segunda-feira, novembro 26, 2018

Bernardo Bertolucci, anos 70



Antes de fazer cinema, estudou na Universidade de Roma "La Sapienza" e ganhou fama como poeta. Em 1961 trabalhou como assistente de direção no filme Accattone, de Pier Paolo Pasolini. Em 1962, dirigiu La commare secca, mas obteve reconhecimento com seu segundo filme, Antes da revolução, em que já demonstrava seu estilo político e comprometido com seu tempo. Em 1967, escreveu o roteiro de Era uma vez no Oeste, um dos melhores filmes de Sérgio Leone.

Já nos Estados Unidos, dirigiu O Conformista (1970), que chegou a ser indicado para o Oscar de melhor roteiro adaptado. Em 1972, a sua primeira obra-prima, Último Tango em Paris, escandalizou meio mundo e deu a Bertolucci mais uma chance de concorrer ao Oscar, desta vez como diretor. Depois de fazer 1900, um filme monumental e muito ambicioso, Bertolucci partiu para o drama intimista em La Luna.

Poucos cineastas demonstram tanta versatilidade, mantendo sempre sua marca autoral. Em 1987, consagrou-se com O Último Imperador, que recebeu nove Oscars, incluindo os de melhor filme e melhor diretor. Em O céu que nos protege (no Brasil), Um chá no deserto (em Portugal), nova obra-prima, rodado em 1990, em pleno deserto do Saara, Bertolucci extraiu interpretações fantásticas de Debra Winger e John Malkovich. Seguiram-se O Pequeno Buda e Beleza Roubada.

Seus últimos filmes falam de relacionamentos e sentimentos, são profundamente intimistas. Como Beleza Roubada e Assédio.

Faleceu aos 77 anos em Roma, em 26 de novembro de 2018.

Por Reinaldo Elias

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

quarta-feira, novembro 21, 2018

S. Orind Centro Comercial



Quando passamos na Rua Coronel Agostinho, o atual Calçadão de Campo Grande, percebemos um dos mais antigos Centros Comerciais do bairro, o S. Orind Centro Comercial.

Pouca gente sabe, mas em Campo Grande houve uma pequena comunidade de judeus, principalmente na Rua Barcelos Domingos, onde a família Orind residiu na localidade que hoje abriga o SENAC. Também as famílias Tarnapolsky e Shemmer, esta última com descendentes com nomes abrasileirados devido um momento de incompreensão, durante a Primeira Grande Guerra Mundial, quando começaram a acusar o judeus (Pasmem!) de comer criancinhas em suas comemorações sagradas.

Há uns oito anos, quando levei os alunos do extinto Colégio Afonso Celso para um espetáculo cujo tema era o martírio dos judeus na segunda guerra, na Lona Cultural de Campo Grande, e o texto falava desse episódio e (Pasmem novamente!) um senhor bem idoso, sentado na fileira da frente, disse categórico: "Mas eles comiam mesmo"... - Uma mentira quando é muito repetida se torna uma verdade no delírio de quem ignora um assunto. Havia uma sinceridade trágica no olhar daquele senhor, entretanto, quando perguntei como ele sabia do que falava, ele apenas me respondeu: "Todo mundo falava, todo mundo sabia"... Fiquei triste por ele, por mim, por todos nós, mas não adiantava demovê-lo de sua verdade equivocada.

Bom, havia famílias judias também nas proximidades, como Rua Alfredo de Moraes, Estrada da Caroba, Estrada do Monteiro, Estrada do Morro Cavado e também na região de Ilha de Guaratiba. Ainda há judeus residindo na Estrada do Cachamorra, mas poucas pessoas sabem dessa Cultura Milenar, que também tentou ser preservada através de uma sinagoga, que teve vida curta no início do século XX, na Estrada das Capoeiras, num lugar inexato, devido a falta de maiores informações. Não se sabe o porquê dos poucos meses de existência dessa sinagoga, mas como iniciou, também finalizou seus serviços de forma inexplicável. Somente os judeus que ainda se lembravam falavam no assunto. Hoje, esses mesmos judeus não residem mais neste planeta.

Campo Grande também abrigou e abriga outros povos, como alguns remanescentes Sírios/Libaneses, como Portugueses, Espanhóis e Japoneses, que se firmaram mais na região de Itaguaí.

Por que sabemos pouco sobre esses povos? 


A maioria deixou o bairro com o 'boom' da Barra da Tijuca. Os que ficaram, pouco expuseram suas origens por variados motivos.

O interessante relatar é que, também do pouco que sei, Campo Grande é uma 'Terra de Todos os Povos', um lugar que aceita todas as tribos, no espírito de agregar todos os semelhantes para que o convívio seja pleno de paz e de segurança. Benditas terras de vasto Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro".

Por Will Tom

Originariamente postado na página do autor do texto

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

terça-feira, novembro 20, 2018

D. Pedro I em Santa Cruz, RJ



Se o príncipe regente D. João se apaixonou por Santa Cruz, transformando a antiga sede da fazenda dos jesuítas em Palácio Real, seus descendentes também seguiram o antigo Caminho dos Jesuítas para se afastar dos problemas da Corte e viver mais à vontade. O filho, o futuro D. Pedro I do Brasil, e Pedro IV de Portugal, por exemplo, talvez tenha sido mais assíduo ao palácio que seu pai. Na infância passada no velho oeste carioca, Pedro, revelando a vocação de líder militar, organizava exércitos de brincadeira, com regimentos de escravos, meninos como ele, munidos com “armas” feitas de madeira e folhas-de-flandres. Exército pronto, organizava acirradas batalhas pelos campos de Santa Cruz contra o irmão D. Miguel, antecipando a guerra que travariam em Portugal, entre 1832 e 1834, e que faria de D. Pedro um herói naquele país, após ter abdicado do trono do Brasil, em 1831.

