sexta-feira, janeiro 02, 2026

De Itaguaí a Santa Cruz: quando a literatura encontra a realidade

Pouca gente sabe, mas o bairro de Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, guarda uma curiosa ligação com a literatura brasileira. O Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) da região se chama Simão Bacamarte, nome do protagonista do conto “O Alienista”, de Machado de Assis.

Na famosa história, o Dr. Simão Bacamarte é um renomado médico e psiquiatra que, movido por um desejo científico de compreender a mente humana, funda em Itaguaí — cidade vizinha a Santa Cruz — um manicômio batizado de Casa Verde. É lá que ele interna pessoas consideradas “loucas” segundo seus próprios critérios, questionando os limites entre a razão e a loucura.

A coincidência vai além do nome: o prédio do CAPS Simão Bacamarte está pintado de verde, mesma cor da lendária Casa Verde criada pelo personagem no conto. Uma coincidência ou uma homenagem simbólica à obra de Machado de Assis? De qualquer forma, o fato mostra como a arte e a realidade se cruzam de maneira surpreendente, unindo Itaguaí, Santa Cruz e a literatura brasileira em uma mesma história.

Trecho de “O Alienista”, de Machado de Assis:

“Foi então que Simão Bacamarte resolveu fundar, à sua custa, uma casa de orates. Obteve da câmara de Itaguaí licença necessária, e edificou a casa na Rua Nova, com o nome de Casa Verde, por estar pintada dessa cor. Nela recolheu não só os loucos propriamente ditos, como todos os que, a seu juízo, padeciam de alguma moléstia mental.”

(Machado de Assis — O Alienista, publicado originalmente em 1882)

Foto principal: @valerialero

Cortesia: @descubrasantacruzrj 

Repostado do @acervosantacruz

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