19.10.18

Plano Agache: Uma Rede de Transportes de Massa



Esse mapa deveria causar a mais profunda vergonha nos nossos governantes dos últimos 40 anos, no mínimo, temos aqui um mapa que em pouco anos será centenário e grande parte das linhas de Metrô e Hidroviárias nele imaginadas não foram concluídas ou executadas.

Nos anos 20 o urbanista francês desenvolveu um sistema de transporte de massa, que teria como quadjuvante as linhas de bondes e ônibus da cidade, mas que fecharia, sob trilhos, o arco do velho Distrito Federal.

Vemos que por exemplo o metrô circulava a Lagoa e se fechava na Z. Sul perto da Praça Corumbá, ao contrário do que o atual governo do estado acha, ou então o “ramal da Barra”, que na época não passava de uma desolada e estéril restinga ( nada muito diferente de hoje) abasteceria não só Jacarepaguá, mas também as áreas já loteadas na época do Recreio ( Currupira) indo até Grumari e depois, serpenteando o Sertão Carioca, encontrar com EFCB em Santa Cruz, destino natural de um ponto final em nossa cidade de uma linha de integração sob trilhos. A imaginada Linha 5, que será substituída por ônibus a diesel que em poucos meses não darão conta da demanda, se integrava com o mesmo ramal férreo em Realengo, que pouco depois receberia outra linha de metrô, o que hoje seria o prolongamento da Linha 1, além Uruguai até pouco depois do Grande Méier.

A Ilha do Governador, ainda pouco ocupada, teria sua linha de metrô, entrando por onde hoje está o aeroporto (com estação nele) e o Jardim Guanabara, terminando nas barcas na Ribeira. E o que se falar, das 3 linhas de barcas que sairiam do planejado aeroporto ( imaginado na área de Manguinhos onde houve um aeroclube) que se integrariam a uma quase dezena de outras linhas, indo da Enseada de Botafogo até São Gonçalo e o fundo da Baia na região de Praia de Mauá, no então Estado do Rio.

Fica aqui o registro, da omissão história, que poderia ter sido diminuída com os dois grandes eventos que a cidade receberá, mas que como já imaginado pelas pessoas que não levam a ser enganadas, que não deixariam nenhum legado para grande parte do povo. Mas sim um legado de outro tipo para alguns poucos.

Por Andre Decour

Este texto foi retirado do site - http://www.rioquepassou.com.br/

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

O tesouro da gruta paciente



QUANDO a importante fazenda de Dona Mariana Eugênia foi entregue à própria sorte (ou azar), em 1840, ano em que a nobre proprietária faleceu, duzentas pessoas que lá viviam escravizadas no engenho de cana-de-açúcar choraram como se tivessem perdido um membro querido da família. A escravidão “gentil” era uma prática comum em algumas poucas fazendas do Brasil imperial: não havia senzala, as famílias viviam em casas comuns, ao redor da casa-grande, e a relação era fulcrada no respeito mútuo. Dona Mariana batizou como madrinha dezenas de crianças nascidas na Mata da Paciência.

COM a sua morte, as terras foram parcialmente abandonadas, já que suas duas filhas preferiram viver na corte, no centro da cidade, casadas com nobres filhos do Império. Negras e negros tiveram de aceitar o destino que os maridos das duas meninas quiseram lhes impor. Umas foram trabalhar como doceiras, arrumadeiras, passadeiras, faxineiras, em casas brancas no centro da cidade. Uns foram lavrar outras terras, em outras fazendas do Estado do Rio.

MAS um mistério persiste até hoje, pelas bandas da Serra do Cantagalo, a menos de três quilômetros do local em que se situava a sede da Mata da Paciência. Contam que um tesouro, enterrado numa gruta, ao pé da Serra, estaria esperando a luz do dia lhe nascer. Quando Dona Mariana Eugênia morreu, dezenas de escravos fugiram da fazenda, temendo serem vendidos ou negociados para terras distantes. O medo maior era terem de ir para fazendas “não gentis”, em que o tratamento dado à escravaria era o do açoite e o da senzala fria e mórbida.