Mais tarde, já adulto e imperador do Brasil, D. Pedro iria muito a Santa Cruz seguido de fiéis escudeiros, como Francisco Gomes da Silva, o Chalaça, seu secretário particular e, segundo as más línguas, “secretário para os negócios ocultos do Brasil e de Portugal” (D. Pedro I, Isabel Lustosa). Na longa viagem pela Estrada Real, provavelmente o príncipe vislumbrava as possibilidades que se abriam, de romper com Portugal e ser responsável pelos destinos da imensa nação que o acolhera.


Exímio cavaleiro, muitas vezes Pedro partia montado em um dos muitos cavalos que mantinha bem tratados na fazenda, dispensando carruagens luxuosas. Cavalgava rápido, tanto que, em algumas vezes, ia e voltava no mesmo dia a Santa Cruz, como na ocasião em que foi à fazenda apenas para dar uma chicotada no marido de sua amante Domitila de Castro e Canto Melo, a Marquesa de Santos – uma situação tão absurda que beira o cômico. Pois mesmo assim, o marido, o alferes Felício Pinto Coelho de Mendonça, não apenas se submeteu à nova ordem, como se humilhou pedindo um cargo ao Imperador, que o nomeou, em 1824, administrador da feitoria de Periperi, parte da Fazenda de Santa Cruz, e que ficava em numa área coberta hoje pela estrada Rio-São Paulo, na altura de Itaguaí.

Periperi possuía diversas lavouras e um famoso engenho produtor de aguardente. O motivo da desavença entre o administrador e o Imperador foi uma carta injuriosa sobre a marquesa, enviada por Felício ao irmão de Domitila, que a mostrou ao Imperador. Mal acabou de ler, D. Pedro subiu em seu cavalo e atravessou a Estrada Real de madrugada, em meio a uma forte tormenta. Ao chegar à sede da feitoria, entrou gritando, chamando pelo administrador, para espanto dos escravos, que nunca imaginariam a chegada do Imperador do Brasil àquela hora e naquela situação. Quando deparou com Felício, D. Pedro, sem dizer nada, “desferiu rápida e forte ‘rebencada’ na face do perplexo ‘desafeto’ e, considerado ‘cumprido seu dever’, imediatamente regressou à Quinta da Boa Vista, aonde chegou ao amanhecer” (Santa Cruz, Jesuítica, Real, Imperial – Vol. III, Benedicto Freitas).

Felício também permaneceu um bom tempo como administrador da feitoria, mas, desta vez, bem mais comportado, pois D. Pedro o ameaçou com uma contundente surra, se não deixasse de ofender a marquesa, esposa de Felício e amante de Pedro.

Por André Luis Mansur, escritor e jornalista.

segunda-feira, novembro 19, 2018

Lembranças do calçadão de Campo Grande. O bairro mais populoso do Brasil


Rua Coronel Agostinho, foto de 2018. Ao fundo o Edifício Trad Center.

"Quando passamos no Calçadão de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, mal conseguimos observar o cenário, tamanha a poluição visual e auditiva de uma estimativa de 400 mil pessoas transitando diariamente pelo espaço comercial.

No aglomerado de passantes, de ambulantes, de grupos religiosos reunidos, de mágicos fazendo apresentações, de pessoas esperando o dia passar, numa conversa inesperada, nem imaginamos que a Rua Coronel Agostinho, num passado não tão distante, além de comércios, também se permitia residências, famílias que viviam no centro do bairro.

Lembro-me de algumas construções antigas, os chamados casarões (muitos diziam que eram residências de magnatas), que ficavam no meio dos vastos terrenos com muros baixos, acrescidos de grades de ferro ornamentadas e portões bordados, muitas vezes semi-abertos, sem o temor de qualquer invasão violenta, numa época em que havia o respeito pela propriedade alheia.

Os jardins geralmente apresentavam roseiras, sempre carregadinhas de belas flores, alegrando o cenário.

Onde hoje se apresenta o empertigado Centro Comercial de Campo Grande havia uma dessas casas 'nobres', ao lado do Mercado São Brás (escrita original, segundo documentos e informações do professor/historiador Carlos Eduardo de Souza).

Algum tempo depois, se não me falha a memória, devido a idade, acho que esse casarão chegou a ser um consultório médico, mas posso estar enganado.

Lembro-me também da vila de casas no Beco do Seridó, quase todas pertencentes a uma única família.

No Beco da Drogaria Pacheco também funcionava uma vila de residências com construções muito antigas e que, infelizmente, foram demolidas as fachadas para dar lugar às lojas.

Sim, eram muitas as residências centrais que foram sumindo, sumindo, deixando de ser lembradas, quase num espírito secular de se apagar o passado, típico de nosso querido povo brasileiro, que não foi incentivado a guardar os alicerces de suas origens.

Hoje, buscamos encontrar nossos retratos jogados no lixo do descaso governamental e também no nosso próprio descuido sobre o que era tão nosso e que só passamos a valorizar depois que observamos o resultado do que chegou para ocupar o que um dia foi tão bom.

Campo Grande tem história, que quase não foi guardada por seus moradores, que não foi guardada por mim, que não foi guardada por muitos dos que agora lutam para revivê-la.

Queira D'us que possamos encontrar outros amigos interessados na valorização do bairro e que, tendo algum material histórico, possa, ao menos, compartilhar fotos e informações nos meios virtuais, lembrando que o respeito a um espaço se faz através de suas origens preservadas".

Por Will Tom


Originariamente postado na página do autor do texto

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

sábado, novembro 17, 2018

O passado do Brasil já tem um preço!



Após a perda inexorável do Palácio da Quinta, vemos agora a venda dos objetos do Palácio e da Família Imperial.

Sem palavras !!! ... Estamos testemunhando o esfacelamento do Período Imperial Brasileiro.

Um mix de sentimentos afloram da minha alma! De um lado surpresa, de outro impotência e indignação.

O passado do Brasil já tem um preço! E ele pode ser levado para a casa de qualquer pessoa.

Serviços de mesa de D. Joao VI, D. Pedro I, D. Pedro II e Princesa Isabel, as luvas da Princesa Isabel, pinturas excepcionais de Nossa Senhora feitas pela própria Rainha Carlota Joaquina, talheres de uso do palácio, as vestimentas da família imperial, as mais queridas peças do nosso D Pedro II.

