sábado, 18 de janeiro de 2020

Cantando, dançando e flertando nos chafarizes da Bahia oitocentista


Chafariz do Bonfim, instalado cerca de 1860.

Em matéria de O ALABAMA, é possível termos uma ideia do cotidiano dos chafarizes de Salvador no século XIX, um verdadeiro campo negro urbano, parafraseando Flávio Gomes, que forjou o termo ao se referir a localidade de Iguaçu no século XIX. Os chafarizes se mantinham como espaço de sociabilidade entre a população escrava, liberta e livre, que mesmo em momentos de trabalho árduo fazia desse local um ambiente de resistência e refúgio temporário das amarguras da escravidão. 

A BUSCA D’ÁGUA NOS CHAFARIZES

- Ora, não se dá coisa assim!... forte desaforo! Pois estas negrinhas não deixaram a casa ficar sem água?

Gritava raivosa D. Quitéria, indo ver os potes e achando-os vazios. Contudo, suas duas negras, há boas duas horas, foram ao chafariz, que é bem perto de casa. Que diabo fazem elas no chafariz, há tanto tempo.

A busca d’água nos chafarizes, para negras que vivem empregadas no serviço de casa, é uma felicidade, que elas apreciam em extremo, e por isso, quanto mais ali se demoram, ainda que em chegando em casa levem pelas ventas algum bofetão da senhora.

Os chafarizes são para as pretas cativas os rendez-vous de seus amores, o lugar onde desabafam as raivas dos senhores e senhoras; a sala de visita onde recebem as amigas, o escritório onde pagam suas dívidas de ciúmes e tratam em magna sociedade das ações, que veem praticar em casa. Negros e negras, de bons e maus senhores, ali se encontram, e grandes coisas se decidem, enquanto corre a água da bica com doce e suave murmúrio.

Não é pois raro ver muitas vezes, em um mesmo chafariz, uma negra que se derrete para o seu Adonis cor de carvão, e lhe dá desculpa de não ter vindo na véspera ao chafariz, porque foi com sua senhora passar o dia numa casa; outra que briga, profere palavras e rasga a companheira, porque lhe empurrou o barril para fora da bica; uma que enche o pote chorando e rogando pragas ao senhor, que lhe deu uma esfrega de respeito; outra, finalmente, que, em companhia das amigas, como se ninguém a esperasse em casa, como se ali só tivesse vindo para palestrar, relata os namoros da yayasinha, as cabeleiras de seu senhor e as fugidas que faz o sinhozinho de casa, à noite, sem que ninguém saiba, para ir dormir fora, julgando todos de casa dormir ele e seu quarto bem sossegado. São cenas estas todas próprias de um chafariz, e que fazem, por consequência, com que não voltem as negrinhas de D. Quitéria.

Chafariz do Largo do Accioli, instalado cerca de 1858.

Essas negrinhas tinham ido ao Terreiro, e lá estavam demoradas, querendo dar a sua senhora os privilégios de papagaio, por isso que a deixaram se água em casa.

- Não sabe V., tia Violante, dizia uma delas no chafariz, o que aconteceu em casa?
- Que foi? 
- Sinhazinha tanto andou, até que achou.
- Que foi que ela achou?
- Ora, gentes, V. não sabe o que foi não? Foi na chuva e molhou-se.
- Está bom! Nunca ninguém me disse isto!
- Pois bem! Achou, e meu senhor ainda não sabe de nada. Eu ouvi minha senhora estar dizendo que sinhazinha há de casar. Si yoyô Cazuza não quiser, que ela então conta a meu senhor.
- Que está me dizendo! Germana, V. tome sentido. Olhe, negócio de branco é negócio fino. Toma sentido, negrinha.
- Deixe estar, tia Violante, eu que me importa? Coisa de branco é coisa de branco.
- Tia Nicacia, adeus, dizia a outra, minha senhora está bem zangada. Vm. não leva roupa nem nada. Meu senhor já brigou.
- Negrinha, vá embora, V. não sabe que está dizendo.
Está bom, que me importa!

E ambas, depois de haverem pauteado bem, lá vem com o pote na cabeça, pelas Portas do Carmo, bem a seu gosto, e no caminho se derretendo com os tios, que foram ao chafariz também encherem seus barris, e antes de chegarem à casa ainda fazem meia dúzia de paradas e contam meia dúzia de histórias, até que chegam e se desculpam dizendo que havia muita gente no chafariz; que as bicas estavam ocupadas e que os galés tomaram conta delas; e outras carcavias semelhantes, que uma pobre dona de casa não tem remédio se não aturar.

A busca d’água nos chafarizes é uma coisa agradável para as negrinhas de casa, e dá não poucos cuidados a certos donos de casa, que parecem não dormirem para fazer sair os negros para a fonte, logo as quatro horas da madrugada, o que para os negros é bem duro, porque faz frio; e dizia a velha Monica, velha que podia ser citada como um compendio de ditados, que, se os pretos soubessem que no céu fazia frio, nenhum queria ir pra lá.

