terça-feira, abril 01, 2025

A Capela de Nossa Senhora do Rosário do Engenho, Campos dos Goytacazes

A capela pertenceu à Fazenda do Visconde de Asseca, donatário da Capitania de Paraíba do Sul. Último remanescente material da presença dos poderosos viscondes de Asseca.

O antigo prédio da Fazenda, um solar cuja fachada tinha 22 janelas, foi destruído nos anos 1950. Restando apenas a capela, A casa grande ficava à direita, cerca de 500 metros da capela. Localizada na Rua Antônio Correa, Distrito de Donana, Campos dos Goitacazes, RJ.





Trata-se de uma das construções mais antigas de Campos dos Goytacazes. Datada do final do século XVII, a capela tem mais de 400 anos, de característica barroca simples, do período jesuítico. A construção foi feita em cal e pedra.








A Capela traz uma imagem de Nossa Senhora do Rosário, trazida de Lisboa, em 1650, por ordem de Salvador Correia de Sá e Benevides. Essa imagem não se encontra na igreja por questões de segurança. Ela só retorna ao templo, sob escolta, por ocasião dos festejos em louvor à santa. O nome Donana é uma referência a Dona Ana Gregória de Gusmão Miranda Pinto, senhora de engenho do "Visconde".

 





A Capela de Nossa Senhora do Rosário do Engenho foi tombada pelo IPHAN em 16/04/1942 e restaurada em 2001/2003.

A pesquisa acima foi  repostada do perfil do @brasilis_regnum

Leia abaixo a observação do administrador deste blog:

Ana Gregória Gusmão de Miranda Pinto, primeira e única baronesa de São Vicente de Paula (? - 1890), foi uma nobre brasileira, agraciada baronesa em 11 de abril de 1888.

Filha do Barão de Abadia (Gregório Francisco de Miranda) e sua mulher a Baronesa de Abadia (Maria Isabel Cardoso Gusmão de Miranda), nascida em São Salvador dos Campos dos Goytacazes (atual município de Campos no norte do Rio de Janeiro). Foi casada com Domingos Pereira Pinto, de quem ficou viúva em 16 de novembro de 1867. Falecida em 14/11/1890 em Campos (reg. 478, Livro B10, pag. 130, Paróquia de São Gonçalo).

Referências:

Wikipédia. Consulta em 01/04/2025.

Biblioteca Nacional. objdigital.bn.br. Consulta em 24/07/2023.

Brasil, Rio de Janeiro, Registro Civil, 1804-2013. Campos dos Goytacazes. Óbitos 1889, Jan-1891, Maio. Site Family Search.

quarta-feira, março 19, 2025

A Colonização da Serra Fluminense

"A denominação "Sertão dos Índios Coroados", inicialmente dada às terras que hoje constituem o Município de Petrópolis e a Região Serrana do Rio de Janeiro, nos leva à conclusão de que estes índios, assim denominados pelos portugueses "porque cortavam os cabelos de maneira a formar uma espécie de coroa enrolada no alto da cabeça[...]" , seriam os antigos goitacazes que, combatidos pelos portugueses, buscaram refúgio no sertão.

A descoberta de vestígios de objetos indígenas nos rios de Petrópolis, reforçou a tese de que, na realidade, muitas picadas no caminho para Minas Gerais e que posteriormente foram aproveitadas pelos colonizadores, na realidade foram abertas pelos índios em seus movimentos migratórios.

Do mesmo modo, a Carta Topográfica da Capitania do Rio de Janeiro, datada de 1767, assinala uma vasta área da margem direita do rio Piabanha e da margem setentrional do Rio Paraíba, até Minas Gerais, à qual denomina "Sertão dos índios bravos".

Ali não havia atividade econômica. Somente quando os bandeirantes paulistas descobriram ouro nas Minas Gerais é que foi aberto o Caminho Novo, em 1704, para facilitar a viagem até as vilas mineradoras.

É impossível pensar Petrópolis, Juiz de Fora, Barbacena, São João Del Rei e Ouro Preto sem antes pensar o Caminho Novo. Também não dá para entender Petrópolis sem a subida da Serra Velha, por onde vieram os nossos pioneiros colonizadores.

