quinta-feira, novembro 28, 2019

Griots: Os Contadores de Histórias da África Antiga



Até hoje, os Griots seguem seu papel de guardiões da tradição.

Contadores de histórias, mensageiros oficiais, guardiões de tradições milenares: todos esses termos caracterizam o papel dos Griots, que na África Antiga eram responsáveis por firmar transações comerciais entre os impérios e comunidades e passar aos jovens ensinamentos culturais, sendo hoje em dia a prova viva da força da tradição oral entre os povos africanos.

Utilizando instrumentos musicais como o Agogô e o Akoting (semelhante ao banjo), os griots e griottes estavam presentes em inúmeros povos, da África do Sul à Subsaariana, transitando entre os territórios para firmar tratados comerciais por meio da fala e também ensinando às crianças de seu povo o uso de plantas medicinais, os cantos e danças tradicionais e as histórias ancestrais.

Diferente da civilização ocidental, que prioriza a escrita como principal método para transmissão de conhecimentos e tem historicamente fadado povos sem escrita ao âmbito da pré-história, em sociedades de tradição oral a fala tem um aspecto milenar e sagrado, e é preciso refletir profundamente antes de se pronunciar algo, pois cada palavra carrega um poder de cura ou destruição. 

Nesse sentido, os Griots são os guardiões da palavra, responsáveis por transmitir os mitos, técnicas e tradições de geração para geração.


O termo griot tem origem no processo de colonização do continente africano, sendo a tradução para o francês da palavra portuguesa criado. No século XVI, com a ocupação da costa africana pelo reino de Portugal baseada na construção de fortes que atuavam como entrepostos, os lusitanos passaram a fazer transações com Reinos africanos como Kongo, Mali e Songhai.

Esses primeiros contatos já transformavam tanto as culturas africanas como a nação de Portugal, mas acabaram levando a muitos reinos à desestruturação. Com o tráfico de escravizados e o processo de Neocolonização do século XIX, países como França, Bélgica e Alemanha adentraram os territórios africanos, contribuindo para o processo.

Entretanto, até os dias de hoje os Griots seguem em seu papel de guardiões da tradição, estando presente em muitos lugares da África Ocidental, incluindo Mali, Gâmbia, Guiné e Senegal, e entre os povos Fula, Hausá, Woolog, Dagomba e entre os árabes da Mauritânia.

Aqui no Brasil, podemos ver semelhanças entre os Griots e os repentistas, que também se utilizam da oralidade para transmitir cultura.

Em sociedades africanas marcadas pela escravidão, os sujeitos foram classificados como objetos sem memória a serem liderados pelos que detinham a razão. Afinal, povos sem escrita eram povos sem cultura.

Nesse sentido, os Griots atuais são a prova viva da força da tradição oral que, de geração em geração, tem preservado memórias, costumes e saberes.

Texto de Joseane Pereira


Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

sexta-feira, novembro 22, 2019

O mistério dos 158 corpos de africanos escravizados jogados num lixão em Portugal



Ossadas de homens, mulheres e crianças demonstram as circunstâncias desumanas das primeiras explorações portuguesas pela costa oeste do continente.

A Europa reabriu em 2009 as bocarras dos infernos quando a Prefeitura de Lagos – hoje uma plácida, ensolarada, turística e bela cidade do Algarve português – decidiu construir um estacionamento subterrâneo alguns metros além de suas muralhas medievais, em uma área urbana conhecida como Vale da Gafaria. As escavadoras iniciaram seu trabalho e começaram a brotar dezenas de ossos de seres humanos. Maria Teresa Santos Ferreira, professora de Antropologia da Universidade de Coimbra, foi ao local com sua equipe. Hoje, dez anos depois, os resultados de sua pesquisa foram publicados no International Journal of Osteoarchaeology: eram os corpos de 158 africanos escravizados, cujos restos foram abandonados em um depósito de lixo no começo do século XV. Arrancados de sua terra pela violência e vendidos por traficantes, muitos deles não conseguiram suportar a viagem à Portugal. As ossadas de homens, mulheres e crianças – seis dos quais foram lançados ao depósito com pés e mãos amarrados com cordas – demonstram as circunstâncias desumanas das primeiras explorações portuguesas pela costa oeste do continente.