É raro também, encontrar uma negra que indo ao chafariz não vá cantando. Parece que buscam nas cantigas de seu país, se não africanas, alívio para as fadigas do trabalho, pois é de supor que sintam este carregar de água todos os dias para os dois e três banhos, que toma sua senhora e a lavagem da roupa de casa. Quem morar em caminho de chafariz ouvirá muita vez, estragadas, estropiadas, e horrivelmente desfiguradas, as belas e sentimentais modinhas, postas na boca das crioulas do país. Escutando-as a sinhá moça, quando as canta no seu piano, dir-se-ia, que buscam o caminho do chafariz, onde ao menos são livres para ensaiá-las e cantá-las, conforme mais ou menos lhes ficou em memória.

Há alguém que muito aprecia a busca d’água, ou necessidade que tem os senhores de beber e lavarem-se, e este alguém, é a turba magna de capadócios, que se ajuntam nas fontes para fazer as suas conquistas. Esses heróis da boa vida, da vida sem cuidados e para que tudo está bem, vão ao chafariz, para se divertirem, como vai um moço de educação ao teatro para ver a sua namora, ou como passa um amável pela rua de seu bem, para rasgar-lhe uma cortejo. No chafariz pauteiam, dão risadas e fazem muita coisa mais que fica em silêncio.
- Oh! O buscar água no chafariz é uma felicidade para as negrinhas de D. Quitéria!

Fonte: O ALABAMA – 12 de setembro de 1868.



Originalmente postado na página uranohistoria.blogspot.com
Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Historiando meu Campo Grande



O olhar do poeta vagueia pelo vasto e imenso campo…
Campo Grande…O sol resplandece sob a Serra do Mendanha
O poeta enriquece a memória à sanha na manha da manhã.
Entre versos. Trinta versos, transversos, tantos séculos de história,
De honrosas lembranças em torno da Igreja de Nossa Senhora do Desterro.
Capitanias, Jesuítas, Sesmarias, freguesias, cidadanias.

Campo Grande dos baluartes que hoje dão nome a praças e ruas:
Coronel Agostinho, Cesário de Melo, Barcelos Domingos – Pioneiro morador.
Campo Grande dos cafezais aos laranjais. Do “bordel” mato do Botelho. Do comércio ao progresso: Manoéis, Joaquins, Chaias, Camargo, Del Cima, Wirtz e afins. Dos mascates, das relojoarias, tamancarias e sapatarias; Ao Pintor Rural…

Seus clubes, blocos e coretos em memoráveis carnavais: 10 de Maio, Luso Brasileiro, Aliados, Campo Grande Atlético Clube, Sereno, Sinfonia dos Tamancos, Filhos da Pauta, Curva do Matoso, Cabuçu, Império do Tinguí…

E os bondes? Iam e vinham: Rio da Prata, Guaratiba, Monteiro,
Esquina do pecado, Pau Ferro, Língua da Sogra.

Personalidades, políticos e figuras: Freire Alemão, Moacir S. Bastos, Helton Veloso, Prof. Gomes, Professora Clara Torres, Boaventura, Porto Filho, Miécimo da Silva, Herculano Carneiro, Alcir Pimenta, Capello Barroso, Caldeira de Alvarenga, Ari de Almeida Costa. Do Pardal, Simões, Ariosto, Melhoral: “Já morreu.” Silbene: “Não é melhor nem pior, é diferente.”

Símbolo do galo. Elza Pinho Osborne. Celeiro de músicos, cantores, poetas, atores: Ney Ayala, da Rádio Perereca, Regina Pierini, do Beco dos Crioulos, do Café Lavrador, Oiti, 26 de Abril, Diana, ICC, Taça de Prata, Bar 51, Dineyar Valente Plaza, Grupo Teatral Moa, Teatro Rural dos Estudantes, Silverys Boys, Teatro Artur Azevedo, Cedicun, Maestro Rubens, Adelino Moreira, Marcos Damasceno, Circuito Literário Conversa Com verso…

Desconverso… O tempo acabando, eu aqui suando.

Campo Grande… Um mundo! Meu mundo!
Como falar de ti em apenas um átimo de segundo?

Autoria: Silvia Regina Mesquita da Silva

Originariamente postado na página riodecoracãotour

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

A Revolta escrava de Manoel Kongo e sua Seita Antoniana



Uma história ainda mal contada de uma das maiores rebeliões escravas do Brasil.

A História

Com o esgotamento do ouro nas Minas Gerais, a economia brasileira se deslocou para o Vale do Paraíba do Sul, no Rio de Janeiro. O posterior esplendor da região, com seu eixo localizado na Vila de Paty do Alferes e, logo em seguida, na Vila de Vassouras, alavancou o desenvolvimento do Brasil por quase todo o século 19.