SE o tesouro foi roubado do cofre da fazenda, ou se foi um presente das mãos de Dona Mariana, nada se sabe. Colares, brincos, anéis, braceletes, pulseiras, rosários, repletos de ouro, diamantes e pedras preciosas, estariam enterrados dentro de uma pequeníssima canastra de prata, do tamanho de uma caixa de sapatos. Um bisneto de um dos escravos fugidos da Mata da Paciência viveu pelas ruas do bairro paciente, até 1997, quando morreu atropelado na Estrada Santa Eugênia, após uma noite de esbórnia e cachaça.

“PAPAI Noel”, como era chamado pela população local, por conta de uma enorme e espessa barba branca (que se destacava mais ainda pela negritude de sua pele), contava que o tesouro estaria enterrado dentro de uma gruta, na Serra do Cantagalo, com uma fonte de águas cristalinas correndo por perto. Como seu bisavô realmente viveu na fazenda da Mata da Paciência, ao pé da Serra da Paciência, de 1810 a 1869 (já depois do esfacelamento da opulenta fazenda paciente), a história se encaixava bem com a grandeza do velho engenho de açúcar.

ELE mesmo, o pobre Papai Noel, tentou cavar, diversas vezes, com picaretadas, toda a área, sem nunca conseguir encontrar nada, a não ser enormes calos nas mãos. Ah, se eu tivesse como explodir partes do solo, sem destruir a gruta inteira!... – costumava lamentar-se assim, em todos os bares do bairro, sempre que alguém tocava na lenda do tesouro da gruta paciente.

PAPAI Noel, regularmente, chegava a reunir meia dúzia de curiosos, alcoólatras como ele, pelos bares pacientes, e, resolutos, caminhavam até o sopé da Serra do Cantagalo, em manhãs ensolaradas de sábado ou domingo. As esposas, em casa, preparando o almoço do dia, suspiravam, olhos voltados aos céus, bem distantes das panelas de cabos surrados, pela ideia de que pudessem enricar, de uma hora proutra, do nada, com um décimo que fosse do enigmático tesouro...

OS anos foram se passado, Papai Noel envelhecendo, e nada do tesouro, ainda que, vez ou outra, o ritual da caça ao tesouro se repetisse a partir dos bares.

CERTA tarde, chegou a triste notícia: Papai Noel morrera atropelado, por volta do meio-dia, quando saía, solitariamente, da gruta misteriosa. Velório abarrotado de gente paciente, no cemitério de Santa Cruz. No dia seguinte, às dez da manhã, foi seu concorrido sepultamento. Não houve choro, nem lágrimas, mas a comoção era geral. Só se ouviam pássaros (pardais, cambaxirras, canários da terra e tizius), ao longe, cantando pelas árvores que circundam o campo santo santacruzense.

NO dia seguinte, Dona Carlota, a vizinha mais próxima, quando pegou a calça e o casaco surrado do bom velhinho, pesarosa, para entregar a alguma pessoa necessitada do bairro, percebeu pequenos objetos nos bolsos das vestes do pobre homem. Quase tombando para trás, ela retomou o seu prumo no beiral do velho tanque de roupas à sua frente. Colares dourados, prateados, ornados de pedras brilhantes. Aneis, pulseiras, gargantilhas e brincos, brilhantes, fulgurantes, quase lhe cegaram os olhos, de tanta beleza e esplendor. O BAIRRO inteiro soube da riqueza encontrada nos bolsos rotos de Papai Noel. Gente de todos os lados do bairro, e até de Cosmos, Santa Cruz, Guaratiba e Pedra, avançaram sobre a gruta paciente, ao pé da Serra do Cantagalo. Alguém trouxe dinamite, granadas, e, de longe, explosões simultâneas foram ouvidas, a quilômetros de distância... Nada se achou! A gruta foi dinamitada, destruída, e nada mais se vê hoje em dia do que um dia foi a fonte cristalina que nascia dentro dela. Só mato cobre hoje o local. Se Papai Noel encontrou o tesouro, onde teria guardado o restante das preciosidades? E onde andaria a tal canastra prateada? Enigma paciente, de décadas, que persiste até hoje nas manhãs do velho oeste carioca.

Isra Toledo Tov, escritor e memorialista.
Mata da Paciência, 31 de julho de 2015.

