sexta-feira, janeiro 02, 2026

De Itaguaí a Santa Cruz: quando a literatura encontra a realidade

Pouca gente sabe, mas o bairro de Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, guarda uma curiosa ligação com a literatura brasileira. O Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) da região se chama Simão Bacamarte, nome do protagonista do conto “O Alienista”, de Machado de Assis.

Na famosa história, o Dr. Simão Bacamarte é um renomado médico e psiquiatra que, movido por um desejo científico de compreender a mente humana, funda em Itaguaí — cidade vizinha a Santa Cruz — um manicômio batizado de Casa Verde. É lá que ele interna pessoas consideradas “loucas” segundo seus próprios critérios, questionando os limites entre a razão e a loucura.

A coincidência vai além do nome: o prédio do CAPS Simão Bacamarte está pintado de verde, mesma cor da lendária Casa Verde criada pelo personagem no conto. Uma coincidência ou uma homenagem simbólica à obra de Machado de Assis? De qualquer forma, o fato mostra como a arte e a realidade se cruzam de maneira surpreendente, unindo Itaguaí, Santa Cruz e a literatura brasileira em uma mesma história.

Trecho de “O Alienista”, de Machado de Assis:

“Foi então que Simão Bacamarte resolveu fundar, à sua custa, uma casa de orates. Obteve da câmara de Itaguaí licença necessária, e edificou a casa na Rua Nova, com o nome de Casa Verde, por estar pintada dessa cor. Nela recolheu não só os loucos propriamente ditos, como todos os que, a seu juízo, padeciam de alguma moléstia mental.”

(Machado de Assis — O Alienista, publicado originalmente em 1882)

Foto principal: @valerialero

Cortesia: @descubrasantacruzrj 

Repostado do @acervosantacruz

sexta-feira, dezembro 19, 2025

Santa Cruz celebra novo marco de fé e história: Paróquia Nossa Senhora da Conceição será elevada a Santuário

A Zona Oeste do Rio de Janeiro se prepara para viver um momento histórico que reafirma sua forte tradição religiosa e cultural. No próximo dia 6 de dezembro, a Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Santa Cruz, será oficialmente elevada à categoria de Santuário, título concedido pela Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro.

A celebração, que será presidida pelo Cardeal Arcebispo, simboliza mais do que uma conquista espiritual. Representa o reconhecimento de séculos de presença pastoral e do papel fundamental que a Igreja exerce na vida da comunidade local.

Para os moradores, a nova titulação fortalece um sentimento coletivo de pertencimento. O Santuário Nossa Senhora da Conceição passa a ser visto como um patrimônio religioso e cultural, reforçando a identidade do bairro e a força evangelizadora que sempre marcou Santa Cruz.

“A fé em Maria é um refúgio para quem enfrenta as dores do mundo moderno — ansiedade, depressão e tantos desafios. O Santuário será um espaço de acolhimento, escuta e esperança.”

Com a elevação a Santuário, a comunidade inicia uma nova etapa. Entre as novidades, está a criação da Pastoral da Escuta, prevista para 2026. A iniciativa formará voluntários para acompanhar pessoas em sofrimento emocional e espiritual.

O Santuário também ampliará o número de missas, horários de confissão e atividades pastorais, reforçando sua missão de atendimento aos fiéis e peregrinos.

Com o novo título, Santa Cruz reforça sua posição no mapa da fé carioca, estimulando também o turismo religioso e alimentando o sentimento de união entre os moradores.

“Queremos que o bairro seja lembrado não só por sua história, mas também pela devoção e pela vida comunitária que floresce aqui”, conclui o pároco.

Assim, o Santuário Nossa Senhora da Conceição se consolida como um símbolo de fé viva, tradição e esperança — um verdadeiro tesouro espiritual e cultural da Zona Oeste do Rio.

📍 Endereço: Praça Dom Romualdo, 11 – Centro de Santa Cruz / RJ

☎ Telefone: (21) 2418-0002

📱 Instagram: @pnscorgbr 

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domingo, novembro 23, 2025

Arquitetura da destruição - Um diário da era Bolsonaro, do palanque à condenação


Era véspera de feriado e tinha Fla-Flu no Maracanã, mas a Travessa de Botafogo ficou pequena para a multidão que prestigiou o lançamento de “Arquitetura da destruição – Um diário da era Bolsonaro, do palanque à condenação”, novo livro de Bernardo Mello Franco, que compila colunas publicadas no Globo. 

Antes dos autógrafos, Bernardo e o cientista político Celso Rocha de Barros apontaram ações e omissões que “empurraram o país até a beira do abismo”.


Mostraram como Bolsonaro sempre foi transparente e revelador em suas intenções. Nunca escondeu o que ia fazer. Em sete mandatos, defendeu a ditadura, disse que daria um golpe se eleito, pregou a morte dos adversários, desprezou direitos humanos, meio ambiente e liberdade de imprensa, notabilizou-se por insultar mulheres, negros, indígenas e homossexuais, elogiou torturadores, milicianos e pistoleiros de aluguel. Nunca fingiu ser moderado ou democrata. Mas teve gente que minimizou as declarações, dizendo que não se devia interpretar literalmente as falas, que ele era “autêntico”, “polêmico”. 

Os dois contaram como o léxico foi transformado, incorporando palavras como “motociata”, “mimimi”, “imbrochável”, “olavismo”, “negacionismo”, “globalismo”. 

O deputado federal Chico Alencar, que conviveu com Bolsonaro desde que era vereador, brincou que merecia adicional de insalubridade por escutar tantas agressões (ao bom senso, à democracia, à civilidade etc) durante décadas. Ele lembrou que o próprio Bolsonaro conhecia suas limitações, a ponto de ter dito, já eleito: “Como é que eu vou governar essa merda?”. 

Um político de baixo clero, acostumado à roubalheira miúda, que iria expandir o crime em escala nacional. 

O livro, lançado pela editora Autêntica, mostra como, eleito pelo voto, ele passou a corroer a democracia por dentro. Militarizou o governo, tentou sufocar imprensa e oposição, atacou a cultura e as universidades, afrontou a ciência, mostrou desdém pelas famílias enlutadas, incitou seus radicais contra o Congresso e o judiciário. 

Sobre a tentativa de golpe, eles citaram Eugênio Bucci: “Foi por um triz.” Ou seja, bateu na trave.

As colunas explicitam como o projeto do golpe estava claro desde sempre. Não viu quem não quis, mostra Bernardo.