1.6.18

Está incomodando? É só empurrar para o finalzinho do Rio de Janeiro


Desde os tempos imperiais, tudo que incomoda e não presta para os olhos do carioca, é sumariamente retirado e colocado para longe dos olhos das autoridades. Afinal, o que os olhos não veem, o coração não sente.

Os exemplos atuais são vários. Mas vamos começar pelo mais famoso:

O Matadouro de Santa Cruz
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O primeiro Matadouro em grande escala em funcionamento no Rio de Janeiro, foi inaugurado em 1774 na Praia de Santa Luzia (hoje aterrada) no Centro da cidade. Por incrível que possa parecer, esta praia que depois passou a ser frequentada pela elite carioca, era coberta de carcaças apodrecidas de animais, refugos do matadouro, que se situava em frente a orla. O mesmo funcionou até 1853, pois o cheiro já estava gerando reclamações por parte da sociedade carioca, que estava se sentindo incomodada com esta situação.

Então a solução, foi inaugurar um novo matadouro, em 1853, desta vez em uma área recém aterrada, em São Cristóvão. Longe dos olhos, de quem não queria conviver com o pútrido cheiro vindo de tal lugar.

Porém, menos de 30 anos depois, quando tal área aterrada, já tinha uma significativa população, que pressionava os políticos da época para que novamente o matadouro fosse mandado para longe, a solução encontrada foi nada menos do que, inaugurar um novo, no afastado bairro de Santa Cruz, no final do Rio de Janeiro.

Em 30 de Dezembro de 1881, foi inaugurado com toda pompa, e com a presença do Imperador D.Pedro II. O Matadouro de Santa Cruz. O mesmo era servido por um ramal circular da Estrada de Ferro Central do Brasil que ia da Estação Santa Cruz até a Estação Matadouro, dentro de suas dependências e abastecia de carne toda a cidade do Rio de Janeiro.

Estava então resolvido o problema. Pobre então dos moradores, que tinham que conviver com o cheiro, que dependendo da direção do vento, ia a quilômetros. Mas como tudo isto estava bem longe das autoridades, e da elite, tudo bem. Ninguém na região protestava, e assim, ficou tudo resolvido.

Mas até quando esta situação vai perdurar? Quantos Matadouros e Siderúrgicas virão para este lugar, tão precioso para nossa história, e que não é respeitado?

Cabe ainda lembrar, que por pouco, Santa Cruz quase foi também contemplada com um leprosário, na década de 40.

Portanto, a história está sempre nos dando valiosas lições. Cabe somente aos moradores da região de Santa Cruz e Sepetiba, se unirem e se apoderarem de sua história, fazendo as transformações em sua vida social e ambiental. Pois se eles não fizerem, alguém vai fazer por eles. E infelizmente é isto que está acontecendo. Então: Vamos mudar o futuro? Só depende de vocês, amigos moradores da nossa querida zona oeste carioca.

Texto de Flávio Brandão.

2 comentários:

Anônimo disse...

Como sempre, a histórica zona oeste deixada em segundo plano pelos governantes..

Prof. Adinalzir disse...

Valeu amigo, seu comentário é sempre muito bom!

Largo do Matadouro, atual Praça da Bandeira, em 1911

O local tinha esse nome por abrigar o Matadouro Imperial de São Cristóvão, inaugurado ali em 1853. O matadouro existia no lugar onde h...