O Caminho Novo foi aberto pelo paulista Garcia Rodrigues Paes, filho do Bandeirante Fernão Dias Paes, e levava vinte ou trinta dias de viagem, um terço do tempo feito pelo Caminho Velho. Ele iniciava num porto do rio Pilar, que desagua no fundo da baía da Guanabara, subia a Serra do Mar na altura de Xerém, passava por Marcos da Costa, Paty do Alferes e Paraíba do Sul, onde havia um Registro para a fiscalização colonial, e seguia para as Minas Gerais, passando por Juiz de Fora e Barbacena.



Ocorre que a subida do paredão da Serra do Mar, em Xerém, era muito íngreme, onde muitas vezes pessoas e mulas carregadas rolavam ribanceira abaixo.

O mais antigo deles, conhecido como Caminho Velho, ia de São Paulo, de Piratininga até Taubaté, subia a Serra da Mantiqueira, passava por São João del Rey e ia para Vila Rica, Caetés, Sabará. Dali havia extensões para Tijuco (Diamantina), Jaguará, até a região da Fazenda Meia Ponte, hoje Pirenópolis, Goiás. Mas quem vinha da capital, Rio de Janeiro, tinha de ir em uma embarcação até Paraty, subir e descer a Serra do Mar até Taubaté para encontrar o Caminho Velho e seguir adiante. Do Rio eram “99 dias de viagem, sendo 43 a pé ou a cavalo”, conforme descrição do Governador Geral Artur de Sá e Meneses, que fez a viagem em 1699, para avaliar as possibilidades da exploração do ouro. Foi após essa viagem que ficou decidida a abertura de um caminho oficial por onde pudesse ser transportado sob controle, o ouro extraído nas minas e fosse feito todo o suprimento das dezenas de arraiais e vilas que iam surgindo em torno da mineração.

Depois de vinte anos de sofrimento, Bernardo Proença, um rico fazendeiro da região, se propôs abrir uma nova subida da Serra por antiga trilha de índios em sua fazenda. Aceita a proposta, Proença construiu o Porto da Estrela no fundo da baía da Guanabara, onde é hoje a Praia de Mauá, e que se tornou logo uma importante vila, depósito e escoamento de mercadorias. Esse porto, com sua capela em louvor de Nossa Senhora Estrela dos Mares, está hoje em ruínas, mas ainda pode ser visitado. Ele foi o início da variante do Caminho Novo, por onde os tropeiros subiam a Serra do Mar, atravessando a exuberante encosta da nossa Serra Velha. Chegando ao alto, a Variante de Proença seguia em direção à área onde hoje está situada a Estação de Transbordo Imperatriz Leopoldina, passando pela fazenda do Córrego Seco, onde, mais tarde, surgiria Petrópolis.

Dali os tropeiros tomavam a atual rua Silva Jardim até o Quissamã. Para chegar a Corrêas, os viajantes percorriam um trecho que até hoje tem o nome de Estrada Mineira. Vinha depois Pedro do Rio, Secretário, Sebollas, até encontrar o Caminho Novo de Garcia Rodrigues Paes em Paraíba do Sul, prosseguindo, então, até a região das minas de ouro. Em Barbacena, também há hoje um bairro com o nome de Caminho Novo e uma rua Caminho Novo, sobre os antigos trechos da histórica trilha.

A colonização do território dos municípios de Nova Friburgo e Cantagalo data do reinado de D. João VI, que autorizou, em 1818, a vinda de 100 famílias do Cantão de Friburgo (Suíça) para a região. Os colonos se instalaram na área da Fazenda do Morro Queimado, no Distrito de Cantagalo, localidade de clima e características naturais idênticas às de seu país de origem.

Segundo o Registro de Paraíba do Sul, em 1824, a cada dia, indo e vindo, passavam em média pelo Caminho Novo 153 mulas dos tropeiros e 77 pessoas. Por ela também passaram os importantes viajantes-naturalistas dos anos 1800 como Spitz, von Martius, Saint Hilaire, Walsh, Freireys e muitos outros que, como o Barão de Langsdorff, queriam conhecer as riquezas do novo país para informar as possibilidades de exploração aos seus governos. 