Tudo está a venda!

Quem organiza o leilão é o nosso amigo e super competente antiquário Miguel Salles de Petrópolis e quem oferece é a Família do Ramo Dinástico de Vassouras . É uma venda legal e apesar dos itens serem de relevância nacional, são propriedades particulares e portanto podem ser comercializados.

Algumas peças eu cheguei a manusear com minhas próprias mãos nos anos de 1995/8 quando organizei eventos relacionados ao Segundo Reinado e foi a própria Família Imperial que as emprestou para exposições públicas no Rio de Janeiro.

Esse seria o momento de aparecer um grande mecenas, uma grande empresa e adquirir toda a coleção para ser levada ao Museu Imperial de Petrópolis ou melhor ainda... já começar a fazer o pé
-de-meia para a nova reconstrução do Palácio da Quinta da Boa Vista, que a partir de 2019 tomará outro rumo e a história do Palácio Imperial passará a ser valorizada.

Nessas horas que lembramos do Dr. Joaquim Monteiro de Carvalho (o Baby) que teria recursos e motivação de salvar a  nossa história e os mais caros itens da nossa Família Imperial.

Confira no vídeo!

https://youtu.be/eFKBA1z1Fkw

Confira no catálogo!

http://www.miguelsalles.com.br/leilao.asp?Num=9908

Perplexidade Total !!!!

Por Claudio Prado de Mello
Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

Da série Campo Grande das minhas lembranças



"As esculturas alaranjadas espalhadas em algumas ruas de Campo Grande são símbolos da época dos grandes laranjais. Os mais velhos ainda se recordam dos Barracões de Laranjas, com imensos caminhões carregados de caixas perfumadas da fruta, transportadas para todo esse imenso Brasil. Além de laranjas, em qualquer lugar que andávamos, havia tanto verde, com bananas, goiabas, jamelões, jabuticabas, jacas, pitangas, abius, jenipapos, sapotis, amoras, tamarindos, mangas e tantas outras frutas à merce de quem as pegasse diretamente de cada pé. Eram de todos, espalhadas em terrenos baldios. Quando necessitamos comprar goiabas tão caras hoje, lembramos com saudade e melancolia de uma época em que tínhamos tudo isso às mãos. O progresso chegou e também chegaram as residências, tornando Campo Grande o bairro mais populoso do Brasil...
 
Com estrutura antiga e sem investimentos, os problemas da superpopulação permeiam o caos urbano no trânsito e também no tráfego de pedestres. Muitos chegaram sem o amor primeiro à terra tão bendita dos que aqui já estavam e não conseguem encontrar o mesmo lirismo diante do lugar a que usam, sem o sentimento de pertencimento. E, sem esse sentimento, vão cimentando quintais, calçadas e também um pouco da humanidade-natureza que deveria ser a faísca sagrada em cada ser. Ainda há ipês brancos, ipês amarelos, flamboyants, acácias, espirradeiras, extremosas e outras floridas em parcas calçadas do bairro. Mas já não encontramos terrenos baldios com frutíferas para sanar a fome do estômago e a fome da alma que insiste em aumentar, diminuindo as lembranças de um paraíso que poucos conheceram".

Foto de Marcos Meirelles

"Antigamente os subúrbios cariocas, cortados pela linha férrea da Central do Brasil, eram considerados aldeias. Campo Grande era assim, uma pequena aldeia, uma província, um arraial, que ficava na Zona Rural, na roça, como se dizia. Mas as festas das pequenas 'aldeias' todos conheciam. E as mais famosas eram as festas religiosas, como a Festa de Sant'Anna, a Festa do Desterro, a Festa de Santo Antônio. Em Campo Grande, esta última era a mais esperada nos idos dos anos 50's, a então chamada Festa da Curva do Matoso. Numa época de muito espaço, a pequena e bela igreja possuía espaço suficiente na área externa para que todos pudessem usufruir das barracas da quermesse, do palanque com banda tocando quase que a noite inteira. E chegava o momento em que os fogos de artifício coloriam determinado espaço da noite, enchendo de esperança os corações dos que, pelo menos naquele instante, deixavam a fé falar mais alto em oração silenciosa. Também naquele momento, corações se olhavam, mãos se encontravam e muitas histórias começavam ou recomeçavam. O progresso chegou a Campo Grande, deixando de ser Zona Rural para ser a Zona Oeste do Rio de Janeiro, com estruturas caóticas de cidade grande.

Ao passo em que a cidade cresce, diminuem os costumes e a cultura de raiz, sem rega, seca e morre. Os prédios frios e cinzentos se avolumam, contaminando os corações humanos com o cimento e o asfalto e as árvores morrem e morre também um pouco da sensibilidade humana, que por medo da violência, por desinteresse, passa a se relacionar friamente através da telas virtuais. As festas são raras, atualmente. Não preenchem mais os ambientes e ninguém mais vê a graça do passado.


Quando olho para a Igreja de Santo Antônio, na Curva do Matoso, quase não a vejo mais. Por necessidade de obras caritativas, foram construídos prédios de ação social no pátio da igreja, sufocando-a num pátio espremido de construção feia, mal acabada, típica da arquitetura moderna e pobre. Mas a igrejinha continua lá, mesmo escondida, em sua simplicidade, permanece imperiosa, orgulhosa de sua história do passado. E enquanto houver lembranças do passado haverá também história, haverá cultura, haverá prazer das recordações, até que nos esqueçamos das coisas boas que ficam em nós".

"Cinema, a Sétima Arte, fotografias em movimento, um 'milagre' do mundo moderno. O Cinema sempre preencheu nossas expectativas com todos os sentimentos possíveis de prazer, de medo, de ternura, uma catarse de nossos espíritos sempre insatisfeitos. Houve uma época em que o Cinema era o 'point' da juventude, o local de encontro também de crianças e de pessoas mais maduras. Em Campo Grande restam a estrutura de dois grandes cinemas, o Cine Palácio Campo Grande e o Cinema Campo Grande. Duas salas de projeção inesquecíveis.