O Infante Henrique o Navegante (1394-1460) foi o primeiro dos grandes exploradores dos mares da África e das ilhas do Atlântico. Suas caravelas sulcavam as costas partindo do maior porto do sul do reino, Lagos, uma cidade que logo se transformaria no grande bazar europeu de carne humana. “Os escravos”, diz Santos Ferreira, “vinham das batidas feitas na parte ocidental do continente, assim como da compra dos traficantes muçulmanos, que por sua vez os traziam do interior da África”. Por isso, as análises determinaram que os enterrados vinham de populações banto (fundamentalmente na África subsaariana, com exceção do sul e da costa leste).


Os barcos portugueses chegaram pela primeira vez em 1444 ao litoral do Senegal e logo retornaram ao porto de Lagos carregados de mercadorias, incluindo pessoas escravizadas, diz o relatório. Mas em 1512, o rei Manuel I ordenou que Lisboa tivesse a exclusividade do tráfico de escravos. De qualquer maneira, e ainda que Lagos tenha perdido importância, as naus continuaram chegando a esse porto antes de alcançar a capital. Não se sabe quantos africanos escravizados entraram em Portugal nesses séculos, porque os arquivos se perderam durante o terremoto de Lisboa em 1755. Mas se calcula que entre 1441 e 1470 chegaram por volta de mil africanos por ano e quase 2.000 anuais nas duas décadas seguintes, um número que se manteve estável e diminuiu a partir de 1530.

O estudo – do qual, além de Santos, participaram Catarina Coelhoa, João de Oliveira Coelho, David Navegaa, Sofia N. Wasterlaina e Ana Rufino e que contou com o apoio do Archaeological Institute of America e da Fundação Gerda Henkel – estabelece que os corpos foram colocados no depósito de lixo entre os séculos XV e XVII, e que muitos daqueles infelizes sofreram em vida traumatismos e lesões degenerativas. Os especialistas analisaram o sexo de 88 deles (56,31% de mulheres, 29,13% de homens e o restante indeterminado). A idade de sua morte foi estabelecida entre os 20 e 30 anos em 32% dos casos, os 30 e 40 anos para 40% e 6,59% com mais de 40 anos.

Além dos adultos, a equipe da empresa Dryas Arqueologia LTDA. encontrou também 31 menores (“não-adultos”), em muitos dos quais foram detectadas alterações nas dentições e um atraso no crescimento. De acordo com o estudo, os menores foram expostos “a duras condições”, o que lhes provocou déficits nutricionais que se refletem em suas estruturas ósseas, com osteoporose cranial e falta de esmalte nos dentes. Isso, por sua vez, evidencia suas “duras e curtas vidas”. Os antropólogos, entretanto, vislumbraram algum sinal de humanidade no enterro dos menores, já que em 66,7% dos casos “parecem ter sido enterrados com mais cuidado do que os adultos”. Desses últimos, 79,4% não seguiam a “habitual orientação cristã da época, com a cabeça na direção oeste e os pés na direção leste”.

Naquela época, somente as pessoas batizadas podiam ser enterradas dentro da cidade. “Os escravos, evidentemente, não eram, de modo que seus corpos foram depositados nos depósitos de lixo, como poderia acontecer, por exemplo, com os animais. Essa situação mudou posteriormente e passaram a ser enterrados dentro da cidade”, diz Santos Ferreira.

Nos corpos analisados, foram encontradas evidências de que quatro mulheres, um homem e um menor de idade foram amarrados antes de morrer, o que deixa claro como esses “indivíduos escravizados foram tratados, mesmo na hora de sua morte”.

Texto de Vicente G. Olaya


Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

quarta-feira, novembro 20, 2019

Polícia resgata 10 mil artefatos históricos roubados por organização criminosa na Europa



23 pessoas foram presas na Itália, França, Alemanha, Sérvia e Reino Unido sob acusações de tráfico em larga escala de objetos arqueológicos roubados.

Cerca de 10 mil objetos arqueológicos roubados foram recuperados, na segunda-feira (18), em uma operação com polícias de cinco países que prendeu 23 suspeitos na Itália, França, Alemanha, Sérvia e Reino Unido.

Os acusados eram membros de uma organização criminosa que saqueava locais históricos ainda não acessados por arqueólogos e vendia os itens encontrados por milhões de euros.

A investigação começou em 2017, segundo a Europol, a agência de aplicação da lei da União Europeia, para combater o saque de locais históricos na Calábria, no sul da Itália.