O signo principal deste ciclo de desenvolvimento era o café, mercadoria com enorme importância no mercado internacional do período, do qual o Brasil foi, durante muito tempo, o maior produtor.

O Brasil e sua economia dependiam, no entanto, de outra mercadoria, ainda mais essencial do que o café; A força de trabalho do escravo africano.

Ambos negros, escravo e café processado, fizeram algumas das maiores fortunas do mundo da época, fortunas estas que, concentradas quase todas na região do Vale do Paraíba do Sul, geraram a sociedade dos chamados ‘barões do café’, nababesca e prepotente, assentada numa estrutura social sem povo, composta, basicamente, por aristocratas e escravos.

Sequestrados de Angola, Congo, Moçambique e trazidos a partir, principalmente, dos portos próximos a Luanda e Benguela, para serem vendidos no Mercado do Valongo, próximo ao porto do Rio de Janeiro, os africanos que, depois de longa jornada a pé, chegavam à plantações de café do Vale do Paraíba, acabaram se tornando, não só um elemento essencial para a economia local mas também, como se pôde concluir mais tarde, num elemento capaz de ameaçar a própria segurança física daquela sociedade.

A Trama

Em 6 de novembro de 1838, o africano Camilo Sapateiro, escravo da fazenda Freguesia foi morto a tiros, quando se dirigia, clandestinamente, à fazenda Maravilha, ambas pertencentes ao maior proprietário de escravos e principal autoridade da comarca: o Capitão-Mor Manoel Francisco Xavier. O assassino, um capataz da fazenda, quase foi linchado pelos escravos.

O que pretendia fazer Camilo Sapateiro na fazenda vizinha quando foi morto? Teria sido a sua morte, pelo capataz (um incidente algo corriqueiro na rotina escravista), a verdadeira razão da insurreição de escravos de tão grandes proporções, que se seguiu?

De roldão, os escravos rebelados, divididos em dois grupos, saquearam as duas fazendas do Capitão-Mor e fugiram para a mata próxima. Num ponto, ao que tudo indica, previamente combinando, um dos grupos se encontrou com um número indeterminado de escravos de outras fazendas, além das duas de propriedade do Capitão-Mor.

A imediata adesão de escravos de outras fazendas chama, fortemente, a atenção para a possibilidade de ter havido algum tipo de articulação prévia entre os rebelados.

O fato é que, um grande grupo se embrenha na mata de Santa Catarina rumo a alto da Serra da Estrela, montando um arranchamento para pernoite, á cada fim de tarde do trajeto da fuga.

Perseguida por tropas da Guarda Nacional e homens recrutados pelo juiz de paz da comarca, uma parte deste grupo é atacada e dominada, quando ainda dormia, no quarto dia de fuga. Tropas do Exército Imperial, convocadas às pressas, comandadas pelo então Capitão Luiz Alves de Lima e Silva, futuro Duque de Caxias, só chegam na área do conflito quando tudo já havia terminado.

No grupo de escravos derrotados, está o suposto chefe da insurreição, denominado ‘Rei’, Manoel Congo, ferreiro da Fazenda Maravilha e uma mulher, denominada ‘Rainha’, a costureira Marianna Crioula, escrava de confiança da senhora dos escravos das fazendas Maravilha e Freguesia, Dona Elisa Xavier. 

A um escravo morto na refrega, mas, não identificado nos autos, é atribuída a função de ‘Vice-rei’ da insurreição e do futuro suposto quilombo. Este escravo pode ser identificado, nas entrelinhas dos autos, como sendo o africano de nação Munhambane (moçambicano) Epifânio Moçambique.

Um número indeterminado de negros do grupo atacado consegue se embrenhar na mata, serra acima e dele não se tem mais notícias. Não se tem notícias também do segundo grupo, comandado por um escravo chamado João Angola que, embora não estando presente no ponto de encontro com o ‘Rei’, nem constando no rol dos presos no momento do ataque, foi visto no dia anterior prestes a assaltar a fábrica de pólvora da região, desaparecendo por outro caminho, rumo á Serra do Couto, próxima à Serra a Estrela, aparentemente, o destino final de todos os rebelados.

Pode-se, por estas evidências, entre outras surgidas na pesquisa, supor que os relatos que dão conta da existência de um quilombo na região, jamais desbaratado, são factíveis.

A despeito destas evidências, a maioria dos proprietários alegou que seus escravos retornaram, espontaneamente, à suas fazendas, mas, não existem registros seguros dando conta de quantos, efetivamente, fugiram e retornaram. A alegação livrava os fazendeiros das pesadas custas processuais, caso tivessem negros de sua propriedade (e responsabilidade) arrolados como rebeldes. 

O peso total destas custas processuais acabou recaindo todo sobre o Capitão-Mor Manoel Francisco Xavier, que, depois dos escravos presos e condenados, passa a ser a principal vítima dos incidentes.