Muitos desses caminhos eram antigas trilhas e veredas abertas.

Fonte: Instituto Histórico de Petrópolis. Jeronymo Ferreira Alves Netto.

PESQUISA: @brasilis_regnum (A terra de Santa Cruz)

segunda-feira, março 03, 2025

'Ainda Estou Aqui' ganha Oscar de Melhor Filme Internacional: a trajetória da produção que leva primeiro prêmio para o Brasil

Walter Salles e Fernanda Torres compareceram à cerimônia do Oscar

O filme Ainda Estou Aqui, do diretor Walter Salles, venceu o Oscar de Melhor Filme Internacional de 2025, segundo decidiu a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas neste domingo (2/3), que deu a estatueta à produção brasileira (leia aqui todos os vencedores).

"Esse filme vai para uma mulher que, após uma perda enorme por um regime autoritário, decidiu não se render: Eunice Paiva", discursou Salles, que dedicou o prêmio às duas atrizes que encarnam a viúva na produção: Fernanda Torres e a mãe dela, Fernanda Montenegro.

É a primeira vez que uma obra do Brasil ganha o prêmio, dado nesta categoria aos longa-metragens produzidos fora dos Estados Unidos e com diálogos predominantemente em uma língua diferente do inglês.

Em 1960, o filme Orfeu Negro venceu na categoria de Melhor Filme Internacional (então "filme estrangeiro"). Mas, apesar de ter sido filmado no Brasil, falado em português e com atores brasileiros, a produção garantiu um Oscar à França, país do diretor Marcel Camus.

O país também tinha chegado perto da estatueta nessa categoria com O Pagador de Promessas (1963), O quatrilho (1996), O que é isso companheiro? (1998) e Central do Brasil (1999), todos indicados.

Cidade de Deus (2004) também concorreu ao prêmio e a outras quatro categorias: Melhor Direção, Melhor Edição, Melhor Fotografia e Melhor Roteiro Adaptado, mas não levou nenhum.

Portanto, a conquista de Ainda Estou Aqui é histórica.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comemorou o prêmio em suas redes sociais: "Hoje é o dia de sentir ainda mais orgulho de ser brasileiro. Orgulho do nosso cinema, dos nossos artistas e, principalmente, orgulho da nossa democracia."

"(...) É o reconhecimento do trabalho de Walter Salles e toda equipe, de Fernanda Torres e Fernanda Montenegro, Selton Mello, do Marcelo Rubens Paiva e família e todos os envolvidos nessa extraordinária obra que mostrou ao Brasil e ao mundo a importância da luta contra o autoritarismo", continuou.

O longa brasileiro foi a primeira produção do país a ser indicada ao Oscar de Melhor Filme, que inclui as produções americanas. Mas o grande vencedor da noite foi o filme Anora.

Além disso, Fernanda Torres concorreu como melhor atriz por seu papel em Ainda Estou Aqui, mas perdeu a estatueta para Mikey Madison, que levou por Anora.

O Oscar de Melhor Filme Internacional coroa uma trajetória internacional bem sucedida do longa de Walter Salles, que recebeu elogios na crítica especializada internacional e, só nos EUA, chegou a ser exibido em mais de 700 salas.

Antes do Oscar, o longa também recebeu uma série de prêmios: Globo de Ouro, Goya, Festival de Veneza e Festival Internacional de Roterdã.

Para o diretor Walter Salles, a produção mobilizou tanta gente por ser uma história sobre resistência — em um contexto de fragilidade da democracia em todo o mundo.

Ainda Estou Aqui é baseado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva e traz como protagonista Eunice Paiva (Fernanda Torres), mulher que precisou lidar com o sequestro e o assassinato de seu marido — o ex-deputado Rubens Paiva — na ditadura militar (1964-1985).

O casal tinha cinco filhos — um deles, Marcelo.

O filme traz a incansável busca de Eunice por justiça por seu marido e sua família, o que a transformou em um símbolo de resistência contra a ditadura militar. Ao mesmo tempo, mostra como ela manteve firme a sua família.