Postado originalmente  na página Santa Paciência

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

17.10.18

A violência invade as escolas



Dia do professor, dia de todos nós. Nós, que, em sala de aula ou fora dela, queremos dar nossa contribuição para o vasto desafio que é valorizar a educação em nosso país.  Dia de homenagear colegas que, na Bahia ou no Rio de Janeiro, foram vítima desse mal maior, a violência em sala de aula. Anos atrás, tive um encontro com professores que davam aulas em áreas de risco. Balas perdidas, invasão de escolas por bandidos para esconder armas, presença policial que atemorizava os alunos, professores ameaçados por milicianos e traficantes, enfim, encontrei colegas banhando num caldo de violência, capaz de azedar qualquer vontade de ensinar ou de aprender.

Cabe perguntar se a violência na escola é um fenômeno novo. Quando ela era mais fechada, mais autoritária ou mais certa de seus próprios valores, a coisa era diferente? Não. Outrora reinava uma brutalidade sem limites. E isso, pois se acreditava que a infância era uma forma de selvageria em estado bruto, que era necessário corrigir. A visão pessimista da criança ensejava formas pedagógicas brutais. A palmatória era inseparável do professor que, não poucas vezes, convidava o bom aluno a castigar o mau, incentivando o sadismo entre os pequenos. Basta ler as memórias de Zélia Gattai, mulher de Jorge Amado ou de Pedro Nava, para constatar que não faltavam castigos físicos: da régua atirada com pontaria na testa do aluno à bolas de cera, presas com elástico, capazes de arrancar-lhes chumaços de cabelo, do castigo de pé, horas a olhar a parede ao de joelhos, sobre milho. Em resposta, os alunos não eram menos violentos. O bullying sempre existiu e a antiga piscina do colégio Pedro II, poderia contar as histórias de afogamentos de pequenos, por grandes, ou dos alunos mais gordinhos ou portadores de óculos, pelos atletas. O que aprendemos com essas histórias é que a punição jamais fez desaparecer a violência nas escolas.

Os anos 60 e 70 do século XX trouxeram uma lenta mutação na representação sobre a infância. Era o começo do fim da brutalidade do educador. E a criança, antes selvagem, passou a ser considerado um ser inocente. Se antes tinha que obedecer, doravante tinha que ser amada e ensinada a trilhar o caminho do saber e da razão. A escola e a sala de aula se pacificavam. Mas, tudo mudou. Hoje, vivemos um clima de insegurança sem precedentes e nos tornamos o quinto país mais violento do mundo. A violência não se exerce mais com a palmatória, mas com armas de fogo, drogas, insultos e ataques nas redes sociais. A violência desorganizou brutalmente um sistema coletivo e social – a escola – se traduzindo por uma perda de integridade que pode ser física, material ou psicológica – a de alunos e professores. A violência da rua invadiu a escola. E não há dúvidas que, quanto mais violento o bairro, maior a desigualdade de riscos para alunos e professores. É preciso urgentemente corrigir a desigualdade, para dar espaço à educação
Mas não são sós as áreas mais sensíveis que contém problemas. Nas escolas ditas de elite, amparados por pais irresponsáveis, muitos alunos fazem guerra verbal ao professor. Agressões verbais, injúrias, piadas de mau gosto se multiplicam, pois o salário “quem paga é o papai”! Ou o que dizer da mamãe que faz escândalo, pois seu filhinho não é o melhor da classe? Tal discurso por parte dos familiares, só demonstra uma profunda ruptura ideológica, uma crise de valores.

Por tudo isso, a sala de aula se desmoraliza lentamente. As turmas parecem ingovernáveis. Conscientes das tensões, os alunos recusam a autoridade do professor, acusado injustamente de abuso de poder. A sua identidade profissional é colocada na berlinda. Sua imagem se degrada. A missão que lhe é confiada, de ensinar, parece irrealizável. As normas de civilidade vão sendo abandonadas. Em revanche, acusa-se, justamente, a família do aluno que não lhe dá limites e que o empurra para a escola adestrar. Na ótica de pais que não colaboram com a escola, o filho só têm direitos. Nenhum dever. Esquecem tais pais que a escola é lugar de aprender. Pois, educação se adquire em casa. Estamos voltando a noção de que a criança é um selvagem?

