domingo, 14 de abril de 2019

Rua das Violas



RUA DAS VIOLAS – Aberta em meados do século décimo sétimo, um dos primeiros ou talvez, o primeiro nome que teve foi o de Domingos Coelho. Por morte de Domingos Coelho Valadares, abastado proprietário, que construíra vários prédios no logradouro e fora irmão da Ordem Terceira da Penitência, sua viúva, Serafina de Andrade, legou um daqueles prédios à Santa Casa da Misericórdia, que desistiu do legado por achar que a casa estava situada em lugar deserto e oferecer possivelmente insignificante rendimento à instituição. No Dietário, do Mosteiro de São Bento, encontramos registada a nominação de Rua Serafina, em memória da viúva de Domingos Coelho. Em 1710 não ultrapassava a via pública da Rua dos Ourives e não podia ser prolongada devido aos grandes alagadiços, que se estendiam até o local chamado de Ilha Seca. Em meio desses terrenos pantanosos, permaneceu assim insulada a área entre as ruas dos Ourives, do Fogo e Estreita de São Joaquim.

Rua dos Três Cegos é outra denominação que lhe foi dada nos primeiros tempos. Na porção que fica aos fundos da Igreja de Santa Rita – chamou-se Rua Detrás de Santa Rita e também da Ilha Seca. Em fins do século XVIII passou a se chamar das Violas, em atenção aos violeiros que se estabeleceram na rua ou em suas redondezas.

Deveria ser reduzido o número de fabricantes e mercadores daqueles instrumentos musicais. Antônio Duarte Nunes, em seu Almanaque Histórico da Cidade de São Sebastião, (1799), regista apenas cinco violeiros na cidade Não nos diz se eram todos estabelecidos na Rua das Violas. Seriam, todavia, poucos e bem poucos, para uma terra de amigos da música e de trovadores de reisados e cantatas da festança do Divino Espírito Santo.

Apesar dos pântanos e das inundações que se seguiam às chuvas torrenciais, tornou-se assaz animado o comércio dessa rua. Em sua History of Brazil, o inglês James Hendersen registra a frequência de mercadores na Rua das Violas, – interessados na venda de produtos para o interior do país. A alguns dos lojistas vendiam, negociantes britânicos, vultosas partidas de mercadorias, que atingiam de trezentas a quatrocentos libras esterlinas diariamente.

Perdeu a Rua das Violas o seu antigo nome por deliberação da Ilma. Câmara Municipal, em sessão de 11 de novembro de 1869, recebendo o nome de Rua Teófilo Otoni, por proposta do vereador João Batista dos Santos, em memória do ilustre patriota Teófilo Benedito Otoni, falecido a 17 de outubro do mesmo ano.

Fonte:

Anotação de Noronha Santos na introdução do livro "Memórias para Servir à História do Reino do Brasil".

Legenda da imagem:

Rua das Violas no Guia e Plano da cidade do Rio de Janeiro, 1858, publicado por A.M.Mc. Kinney e Roberto Leeder, Acervo Biblioteca Nacional.

Origináriamente postado na página refício.cc

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

8 comentários:

RODRIGO PHANARDZIS ANCORA DA LUZ disse...

Parabéns pela postagem. A História é de fato rica em detalhes, mas os anos passam e pouco ou nada acaba sendo devidamente arquivado (e rememorado) quanto a eventos que um dia tiveram grande significado para várias gerações que nos antecederam. E saber que, nos velhos tempos tempos da Cidade Maravilhosa havia uma rua onde violeiros iam para lá se encontrar, certamente faz com que os cariocas possam se orgulhar de um passado com alguma cultura mesmo nos tempos coloniais.

Sonia Sant'Anna disse...

Parabéns. Interessante este blog.

Prof. Adinalzir disse...

Prezado Rodrigo Phanardzis
São aureos tempos de um Rio de Janeiro que nos faz viajar ao passado. Por isso é muito importante essa divulgação.
Agradeço pela visita e tenha uma ótima semana!

Prof. Adinalzir disse...

Prezada Sonia Sant`Anna
Sua honorável visita e comentários sempre é um orgulho para mim.
Volte sempre a este singelo blog. Um forte abraço!

RODRIGO PHANARDZIS ANCORA DA LUZ disse...

Prezado professor Adinalzir,

Eu consideraria dois períodos áureos para a cultura no Rio de Janeiro: um no reinado de D. Pedro II, na época do ciclo do café, e outros em meados dp seculo XX, até o regime militar

Prof. Adinalzir disse...

Prezado Rodrigo Phanardzis
Concordo com você. Depois daí até os dias atuais, foi muita omissão por parte dos nossos governantes. Hoje a cultura no Rio de Janeiro está completamente entregue às moscas.
Um grande abraço!

RODRIGO PHANARDZIS ANCORA DA LUZ disse...

Nos últimos vinte anos, samba virou coisa de elite assim como o rock e a cultura popular tem se identificado mais com o gospel e o funk. Vivemos um período bem decadente e pior do que nos tempos repressivos da ditadura militar. Se bem que a ditadura contribuiu para prejudicar o nosso desenvolvimento cultural antes da TV e a internet terem tanto domínio pela via do mercado.

Prof. Adinalzir disse...

Prezado Rodrigo Phanardzis
Hoje vivemos numa tremenda cultura da omissão. Onde nada se faz e cada um só pensa no seu próprio destino. Desenvolvimento cultural e educacional para que?
Um grande abraço!

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