O Cine Palácio Campo Grande, que teve vida útil de 1962 a 1990 era um dos mais belos da região. Sempre limpo, numa época em que as pessoas, ricas ou pobres, faziam questão de ser elegantes, limpas, educadas. O cinema cheirava gostoso, com assentos estofados confortáveis, luminárias bonitas... A bilheteria possuía uma parede mármore preto com guichês em janelas de grades douradas. No hall de entrada, o balcão de doces e balas. Uma das maiores do Rio de Janeiro. (Tive a informação de que possuía 1.749 lugares - não sei se procede). A Cultura deu lugar à fé e o Cinema hoje é prédio de um segmento religioso, como a maioria dos cinemas no Brasil.

Também havia o Cine Campo Grande, onde consegui vários cartazes de filmes, solicitando ao pessoal da secretaria do cinema. Apesar de mais novo do que o Palácio, o Cine Campo Grande era chamado de 'poeirinha' ou 'pulgueiro'. Passou por reformas na década de 90's e ficou bem bonito e cheiroso também. A Cultura deu lugar a projeto social - restaurante popular, vira e mexe desativado.

Pouca gente sabe que Campo Grande apresentou, ainda, mais três salas de projeção. Esse tesouro está nas lembranças de quem realmente vivenciou o bairro, de quem ainda ama essa terra tão abençoada. Sim, uma sala de projeção que desabou, felizmente, sem vítimas. Se minha memória não falha, apesar da idade, a sala ficava quase na esquina das ruas Campo Grande com Vitor Alves. Meu saudoso padrasto Waldemar Camargo falava muito sobre esse acontecimento, quando me ensinava coisas sobre Campo Grande, que eu não havia vivido.

Também houve uma sala de projeção bem moderna para a década dos anos 40's, entre a antiga estrada Rio-São Paulo com a rua Aricuri, na época, ainda sem asfalto. Era uma tela em um pátio externo, onde os carros podiam estacionar para assistir, apesar de haver também arquibancadas.

E, por fim, a magnífica sala de projeção das Faculdades Moacyr Sreder Bastos, onde, incontáveis vezes, lecionei Literatura para os alunos do extinto Colégio Afonso Celso, com clássicos do cinema. A sala de projeção atendia à comunidade externa também, sob a supervisão do escritor André Luis Mansur Baptista. 

Ah, os cinemas se organizaram nos Shoppings, mas a sensação de cada espaço citado ainda ficou em nossos olhares de saudade de um tempo que não voltará. É como um filme retrocedendo, avançando e o tempo continua rodando, alheio aos nossos sentimentos..."

Por Will Tom
 

As outras fotos foram capturadas na internet

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

quinta-feira, novembro 15, 2018

Palácio das Laranjeiras: Rio de Janeiro-RJ



O Palácio Laranjeiras é a atual residência oficial do governador do estado do Rio de Janeiro, no Brasil. Localiza-se no bairro de Laranjeiras (no Parque Guinle), na cidade do Rio de Janeiro. Encontra-se tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro (INEPAC).

O terreno onde hoje se ergue o edifício era, nos fins do século XIX, propriedade do conde Sebastião Pinho, aristocrata português estabelecido no Rio de Janeiro. Na propriedade, situava-se um palacete pertencente ao conde que foi demolido para dar lugar ao atual palácio.

Entre 1909 e 1914, o atual Palácio foi construído segundo projeto do arquiteto Armando Carlos da Silva Telles para ser residência da família Guinle. Em 1926, por decisão de Washington Luís, passou a servir como residência oficial da Presidência. Contudo, Getúlio Vargas, após a Revolução de 1930, escolheu o Palácio do Catete para servir como sua residência. Em 1940, passou à administração federal, tendo sido utilizado como residência oficial da presidência por Juscelino Kubitschek (1956-1961), que não quis permanecer no Palácio do Catete após o suicídio de Getúlio Vargas (1954). Com a conclusão do Palácio da Alvorada, inaugurado em 1958 em Brasília, Kubitschek deixou o palácio.

Foi doado pela União ao Estado do Rio de Janeiro em 1974. Desde então, foi utilizado como residência do presidente da República durante suas visitas ao Rio de Janeiro e também para recepções diplomáticas da União e da Prefeitura do Rio. Dentre os seus visitantes ilustres, destacaram-se os ex-presidentes Charles de Gaulle, da França, Harry Truman, dos Estados Unidos e o Papa João Paulo II.
Entretanto, nesse meio tempo, diversos prefeitos fluminenses preferiram utilizar a residência da Gávea Pequena

Em 2001, o palácio foi objeto de ampla campanha de restauração envolvendo restauradores, historiadores, museólogos e pesquisadores, que lhe procederam a recuperação de pinturas, pisos e móveis. Ao final dessa intervenção, o governo do estado abriu as portas do palácio para visitas guiadas por estudantes de história da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Atualmente, porém, o palácio não está aberto a visitação.

O acervo do palácio compreende pinturas de Frans Post, uma réplica do piano que pertenceu à rainha Maria Antonieta da França, mosaicos de mármore e de cerâmica com aplicações de ouro 24 quilates, esculturas e mobiliário fino.

Ali ocorreu, no dia 13 de dezembro de 1968, presidida pelo Marechal Arthur da Costa e Silva, a reunião onde foi aprovado pelo Conselho de Segurança Nacional o Ato Institucional Nº 5 (AI-5).

Fontes de consulta:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Pal%C3%A1cio_Laranjeiras

O Palácio das Laranjeiras e a Belle Époque no Rio de Janeiro (1909-1914) Texto em PDF Associação Nacional de História. Consultado em 11 de março de 2016.