De um total de cerca de trezentos escravos fugidos e rebelados, apenas vinte e três (todos pertencentes a Manoel Francisco Xavier) são aprisionados (sete haviam sido mortos na refrega). Destes vinte e três presos, sete são mulheres (é significativo, do ponto de vista logístico, o fato deste grupo de presos, a maioria feridos na refrega, ser aquele onde estavam a maioria das mulheres e, provavelmente, os homens mais velhos e as crianças).

Cerca de dezesseis presos deste grupo são, efetivamente, julgados. A maioria é condenada, com uma única exceção: o escravo Adão Benguela que, apesar de estar tão envolvido quanto todos os outros nos conflitos, é estranhamente absolvido.

O suposto ‘Rei’ Manoel Congo’, é condenado à forca e executado em 1839 em Vassouras.

Os Antecedentes

A observação acurada – e crítica – de fatos descritos em documentos da época, principalmente os autos do processo montado na ocasião, contendo os depoimentos dos escravos presos, pequenos indícios ou omissões aparentemente deliberadas, contradições entre os depoimentos, etc., formam a base principal utilizada para a elaboração deste texto teatral. 

Formam também a base de dados da pesquisa, textos esparsos, de outras fontes e um raro e inestimável relato, ao vivo, extraído pelo autor de uma entrevista por ele realizada em 1973, com uma ex-escrava de uma das fazendas da região, que ali viveu, alguns anos após os incidentes descritos pelos autos.

Com efeito, coisas muito inusitadas ocorriam naquela região nesta época de grande efervescência social.

Segundo dados descritos na crônica da cidade de Vassouras, escrita por Ignacio Raposo, um ano antes da fundação da vila, ocorrida em 1833, um grupo de proprietários criava a Sociedade Promotora da Civilização e da Indústria, de verniz positivista, e dedicada, entre outras coisas, à formação de artífices escravos, como mão de obra especializada, com o fim de possibilitar a manutenção de equipamentos, até então, feita por engenheiros vindos da Inglaterra e até – suprema ousadia – iniciar talvez a própria substituição da importação de máquinas e ferramentas agrícolas que, oriundas da Europa, obviamente com a mão de obra dos escravos-operários especializados, formados pela SCPI, passariam a ser fabricadas por aqui mesmo.

Ferreiros e marceneiros eram as principais especialidades indispensáveis à incrível proposta desenvolvimentista da SCPI. Os artífices a serem treinados, seriam recrutados, por seus proprietários, entre os seus escravos mais hábeis e inteligentes.

A mais incrível das coincidências era que o ofício de ferreiro foi, ainda nesta época, a partir de uma tradição africana que remonta o século 10 (segundo alguns relatos, talvez até um pouco antes disto), uma ocupação exclusiva de reis e nobres, um status de poder hierárquico superior na cultura dos Kimbundo e Ovimbundo, grupos étnicos angolanos que, em grande maioria, contribuíram com escravos para as plantações de café do Vale do Paraíba do Sul.

Sabe-se pelas mesmas fontes (Ignacio Raposo) que, um ano depois (por volta de 1834), uma curiosa sociedade secreta, composta por negros escravos e libertos, com uma elaborada estrutura, havia surgido em Vassouras, quatro anos, portanto, antes da insurreição de Manoel Congo. Esta ‘insidiosa’ organização, segundo foi descrito por esta mesma crônica da Cidade de vassouras, andava ruminando um levante que pretendia libertar todos os escravos da área.

Somente nove anos depois, ou seja, em 1847, a tal organização secreta pode ser desbaratada. Os registros policiais da ocasião, afirmaram que ela se autodenominava Elbanda, Embanda, mais propriamente talvez, por ser a expressão traduzida como "xamanismo" ou " curanderismo" a qual, quando acrescida do prefixo “Ki” – Kimbanda – significa o mesmo que "Médico" no idioma de origem, o kimbundo, podendo se traduzir Embanda como “medicina” nesse contexto de seita ou sociedade secreta, nesse caso formada por núcleos ou células clandestinas, dirigidas, obrigatoriamente, por escravos ferreiros e marceneiros, chamados pelos outros escravos de ‘Tata” (ou ‘pai’ ) Korongo.

Também, curiosamente, pesquisas bem recentes sobre a cultura dos Kimbundo e Mbundo, nos dão conta que era por demais comum na sociedade angolana do século 19, a proliferação de seitas e sociedades secretas, por diversas motivações, prática que pode ter sido seguida pelos escravos de Vassouras. 

A seita em questão, devotada à Santo Antônio, evocava, fortemente possível inspiração na remota seita existente no Reino do Kongo na virada do século 17 para o 18, criada e liderada por uma jovem sacerdotisa chamada Kimpa Nvita (ou Vita), morta em 1702 numa fogueira da Inquisição. Importante frisar que a seita de Kimpa Nvita pregava uma guerra de libertação do reino do Kongo contra os colonialistas portugueses.