"Imagens tiradas por drones mostram a violência das escavações clandestinas realizadas por essa quadrilha criminosa, com uma escavadeira [mecânica] usada para quebrar o chão com enorme brutalidade", afirmou a polícia em comunicado.

Entre as áreas saqueadas havia locais que datavam dos séculos 4 e 5 a.C., quando a costa do sul da Itália era pontilhada por antigas colônias gregas.

Os ladrões saíam com vasos de terracota, pratos pintados, broches e jóias, segundo o site "ABC News Australia". A polícia disse que os bens roubados têm um valor de "vários milhões de euros".


A rede criminosa era liderada por duas pessoas que moravam na província italiana de Crotone, na região da Calábria. Saqueadores, intermediários e mulas trabalhavam em várias regiões da Itália, e outros facilitadores também atuvam a partir de Dijon, na França; Munique, na Alemanha; Londres; e Vršac, na Sérvia.

"O dano causado à herança cultural italiana por esse grupo criminoso é muito significativo, pois os criminosos saquearam sítios arqueológicos por muitos anos", disse a Europol em comunicado.

"A Calábria é particularmente rica em patrimônio antigo e é objeto de saques incessantes e intensos que alimentam o mercado clandestino de obras de arte", disse a polícia.

Imagens: Europol

Originalmente postado em g1.globo.com

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

sábado, novembro 16, 2019

Para quem não me conhece, me chamo Rua Guaporé



Oi, bom dia!

Para quem não me conhece, me chamo Rua Guaporé.

Eu sou uma importante via de ligação de dois bairros maravilhosos da zona Leopoldinense. Confesso que já vivi dias melhores.

Eu nasci como um pequeno caminho entre várias fazendas, eu não me lembro de muita coisa do meu inicio de vida não.

Eu lembro bem que tinha uma capela linda perto de mim. Alguns dizem que um convento também, mas isso minha velha mente se esqueceu.

O que eu lembro bem era das carroças puxadas a cavalos e burros, passando para cima e para baixo. O sol me esquentava e a chuva me molhava.

Quando Braz de Pina recebeu seus primeiros moradores, eles me aumentaram de tamanho, eu fiquei feliz, linda com a novidade percebi que era o momento de brilhar, mas a primeira decepção chegou...

Nas minhas terras, as ruínas da pequena capela foram totalmente arrasadas para construir casas. Por que?

Eu amava olhar aquela capelinha, perto do morrinho... Ha! Mais eu tive um alento. Uma tal Companhia Kosmos adquiriu parte do meu querido bairro para reformar tudo, eu iria ganhar uma roupa novinha... Iria.

A Vila Guanabara inaugurou e esqueceram de mim. A minha pele ficou esburacada, feia, cheia de lama, que até uma comitiva com um prefeito se acidentou em mim.

Eu vi onde era a minha capela, construírem prédios para os mais pobres morarem, pessoas que foram arrancadas de suas casas e colocadas ali.

Eu fui maquiada algumas vezes, mas jamais tive o tratamento que merecia, sou uma senhora que merecia um pouco mais de respeito pela importância que tenho. Eu sou a Rua Guaporé!

Texto de Paulo Jorge - Professor de História

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

quinta-feira, novembro 14, 2019

Pardal, o mais brasileiro dos portugueses



Consta que foi o prefeito Pereira Passos que mandou vir, de Portugal, 200 pardais (Passer domesticus) que foram soltos no Campo de Santana, em 1903. Ele imaginava, assim, acabar com os mosquitos da malária que infestavam a cidade. Ocorre que esses pássaros só se alimentam de insetos na época da reprodução, quando necessitam maior quantidade de proteína.

Há gente que reclama, classificando-os de praga e culpando-os pela fuga dos pássaros nativos, como o tico-tico. Na verdade, foi o próprio homem que, através da crescente urbanização e consequente eliminação das árvores frutíferas, expulsou os pássaros nativos. Os pardais são gregários e, diferentemente das espécies nativas, completamente adaptados à vida citadina; constroem ninhos em buracos de construções, sinais de trânsito, sob telhas, quase nunca em árvores.

Os ninhos têm uma forma esférica, com entrada lateral, bastante macio por dentro mas mal acabado por fora. São construídos pelos machos que, assim, conquistam a companheira. Os ovos, em geral 3 ou 4, são pintados e a incubação, feita pelo casal, demora de 11 a 14 dias. O macho distingue-se por uma mancha negra no peito e uma faixa acastanhada que vai dos olhos à nuca; alcançam 15cm de comprimento. Alimentam-se de sementes, brotos de plantas, restos de alimentos dos humanos e insetos; misturam-se às outras aves na disputa da comida. Não sabem cantar, apenas piam; e não caminham com elegância, mas aos saltos.