Pesquisa e postagem neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

segunda-feira, novembro 12, 2018

Conhecendo o sub-bairro Jardim Palmares: Rio de Janeiro - RJ


Mapa do Jardim Palmares

Dados Históricos

O Conjunto Residencial Jardim Palmares, foi iniciado em 17/10/1966 pelo Instituto de Previdência do Estado da Guanabara (IPEG) e inaugurado em 28/10/1967 pelo Governador do Estado, Embaixador Francisco Negrão de Lima.

O projeto foi iniciado no fim do Governo de Carlos Lacerda para atender aos Funcionários Públicos de baixa renda e os Ex Combatentes da Segunda Guerra Mundial, popularmente conhecidos como "os pracinhas". Posteriormente, já no governo de Francisco Negrão Lima, utilizando os espaços vazios disponíveis, ou seja, as sobras do terreno, foram construídas casas para pensionistas do Estado, casas essas que são rotuladas até hoje como "casas de viúva", com seus modelos padronizados. Em 1970 foi inaugurada a Associação de Moradores, onde anteriormente funcionou a primeira Escola.

Localizado na Zona Oeste do Estado do Rio de Janeiro no Bairro de Paciência, o Conjunto Residencial Jardim Palmares recebeu esse nome, devido a grande quantidade de palmeiras que existiam no local. 

Devido ao crescimento populacional e as segregações, o que era antes apenas um Conjunto Residencial, hoje é considerado um sub-bairro.

As ruas no início eram localizadas por letras, exemplos: Avenida A, Rua B, Rua C, etc... Posteriormente em homenagem aos ex-combatentes da Guerra de Gana, as ruas receberam os seus nomes. Exemplos: Rua Soldado Elias de Sousa, Rua Cabo Saulo de Vasconcelos, Rua Sargento Geraldo Berti, etc.

A princípio, durante o processo de ocupação, a população na sua maioria era de meia idade, porém, hoje considerando todas as comunidades que se segregaram a partir do projeto inicial ao longo dos anos, há um número crescente de crianças e adolescentes. Atualmente, a estimativa de habitantes, somando-se as demais comunidades, é de aproximadamente 30.000 pessoas.


Em relação aos equipamentos urbanos o bairro conta com 01 (um) Posto de Saúde, 01(uma) Clínica da Família, 01 (uma) Escola Municipal (Ciep Major Manoel Gomes Archer) que atende as crianças da Educação Infantil e Elementar, 01 (uma) Escola Municipal (IPEG) que atende alunos do ensino fundamental, 01 (uma) creche, 02 (duas) praças e algumas escolas particulares.


Inicialmente os padrões do processo de urbanização, como saneamento básico, equipamentos urbanos atendia satisfatóriamente aos moradores. Porém, devido ao crescimento demográfico os equipamentos urbanos não dão conta de atender a demanda, principalmente no que diz respeito quanto ao número de vagas na creche, saúde e a ausência de escola do ensino médio, o que leva os adolescentes a se locomoverem para outros bairros. Um outro elemento que conta muito é a falta de infra-estrutura e saneamento básico das comunidades que vão "surgindo", como por exemplo, Linha de Austin, Jardim Gramado, etc, aonde o direito a moradia resume-se a um "pedaço de chão", que está muito longe do modelo da política habitacional, pois, não são considerados aspectos essenciais para uma vida saudável​, tais como: saúde, educação, lazer, cultura, esporte e etc.

Outro fator que contribuiu para o crescimento populacional do bairro foi o surgimento de vários condomínios residenciais ao longo dos últimos anos, tais como: Rio Vida Residencial Clube 1, Condomínio Park Royal, Condomínio Park Imperial, Condomínio Residencial Toledo, Condomínio Sevilha Jardim Palmares, Condominio Zaragosa, entre outros.

Fonte: Escola Municipal IPEG
Acervo Fotográfico Rio Previdência

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domingo, novembro 11, 2018

Paulo Freire: Educar para transformar



Bom dia a todos e a todas!

Entre fotos, charges, documentos e escritos diversos segue uma cronologia da dinâmica e amorosa vida do nosso eterno Paulo Freire. Um resumo de sua luta pela emancipação humana via educação. Trata-se de um projeto do Instituto Paulo Freire e do Banco do Brasil, publicado já há alguns anos, mas ainda não tão divulgado. 

Peço que enviem para amigos, familiares e professores para que possamos resistir à banalização da obra desse grande brasileiro, que está sendo atacada cada vez mais por quem não se importa com os interesses das minorias e dos desfavorecidos.

Clique aqui para baixar o livro em PDF                                         

Texto de Eunice Menezes

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quinta-feira, novembro 08, 2018

Naturalistas europeus na vida rural carioca



Karl Friedrich Philipp von Martius e Johann Baptist von Spix eram da Baviera, região que hoje pertence à Alemanha (país que ainda não existia na época), e chegaram ao Rio de Janeiro em 1817, junto com a Comissão Científica que acompanhou D. Leopoldina de Habsburgo, a arquiduquesa que chegava da poderosa Corte de Viena para se casar com o príncipe D. Pedro I e se tornar a primeira Imperatriz do Brasil. Casamento acertado entre as duas Cortes, sem que os noivos se conhecessem pessoalmente, um arranjo político muito comum naqueles tempos de cabeças coroadas.

Leopoldina era apaixonada por ciência e, sabendo que iria morar no Brasil, um lugar que despertava a imaginação dos europeus há muito tempo, graças às narrativas, muitas delas delirantes, de animais exóticos e florestas exuberantes, homens primitivos e animais marinhos, logo tratou de reunir um grupo de amigos cientistas para acompanhá-la na viagem. Entre eles, Spix e Martius, como eram mais conhecidos.

Os dois cientistas, que na verdade eram naturalistas, termo que com o tempo caiu em desuso e designava aqueles que faziam observações científicas (inclusive desenhando) sobre espécies de flora e da fauna, viajariam por todo o Brasil até 1820, quando regressaram para a Europa, e puderam realizar amplas pesquisas por diversas regiões, sempre enfrentando problemas comuns aos viajantes europeus que chegavam para ficar, como o calor excessivo, mosquitos, cobras, onças, hostilidades em geral etc. Já mencionei neste livro duas passagens deles pela região, quando se depararam com a costumeira rebeldia das mulas antes de seguirem viagem, derrubando inclusive os incautos viajantes. Desta vez, farei o relato completo da passagem dos dois naturalistas europeus por estas terras, relato este incluído em "Viagem pelo Brasil", o livro que eles lançariam com todas as observações feitas sobre as terras brasileiras.