Para acabar com a divisão entre “eles” e “nós, ou seja, alunos e professores, vítimas e algozes, bons e maus, vale lembrar as palavras de Pierre Bourdieu: a sociedade precisa responsabilizar-se pela educação. Na raiz da palavra “responsabilidade” está a palavra espondere, em latim: esposar. A sociedade precisar casar com a ideia de que a educação é fundamental. Casar e se fundir a ela. 

Precisa, portanto, se unir à escola e ao professor numa parceria construtiva, constante e amiga. Como em todo casamento é preciso respeitar, confiar, a por que não amar? Amar a escola. Afinal, é muitas vezes aí que se aprender a sonhar com um mundo melhor. E só a educação nos levará a ele.

Referência Bibliográfica:

PRIORE, Mary del. “Histórias da Gente Brasileira: Império” (vol.2), editora LeYa, 2016.

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

14.10.18

Ser criança nos tempos imperiais: obedecer e trabalhar


Jantar em casa brasileira, de Debret

No século XIX, com a implementação da indústria no Brasil, o trabalho de jovens, transformados em “proletários”, era apresentado como “ajuda econômica” que vinha reforçar o orçamento doméstico. A fábrica era vista por patrões e pais de família como uma escola, um lugar que podia formar o cidadão do futuro. Embora, nesta mesma época, uma lei proibisse o trabalho de adolescentes entre 25 e 16 anos, a legislação só se consolidou com as Leis do Trabalho, em 1943. Enquanto isto, milhares de rapazes e também de moças, ficaram sem espaço para viver os rituais da adolescência, pois a passaram entre teares e máquinas.

Saber ler e escrever não eram habilidades estimuladas para moças pobres, obrigando-as a realizar o trabalho doméstico e a sonhar com o casamento e a maternidade como única via de passagem para o mundo adulto. A infância nestes tempos fabricava crianças tristes, verdadeiras miniaturas de adultos na forma de vestir e se comportar. Eram os candidatos ao fraque e à calvície precoce, como dizia Gilberto Freyre, pioneiro em descrever a falta de brinquedos, de imaginação, de travessuras de crianças e jovens brasileiros.

Obedecer e trabalhar era o pão cotidiano da maioria das crianças e adolescentes no século XIX. Entre as crianças escravas, o trabalho não cessou até a Abolição. Lembra a historiadora Heloísa Maria Teixeira que, no período de transição para a mão de obra livre, muitos senhores aproveitaram a Lei do Ventre Livre de 28 de setembro de 1871, para fazer os filhos de escravas trabalhar até os 21 anos. Frente à conjuntura adversa ao trabalho escravo, as crianças poderiam representar uma boa alternativa. E muitas vezes, cometeram-se ações ilegais para garantir a mão-de-obra infantil como a compra de crianças isoladas, mesmo existindo uma legislação proibitiva a partir de 1869; a valorização dos serviços dos ingênuos; e até mesmo furto de crianças. Não se cumpriam as leis de 1869 e a Lei do Ventre Livre de 1871, “que proibiam a separação das crianças escravizadas − menores de 15 anos na primeira data e menores de 12 anos na segunda − de suas mães.

Em muitas ocasiões, especialmente após a abolição, a tutela representou um meio de assegurar a “posse” das crianças pobres – principalmente, as descendentes da escravidão – com a finalidade de servirem como trabalhadores aos tutores. Os tutelados eram crianças desamparadas, precisando de uma pessoa idônea que lhes fornecesse o bastante para a sobrevivência: casa, alimentação, vestimenta e aprendizado de um ofício para o qual tivessem inclinação. A falta de recursos financeiros fazia com que famílias de ex-cativos não encontrassem alternativas senão a transferência da tutela de seus filhos a quem tivesse condições de sustentá-los.

Ao focar a cidade de Mariana, entre 1850 e 1900, Teixeira conseguiu a descrição dos serviços para 147 crianças. A principal atividade descrita era a de roceiro, muitas vezes eram classificadas como ajudantes de lavoura. Outras funções adequadas a pouca idade dos escravos apareceram: pajem, pastor, candieiro ou guia de carros de bois, servente, copeiro. Crianças com menos de sete anos não foram descritas com atividades.

