3.8.18

A Fazenda de José Maria Rôllas e a origem dessa comunidade carioca



Conforme a imagem, segue a reportagem do Jornal do Brasil de 07/05/1967.

Mais de 300 já invadiram uma fazenda arruinada em Santa Cruz

Mais de 300 pessoas, entre lavradores, desempregados, flagelados, trabalhadores pobres e uma minoria que possui algum recurso financeiro, já invadiram a fazenda de propriedade do português José Maria Rôlas, em Santa Cruz, organizando loteamentos e lavouras por conta própria. Algumas famílias farão colheitas dentro dos próximos 50 dias.

Segundo alguns moradores da região, a fazenda do Sr. José Maria Rôlas está em estado de semi-abandono há mais de 10 anos, não havendo nela nenhuma espécie de cultivo, nem demarcações de limites. Isso e o boato de que as terras pertencem à União foram os principais motivos da invasão.

Invasões

Os primeiros invasores surgiram há mais de seis meses, segundo o vigia da fazenda, Sr. Nabor João Braga, contratado pelo Sr. José Maria Rôlas há pouco mais de uma semana, quando o processo de invasão se intensificou mais.

Nos últimos dias mais de 50 pessoas surgiram na fazenda, organizando loteamentos por conta própria e iniciando a construção de barracos, fincando ao longo das faixas escolhidas, varas ligadas entre si, por fios de barbantes ou arames como ponto de demarcação.

O vigia da Fazenda disse ao JORNAL DO BRASIL que vem tentando convencer os invasores a abandonar as terras, sem que obtenha resultados, mesmo quando adverte que a Polícia poderá interferir a favor do proprietário. A casa da fazenda, que há anos não é habitada, está em ruínas.

Segundo se soube, o Sr. José Maria Rôlas obteve as terras em Santa Cruz em maio de 1928 do diretor de Patrimônio Nacional, por aforamento. A extinta SUPRA, entretanto por concessão da própria União, obteve há alguns anos direitos sobre as terras, tendo o senhor José Maria Rôlas iniciado o processo na 2ª Vara da Fazenda Federal, recorrendo contra a medida.

A existência de tal processo em andamento com a extinção da SUPRA e sua substituição pelo IBRA, teria originado o boato de que as terras não tem dono e, consequentemente, provocado a invasão. Um antigo morador de Santa Cruz afirmou que nessa invasão estaria o próprio Sr. Rôlas. O mesmo revelou que ele teria aderido à causa porque queria com isso fazer com que o IBRA desapropriasse suas terras, independente do processo existente na 2ª Vara da Fazenda Federal.

O vigia Nabor João Braga desmentiu indiretamente a hipótese, ao revelar que tem ordens do proprietário das terras para inclusive derrubar barracos e usar da violência, caso haja resistência por parte dos invasores.

Por outro lado, o Sr Antonio Coelho, ex-vigia do da fazenda do senhor José Maria Rôlas, revelou “ter aderido à causa dos invasores por chegar a conclusão de que é injusto o proprietário não cultivá-las ou conservá-las, apenas para usufruir de sua valorização”.

O ex-vigia que foi contratado logo que surgiram, há seis meses os primeiros invasores, continua morando num dos cômodos da casa grande da fazenda, porque segundo declarou, “não recebeu na íntegra os vencimentos a que teria direito.

Aceitei ser vigia mediante a promessa de que receberia mensalmente um salário e meio, além de um jipe para percorrer as terras e impedir com mais segurança sua invasão. Mas o Sr. José Maria Rôlas só me pagou NCr$ 90,00 e me deu o veículo. Entrei com recurso na Justiça e só sairei daqui quando receber o que tenho direito.

Entre os invasores está o lavrador Manuel Dutra de Sousa que há seis meses foi para lá, demarcou de modo rude um trecho das terras, plantou lavouras de milho, feijão, organizou hortas e em breve fará a sua primeira colheita.

Cheguei aqui por acaso, sem nenhuma outra intenção senão a de encontrar, entre a vegetação aqui existente, um arbusto cujas folhas fervidas servem como medicamento contra febre e outros males.

Quando procurava o arbusto, o Sr. Manuel Dutra se encontrou com diversas famílias que roçavam uma capoeira, e, ao perguntar porque trabalhavam ali, recebeu a resposta que, “pertencendo a União, aquelas terras podiam ser cultivadas por qualquer um”. (continua)


Pesquisa e Texto: Antigo Santa Cruz

Postado por Adinalzir Pereira Lamego

2 comentários:

Ramiro Marques disse...

Relembrando Santa Cruz dos velhos tempos.

Prof. Adinalzir disse...

Valeu Ramiro Marques
Muito grato pelo comentário.
Volte sempre!

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