"Eunice Paiva não se deixou vitimizar, enfrentou um regime autoritário acreditando nas instituições, arquitetou formas de resistência únicas. Sorriu quando lhe pediram para chorar. Escolheu a vida", disse Walter Salles em entrevista à BBC News Brasil, antes do Oscar acontecer.

Outra filha do casal, Eliana Paiva disse em entrevista à BBC News Brasil que é importante que as pessoas não percam a dimensão de que o filme também tem o objetivo de jogar luz sobre o período da ditadura militar, marcado por perseguição a militantes de esquerda, prática de tortura e desaparecimentos forçados como o do seu pai.

"A gente festeja um Oscar e está achando tudo muito bom em termos de denúncia, mas antes de qualquer coisa, é a denúncia de um assassinato brutal dentro de um quartel de Exército no Brasil. Do que a gente está tratando é de um assassinato", disse Eliane Paiva.

Filme brasileiro 'Ainda Estou Aqui'

Impulsionado pela crítica

Desde que filme brasileiro começou a ganhar tração internacionalmente com suas participações em festivais, críticos do mundo inteiro começaram a escrever sobre ele — na maior parte, de maneira elogiosa.

A produção atingiu 97% de aprovação dos críticos no Rotten Tomatoes, uma plataforma que agrega avaliações da imprensa especializada. O índice alto foi atingido com a média de 156 críticas em sites de cinema em todo o mundo.

O longa, por exemplo, entrou na lista dos melhores filmes de 2024 da BBC.

Para Caryn James, crítica de cinema da BBC, Ainda Estou Aqui era muito mais que "um azarão [na corrida do Oscar]".

"Por trás dessas [três] indicações [do filme ao Oscar] está uma mistura alquímica do pessoal, do político e do artístico. Poucos filmes retrataram os efeitos devastadores da política sobre os indivíduos de uma forma tão íntima, visceral ou oportuna, chegando em um momento em que a ascensão do autoritarismo se tornou uma preocupação global", diz James.

O jornal britânico The Times descreveu Ainda Estou Aqui como "um dos maiores filmes sobre maternidade", comparando-o a clássicos como Mildred Pierce e Room (Quarto, em português).

A crítica destaca a autenticidade do filme brasileiro e a transformação de Eunice, interpretada por Torres, cuja busca incansável por justiça e fechamento ao longo de quatro décadas impulsiona a narrativa.

Para Walter Salles, na entrevista à BBC News Brasil, "não é um filme que está sendo reconhecido, e sim toda a cinematografia brasileira."

"Esse filme, mais do que qualquer outro que dirigi, foi feito para oferecer um reflexo do Brasil em um momento complexo de sua história, para o público brasileiro. Esse é o propósito do filme. Depois vêm os prêmios que o filme pode vir a receber, ou não", disse o cineasta.

A crítica de cinema brasileira Isabela Boscov disse que Ainda Estou Aqui representa um novo fôlego para a indústria nacional de cinema.

Um papel semelhante ao que Central do Brasil — também dirigido por Walter Salles e estrelado por Fernanda Montenegro — desempenhou quando foi lançado, em 1998.

"Naquele momento, a retomada do cinema brasileiro era algo recente", disse Boscov.

"Walter Salles fez um filme sobre o terror político e social do período Collor, que foi Terra Estrangeira. Depois, Central do Brasil surgiu como uma possibilidade de um novo pacto social, de uma retomada da ética e da valorização do cinema", prossegue.

"Estamos passando por algo parecido agora, depois de um período em que a cultura foi muito massacrada no país."

Mas, claro, nem todos se encantaram tanto com o filme.

Peter Bradshaw, crítico britânico do The Guardian, escreveu que "o filme – na sua lealdade ao autocontrole da própria Eunice – ignora o horror e a raiva que certamente também devem estar presentes em algum lugar desta história.

"Os créditos finais, nos contando brevemente em que data Rubens foi assassinado, e também a data em que quatro agentes de segurança foram finalmente acusados, mas não condenados, são, retroativamente, desconcertantes. Há um mundo de drama e indignação nessas breves informações, mas isso nunca chega realmente ao filme", escreve Bradshaw.

Na opinião do jornalista e cinéfilo Saymon Nascimento, "críticas não existem para que você concorde com elas, mas para abrir horizontes".

