22.10.18

O Rio de Janeiro sob os olhares de Jean Baptiste Debret


Lavadeiras do Rio das Laranjeiras, 1826.
Obra: Aquarela, Jean-Baptiste Debret - Acervo Museu do Açude. Rio de Janeiro - RJ.

Com a vinda da corte portuguesa, em 1808, o Brasil passou a ser um aspirante à modernidade. O Rio de Janeiro deixa de ser, então, a capital da colônia e se torna sede do reino de Portugal, passando por uma série de transformações. Esse processo contou com uma testemunha privilegiada, o artista francês Jean-Baptiste Debret, que chegou ao Brasil em 1816, integrando a Missão Artística Francesa.


A Missão, como se sabe, teve um papel fundamental na fundação da Academia Imperial de Belas Artes, que tinha como objetivo difundir o ensino das artes e ofícios no Brasil. Dentre os participantes da Missão, Debret se destaca pela herança que deixou: uma vasta coleção de aquarelas, gravuras e desenhos que retratam o cotidiano do Rio de Janeiro, revelando hábitos, costumes e as relações sociais que caracterizavam a cidade naquela fase de transição da colônia ao império independente. Parte desse legado integrou a exposição "O Rio de Janeiro de Debret", no Centro Cultural dos Correios, na capital carioca, até 3 de maio. 

A mostra, reuniu 120 obras originais de Debret, é uma oportunidade de apreciar e refletir sobre a visão de um dos grandes pintores viajantes franceses sobre o Rio de Janeiro. As obras expostas pertencem à coleção Castro Maya, que contém mais de 500 aquarelas e desenhos originais, raramente vistos em grandes conjuntos. "Como esteve no país entre 1816 e 1831, Debret acompanhou mudanças significativas na cidade, tanto em seus aspectos materiais como sociais, políticos e culturais, e tudo isso está, de certa forma, impresso nas imagens", explica a historiadora Valéria Alves Esteves Lima, professora da Universidade Metodista de Piracicaba, especialista na obra de Debret. Nesse sentido, Debret tem uma importância fundamental para os brasileiros, no que tange à construção de uma imagem da cidade e, também, do Brasil, já que o Rio era a capital e principal núcleo urbano do país na época. "Sobretudo, se considerarmos a presença de suas imagens em livros didáticos e na imprensa de divulgação, a partir do século XX", justifica a historiadora.

Texto de Marta Avancini

Referência Bibliográfica:


Aquarela, Jean-Baptiste Debret - Acervo Museu do Açude. Rio de Janeiro - RJ.

Pesquisa e postagem neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

2 comentários:

Julia Santana disse...

Debret, um grande mestre da pintura.
Parabéns pelo texto!

Prof. Adinalzir disse...

Olá Julia Santana!

Sempre muito honrado com sua visita.
Volte sempre.

O passado do Brasil já tem um preço!

Após a perda inexorável do Palácio da Quinta, vemos agora a venda dos objetos do Palácio e da Família Imperial. Sem palavras !!! ......