Texto de Flávio Brandão

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

terça-feira, novembro 12, 2019

As duas faces de Álvaro da Costa Mello



Ao andar pelas ruas de Bonsucesso e ramos vemos alguns prédios em azul e branco, e o mas alto deles com o nome Álvaro da Costa Mello. Então a curiosidade bate  logo e logo nos perguntamos, a pessoa foi muito importante, a ponto de ter um prédio com seu nome( na verdade são dois prédios) e um busto em sua homenagem  feito pelo a pedido do Unibanco em Bonsucesso.

Álvaro era um português que, como muitos outros, chegou ao Brasil para tentar vencer  no mundo dos negócios, mas sua história começa no dia de seu nascimento, dia 12 de junho de 1905 no lugarejo de Infias na Serra Estrela.

A família possuía uma lavoura pequena aonde Mello trabalhava quando criança, assim poderia ajudar na renda familiar. Em determinado momento, quando sua família viva uma crise financeira, pegou seu irmão Valentim e viajou para os EUA onde lá trabalhou na construção civil, Mello Tinha apenas 16 anos.

Aos 22 anos decidiu tentar a vida no Brasil, chegou aqui em terras tupiniquins no final dos anos vinte, onde conseguiu emprego de motorneiro do Bonde 50/90. Mas Àlvaro sempre foi conhecido como um cara honesto e inteligente, mas de cabeça muito esquentada, tanto que em pouco tempo de trabalho, em uma discussão com seu fiscal, aplicou um soco nele, acabou sendo despedido e voltou para Portugal, mas seria por pouco tempo.

Mello como trabalho do bonde e as finanças guardadas de época dos EUA decidiu voltar ao Brasil para ser um jovem empreendedor, logo em sua chegada comprou uma vila de casas em Olaria e alugou tudo rapidamente, mas teve problemas com um dos seus inquilinos e , cabeça quente como ele era, resolveu vender a vila e com o dinheiro investiu na compra da padaria Globo, junto com seu compadre , que logo saiu do negócio e deixou ele tocando só.

Nessa sua aventura pelo bairro de Olaria conheceu Judith do Rego Barros, filha do Manoel Francisco do Rego Barros, família esta dona de uma parte das terras de Olaria, família muito tradicional que ajudou e muito a realizar os sonhos de Mello. Os dois se casaram e tiveram duas filhas, Maria Rita e Leopoldina , mas essa união não teve muito tempo de felicidade e no final dos aos trinte houve a separação .

Nessa época Mello já era um comerciante conhecido na região, um prospero homem que quase jogou tudo fora por causa de seus temperamento.

No dia 15 de março de 1938, no tabloide “O jornal” noticiava uma tentativa de assassinato por parte do senhor Mello, segundo o jornal , o SR. Mello estava desconfiando de estar sendo traído ,pois sua esposa tinha uma amizade com o investigador Waldemar Luiz Bento., vivia vigiando sua esposa pelas madrugadas, quando no dia 14, entrou em sua cozinha e viu o homem conversando com sua esposa e num ataque de fúria atirou com uma colt 45 no investigador e tentou estrangular a mulher, mas foi impedido por vizinhos e depois pela força policial. Mello foi preso e condenado por dois anos de prisão.

A situação está tão ruim que Edith disse em entrevista ao Jornal:
- “Meu marido é o único culpado de tudo isso, casei-me por amor, quando ele era condutor de bonde, a pouco tinha chego de Portugal, mas ele queria apenas saber de dinheiro.” Essa declaração de Edith mostra um Àlvaro ambicioso, que faria de tudo para crescer. 

Na época que eles foram casados, Mello comprou várias padarias pela região, crescendo muito como empresário e nas palavras de sua esposa fica bem claro que ele usou o prestígio e as verbas da família para conseguir sua rede de padarias.

Quando essa situação toda passou, Mello casou-se novamente, agora com uma de suas empregadas, D. Nizete que viveu com ele o resto da vida.