Esta emocionante reconstituição nos dá conta, enfim, de uma malha de estranhas relações, interesses e contradições, bastante incomuns na história oficial do escravismo brasileiro, estabelecidas entre proprietários e escravos, escravos entre si, além de proprietários, do mesmo modo entre si. Um impressionante conflito humano sacudindo os alicerces daquela sociedade imperial, questionando o seu anacronismo.

Foto de Marc Ferrez numa fazenda do Vale do Paraíba do Sul - 1885.

Pesquisa e texto de Antonio José Do Espirito Santo.
https://www.facebook.com/spiritosolto/posts/10217906583908639

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segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

A presença protestante no Brasil e as igrejas em Campo Grande no Rio de Janeiro



Primeira Igreja Batista de Campo Grande. A história da igreja começa no bairro de Santa Cruz em 1900. Em 1920, a igreja transferiu-se para o bairro de Campo Grande. Em 1922 foi comprada a propriedade da Rua Ferreira Borges.

Os protestantes aportaram aqui no século XVI. Aceitos no país definitivamente apenas na época de D.João VI, os cristãos reformados chegaram em massa ao Brasil no século XIX. O protestantismo se manifestou de diversas formas até o século XX, quando surgiram os movimentos pentecostais.

Os que primeiro chegaram e estabeleceram o protestantismo em terras brasileiras de modo definitivo são chamados de evangélicos “históricos” (anglicanos,1808) e (luteranos,1824). Conhecidos como “protestantes de imigração”.

Distintos destes são os que chegaram logo depois,chamados,por isso,de “protestantes de missão”. Representavam diferentes denominações evangélicas: congregacionais (1855), presbiterianos (1859), metodistas (1867), batistas (1882), episcopais (1890), luteranos (1890), e metodistas livres (1936). Outros grupos,por terem experimentado cisões locais ao longo do século XX, fizeram surgir igrejas nacionais, como a Presbiteriana Independente (1903), a Batista Bíblica (1968) e a Presbiteriana Unida (1978), entre outras.


Outros grupos, por terem experimentado cisões locais ao longo do século XX, fizeram surgir igrejas nacionais, como a Presbiteriana Independente (1903), a Batista Bíblica (1968) e a Presbiteriana Unida (1978), entre outras.

Os evangélicos pentecostais chegaram no início do século XX. Em 1910, o italiano Luigi Francescon organizou a Congregação Cristã,em São Paulo,entre os imigrantes italianos do Brás. Em 1911, os suecos Gunnar Vingren e Daniel Berg fundaram a Assembléia de Deus, no Pará, após provocarem uma divisão na Igreja Batista de Belém.


Nas décadas de 1950 e 1960,o pentecostalismo ganhou um novo fôlego,com a chegada de igrejas como a Igreja do Evangelho Quadrangular (1953) e a Igreja do Nazareno (1958). No mesmo período surgiram igrejas nacionais, como a Igreja do Brasil Para Cristo (1956), a Igreja Deus é Amor (1962) e a Casa da Bênção (1964).

Ventos pentecostais também sopraram sobre as igrejas históricas, dando origem a cismas em todas as denominações. Esta virada ficou conhecida como Movimento de Renovação Espiritual. Entre as mais conhecidas estão a Convenção Batista Nacional (1965), a Congregação Independente (1965), a Metodista Wesleyana (1967), a Cristã Evangélica em Renovação Espiritual (1967) e a Presbiteriana Renovada (1975).

A partir da segunda metade dos anos 70, surgem novas igrejas pentecostais. A representante exemplar do chamado neopentecostalismo, que emerge no final da década de 1970 e se firma na década de 1990, é a Igreja Universal do Reino de Deus. Fundada em 1977 inaugurou um novo modelo eclesial, se comparada às outras igrejas pentecostais.


Fonte do texto: Flávio Conrado, antropólogo, atua na área de movimentos populares do Instituto de Estudos da Religião (ISER), tem desenvolvido pesquisas na área de presença protestante na vida política e cultural brasileira.

Revista Nossa História Ano 4/ nº 38.

Imagens de Deca Serejo.

Originariamente postado na página riodecoracãotour

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

32 coisas para fazer em Paciência, bairro da Zona Oeste Carioca


Imagens Deca Serejo

Vamos falar de amor? Vamos falar sobre amor próprio? Dizem os especialistas que amor próprio é cura, se você se ama você se cuida, certo? E que tal aplicar o mesmo conceito para o lugar que você escolheu ou foi escolhido para morar?

