quinta-feira, abril 25, 2019

Inhoayba - Palavra Indígena



"Apoz investigações, descobrimos que Inhoayba é uma velha palavra indígena que significa Campo Ruim. Ouvimos dizer que, muitas vezes, pessoas supersticiosas usam certas manhas para empannar a verdadeira significação de uma cousa. Com certeza foi esse o caso que se deu quando escolheram o nome de Inhoayba para esta esplêndida e fértil localidade. A significação inesperada desta palavra foi apenas uma das muitas surprezas que se nos depararam naquelle belíssimo dia em que tivemos o privilégio de visitar Inhoayba.

Nossa primeira surpreza foi logo ao comprarmos os nossos bilhetes na estação D. Pedro II, no Rio de Janeiro. A passagem de ida e volta custa apenas 1$500. Imagine-se viajar tres horas de trem por 1$500. É uma viagem de hora e meia da Capital Federal até Inhoayba. Cada 40 minutos parte do Rio um trem da Estrada de Ferro Central do Brasil que passa por Inhoayba. Há actualmente 54 trens diários para essa estação.

A manhã linda e fresca muito contribuiu para aumentar o encanto do passeio. Iamos nos deleitando com a admirável paisagem que se ia descortinando ante os nossos olhos. Ficamos extasiadas quando desembarcamos em Inhoayba. Panorama admirável: o céu azul, sem nuvens, as casinhas todas muito bem tratadas, milhares de laranjeiras, uma óptima estrada de rodagem cortando a fazenda, e a cadeia de montanhas que se divisava ao longe. Tudo ultrapassava a nossa expectativa. Informaram-nos que, a 12 de dezembro de 1930, haviam sido legalizados os papéis conferindo o título de posse desta esplendida fazenda à Egreja Methodista do Brasil, compromettendo-se a Egreja a fundar ahi um orphanato. A fazenda abrange 86 alqueires de terra fértil, e é cortada pela Estrada Real de Santa Cruz, óptima estrada de rodagem, que liga a Capital Federal à Capital Paulista. Esta zona é bem servida de água, luz, força e telephone. A propriedade foi avaliada em mais de 1000000$000 (mil contos de réis). Afinal de contas, não podemos dizer que é um Campo Ruim."

* Algumas palavras utilizadas representam o vocabulário da época. Não representam a forma moderna de escrita.

Observações do Editor:

A Fazenda de Inhoaíba era atravessada pela Estrada Real de Santa Cruz, atual Avenida Cesário de Melo e ficava em frente à Fazenda Campinho. Com a implantação do ramal ferroviário de Mangaratiba, atual ramal de Santa Cruz, foi inaugurado em 1912, a estação Engenheiro Trindade, chamada posteriormente de Inhoaíba, que consolidou o nome do bairro. Suas terras eram utilizadas para a lavoura do café e da laranja. A partir dos anos 1970, a urbanização da área se intensificou, e surgiram grandes loteamentos, como o Vilar Carioca e o Vilar Guanabara. Em 1993, o prefeito Cesar Maia emancipou Inhoaíba como um bairro autônomo de Santa Cruz, porém o mesmo não se tornou um alvo dos seus projetos: Favela-Bairro e Rio-Cidade.



A história da origem do nome é controversa, pois, se era um campo ruim não poderia ser utilizado para a plantação. Diz a lenda que este nome teve origem na época das grandes fazendas de escravos e a fazenda pertencia ao Sr. Aníbal, mas os escravos o chamava de Sinhô Aníbal ou "Inho Aniba", dando origem ao nome Inhoaíba. O nome é uma corruptela de NHU (campo), AHYBA (ruim), denominação dada pelos indígenas à baixada entre a serra de mesmo nome e a região de Campo Grande.

Durante o ano de 1826, onze marcos imperiais foram colocados ao longo da Estrada Real de Santa Cruz, inclusive em trechos da atual avenida Cesário de Melo. O de Paciência, chamado de Marco X, feito em cantaria, nome que se dá à pedra talhada, cortada e lavrada, permanece até hoje no mesmo lugar. Na altura do número 11.400, perto da entrada do conjunto Cesarinho. Atualmente, só existem cinco remanescentes desses marcos: os de número VI (localizado em Bangu), o VII (entre Santíssimo e Senador Camará), o IX (em Inhoaíba), o X (em Paciência) e o XI (em Santa Cruz, em frente à loja das Casas Bahia, na Avenida Felipe Cardoso).

No dia 19 de maio de 2017, realizou-se o I Passeio de Reconhecimento Histórico em Inhoaíba. A Camempa (Casa da Memória Paciente) deu todo o apoio técnico à realização da ação. Na oportunidade foi entregue uma cópia impressa da história do bairro a todas as pessoas que dele participaram.

Clique aqui e saiba mais sobre o Instituto Ana Gonzaga e o futuro destino da Fazenda

Fontes:
Revista Metodista Voz Missionária. Out/Nov/Dez, 1931,  nº 4. Acervo: Denize Ornelas.
http://ogritocampograndezoeste.blogspot.com/2015/03/historia-do-seu-bairro-hoje-inhoaiba.html Acesso em 25/04/2019.

Texto editado e postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego.

4 comentários:

Carlos Eduardo de Souza disse...

Muito bom o post. Como sempre, muitas curiosidades sobre nossa região. Um grande abraço.

Adinalzir disse...

Valeu Carlos Eduardo de Souza!
Fico sempre muito grato com sua visita e comentário.
Um abração!

Valuzio Veiga disse...

Um registro muito interessante!
Parabéns!

Adinalzir disse...

Prezado Valuzio Veiga
Que bom que você gostou!
Agradeço pela visita e volte sempre.