A viagem começou no dia 8 de dezembro de 1817, quando Spix e Martius pernoitaram na tradicional Venda de Santíssimo, propriedade de um italiano e que ficava no atual bairro de Santíssimo. Dali seguiram viagem e chegaram à Fazenda de Santa Cruz no dia 10, onde foram recebidos pelos administrador, o tenente-coronel Feldner, e ficaram impressionados com o estado de abandono da sede da fazenda, com as casinhas de barro miseráveis e também com a extensão da planície cercada de pântanos. Também impressionou os europeus a quantidade de escravos, mais de mil.

Spix e Martius perguntaram pelos colonos chineses que o Conde de Linhares mandara trazer para a fazenda a fim de iniciarem uma plantação de chá, mas que não deu certo. Segundo o relato, havia poucos chineses por lá, a maioria tinha ido para a cidade, "a fim de andar pelas ruas como vendedores ambulantes, oferecendo pequenas bugigangas chinesas, especialmente estofos de algodão e foguetes, doenças e saudades da terra já haviam arrebatado a muitos; desgostos já haviam liquidado outros chins das redondezas".

Os visitantes também foram bem críticos em relação ao pequeno Jardim Botânico criado por D. João VI, abandonado numa colina, assim como o Jardim da Quinta, perto da Casa Real. E mesmo o administrador, segundo eles, "tinha que se contentar, todavia, com uma miserável cabana de barro para morada e com frugal sustento".

Na partida da fazenda, confusão entre as mulas, inclusive com a destruição do barômetro, e o encontro com um fazendeiro holandês, Dufler, que plantava cana e café. Mais à frente, após outra confusão com as mulas, "que se achavam em completa desordem num terreno argiloso, profundamente esburacado", os viajantes chegam à Granja Real, propriedade da Fazenda de Santa Cruz, onde "o viajante não encontra nada que lhe faça lembrar a intervenção do homem nestas selvas majestosas".

Em seguida, após descerem uma encosta bastante escarpada, "fora da profunda escuridão da mata virgem", avistaram a Vila de São João Marcos, que seria inundada light ////. "Quando descemos pela encostas escarpada, fora da grave escuridão da mata virgem, avistamos o pequeno lugarejo formado pela Vila de São João Marcos, e mais tarde uma solitária, porém importante, fazenda no vale". Dormiram ao relento, na Fazenda do Retiro, e no prosseguimento da viagem, um dos componentes da expedição foi mordido por uma aranha caranguejeira, mas conseguiu se recuperar. Daí em diante, Spix e Martius e sua comitiva seguiram para São Paulo enfrentando fortes chuvaradas, deixando para trás as terras que ainda seriam muito visitada por naturalistas, pintores e curiosos vindos de outros continentes.

Por André Mansur (Jornalista e Escritor)

Imagem- Artocarpus integrifolia (jaqueira), de cuja sombra se vê a baía e a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, c. 1847. Carl Friedrich Phillipp von Martius / Acervo IMS.

quarta-feira, novembro 07, 2018

George Mathias Conrado Jacob de Niemeyer



Óleo sobre Tela; 103 x 92 cm; 1849. 
HEATON, Conrado Niemeyer, dignatário das Ordens brasileiras do Cruzeiro e da Rosa. Uniforme de gala de coronel do Exército. Engenheiro Cartógrafo que com a impressão da Casa Litográfica Heaton foi um dos precursores da cartografia nacional em 1846, com a Carta chorográfica do Império do Brasil. Detalhe da obra mostrando a antiga sede da Fazenda Santa Cruz.

Fonte: Brasiliana   IHGB   IHGI


NOTAS BIOGRÁFICAS: Conrado Jacob de Niemeyer. Nasceu em Lisboa, em 28 de outubro de 1788, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 5 de março de 1862. Filho do coronel de engenheiros Conrado Henrique de Niemeyer e Firmina Angélica de Niemeyer.

Em 1803, assentou praça como cadete do regimento de artilharia da Corte e, logo depois, matriculou-se no Colégio Militar, concluindo o curso em 1808 como primeiro aluno de colégio.

Quando da invasão francesa, passou com dois cadetes, um cabo e oito soldados para a esquadra inglesa que bloqueava o porto. Levado a Portsmouth, ficou, por ordem do ministro plenipotenciário português, guarnecendo o brigue “Destemido”, até que partiu para o Brasil, chegando ao Rio de Janeiro em julho de 1809. Foi desde logo adido ao regimento de artilharia da Corte, e a 9 de agosto promovido a segundo-tenente. Em 1815, terminado o curso, de matemáticas, foi promovido a tenente de engenheiros.

Participou do combate às revoluções pernambucanas de 1817 e 1824.

No intervalo entre os dois movimentos, levantou a planta de Recife e Olinda, estabeleceu a linha telegráfica entre o Recife e o sul da Província e colaborou no reconhecimento e traçado do plano de defesa das principais cidades de Pernambuco, assim como da costa sul da província até o rio S. Francisco. Construiu pontes, estradas e açudes. Após a derrota da Confederação do Equador, recebeu de Francisco de Lima e Silva a condecorações pelos serviços militares prestados.

Depois de jurada a Constituição, foi nomeado comandante das Armas do Ceará. Contra ele, levantou-se a oposição. Foi absolvido e até elogiado pelo Conselho de Guerra.

Seu valor profissional o indicou para examinar o estado das fortificações do Rio de Janeiro, em 1829.

Tendo se mostrado favorável ao absolutismo, quando D. Pedro I abdicou, foi perseguido pelos liberais. Torna-se, então, favorável à restauração, e conspira contra a regência. Foi novamente processado, e, embora de novo absolvido, pediu, em 1833, reforma no posto de coronel.

