros, a maior da cidade, o prado, construído nos campos do Coronel Ernesto Durisch, obedeceu exclusivamente ao traçado de seu ilustre e dedicado presidente Dr. Avelino Pinto, que não poupou esforços para exilo de sua festa. Para o deslocamento de aproximadamente 64km, muito concorreu a boa vontade do ilustre “turfmen” Dr. Paulo de Frontin, disponibilizou dois trens especiais destinados exclusivamente para os dias de corrida, sendo um às 7h da manhã para o transporte de animais; outro especial para passageiros, às 11:40, o qual chegará por volta das 13:30 da tarde.

Careta, 23 de março de 1918.

As arquibancadas achavam-se lotadas, fato que se estendeu por anos, demonstrado a paixão fervorosa d’esse sport. Para o cronista d’Imparcial, o entusiasmo por esse “meeting” já se vinha notando desde muitos dias, tanto que ontem era extraordinária a procura de convites, o que forçou a diretoria deste club a franquear às pessoas que forem daqui da cidade, a entrada nas dependências do prado, no que andou acertadamente.



A festa seguiu animada, com os diversos páreos bem disputados, tendo por vencedores os animais: Vanda e Pourquoi Pás, Hacanéa e Flor de Liz, Baroneza e Fé, Epsom e Ilka, Bem e Humayta, Breva e Jupira. 

Apesar do sucesso, a sociedade não escapou de críticas, principalmente referentes às instalações, tais como: arquibancadas, casa de poule, botequim, sala para a imprensa, entre outro. Contudo, a avaliação foi positiva, principalmente tratando-se de uma corrida inaugural.

Texto e pesquisa por Nei Jorge dos Santos Junior.

Fontes de consulta:

O Imparcial, 23 de março de 1913.

O Malho, 29 de março de 1913.

O Imparcial, 23 de março de 1913.

O Malho, 29 de março de 1913.

Revista da Semana 22/04/1933.

Postado no HISTÒRIA (S) DO SPORT.

https://historiadoesporte.wordpress.com/2015/09/07/o-turf-suburbano-o-club-de-corridas-santa-cruz/#_ftnref2

Se liga também nessa minha observação:

Até hoje ainda existem em Santa Cruz as marcações desse antigo Hipódromo. Observe na imagem do Google abaixo:


Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego.

quarta-feira, 8 de março de 2023

O dia da grande explosão na direção da serra do Gericinó (12/08/1958)


Jamais houve na história da nossa cidade madrugada mais louca que a de 2 de agosto de 1958. O Estado ainda vivia o clima de euforia gerado pela conquista da Copa do Mundo disputada pouco antes na Suécia, quando, perto da meia-noite, uma grandiosa explosão na direção da serra do Gericinó fez iluminar todo o céu, tremer chão, rachar paredes, além de quebrar vidros, fazendo com que os moradores de Bangu e bairros adjacentes, muito assustados, abandonassem correndo suas casas, e sem saber ao certo o que estava ocorrendo, caminhassem, desesperados, com seus filhos e os poucos pertences que conseguissem amealhar, na direção oposta àquela espetacular e barulhenta tragédia.

Outras explosões logo se fizeram sentir, gerando mais comoção popular e aumentando o desespero de todos. Perguntavam entre si... Seria uma nova guerra? Uma revolução? Um acidente nuclear? Ou mesmo o fim dos tempos? Somente no dia seguinte, quando os jornais do Estado noticiaram, é que todos iriam saber. O paiol ou Depósito Central de Armamento e Munição do Exército, localizado na serra do Gericinó, Bairro de Deodoro, havia explodido. Para que todos tenham ideia do tamanho do estrago, o complexo de Deodoro, o maior da América Latina, era formado por dez paióis e 60 depósitos de armamento bélico, com uma quantidade de armas e munições suficientes para mandar todos os bairros do Rio de Janeiro pelos ares. Foi quase isso o que ocorreu.  

Contam que sepulturas foram arrasadas no cemitério de Ricardo de Albuquerque, que ficava ao lado do paiol, e restos mortais dos defuntos apareceram boiando na Praia de Ramos, distante muitos quilômetros do local, tal a dimensão do explosivo acontecimento.

O desfortúnio foi de tal forma grandioso, marcante, inesquecível para qualquer carioca que testemunhou aquela distante madrugada do ano de 1958, que permanece como o evento mais barulhento e luminoso de uma cidade naturalmente explosiva, ao ponto de, tanto eu quanto o meu irmão Rogerio Melo, ainda crianças, até hoje, lembrarmos claramente daquele catastrófico dia. 

Quem mais do grupo ainda se lembra daquele evento?

Texto de Romario Melo

Histórias de Bangu - A Memória de um bairro. (Grupo no Facebook)

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego.