11.5.07

A menor polícia do mundo

Ela nasceu no tempo do império, sob as bênçãos de dom Pedro II, com o prestígio do tamanho de sua responsabilidade: cuidar da riqueza do Brasil, transportada em trilhos de ferro. Foi a primeira corporação policial especializada do país. Hoje, 155 anos depois, ela ostenta outro título, com bem menos glamour: o de menor polícia do mundo. A privatização das ferrovias brasileiras, em 1996, atirou definitivamente a Polícia Ferroviária Federal (PFF) no esquecimento: poucos sabem que ela existe, apesar da previsão constitucional. O efetivo de 3,2 mil homens antes das concessões se reduziu a 780, para fiscalizar 26 mil quilômetros de trilhos, destinados ao transporte de carga. Em Minas, estado com a maior malha ferroviária, são 17 homens, mas apenas seis trabalham. Férias e licenças médicas desfalcam ainda mais a corporação.

Se existe um choque entre o passado glorioso da “Polícia dos Caminhos de Ferro”, como foi chamada em 1952, e a realidade, outras incoerências marcam a história da corporação. Legitimada pela Constituição, ela foi contemplada com um órgão administrativo – Departamento Nacional de Polícia Ferroviária Federal, ligado ao Ministério da Justiça. Em 1993, foram criados cargos em comissão para montar a estrutura da PFF e nomeado um diretor. Ele ocupou o cargo por sete anos, mas conseguiu a façanha de comandar apenas ele próprio neste período, pois o efetivo da polícia não foi transferido para o Ministério da Justiça. Seus comandados, depois das concessões das ferrovias, foram distribuídos para os ministérios dos Transporte e das Cidades. Hoje, parte deles fiscaliza o transporte de carga e outra, os trens de passageiros urbanos.

O tamanho do abandono a que foi atirada a Polícia Ferroviária pode ser traduzido nos mais diversos números. Desde 1996, com a desarticulação da corporação, já foram roubados 500 quilômetros de trilhos e dormentes, uma dilapidação no patrimônio da Rede Ferroviária Federal, hoje em liqüidação, estimados em R$ 12 bilhões. Além disso, pelo menos 10 mil quilômetros de ferrovias, não-privatizadas, estão abandonadas à própria sorte, com registro de várias invasões nas faixas de domínio. O último concurso para a corporação vai completar 18 anos e todo os seus agentes têm mais de 40 anos. No Rio, a falta de investimentos ainda é mais sentida. Sua frota de 33 carros é toda do longínquo ano de 1989. Eles descansam em um prédio da extinta rede ferroviária, porque estão sucateadas.

O policial Eduardo Coimbra, um dos cinco do efetivo de Minas Gerais na ativa, conta que a corporação foi criada por dom Pedro II para evitar que riquezas brasileiras, como o café e outras especiarias, fossem saqueadas ao longo das ferrovias. “Ele teve uma visão histórica porque, além de cuidar das riquezas do país, com a Polícia dos Caminhos de Ferro conseguia também evitar o transporte de cargas que não gerasse renda para a Coroa”, conta Coimbra. A Polícia Ferroviária foi criada em junho de 1852 e regulamentada pelo Decreto nº 1930, de 26 de abril de 1857. Cinco anos depois, em 1862, ela ganhou mais funções com a regulamentação de novo decreto pelo conselheiro do estado, senador do império, ministro e secretário de Estado dos Negócios de Agricultura, Comércio e Obras Públicas, Manoel Felizardo de Souza e Melo, com poderes ampliados.

A cada ano, a corporação era mais valorizada e, em 1963, com a criação da Rede Ferroviária Federal, a hoje Polícia Ferroviária recebeu novo nome “Polícia das Estradas de Ferro”. Dez anos mais tarde, o prestígio continua em alta e em 11 de dezembro de 1973, o policial vê seus poderes novamente ampliados. O efetivo policial das ferrovias poderia atuar também em casos de acidentes. “Se chegássemos no local primeiro, poderíamos autorizar, independente do exame do local, a imediata remoção das pessoas com lesões e também dos veículos, se estivessem prejudicando o tráfego ou no leito da via pública”, conta Coimbra. A Constituição de 1988 também parecia ser a confirmação da força policial especial. Entretanto, passados 19 anos, as letras do documento mais importante do país, aguardam regulamentação, enquanto definha o efetivo policial dos trilhos.

Os reveses vividos pela “polícia do império” pode ser retratado também pelos inúmeros decretos e leis editados no país desde a sua criação. São quase duas dezenas deles desde 1862, quando foi criada. Ao longo de 155 anos, a Polícia Ferroviária recebeu também diversos nomes. Ela foi criada com o pomposo título de Polícia dos Caminhos de Ferro, se transformou em Polícia das Estradas de Ferro e, no período de 1945 a 1988, os seus homens viram suas funções receber diversas nomenclaturas como de guarda civil ferroviário, investigador ferroviário, guarda ferroviário, agente de segurança, agente especial de segurança e finalmente agente de segurança ferroviária.

Fonte: Estado de Minas e Revista Ferroviária, 14/01/2007.

COMENTÁRIO: ENQUANTO A VIOLÊNCIA ANDA SOLTA PELO PAÍS, A POLÍCIA FERROVIÁRIA É CADA VEZ MAIS DESPRESTIGIADA. É LAMENTÁVEL!

8 comentários:

Rafael disse...

Muito interessante o artigo. Só uma coisa: já vi pesquisas que indicam que o número de policiais ferroviários existentes no país é da ordem de 750 agentes, e não 1.300 como afirma a reportagem.

Abraços.

Anônimo disse...

GRAÇAS À DEUS ISTO ESTÁ MUDANDO DE DIREÇÃO, DIGO ISSO COM A FÉ QUE DEUS ME DEU, BREVEMENTE VEREMOS UMA POLÍCIA DE FATO E DE DIREITO, ATUANDO, NOSSAS CONQUISTAS SERÃO MANIFESTADAS EM TODAS AS DIREÇÕES, ATRAVÉZ DO NOSSO TRABALHO, DEUS QUE É O NOSSO TIMONEIRO NÃO DEIXARÁ QUE O BARCO AFUNDE, COISA QUE UNS E OUTROS ESTÃO DESEJANDO A MUITO TEMPO, É PROMESA DELE EM NOSSAS VIDAS, E NADA NEM NIMGUÉM PODERÁ IMPEDIR O SEU AGIR, VOCÊS QUE ESTÃO COM ESTE TIPO DE PENSAMENTO, QUERENDO VER TUDO DAR ERRADO, TENHAM CUIDADO PARA NÃO SOFREREM AS CONSEQUÊNCIAS VINDAS DA PARTE DE DEUS, NIMGUÉM PODE IR CONTRA OS SEUS, É BATALHA PERDIDA E "NÓS SOMOS MAIS DO QUE VENCEDORES EM CRISTO JESUS".

Adinalzir Pereira disse...

Amém! E viva a Polícia Ferroviária!

Tiago disse...

Tiago...Meu tio serviu por dez anos a Policia Ferroviária, saiu em 1997 depois de ter sido absorvido pelo consorcio Sul Atlantico. Isso faz 10 ou mais anos. Ele e seus colegas aqui no Rio Grande do Sul ainda aguardão a resposta do governo para retornarem a ativa pois eles não padiram desligamento da RRFSA e sim pediram para sair do consorcio que assumiu e não cumpria com as suas obrigações.Assim como a união que por meio de uma privatização mal eleborada deixou sem resposta um grupo de funcionários treinados e concursados sem a minima satisfação.

Adinalzir Pereira disse...

Caro Tiago.

Valeu pela visita ao blog. Infelizmente no nosso país, ainda não são respeitados os direitos dos trabalhadores. É preciso urgente que toda a nossa sociedade continue lutando por eles.

Um grande abraço.

Anônimo disse...

É uma pena o descaso com esta Corporação. A Polícia Ferroviária Federal consta no "caput" do art. 144 da C.F. e ainda assim enfrenta dificuldades para exercer seus trabalhos. Eu luto para que minha Corporação - Guarda Civil - possa ser reconhecida neste mesmo artigo e passe a constar em seu "caput".
Força para seus integrantes.
Fiquem com Deus.

Anônimo disse...

GRAÇAS A DEUS A COISA ESTÁ MUDANDO DE FIGURA, ESTAMOS TENDO NOSSOS DIREITOS DEVOLVIDOS, AQUILO QUE O INIMIGO TOMOU,DEUS ESTÁ NOS DANDO DE VOLTA, NESTE DIA 31/04/2008 EM RECIFE NA INAUGURAÇÃO DE UMA ESTAÇÃO DO "METROREC", A NOSSA COMISSÃO ESTEVE LÁ E O PRESIDENTE "LULA" FOI PRESENTEADO COM O TROFÉU DE ANIVERSÁRIO DA NOSSA GLORIOSA POLÍCIA FERROVIÁRIA FEDERAL, NA OCASIÃO O AUGUSTO LIMA PRESIDENTE DA "APOLFFERNE" FEZ A ENTREGA, PEDIU AO PRESIDENTE PARA QUE AJUDASSE A AGILIZAR A NOSSA SITUAÇÃO, E NO MESMO MOMENTO ELE(LULA) PEGOU SEU TELEFONE E LIGOU PARA O MINISTRO DA JUSTIÇA "TARSO GENRO" E SOLICITOU A ELE A SOLUÇÃO DO PROBLEMA,DEPOIS DE 20 MINUTOS O MIN.TARSO GENRO RETORNOU A LIGAÇÃO AO AUGUSTO LIMA E LHE FALOU QUE A PORTARIA ESTARIA NO "DOU" DE 01/04/08, ESTÁ PORTARIA É COMPOSTA DOS MINISTÉRIOS DA JUSTIÇA E DO PLANEJAMENTO ORÇAMENTO E GESTÃO JUNTO COM O PESSOAL DA NOSSA COMISSÃO,COMO A NOSSA ESTRUTURA JÁ ESTÁ PRONTA O QUE MAIS FALTA ??? SÓ O LULA ASSINAR UM DECRETO OU UMA MEDIDA PROVISÓRIA QUE TEM UMA DURAÇÃO DE DEZ ANOS(MC).
BEM ACHO QUE FUI O MAIS CLARO POSSÍVEL, AGORA É SÓ ESPERAR E PRONTO.
AOS POLICIAIS FERROVIÁRIOS FEDERAIS DE TODO O BRASIL, DIGO SOMENTE QUE DEUS ESTÁ NO CONTROLE, E QUE A NOSSA GUERRA NESTA BATALHA É SÓ ORAR, FIQUEM COM DEUS.
EM TEMPO:::: A MENOR POLÍCIA DO MUNDO SERÁ A MAIOR E A MELHOR DO BRASIL.(A GLÓRIA DA SEGUNDA CASA SERÁ MAIOR QUE A DA PRIMEIRA)

JERBÁSIO CÂNDIDO DA SILVA-PFF EM NATL/RN

Anônimo disse...

adinalzir, parabens pelo comentario historico sobre a policia ferroviaria federal, uma vez que, tenho vergonha de ser advogado e policial ferroviario aposentado e saber que neste pais não se cumpri com a nossa CF. visto que não forão ainda transferidos os nossos colegas para o MJ, porque nossos governadtes não tem interresse em ver, uma policia honesta trabalhadora e cumpridora de suas obrigações e dando a vida pela nossa Mãe Patria.
Um abroço desse seu colega Carlos Afonso.

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