Três anos depois, reiniciou a vida profissional na seção de Obras Públicas da Província do Rio de Janeiro, chegando à presidência da Diretoria. Inspeciona o canal da Pavuna e, com o general Bellegarde, faz estudos para o desmonte do morro do Castelo, ao tempo em que contrata e dirige a construção de mais de dez léguas da estradas entre os rios Iguaçu e Paraíba.

Desde muito jovem mostrara gosto pelos estudos. Dedica-se, então, à vida intelectual, tornando-se um dos fundadores do IHGB.
 

Em 1841, voltou a Pernambuco, a fim de, com Pedro de Alcântara Bellegarde, apresentar o projeto de abastecimento de água do Recife. Em 1846, renovou as pontes e o aterrado da Fazenda Imperial de Santa Cruz. É desse mesmo ano o oferecimento ao IHGB da Carta Geral do Império, premiada com medalha de ouro, recebida das mãos de D. Pedro I.

Em 1856, foi nomeado oficial da Repartição Geral das Terras Públicas e encarregado da confecção da Carta Corográfica do Império e, depois, da do Rio de Janeiro.

Fonte: Brasiliana   IHGB   Biblioteca Nacional Digital

Pesquisa biográfica e postagem neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

sábado, novembro 03, 2018

Por que pobre que deixa de ser pobre gosta de pisar em pobre?



Uma coisa que eu, infelizmente, observo muito: pessoas que melhoram sua situação financeira e sobem um ou alguns degraus da escada social parecem esquecer rapidamente que há pouco tempo também eram pobres e sofreram o mesmo desprezo que agora estão dispensando a quem é mais pobre que elas.

Já vi gente que saiu da favela e falava mal dos favelados e motorista de primeiro carro novo comprado em sessenta prestações rindo de quem esperava na chuva pelo ônibus, o mesmo ônibus que ele pegava para ir trabalhar, em um passado não muito remoto.

Tem gente frustrada em seu emprego por ser maltratada pelos patrões, mas que não perde a oportunidade de esnobar ela mesma outras pessoas, assim que se vê do outro lado (do lado “mais forte“), tratando mal vendedores em lojas, zeladores em prédios ou pedintes na rua.

Já é incompreensível ver gente rica de muito tempo tratando pobre como gente de segunda categoria, numa desumanidade que assusta. Isso já é difícil de entender, mas, agora, ver gente que conheceu a pobreza se vestindo de arrogância e prepotência para se achar melhor que outros que (ainda) não conseguiram sair da pobreza é que não dá para entender mesmo.

Parece que isso está enraizado na cabeça de nosso povo, essa mentalidade arcaica de que quem tem mais é mais, como se ter e ser fossem a mesma coisa. E quem quer ser mais necessita de alguém que seja menos, já que quem se compara precisa de uma referência e seria meio amargo alguém se comparar com quem tem mais que ele. Assim, a consequência lógica é rebaixar quem tem menos para se sentir mais elevado, enfeitando um pouco sua pobre existência.

Tem a história do Dr. Armando, que era advogado, mas não era doutor coisa nenhuma, porém, ele fazia questão de ser chamado assim. Um rapaz pobre do interior da Bahia, que foi para Salvador para estudar e que, para se formar, comeu o pão que o chifrudo amassou, limpou fossa e foi ajudante de pedreiro, serviu comilões no Habib’s na Praia de Piatã, foi placa de anúncio ambulante para os novos condomínios na Avenida Paralela e até picolé na praia ele vendeu.

Leia Mais: Tem gente que é tão pobre, que só tem dinheiro.
Pois bem, esforçado ele foi, pisoteado também, e se formou em Direito aos troncos e barrancos. Com o canudo na mão, o Armandinho voltou para sua terra natal como Dr. Armando, o advogado, que, como dito, não era doutor, pois não tinha doutorado, mas que era cheio de doutorice e exigia que todos abaixo dele na hierarquia o tratassem dessa forma. Até de certos clientes ele exigia isso, numa arrogância sem fim. Agora, com um diploma que ele escondia na gaveta, pois suas notas não foram tão boas e ele se envergonhava disso, e um escritoriozinho perto do centro de uma cidade média de interior, ele se via flutuando numa nuvem, por cima dos mortais. Somente perante o juiz, o delegado ou os poderosos do lugar ele baixava a crista e parecia um menino nervoso que tinha feito algo errado.

O pior de tudo é que ele era colérico e tratava muito mal seus empregados, principalmente os domésticos, gritando com eles, os classificando de burros e preguiçosos e supondo que iriam morrer pobres, pois burrice e preguiça não levariam ninguém a lugar algum. E vivia dizendo que detestava pobreza.

Assustadora também era a passividade dos subalternos, que, calados, aceitavam as insultas do patrão. Por um lado, claro, eles eram dependentes, alguns até moravam em sua propriedade. Mas, por outro, seria bom ter mais coragem e impor limites ao novo rico que se comportava como um coronel de segunda categoria.

Mas nem precisamos de exemplos extremos como esse. Esse fenômeno acontece muitas vezes no dia-a-dia, quase despercebido, como aquele sujeito pobre que recebe um dinheiro extra, resolve ir jantar com a namorada num restaurante chique, com tudo que se tem direito, mas achando que tem o direito também de já entrar no restaurante tratando mal os garçons, sentindo-se rico por um momento e acreditando que “ser rico” implicaria também em tratar mal quem o serve.

Acredito que muita gente se comporta assim por não conhecer diferente. Quando ainda pobres, por terem sido explorados e maltratados e experimentado de perto a exclusão e os preconceitos contra a pobreza, aprenderam que é desse modo que a sociedade funciona: quem está em cima, pisa em quem está em baixo. E, agora, que conseguiram subir um pouco, eles também têm vontade de pisar. Se levo isso em consideração, até acho tal comportamento plausível. Mas plausível não quer dizer que seja bom.