Para ele, Ainda Estou Aqui restringe seu olhar sobre a ditadura militar à esfera familiar e ao luto de Eunice Paiva.

"O filme tem algum tipo de resistência a ser político de fato", argumenta.

Na Folha de S. Paulo, o crítico Inácio Araújo fez comentários semelhantes.

"Toda vez que o cinema de Walter Salles deriva para um tema ou personagem direta ou indiretamente político, sua delicadeza tende a levar esse tema para uma esfera curiosamente apolítica".

Eunice Paiva, personagem interpretada por Fernanda Torres, lutou para que a morte de seu marido fosse reconhecida pelo Estado brasileiro

Impacto sobre o debate da Lei da Anistia

Em meio às discussões sobre o filme e a época que ele retrata, o Supremo Tribunal Federal (STF) voltou a analisar ações que questionam a Lei de Anistia, que perdoou crimes cometidos na Ditadura Militar (1964-1985).

Após anos sem julgar o tema, a Corte decidiu em fevereiro dar repercussão geral a recursos que tentam destravar processos criminais contra acusados de matar opositores do regime, entre eles o deputado Rubens Paiva

Quando um caso recebe repercussão geral significa que a decisão do STF valerá para todos os processos semelhantes em andamento no país. A Corte, no entanto, ainda vai julgar o mérito desses recursos — ou seja, decidir se a Lei da Anistia deve ou não ser revista. E não há previsão de data para isso por enquanto.

Para juristas especialistas em Lei da Anistia ouvidos pela BBC News Brasil, a retomada do tema no STF foi impulsionada pelo filme.

"Com certeza. Estava tudo parado há anos", ressaltou à BBC News Brasil Sérgio Suiama, do Grupo de Trabalho Justiça de Transição do Ministério Público Federal (MPF).

Ele é um dos autores da denúncia criminal apresentada em 2014 contra cinco ex-integrantes do sistema de repressão da ditadura militar acusados de assassinato e ocultação do cadáver de Rubens Paiva. Depois disso, porém, três já morreram.

A denúncia foi aceita pela Justiça em primeira instância, e o Tribunal Regional da 2ª Região confirmou a abertura do processo. Entretanto, uma decisão do STF parou o andamento do caso ainda em 2014, por entender que violava a Lei da Anistia.

Depois disso, porém, o Brasil foi condenado duas vezes na Corte Interamericana de Direitos Humanos, que entendeu que a Lei da Anistia impede a investigação e a responsabilização de graves crimes contra a humanidade, sendo incompatível com a Convenção Americana sobre o tema.

As condenações internacionais deram fôlego a novos recursos no STF, mas a Corte passou a evitar a a questão. A demora é tal que três dos cinco militares acusados pelo crime de Rubens Paiva já morreram.

Já os defensores da Lei da Anistia, adotada em 1979, dizem que ela foi necessária para "pacificar" o país e abrir espaço para o fim do regime militar, que só acabou em 1985.

Eunice Paiva pede para os filhos sorrirem

Em paralelo, o Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), órgão do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, reabriu o caso em abril de 2024.

O objetivo é investigar e produzir mais evidências que comprovem o que aconteceu com Rubens Paiva.

Além do caso de Paiva, estão em análise tentativas de processar acusados pelas mortes de Mário Alves de Souza Vieira, dirigente do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), e de Helber José Gomes Goulart, militante da Aliança Libertadora Nacional (ALN).

Rubens Paiva foi eleito deputado federal pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) em 1962. Com a instalação do regime militar, em 10 de abril de 1964, seu mandato foi cassado, levando-o ao exílio na antiga Iugoslávia.

Após retornar ao Brasil em novembro do mesmo ano, Paiva estabeleceu-se com a família em São Paulo e, posteriormente, no Rio de Janeiro, em uma residência na Avenida Delfim Moreira, no bairro do Leblon, que é retratada no filme.

Paiva foi preso em 1971 e dado como desaparecido. Sua morte, confirmada só 40 anos mais tarde, segue até hoje sem que os culpados tenham sido responsabilizados.

Fonte de Consulta:

https://www.bbc.com/portuguese/articles/c1w009x22ndo

https://www.bbc.com/portuguese