Empresário já bem sucedido, com várias padarias pela região, decidiu investir na construção civil. Seu primeiro empreendimento na área foi à compra de um grande terreno na praça do Carmo(entre Av..Brás de Pina e Estrada Vicente de Carvalho) no final dos anos 40, local esse que era um lugar pobre e vazio, sem atrativo algum, apenas um pequeno Vilarejo que, aos poucos foi sendo modificado pelo espírito empreendedor de Mello. Assim que construiu o edifício , comprou mais três terrenos e construiu lojas , apartamentos e um grande cinema.

Não satisfeito, fez uma sociedade com o melhor amigo, Wilson Xavier e com isso construiu várias lojas aos arredores das estações de trem da Leopoldina.
Mas como ele foi parar em Bonsucesso?

No início os anos cinquenta o bairro de Bonsucesso ainda preservava um aspecto rural, com poucas casas e quase nenhum comércio, o que fez Álvaro Mello ver uma oportunidade de expandir seus negócios, sendo assim construiu prédios na Avenida Teixeira de Castro n 10/51, Rua Bonsucesso n 280/290/101 e 440, Rua Cardoso de Moraes 173/118/80, todos esses prédio com até seis pavimentos. Depois construiu seu maior empreendimento, seu orgulho, até então o maior edifício do subúrbio carioca, na rua Cardoso de Moraes 221 com 14 pavimentos e praticamente todos os prédio na cor azul e branco, mas por que ?


Àlvaro foi um grande presidente do Olaria, amava o clube de tal maneira que vira e mexe aparecia nas páginas de jornais brigando com todo mundo para defender seus clube, foi patrono e principal responsável pela obra do novo estádio da Bariri. O campo da Bariri era um campo feio e com condições precárias de jogo, o que provocou a exclusão do Olaria de várias práticas esportivas, foi quando Mello reformou todo o campo, mudou ele de posição , fez a arquibancada e chamou para a festa de inauguração o Presidente da CBD João Lyra Filho que, vendo o novo estádio, se viu na obrigação de recolocar o olaria nas competições. Ele amava tanto o clube que, depois de uma vitória no ano de 1958, ele pagou uma premiação aos jogadores do próprio bolso.


Álvaro foi tão importante para a região que o gerente do Unibanco, Wilson Xavier (seu melhor amigo) arrecadou fundos e mandou colocar um busto em homenagem a ele no entroncamento das avenidas Teixeira de Castro e rua Cardoso de Moraes. Mello sempre foi um cara importante e tinha acesso direto a autoridades políticas cariocas, era devota a santa Luzia, viajava muito e se tornou milionário. Ao final de vida ficou cego devido ao Glaucoma, parou de construir no ano de morreu em 1992 na Penha.  

Texto do Historiador Paulo

Originalmente postado na página Rio de Janeiro e nossa histórias

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

domingo, novembro 10, 2019

A Fazenda dos Barata



O nome Barata originou-se na França no séc XII. Os irmãos Manoel Fernandes Barata e João são naturais de Coimbra, Portugal, e vem para o Brasil em 1770. Os Barata adquiriram a fazenda Piraquara, onde havia um engenho e uma capela dedicada a São Francisco Xavier que tem sua existência comprovada no século XVII. Eles reformaram toda propriedade e a tornaram a 3ª fazenda mais produtiva e importante do distrito, organizaram um canavial, uma olaria, um alambique para produção de aguardente e criaram um rebanho de gado bovino.


As terras de Manoel Barata foram herdadas por seus filhos. Em 1856, Claudino Fernandes Barata registra-se como “proprietário de uma outra quarta parte das terras da Fazenda Piraquara”. A família dos Barata legou com sucesso à região sua afeição pelo cultivo do café e da cana-de-açúcar.

A tradição conta que a comitiva de D. Pedro I, quando seguia para Santa Cruz pela Estrada Real (atual avenida de Santa Cruz), parava para beber água em uma fonte de pedra da capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição, construída em 1720 em frente ao antigo cemitério da região, que ficava ao lado de um marco.

O nome dos Barata se tornou importante referencial para o bairro, que possui inclusive ruas com o nome de dois dos seus descendentes. A casa dos Barata está tombada pelo Patrimônio Histórico mas a sua restauração foi descartada.

Fontes: 
FRÓES, José N. S. Terras Realengas. Rio de Janeiro: CIEZO, 2004.
WENCESLAU, Carlos A. C. Realengo, meu bem querer. Rio de Janeiro: CIEZO, 2004.


