25.4.18

Explosão do paiol no bairro de Deodoro em 1958


Jamais houve na história da nossa cidade madrugada mais louca que a de 2 de agosto de 1958.

O Estado ainda vivia o clima de euforia gerado pela conquista da Copa do Mundo disputada pouco antes na Suécia, quando, perto da meia-noite, uma grandiosa explosão na direção da serra do Gericinó fez iluminar todo o céu, tremer chão, rachar paredes, além de quebrar vidros, fazendo com que os moradores de Bangu e bairros adjacentes, muito assustados, abandonassem correndo suas casas, e sem saber ao certo o que estava ocorrendo, caminhassem, desesperados, com seus filhos e os poucos pertences que conseguissem amealhar, na direção oposta àquela espetacular e barulhenta tragédia.

Outras explosões logo se fizeram sentir, gerando mais comoção popular e aumentando o desespero de todos. Perguntavam entre si... Seria uma nova guerra? Uma revolução? Um acidente nuclear? Ou mesmo o fim dos tempos? Somente no dia seguinte, quando os jornais do Estado noticiaram, é que todos iriam saber. O paiol ou Depósito Central de Armamento e Munição do Exército, localizado na serra do Gericinó, Bairro de Deodoro, havia explodido.

Para que todos tenham ideia do tamanho do estrago, o complexo de Deodoro, o maior da América Latina, era formado por dez paióis e 60 depósitos de armamento bélico, com uma quantidade de armas e munições suficientes para mandar todos os bairros do Rio de Janeiro pelos ares. Foi quase isso o que ocorreu.

Contam que sepulturas foram arrasadas no cemitério de Ricardo de Albuquerque, que ficava ao lado do paiol, e restos mortais dos defuntos apareceram boiando na Praia de Ramos, distante muitos quilômetros do local, tal a dimensão do explosivo acontecimento.

O desfortúnio foi de tal forma grandioso, marcante, inesquecível para qualquer carioca que testemunhou aquela distante madrugada do ano de 1958, que permanece como o evento mais barulhento e luminoso de uma cidade naturalmente explosiva, ao ponto de, tanto eu quanto o meu irmão Rogerio Melo, ainda crianças, até hoje, lembrarmos claramente daquele catastrófico dia.

Quem mais aí ainda se lembra daquele evento?

Texto de Romario Melo.
Publicado no Acervo Rascunho

2 comentários:

Omar Teixeira disse...

Uma história assustadora!

Prof. Adinalzir disse...

Grato Omar Teixeira, pela visita e comentário!

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