Por sua vez, a historiadora Kátia Mattoso estudando a questão na Bahia das últimas décadas da escravidão declara que:

“o período na vida da criança que vai dos três aos sete para oito anos é um período de iniciação aos comportamentos sociais no seu relacionamento com a sociedade dos senhores, mas também no seu relacionamento com a comunidade escrava. É, sem dúvida, nesta tenra idade que o seu senhor vai formar ideia sobre as capacidades e o caráter da criança. É nessa idade também, que a criança começará a perceber o que são os castigos corporais, que adentram pela vida adulta (…). Por volta dos sete para os oito anos, a criança não terá mais o direito de acompanhar sua mãe brincando; ela deverá prestar serviços regulares para fazer jus às despesas que ocasiona a seu senhor, ou até mesmo, à própria mãe, se esta trabalha de ganho e reside fora da casa de seu dono. (…) A idade de sua vida que vai dos sete aos doze anos, não é mais uma idade de infância, porque já sua força de trabalho é explorada ao máximo (…). Mesmo se seu rendimento é menor, ele é escravo à part entière, e não mais criança”.

Ao estudar os viajantes estrangeiros, Maria Lúcia de Barros Mott também percebeu os sete anos como o momento quando as crianças escravas passavam a trabalhar no serviço mais regular. “Deixavam para trás as últimas ‘regalias’ infantis, aqueles que viviam na casa do senhor passavam a desempenhar funções específicas para sua idade ou já eram treinados para funções que desempenhariam vida afora”. Já Renato Pinto Venâncio, ao focar a região metalúrgica-mantiqueira, no século XIX, aponta o interesse pela mão-de-obra infantil devido ao fato desta região produzir larga gama de produtos de artesanato em domicílios, cabendo aos pais cativos ensinar às crianças a fabricação artesanal.

No Nordeste, meninas como a futura escritora Amélia Beviláqua, “batiam bilros” em almofadas, ouviam estórias contadas por “beatas” ou “narrativas de mistérios de outras vidas”, e aprendiam a ler sob a férula da palmatória do professor particular. Já meninos da família Cavalcanti empinavam papagaios de papel: “tapiocas” tristonhas que não subiam tão alto quanto os “baldes” ou os “gamelos” dos moleques da rua. Ou pescavam nos viveiros dos Afogados ou de Jiquiá, camorins, carapebas e curimãs. Liam o “Dicionário Popular”, de Pinheiro Chagas e os romancistas franceses Eugene Sue e Alexandre Dumas.

Já o relato de férias de Pedrinho, filho do rico cafeicultor na região de Bananal, Pedro Luiz Pereira de Souza, revela as férias de jovens de elite: passeios a cavalo pela fazenda, refeições abundantes, muitos “bolos e biscoitos”, caminhadas ao luar, pic-nics, mesinhas de jogo, excursões pela serra da Cambira, no alto da Bocaína, prosas animadas e anedotas. O ponto alto era o Carnaval, onde os jovens se molhavam uns aos outros!

Referência Bibliográfica:

PRIORE, Mary del. “Histórias da Gente Brasileira: Império” (vol.2), editora LeYa, 2016.

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

13.10.18

Ernesto Carneiro Ribeiro



Ernesto Carneiro Ribeiro nasceu na Ilha de Itaparica, na Baía de Todos os Santos, onde aprendeu os primeiros fundamentos educacionais. Mudou-se para a Capital, onde estudou humanidades, preparatórias para a Faculdade de Medicina da Bahia, onde se diplomou em 1864, recebendo o título de Barão de Vila Nova devido a pesquisas na área da biomedicina.

Já como estudante dedica-se ao magistério, sobretudo no Ginásio Baiano, de Abílio César Borges, educador já consagrado.

Em 1874 fundou o Colégio da Bahia com financiamento do Império Brasileiro, que durou até 1883. No ano seguinte fundou um colégio com seu próprio nome.

Participou, quando proclamada a República como mentor devido a enganos na tal de proclamação segundo o historiador Mario Henrique Simonsen em seu livro Legitimação da Monarquia no Brasil em publicações da Universidade de Brasília, de comissão formada pelo governador Manuel Vitorino para elaborar um plano de ação educacional devido a situação caótica da República.