Quer saber mais sobre os Barata? Clique no link abaixo:

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

quinta-feira, novembro 07, 2019

Os dois Engenhos de Paciência



Acaba de ser lançado pela Editora Autografia, o livro "Os dois Engenhos de Paciência". Uma obra que pretende ser um clássico sobre a origem da Mata da Paciência.

Primeira pesquisa historiográfica a abordar, com documentos e imagens, os dois engenhos de cana-de-açúcar que existiram na área histórica da Mata da Paciência, na periferia ocidental carioca, entre os séculos XVIII e XIX. Seus três autores fazem parte da coordenação da Casa da Memória Paciente  (CAMEMPA), desde a sua fundação em novembro de 2017. 

Este livro já nasce como um clássico imprescindível dos estudos históricos fluminenses. Será o primeiro trabalho a abordar em profundidade a história de mais de 200 anos da Fazenda de Engenho da Mata da Paciência de 1797.

Lançamento oficial: 7 de dezembro, às 19 horas, no Terraço das Artes, na estrada da Paciência, 430, Rio de Janeiro, RJ. O livro será vendido ao preço de R$ 40,00.

Link da Editora Autografia para quem desejar comprar online:

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

domingo, novembro 03, 2019

Frei Antônio de Arrábida, o Bispo de Anemúria



Frei Antônio de Arrábida nasceu na cidade de Lisboa, em Portugal, a nove de setembro de 1771. Aos 15 anos, após finalizar seus primeiros estudos, entrou para o claustro do convento de S. Pedro de Alcântara e, pouco depois, foi nomeado bibliotecário do convento de Mafra. Este, construído junto à Basílica e ao Palácio Nacional daquele pequeno município português, parte do distrito de Lisboa, foi por muito tempo residência sazonal da família real, que, durante a regência do Príncipe D. João, passou a habitá-lo de forma permanente. É nesse momento que o príncipe começa admirar o trabalho do frade, chamando-o para ser o seu Conselheiro Real.

Passados alguns anos, a fim de assegurar o poder da Casa de Bragança sobre o grandioso Império luso-americano, D. João aventou a possibilidade de enviar ao Brasil seu filho D. Pedro, que passaria a ser seu condestável, título honorífico que o qualificava representante do príncipe regente no novo continente. A partir dessa ideia, nomeia Frei Arrábida para o ofício de preceptor do condestável, tornando-lhe responsável por D. Pedro e por seus estudos no Brasil. Porém, com a notícia da invasão francesa a Portugal, o frade é comunicado sobre a mudança de planos: o número de passageiros rumo ao Brasil havia aumentado, D. João e toda a família real também partiriam para a América. Ainda assim, Frei Arrábida e D. Pedro viajam no mesmo navio, selando uma fiel ligação que se estenderia por muitos anos.

Após a chegada ao Rio de Janeiro, o frade prefere se instalar no Convento de Santo Antônio a morar no Palácio Real. Assim, apesar da pequena propensão aos estudos, D. Pedro passa a subir constantemente as escadarias do convento para estudar piano e receber conselhos de seu preceptor.

Anos depois, com a volta de D. João VI a Portugal, D. Pedro designou Arrábida ao mesmo posto de Conselheiro que este havia ocupado durante o Império Joanino. Além disso, logo após a independência, em 23 de outubro de 1822, o Frei é nomeado ao cargo de Bibliotecário, passando a acumular o antigo posto de Conselheiro a esta nova função. Arrábida torna-se, portanto, o primeiro Bibliotecário da Biblioteca Imperial e Pública da Corte, título que, apesar de inédito, substituía o de Prefeito da Real Biblioteca, destinado aos principais encarregados pela organização e conservação do acervo documental.

Em 12 de novembro deste mesmo ano, em nome de D. Pedro I, o ministro do Reino e dos Negócios Estrangeiros, José Bonifácio, determina a obrigatoriedade do envio à Biblioteca de um exemplar de quaisquer obras, folhas periódicas e volantes que se imprimissem na Tipografia Nacional. Na época, entretanto, ainda em sua primeira sede, aos fundos do Convento de Nossa Senhora do Carmo, a Biblioteca não tinha as condições ideais para abrigar um acervo tão fértil. Na tentativa de minimizar o problema, Frei Arrábida organiza um Índex da livraria, a fim de melhor dimensioná- la, e um Livro Memorial, em que, a partir do ano de 1822, passaria a registrar todos os documentos recebidos.

