19.6.19

O Caminho do Peabiru


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Uma trilha intercontinental conectando a América do Sul muito antes da colonização.
Os caminhos e trilhas sempre fizeram parte do cotidiano das pessoas. Isso ocorre desde períodos remotos para auxiliar nas atividades básicas do cotidiano, como caça, coleta de alimentos e migração.

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O Caminho de Peabiru é uma rota indígena antiga. Para alguns, o significado em guarani é “Terra sem males”, mas são encontradas várias versões para o significado de seu nome. Os Guaranis o chamavam de Peabiru, Piabiru ou Piabiyu, que significa “caminho” em guarani (pia, bia, pe, bia; ybabia: caminho que leva ao céu). Ou Caminho do Peru, sendo a palavra um híbrido de tupi - pe (caminho) + biru (Peru).

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Os primeiros portugueses, quando chegaram por aqui, ouviram dos índios histórias sobre um caminho que ligava o Oceano Atlântico a um lugar descrito como os Andes. Ele ia de São Vicente, litoral paulista, à Cusco, no Peru. Existiam também outros ramais, partindo de Cananeia, também em São Paulo, e São Francisco do Sul, em Santa Catarina. Esse caminho atravessava os limites territoriais do Brasil até chegar ao Peru, ligando o Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico, passando por matas, rios, pântanos e cataratas com uma extensão de três mil quilômetros, aproximadamente.

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O caminho era uma estrada primitiva, porém muito bem ordenada rumo ao desconhecido, que possuía oito palmos de largura, ou seja, cerca de um metro e meio de largura e um rebaixamento de 40 centímetros. Alguns dizem que o percurso era coberto por uma espécie de gramínea que não permitia que arbustos, ervas daninhas e árvores crescessem em seu curso, e evitava também a erosão, pois ele era intensamente utilizado. O Caminho propiciava uma troca cultural e mercantil muito rica entre os povos. Além disso, atendia à necessidade desses povos em terem um caminho e uma forma de comunicação.



Referências:

BALHANA, Altiva P.; MACHADO, Brasil P.; WESTPHALEN, Cecília M. História do Paraná. Curitiba: Grafipar, 1969. v. 1.

CARDOSO, Jayme A.; WESTPHALEN, Cecília M. Atlas histórico do Paraná. 2. ed. Curitiba: Livraria do Chain, 1986.

COLAVITE, Ana Paula; BARROS, Mirian Vizintim Fernandes. Geoprocessamento Aplicado a estudos do Caminho de Peabiru. Revista da ANPEGE, v. 5, p. 86-105, 2009.

DUDEQUE, Irã. Cidades sem véus. Curitiba: Editora Champagnat, 1995.

FRASSON, Antonio Carlos; GOMES, Silvestre Alves. Tropeirismo: Processo civilizatório da região sul do Brasil. Disponível em: http://www.educadores.diadia.pr.gov.br/arquivos/File/2010/artigos_teses/2010/Historia/artigos/frasson_artigo.pdf

Fontes das Imagens. Acesso  em 19/06/2019.

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https://www.instagram.com/projeto_murta/

Pesquisa de Adinalzir Pereira Lamego

8 comentários:

RODRIGO PHANARDZIS ANCORA DA LUZ disse...

Bem interessante! Era pro governo brasileiro juntamente com os outros países do continente, criar um roteiro internacional de travessias tal como já existe na Europa o Caminho de Santiago.

Prof. Adinalzir disse...

Prezado Rodrigo Phanardzis
O problema é que nenhum governo do continente está se preocupando com a preservação e com a cultura dos seus próprios conterrâneos. O mesmo dilema ocorre aqui no Brasil.

Jane Darckê disse...

A Malha Ferroviaria brasileira foi perdendo seu valor lamentavelmente desde os tempos de Getulio Vargas, em nome do petróleo, e depois para valorizar o transporte rodoviário, obras e a indústria de caminhões. Ok, não foi tão simples, nem tão rápido, mas em linhas gerais, creio ter sido assim.
Mas observado o mapa traçado na imagem do blog, vejo uma grande semelhança com o traçado da "Estrada da Morte", que liga Corumbá a Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, e de onde é possível chegar até Machu Pichu. Acho que os antigos sabiam muito mais do que supomos, através da conivência com os indígenas. Por não haver nenhum registro da época, muitos desses ensinamento se perderam. Que pena... pelas nossas Ferrovias e pelo conhecimento que se perdeu...

Jane Darckê disse...

https://super.abril.com.br/mundo-estranho/o-que-e-o-trem-da-morte/

Jor disse...

As pesquisas históricas no Brasil não tem o devido apoio da iniciativa so poder publico, privado ou até mesmo de pessoas que leve a frente relevante estudo da America do Sul. A europa sempre deu a linha das pesquisas de civilizações, precisamos criar desta mesma forma entidade que constitua estudos e projetos para resgatar a historia da civilização da sociedade Tupinamba, Inca e outras nações Sul-americana.

Prof. Adinalzir disse...

Prezada Jane Darckê
Infelizmente a memória ferroviária brasileira foi sendo paulatinamente eliminada em prol do lucro. Levando com ela a história dessas antigas civilizações que habitaram essa parte do continente sul-americano.
Agradeço pela visita!

Prof. Adinalzir disse...

Prezada Jane Darckê
Você me fez ter saudades do trem da morte que eu conheci.
Te agradeço pelo link.

Prof. Adinalzir disse...

Prezado Jor
Como seria bom se nossas autoridades investissem mais na nossa história.
Fico muito grato pela sua visita e comentário!

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