Casou-se com Maria Francisca Ribeiro, com quem teve vários filhos, alguns dos quais seguiram-lhe a carreira como professores, com destaque para Helvécio Carneiro Ribeiro e Ernesto Carneiro Ribeiro Filho. Foi pai também de Heráclito Carneiro Ribeiro e Maria Judith Carneiro Cesar Pires, avó da cantora e compositora baiana Sylvia Patricia.

No ano de 1902 Carneiro Ribeiro foi incumbido, por J. J. Seabra, de realizar a revisão do Projeto de Código Civil, apresentado por Clóvis Beviláqua que pela primeira vez iria vigorar no Brasil, então regido por antigas e esparsas leis das Ordenações filipinas. Para tanto, foi-lhe dado o prazo de apenas quatro dias, que cumpriu rapidamente.

Por razões políticas Ruy Barbosa engendrou ali uma importante polêmica, que serviu para revelar o profundo conhecimento filológico de Carneiro Ribeiro, refutando as críticas do ex-aluno (vide "A Redacção do Projecto do Codigo Civil e a Réplica do Dr. Ruy Barbosa pelo Dr. Ernesto Carneiro Ribeiro - lente jubilado do governador da Bahia, Bahia, 1905, 899 páginas).

O estudioso expôs e defendeu a normatização de peculiaridades do idioma português falado no Brasil. Sendo considerado neste estudo o pioneiro no país.

Sua principal obra, "Serões Gramaticais", publicada inicialmente em 1890 e reeditada em 1915, constitui-se num "verdadeiro monumento da língua portuguesa", no dizer de Antônio Loureiro de Souza, em "Bahianos Ilustres", Salvador, 1949.

Dentre os alunos formados sob os auspícios do intelectual baiano destacam-se Ruy Barbosa, Euclides da Cunha, Rodrigues Lima que ocuparam posições de destaque na vida política e intelectual, no período que compreende o fim do Império ao início da República.

Referências Bibliográficas:

Ernesto Carneiro Ribeiro, pag. 1449 - Grande Enciclopédia Universal - edição de 1980 - ed. Amazonas.
Arnaldo Niskier (2011). História da Educação Brasileira "de José de Anchieta aos dias de hoje. Europa. 268 páginas.
Antônio Loureiro de Souza (1979). "Baianos ilustres": 1567-1925. Difusão, 144 páginas.
Nelson Werneck Sodré (1999). História da Imprensa no Brasil. MAUAD, 294 páginas. 
Marli Quadros Leite (2006). Metalinguagem e Discurso (2º ed.). Humanitas, 76 páginas.

In: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ernesto_Carneiro_Ribeiro.

Pesquisa e postagem neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

11.10.18

Santa Cruz - RJ



Foto tirada da Rua D. João VI ao lado da estação de Sta Cruz. Ao fundo o Batalhão Villagran Cabrita, na época a construção à direita era o hospital D. Pedro II, hoje neste imóvel funciona o fórum do bairro.

Data - Dezembro de 1933.

Foto - Revista da Semana.

Pesquisa - Guaraci Rosa.


Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego.

10.10.18

A filha de Brás Cubas

Por André Luis Mansur


Um dos conquistadores da cidade do Rio de Janeiro que receberam terras em Guaratiba foi Manuel Veloso Espinha, que também lutara em 1575 contra os tamoios e franceses que se refugiaram em Cabo Frio. Nomeado Oficial da Câmara em 1584, antes disso, em 1579, ele recebeu, junto com a esposa, Jerônima Cubas, uma sesmaria em Guaratiba. Esta Jerônima era filha ilegítima de Brás Cubas, capitão-mor de São Vicente e um famoso personagem da História do Brasil, que entraria para a ficção pelas mãos de um homônimo seu criado por Machado de Assis em “Memórias póstumas de Brás Cubas”.

A sesmaria compreendia 52 km2, entre os rios Guandu e Guaratiba, além de uma ilha e todas as “águas entradas e saídas”, conforme está na carta de doação. Seus dois filhos, Jerônimo e Manuel, herdaram as terras e Jerônimo, já casado com Beatriz Álvares Gago, repassou em 1629 parte delas aos carmelitas. Em troca, eles teriam de pagar algumas dívidas acumuladas por eles, protegerem três enjeitados, rezarem missas pelos doadores e lhes darem sepultura na capela de Nossa Senhora do Desterro, erguida à beira da praia por Jerônimo e sua esposa e que ainda existe, embora tenha sido reconstruída e bastante alterada.