Em meio a esse trabalho de ordenação, o Bibliotecário encontra os manuscritos botânicos de frei José Mariano da Conceição Veloso, Florae fluminensis, que havia sido doada à D. João pelo Convento de Santo Antônio, em 1811, após a morte do autor, e, pouco depois, teria desaparecido. A preciosa obra trazia a descrição e os desenhos de mais de 1700 espécies de flora e fauna da região do Rio de Janeiro e São Paulo, coletadas entre 1782 e 1790.

Ao reencontrá-la, Frei Arrábida descreveu em carta solene ao Imperador a emoção sentida e, devido à importância atribuída à obra, solicitou a publicação de seu texto aqui no Brasil, oferecendo-se para as devidas correções de impressão. Em resposta, D. Pedro ordenou a aprovação da proposta e, reconhecendo o zelo do Bibliotecário, determinou que o texto da obra fosse aqui impresso na Tipografia Nacional, autorizando-o a remeter os desenhos a Paris para serem litografados na oficina de Lasteyrie. A direção de todos estes trabalhos ficou a cargo do Bibliotecário, “ por lhe serem louváveis, e muito análogos ao seu patriotismo” .

Em 1825, a impressão da obra começou na Tipografia Nacional do Rio de Janeiro. A reprodução das estampas, iniciada em 1827 em Paris, levou quatro anos e quatro meses para ser finalizada. Quando os últimos fascículos já estavam sendo impressos, D. Pedro I abdica do trono, volta a Portugal e o novo governo brasileiro ordena a suspensão da impressão. Após uma briga judicial, a obra foi, enfim, terminada e, segundo o livro Phitographia ou Botânica brasileira, de Alexandre José Mello Moraes, 500 exemplares foram enviados ao Rio de Janeiro, ficando em Paris os outros 1500, “ os quais, não sendo reclamados, foram entregues não sei a quem, e dos quais salvaram- se algumas coleções; e por fim, se reconhecendo que essas estampas não eram mais procuradas, foram vendidas ou dadas ao chapeleiro que fornecia barretinas (chapéu) para o exército francês”.

Ainda em 1826, D. Pedro I havia concedido a frei Antônio outra prova de sua estima, o título junto à Santa Sé de bispo titular de Anemúria, adicionando-lhe a nomeação de coadjutor do capelão-mor. Posteriormente, o Imperador o nomeou também diretor dos estudos de príncipes e princesas imperiais e o condecorou com a Grã-Cruz da Imperial Ordem da Rosa.

Sua evidente proximidade a D. Pedro I, entretanto, também lhe trouxe alguns problemas, fazendo o bispo de Anemúria passar por situações complicadas durante o período compreendido entre a abdicação desse até a coroação de D. Pedro II. Por conta da amizade com o ex-imperador, Frei Arrábida era mal visto pelos governantes regenciais, o que teria acarretado na ameaça de morte recebida em sua cela do covento, no dia 15 de julho de 1831. Temeroso por sua segurança, acabou por mudar-se do convento na tarde seguinte, permanecendo os três anos seguintes escondido na casa de um amigo, e por pedir exoneração do cargo de Bibliotecário, em 16 de agosto de 1831, perdendo o único vencimento que lhe restava dos cofres públicos.

Somente a partir de 1836, quando uma pensão lhe é concedida pelo legislativo, a situação pública e financeira de Arrábida começa a melhorar novamente. A criação do Colégio Pedro II na corte, em 1837, e o convite para ser o seu primeiro reitor, em 5 de fevereiro de 1838, também impulsionaram a sua reinserção social. Entretanto, a sua saúde começava a se mostrar cada vez mais fragilizada e, com apenas um ano de reitoria, Arrábida solicita sua exoneração do cargo a fim de se afastar da cidade para ser submetido a cuidados médicos.

Incansável, anos depois, o bispo de Anemúria volta à Corte para ser um dos assistentes da coroação e sagração de D. Pedro II e, em fevereiro de 1842, é nomeado mais uma vez Conselheiro, porém, não mais Real ou Imperial, mas sim do Estado Extraordinário. Sua retomada à vida pública novamente seria fugaz, afinal, após três anos, frei Arrábida acaba sendo destituído do cargo, passando a viver sob privações financeiras até os seus últimos dias.

Em meio a uma vida de tantos altos e baixos, Frei Antônio de Arrábida veio a falecer no dia 10 de abril de 1850 em sua cela do convento, lugar que sempre o acolheu.

