11.4.18

Otávio Malta, um brigão político (1902-1984)


Otávio Ribeiro Malta, jornalista brasileiro, natural de Nossa Senhora da Goiânia, Pernambuco.
Escreveu vários artigos em jornais contra o governo do Estado Novo de Getúlio Vargas, chegando a ser preso em 1935. Como jornalista do Jornal Última Hora, escreveu vários artigos contra o Golpe Militar de 1964, sendo perseguido pela ditadura dos generais.
Foi um dos fundadores, junto com Samuel Wainer, do jornal Última Hora. Segundo o jornalista Paulo Mota Lima, “Malta foi um brigão político, propenso a combater péssimos governos, antes da década de 20”.
Em 1919, aos 17 anos, Malta viajou para o Recife, onde trabalhou no Diário de Pernambuco, em O Estado e na Notícia. Em 1925 transferiu-se para o Rio de Janeiro e escreveu para A Folha, A Tribuna, O Imparcial e o Diário de Notícias, já como redator. Foi durante os períodos de governos de Artur Bernardes e Washington Luiz que se tornou redator político e cronista. Trabalhou em folhas oposicionistas de grande influência na época, como A Esquerda, A Batalha e o Diário da Noite. Também foi secretário de redação de A Manhã. Segundo Paulo Mota Lima “Depois do Levante de 1935, por mais de um ano, Malta passou a condição de personagem O Velho Graça de Memórias do Cárcere, do escritor Graciliano Ramos.
Quando saiu da Casa de Detenção, um ano depois, Malta trabalhou no Diário do Povo de Niterói. Foi nessa época que conheceu Samuel Wainer, na revista Diretrizes, que foi fechada e relançada por ele, por Samuel e pelo Maurício Goulart, em 1940. Para o governo do Estado Novo, essa revista era considerada um “ninho de cobras”. Porque lá trabalhavam também Joel Silveira, Augusto Rodrigues, Aporeli (Barão de Itararé), Álvaro Moreira e Francisco de Assis Barbosa, todos inimigos do sistema.
A partir daí, a revista acabou sendo novamente fechada, desta vez pelo (DIP) Departamento de Imprensa e Propaganda da ditadura Vargas. No jornal Última Hora, Wainer e Malta remodelaram a imprensa, mas foram prejudicados pelo golpe de 1964. Nessa época, Octávio Malta escreveu um livro, “Os Tenentes na Revolução Brasileira” e continuou escrevendo no jornal Última Hora com o pseudônimo de Manoel Bispo, para fugir das perseguições políticas.
Malta morreu em 25 de abril de 1984, aos 82 anos, vítima de edema pulmonar, em sua casa no bairro do Flamengo, Rio de Janeiro. Era casado com Dona Rosa Malta e deixou três filhos: o jornalista Dácio Malta e os economistas Sérgio e Márcio.
Através de iniciativa do governo do Estado do Rio de Janeiro. Desde 2006 o nome desse jornalista homenageia o CIEP 336, situado no Conjunto Campinho, em Campo Grande, Rio de Janeiro, RJ.
Autor do texto: Adinalzir Pereira Lamego – Professor de História que trabalhou nesse colégio de 1994 até 2012.
Fontes de consulta:
Jornal do Brasil, 20 de maio de 1984.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Oct%C3%A1vio_Malta

2 comentários:

Carlos Eduardo disse...

Parabéns, meu amigo. Muito boa sua pesquisa. Ano passado fiz uma breve pesquisa sobre Castro Rebello, colégio próximo ao mencionado no artigo.

Prof. Adinalzir disse...

Muito obrigado, Carlos Eduardo!
Sua visita e comentários é sempre grande um prazer por aqui.

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