Segundo informações no Data Rio o bairro de Paciência tinha uma população de acordo com o censo de 2010 de um total de 94626 . E deve seu nome ao Engenho da Paciência, de João Francisco da Silva, a mais antiga e importante fazenda de cana existente no Brasil. Ficava na Estrada Real de Santa Cruz, onde, no início do século XIX, se hospedavam príncipes e nobres, nas excursões à Fazenda Real.

Mais tarde, com o advento da linha férrea, foi inaugurada, em 1897 a estação de Paciência. Sua urbanização começou na década de 1950/1960, com o surgimento de grandes loteamentos, como o Jardim Sete de Abril, a Vila Geni, o Jardim Vitória, dentre outros. Na Avenida Brasil, foi implantado o bairro Jardim Palmares e o Distrito Industrial de Palmares, na divisa com Campo Grande. Posteriormente, cresceram comunidades como as de Três Pontes, Divinéia, Roberto Moreno e Nova Jérsei. O núcleo principal do bairro, atravessado pelo rio Cação Vermelho, está situado entre a Serra da Paciência e o Morro de Santa Eugênia. Se desejar saber mais adquira o livro abaixo.

Imagens Internet

Diante dos fatos só nos resta exaltar este bairro histórico e para 2020 acrescente na sua lista de desejos conhecer Paciência . Te damos mais de 30 motivos para tal.

32 coisas para fazer em PACIÊNCIA em 2020

1. Voar de parapente na morro de Santa Eugênia
2. Um bom filme no Cine Rua Paciência Cultural
3. Fazer um Roteiro Histórico pelas ruas do bairro
4. Dançar no Forró da Janela
5. Conhecer o monumento tombado
6. Gastronomia na Praça do Jardim Sete de Abril
7. Comida Mineira no Dois Irmãos
8. Hamburguer artesanal no Rangus Bistrô
9. Rolê na Pista de Skate
10. Ensaio do Suvaco do Gato
11. Aquela piscina no Quintal do Varanda
12. Rock no Barulho Café Pub
13. Ouvir Os Docas no Bar do Russo
14. Rolê de bike na ciclovia da Estrada Santa Eugênia
15. Literatura com Os Camelôs da Poesia do Projeto A Banca Dá Poesia
16. Aquele filme no Cine Clube Terraço das Artes
17. Conhecer a Igreja Nossa Senhora de Fátima
18. Compras na Feira Livre
19. Fazer trilha no morro de Santa Eugênia
20. Slam na Batalha da 31
21. Algum evento cultural no Terraço das Artes
22. Conhecer o Campo do Sete de Abril Futebol Clube
23. Algum evento no Pub Beer Paciência
24. Conhecer a “Capela Perdida” no Vale do Cantagalo
25. Contemplar a “Ilha Grande” a partir da Estrada Santa Eugênia
26. Hambúrguer artesanal na Calçada do Lanche
27. Selfie no Cruzeiro no topo do morro de Santa Eugênia
28. Queijo artesanal na Vila Geni
29. Conhecer a Paróquia Jesus Salvador do Mundo
30. Uma partida de Xadrez na rua 18 do Jardim Sete de Abril
31. Conhecer as Ruínas do Engenho Santo Antônio dos Palmares em Manguariba
32. Selfie no antigo muro do Sitio Melodia com a frases do Gentileza.

Este post teve a colaboração do divulgador cultural e morador Wellington Alves de Souza, da idealizadora do Samba-ki Carioca produtora cultural, fotógrafa e moradora Denise Muller e do morador André Fernandes Branco.

Texto de Deca Serejo
Maranhense, moradora de Campo Grande na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, guia de turismo, apaixonada por história, pela cidade maravilhosa e bairrista.

Originalmente postado no blog riodecoracaotour

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Senador Júlio Cesário de Melo



Nascido em Pernambuco, em 1876, Cesário de Melo chegou ao Rio de Janeiro aos 18 anos, formando-se em medicina em 1905. Em 1906 entra para a vida política. O então Sertão Carioca foi palco de atuação do político, que construiu uma clínica em Campo Grande, em 1915. Também controlava os matadouros de Santa Cruz e Campo Grande. Com o controle de abastecimento de carnes. Uma importante avenida que liga Santa Cruz a Campo Grande (na verdade chegando até Senador Vasconcelos), que fez parte da antiga Estrada Real de Santa Cruz, leva o nome dessa grande figura da Zona Oeste.

Primeira foto... Cesário de Melo.

Segunda foto... Sua residência, ainda com pintura antiga, e com a  descaracterização. 
Do nome ( CASARÃO  MUSIC) na faixada, feito quando a casa servia de "baile funk".


Terceira e quarta fotos... casarão já reconstituído em tempos atuais.



Texto e pesquisa de imagens acima por Fernando Cesar

Nota importante para os leitores do blog:

Também transcrevo abaixo uma mensagem que me foi enviada pela neta do Senador Júlio Cesário de Melo através do facebook.