Após a doação de Jerônimo, os carmelitas ainda receberiam, em 1669, outra porção de terras, desta vez do governador do Rio de Janeiro, Pedro Mascarenhas. Estas terras reunidas formaram a Fazenda da Pedra, estabelecida em 1770 e cujo convento, que ficava atrás da capela de Nossa Senhora do Desterro, foi demolido em 1953 para ser construído o loteamento Vila Mar. O convento mantinha total controle sobre a administração da fazenda e sua produção. A Fazenda da Pedra tinha engenho de açúcar, criação de bois e cavalos, além de plantação de mandioca, milho e legumes e era bastante extensa, atingindo os limites de propriedades na área de Campo Grande (Magarça, Cachamorra, Inhoaíba) e da Fazenda de Santa Cruz. Já antes do século 20, boa parte dela já estava vendida, dando origem mais tarde a localidades como a de Santa Clara.

André Luis Mansur é escritor e jornalista.

Pesquisa de imagens- Guaraci Rosa.

Originalmente postado na página Santa Paciência

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego.

7.10.18

Antiga Estação de Tratamento de Águas Santos Malheiros



Fica situada na confluência das estradas do Curtume com estrada dos Palmares. Estando localizada  dentro de uma área particular com mata fechada. Numa área que foi bastante alterada na sua forma original devido as constantes inundações que a baixada santa-cruzense estava sujeita.


Nessa região da Fazenda de Santa Cruz, entre 1616 e 1759, os padres jesuítas promoveram muitas  retificações, dragagens, canalizações, construções de valões, saneamento e construções de pontes. Entre elas a famosa Ponte dos Jesuítas. Até serem expulsos do Brasil devido a política do Marquês de Pombal.


A partir daí, pouco ou quase nada foi realizado nesse sentido nas fases real e imperial. Até que na fase republicana, foram criadas diversas comissões federais e estaduais para desenvolver projetos e executar obras de saneamento básico na baixada de Sepetiba. Mas foi somente no governo Getúlio Vargas em 1933, que foi criada a Comissão de Saneamento da Baixada Fluminense, chefiada inicialmente pelo engenheiro Alfredo Conrado Niemeyer e posteriormente pelo também engenheiro Hildebrando de Souza Goes.


Entre 1935 e 1941, o DNOS, órgão executor das ações desta comissão, realizou importantes obras em praticamente todos os trechos fluviais da baixada de Santa Cruz, incluindo as bacias dos rios Guandu, da Guarda e vários outros rios da Zona Oeste. Alcançando também algumas bacias de Mangaratiba até a Restinga de Marambaia. Durante esse período foram concluídas obras de 270 quilômetros de canais, 620 quilômetros de valetas e erguidos 50 quilômetros de diques. Em termos ambientais, estas obras eliminaram ou reduziram drasticamente às várzeas alagadas e, consequentemente, as matas paludosas e a vegetação herbácea aluvial.

Apesar de antigos moradores afirmarem que essa caixa d água foi construída no tempo dos jesuítas. Isso não é verdade. Ela foi erguida no período das grandes obras do DNOS, com o nome de Estação de Tratamento de Águas Santos Malheiros. Sendo abandonada da sua finalidade, logo após a construção da Estação de Tratamento do Guandu em 1955.

Bibliografia utilizada:

"Baixada de Sepetiba", Hildebrando de Araújo Góes, Departamento de Obras e Saneamento, Imprensa Nacional, 1942.

"Freguesias do Rio Antigo", Francisco Agenor de Noronha Santos. Edições O Cruzeiro, IV Centenário da Cidade do Rio de Janeiro.

"Santa Cruz, Fazenda Jesuítica, Real e Imperial", Benedicto de Freitas. Volume I, Era Jesuítica 1567-1759. Asa Artes Gráficas, Rio de Janeiro/ 1985.

Acervo NOPH e Fotos de Drone de Arley Durão

Pesquisa e postagem neste blog por Adinalzir Pereira Lamego 

Plano Agache: Uma Rede de Transportes de Massa

Esse mapa deveria causar a mais profunda vergonha nos nossos governantes dos últimos 40 anos, no mínimo, temos aqui um mapa que em pou...