Acho estranho e repudio qualquer ato que suponha a superioridade ou a inferioridade de quem quer que seja, mas, ao mesmo tempo, sei que todo efeito tem uma causa e que isso aí é efeito de alguma coisa. Não seria o efeito de um endurecimento de nossa sociedade, de uma mentalidade de consumo e de identificação social pelo que se possui, de dignidade comprada, onde quem tem pouco automaticamente vale menos? Não costumamos definir o sucesso de alguém pela riqueza que acumula? E ainda não fazemos a bobagem de aceitar essa ideia absurda como normalidade?

Leia Mais: De que adianta falar quatro idiomas e não dizer “bom dia” no elevador?
Penso que é essa distorção de valores, que afeta a sociedade como um todo, que faz com que também um pobre que emerge queira também pisar em outros para se sentir alguém.

Se queremos mudar isso, então seria essencial mudar exatamente essa mentalidade, essa forma estranha de convivência social que inventamos, mas que só serve para descaracterizar o lado humano de nossa sociedade.

Os pobres deixarão de tratar mal outros mais pobres no dia em que todos pararmos para perceber que é preciso bem mais que ter para ser e que poder material não torna ninguém melhor que ninguém. Os pobres aprenderão a respeitar outros mais pobres no dia em que eles mesmos perceberem que se é respeitado por ser quem é (um ser humano que tem uma dignidade inviolável!) e não pelo que se tem, já que ninguém aprende a respeitar se ele nunca foi respeitado.

Precisamos é retomar nossos valores e recuperar nossa humanidade, entendendo que a verdadeira superioridade não pode ser comprada e não se adquire através de riqueza material. A verdadeira superioridade nasce é dentro de nós. Uma pessoa verdadeiramente superior não é aquela que se acha melhor, mas sim que a entende que esse negócio de gente melhor ou pior não existe, tanto faz se rica ou pobre.

Texto de  Gustl Rosenkranz
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Originariamente postado na página Provocações Filosóficas

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

sexta-feira, novembro 02, 2018

Sra. Maria Graham



“Setembro de 1824. A Sra. Graham chega à Quinta para tomar posse do cargo. Ao pé da escada encontra o Imperador, num traje de algodão listado que mais assentaria a um pequeno comerciante, calçando chinelos e sem meias. Em vez de dar a mão a beijar, diz preferir um handshake à inglesa. O palácio, embora lhe falte elegância, parece-lhe transbordar em afabilidade e bons sentimentos, ao contrário do que dissera um inglês que fora recebê-la no navio.

Segundo esse compatriota, depois do exílio de José Bonifácio (Como? A senhora não sabe que seu amigo foi exilado?), uma camarilha portuguesa, composta por gente de baixo nível, aproveitara para tomar conta de tudo, irritando os brasileiros, cada vez mais afastados das decisões. O Imperador, ela não tardaria a ouvir os cochichos, se ligara a uma mulher de origem inferior e com ela teve uma filha, e a Imperatriz, em posição cada vez mais secundária, se entregara à melancolia.

In Sonia Sant´Anna, "Leopoldina e Pedro I - a vida privada na Corte". Editora Ibis Libris.

Maria Graham nasceu na Inglaterra, em uma família aristocrática, e era casada com um oficial de Marinha. Esteve pela primeira vez no Brasil em 1821, acompanhando o marido, e aqui estava por ocasião do Fico. Em seu livro Diário de uma viagem ao Brasil nos dá um relato vívido dos acontecimentos. Depois seguiu para o Chile, e enviuvou ao largo da costa chilena. Além de escritora era excelente desenhista e, ilustrando suas narrativas, deixou muitas imagens do que era o Brasil de então. Ao voltar do Chile, apresentada a D. Leopoldina, tornaram-se amigas., e foi contratada pela imperatriz como preceptora de suas filhas. Vítima de invejas e intrigas, acabou expulsa da corte. De volta à Inglaterra, correspondeu-se com a imperatriz até a morte desta, em 1826. As cartas que lhe escreveu Leopoldina foram publicadas em livro. Para saber mais sobre a vida dessa inglesa notável e sobre a vida no Brasil e na corte, consultar seus livros, publicados pela Itatiaia.

Por Sonia Sant'Anna

O livro pode ser comprado no link abaixo:

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

quinta-feira, novembro 01, 2018

Ilha Rasa - Rio de Janeiro - RJ



A cerca de 10 km da entrada da barra, encontra-se a Ilha Rasa e seu conhecido farol que, à noite, exibe dois lampejos brancos e um vermelho visíveis da orla de Copacabana, Ipanema e Leblon.

Em virtude dos perigos que a entrada da Baía da Guanabara oferecia aos navegantes, o príncipe D.João atendendo a pedido da Junta de Comércio determinou, em 1812, a construção de um farol na Ilha Rasa. Entretanto, ele só seria inaugurado em 31 de julho de 1829.

A construção, de alvenaria, levantada por escravos, é quadrangular e tem 26m de altura, totalizando 110m acima do nível do mar. Exibia uma fogueira acesa, ao anoitecer, no topo da construção. Em 1883, o farol passou a ser operado por um sistema elétrico fornecido pela empresa Maison Soutter et Lemunier, substituído, em 1909, por outro, fabricado pela Maison Turenne. Em 1907, foi instalada, na ilha, um posto pluviométrico e, em 1909, uma estação radiotelegráfica. Em 1913 foi instalada uma buzina de cerração. O alcance atual do farol é de 25 milhas náuticas (46km).


A Marinha mantém uma guarnição na ilha. Hoje já há um heliponto, mas o abastecimento ainda é feito via marítima; não existe local para atracação, mas um pequeno guindaste auxilia o desembarque.

A ilha serviu de prisão não só para o catedrático José Oiticica, por ocasião da revolução de 1924, como recebeu prisioneiros durante o Estado Novo. Atualmente, é um lugar bastante procurado para mergulho, dada a variedade de ambientes: costões, lajes e grutas.

Por Carlos H

Texto e fotos - http://rio-curioso.blogspot.com