"Boa noite a todos! Meu sobrenome é Antonieta Cesário de Mello, e sou neta do Dr. Júlio. Minha prima enviou-me via whatsapp a reportagem acima. Ao mesmo tempo que fiquei satisfeita em vê-la, percebi alguns itens que é preciso retificar.

Vovô veio de Pernambuco para o Rio de Janeiro após a morte do pai, aqui começou  trabalhando em farmácia, depois tornou-se farmacêutico, com isso pode se sustentar e daí fez a faculdade de Medicina, após formado, foi convidado a ser cirurgião na Santa Casa, mas recebeu um outro convite para ser médico microscopista no Matadouro de Santa Cruz e aceitou, mas nunca foi ligado ao controle do Matadouro, o mesmo tinha um diretor, esse sim era quem detinha esse controle.

Em 1906 se filiou a um partido, mas só se elegeu como Senador em 1924 e em 1930, depois elegeu-se em 1948 vereador, mas renunciou por motivo de doença. Quanto a construção de uma clínica em Campo Grande em 1915, como neta desconheço esse fato, meu avô nunca foi dono de clinica, atendia seus clientes no porão de sua casa em Santa Cruz, fez isso por muitos anos. Meu pai, filho mais velho e mais 6 irmãos, todos nasceram nessa casa.

Quanto a casa, na época para poder mantê-la de pé foi necessário alugar e durante muito pouco tempo foi usada como "Casarão Mix". Quanto a cor da mesma na época que vovô morava na casa, a partir de seu casamento em 1913, a casa era amarela de janelas e portas verdes. Meu avô faleceu em 28 de dezembro de 1952. O corpo foi velado em sua residência e sepultado no cemitério de Santa Cruz, a polícia na época estimou cerca de 15 mil (quinze mil) pessoas em seu velório. Em 1965, meu pai comprou de sua mãe e irmãos a propriedade e aí então foi reformada e passou a ter as cores, rosa, cinza e branco. Hoje a casa pertence ao "Ser Cidadão" uma ONG, mantida pela Gerdau. 

Espero que eu não tenha ofendido ninguém fazendo essas correções, e em nome da família agradeço a homenagem a ele prestada.

 Um Feliz 2020 a todos!"

Quer saber mais informações sobre o Senador Júlio Cesário de Melo? Clique aqui

Pesquisa, texto e retificações postadas neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

A rica história de Santa Cruz



A RICA HISTÓRIA DE SANTA CRUZ
André Luis Mansur

Foi lá pelo início dos anos 2000, quando comecei a fazer minhas pesquisas para o livro “O Velho Oeste Carioca”, que conheci o maior centro de pesquisas históricas da Zona Oeste do Rio de Janeiro, o Noph, Núcleo de Orientação e Pesquisa Histórica de Santa Cruz, bairro que abriga um importante patrimônio da História do Brasil em monumentos tombados ou protegidos pela Apac (Área de Proteção do Ambiente Cultural). Fundado em 3 de agosto de 1983, o Noph funcionou, no início, em salas na matriz de Nossa Senhora da Conceição, no centro do bairro, mas já há muitos anos está no Centro Cultural Antônio Nicolau Jorge, dentro do imponente Palacete Princesa Isabel.

O palacete foi a sede do Matadouro de Santa Cruz, inaugurado em 30 de dezembro de 1881, com a presença do imperador D. Pedro II. Depois teria outras funções, como o Colégio Princesa Isabel, e sofreria um incêndio em 1985, quando perdeu parte da estrutura original e muitos documentos. Após uma longa reforma, ele abriga a biblioteca do Noph, a biblioteca de Santa Cruz, exposições permanentes, aulas de música e vários espaços para eventos. O principal objetivo do Noph, que é uma associação civil sem fins lucrativos, como está em seus estatutos, é estimular a pesquisa sobre a História de Santa Cruz e da zona oeste do Rio, além de promover eventos culturais em seu espaço.

No Palacete funciona também o Ecomuseu de Santa Cruz, vinculado ao Noph e surgido na década de 90. Nomeado Ecomuseu do Quarteirão Cultural do Matadouro, seu objetivo, como de todo Ecomuseu, é estimular a comunidade a desenvolver o território que habita, valorizando o seu patrimônio. O Noph mantém uma publicação, o jornal O Quarteirão, que já teve mais de 120 edições e é distribuído no palacete.

O nome quarteirão se refere ao espaço do bairro que abriga alguns dos seus principais monumentos históricos, como o palacete, o próprio matadouro e sua estação de trem (ambos em situação precária), o Hangar do Zeppelin, único do mundo ainda de pé e que abrigava os dirigíveis na década de 30, o marco 11, um dos marcos imperiais, de 1826, e também o Quartel Vilagrán Cabrita, de Engenharia Militar, antiga sede da Fazenda dos Jesuítas, que seria adaptada para se transformar no palácio de verão de D. João e, mais tarde, dos imperadores D. Pedro I e D. Pedro II. Temos também a Casa do Sal, o Espaço Ser Cidadão (antiga residência do senador Júlio Cesário de Melo) e, mais distante do centro, a Ponte dos Jesuítas, de 1752, um dos principais monumentos da arquitetura colonial do Rio de Janeiro. Além disso, como foi dito no início, diversos imóveis do bairro estão protegidos pela Apac por sua importância histórica.

A instituição teve, entre seus fundadores, o já citado Antônio Nicolau Jorge, e os professores Sinvaldo Souza e Adinalzir Pereira Lamego, e tem como coordenador-geral Bruno Cruz. Antes, quem esteve à frente do Noph nos últimos anos foram Walter Priosti e sua esposa, Odalice, falecida em 2017. Já participei de vários eventos e fiz muitas pesquisas no Noph, que conta com diversos colaboradores trabalhando de forma voluntária na sua organização, na realização de pesquisas, cerimônias etc. O Palacete Princesa Isabel, com sua imponente arquitetura neoclássica, fica na Rua das Palmeiras Imperiais, s/nº, e seu renascimento, após o incêndio que quase o destruiu, não deixa de ser uma esperança para os que acreditam em algum tipo de recuperação, mesmo com a perda de seu precioso acervo, do Museu Nacional.

André Luís Mansur é escritor e jornalista.
Foto - Márcio Pinto.


Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

Uma viagem pela história de Itaguaí na estrada real da Serra da Calçada



Projeto Roteiro Cultural leva turistas e moradores a uma expedição pela estrada Real.

A cidade de Itaguaí completou 201 anos no último dia 5 de julho de 2019 e o que pouca gente sabe é que o município foi fundamental durante o período imperial. É um pouco dessa história que a Secretaria de Educação e Cultura, através da Subsecretaria de Cultura, busca contar através do Projeto Roteiro Cultural – Conhecendo Itaguaí. No sábado (29/06), a edição especial “Estrada da Calçada, a estrada Real” levou turistas, moradores e autoridades municipais para uma expedição de reconhecimento com palestra guiada por uma das principais rotas do país nos séculos 18 e 19.

A edição especial “Projeto Roteiro Cultural – Itaguaí 201 anos” reuniu 30 pessoas interessadas em conhecer um pouco mais da história da Estrada Real da Serra da Calçada, que fica no bairro Raiz da Serra. O local foi durante séculos a principal rota de ligação entre os estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Foi por lá, inclusive, que Dom Pedro I passou com sua comitiva antes de proclamar a Independência do Brasil em 1822. Datada do século 18, a via é feita toda em pé-de-moleque.


A expedição foi guiada pelo assessor de Projetos Especiais da Subsecretaria de Cultura, Eduardo de Almeida Vieira, e pelo diretor do Instituto de Pesquisa Histórica e Arqueológica do Rio de Janeiro (IPHARJ), Claudio Prado de Mello. Também participaram do evento, o vice-prefeito Abeilard Goulart de Souza Filho, o vereador Sandro da Hermínio, a Secretária de Esporte e Turismo, Erika de Souza e moradores de Itaguaí e cidades vizinhas. O projeto contou ainda com o apoio da Unimed Costa Verde, Polícia Militar, Expresso, IPHARJ e INEPAC.

A história da Estrada Real

O chamado “Caminho dos Jesuítas” ou “Estrada Real” foi uma importante via terrestre que garantiu a comunicação da cidade do Rio de Janeiro com o interior, a partir da Fazenda Santa Cruz. Por conta dos naufrágios e da pirataria constante na rota marítima, sua construção se tornou necessária. A Coroa Portuguesa resolveu construir a estrada utilizando recursos dos proprietários mais ricos da região, que eram contra a implementação da via. Quem também fez oposição foram os jesuítas, que pediam aos índios para atrapalharem as obras. A estrada só foi concluída após forte intervenção do governador na época.


A Estrada Real foi o eixo principal do processo de urbanização de Itaguaí. Era utilizada por tropeiros, comitivas, aventureiros e viajantes que queriam alcançar as minas de São Paulo e Minas Gerais em busca de riquezas minerais. Também era utilizada pelo Imperador Dom Pedro I para chegar até uma dessas regiões.

O caminho de Itaguaí em direção à trilha do ouro aparece na carta topográfica do sargento-mor, editada em 1767. O ponto culminante é o Mirante do Imperador, a 628 metros de altitude. Abaixo do mirante, está a Pedra de Santo Antônio, também conhecida como “Pedra da Inscrição de Bronze” com fragmentos dos dizeres: “Prezidência de Província 1822”.

Originalmente postado em:

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

Cantando, dançando e flertando nos chafarizes da Bahia oitocentista

Chafariz do Bonfim, instalado cerca de 1860. Em matéria de O ALABAMA, é possível termos uma ideia do cotidiano dos chafarizes de Sal...