Texto de Rafaella Bettamio.
Técnico em Pesquisa – Biblioteca Nacional.
Mestranda em História, Política e Bens Culturais - CPDOC/FGV


Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

sexta-feira, novembro 01, 2019

Desenhos descobertos em porão que já foi senzala de Vila Rica revelam inéditas cenas africanas


Figura mostra navio com duas pessoas; ele seria comum na região onde hoje é Guiné e Nigéria. Foto: Philipe Passos -  Arquivo pessoal.

Pesquisadores acreditam que elas foram feitas no século XVIII e mostram cotidiano de sociedades que viviam do outro lado do Atlântico.

Em uma das paredes do porão de um dos casarões centenários da Rua Conde de Bobadela, conhecida como rua Direita, em Ouro Preto, na Região Central de Minas Gerais, onde havia uma senzala, há um “retrato”, até então desconhecido, de uma cena africana.

Pessoas trabalhando em um pilão, mulheres em um navio e animais que não fazem parte da fauna brasileira estão cravados no espaço, descoberto durante reforma.

“A obra tinha começado em 2017, e o rapaz que trabalhava lá perguntou se eu já tinha visto os desenhos na parede. ‘Que desenhos?’, eu perguntei. O porão é muito escuro e eu nunca tinha percebido. A antiga dona me disse depois que essas imagens sempre existiram lá. Foi uma surpresa encontrar essa riqueza aqui”, falou o empresário Philipe Passos, cuja família é proprietária do casarão.

Segundo pesquisadores, os desenhos foram feitos por pessoas escravizadas que viviam na senzala, onde hoje é o porão.

“É algo nunca visto em Minas Gerais. Não se tem notícia de nada parecido. É um ponto de partida para entendermos a origem desta população que forjou esta cidade. Uma peça fundamental deste ‘quebra-cabeças’ que é a história destas pessoas”, disse o guia turístico e historiador Marcelo Hipólito.

Uma das cenas que chama a atenção é a de duas mulheres em um navio. ”Essa gravura mostra que quem a desenhou passou por um rio ou pelo mar. Em Ouro Preto, na época Vila Rica, há apenas córregos. Não há navios por aqui ou histórico disso”, disse o historiador.

Para a também historiadora, pesquisadora da cultura africana e diretora de Promoção da Igualdade Racial da Prefeitura de Ouro Preto, Sidnéa dos Santos, o tipo de embarcação registrado na parede é similar aos usados no Rio Níger, que atravessa territórios que são hoje Guiné e Nigéria.

À esquerda da tela de Johann Moritz, que retrata um mercado de escravos, há um menino desenhando na parede.  Foto: Johann Moritz - Reprodução.

"Esta descoberta reforça a teoria de que quem veio para trabalhar na mineração em Vila Rica eram pessoas que já detinham o conhecimento desta atividade. E estes povos ficavam justamente nesta região, revelando que os portugueses sabiam exatamente quem poderia fazer este tipo de serviço", disse ela.

Outras curiosidades são a presença do pilão, um utensílio africano, e um animal semelhante a um guepardo, típico da savana.

“São memórias de alguém que viveu ali. São registros fundamentais. A escravidão, querendo ou não, faz parte sim da história desse país. É preciso estudar e conhecer”, disse Hipólito.

Animal semelhante a um guepardo foi entalhado em parede por pessoas escravizadas. Foto: Philipe Passos - Arquivo pessoal.

O casarão foi construído no século XVIII, auge da exploração do ouro durante o período colonial. Estima-se que neste época Vila Rica tinha 40 mil pessoas escravizadas. Cerca de 10% da população africana que foi sequestrada e desembarcou nas Américas vieram para trabalhar nas minas.

"Trata-se de uma ponte que liga Minas Gerais até o outro lado do Atlântico. As pessoas que foram sequestradas em África tinham conhecimentos agrícola, de engenharia, de astronomia, de medicina muito mais avançados do que na Europa naquele tempo", disse Sidnéa.

Preservação
A Fundação Cultural Palmares, que preserva e promove valores da influência negra na história do Brasil, pretende fazer uma parceria com o Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para a realização de pesquisas envolvendo a descoberta.

“Estas gravuras são, por si só, um achado histórico. Cenas de África feitas por pessoas que foram sequestradas e escravizadas. Agora, nosso objetivo é preservar esta descoberta”, disse o presidente da entidade, Vanderlei Lourenço.

Texto de Thais Pimentel, G1 Minas — Belo Horizonte.


Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego.