22.8.17

Sepetiba em 1827, numa aquarela de Jean-Baptiste Debret



No panorama da imagem, temos uma visão da Baía de Sepetiba, da Serra da Coroa Grande e de Itacuruçá, e também da pequena vila dos pescadores, no canto direito. Temos também uma vista da ilha da Pescaria, e atualmente encontramos junto ao continente, duas ilhas e um pontal'.

História.

O nome Sepetiba, tem origem na língua tupi 'çape-tyba ou çape-tyva', significando "muito sapê".

As praias de Sepetiba serviam como porto colonial para exportação de pau-brasil a Europa. Seu principais acessos eram o caminho de Sepetiba (atual estrada de Sepetiba), que levava à Santa Cruz, e o caminho de Piahy (atual estrada do Piaí), que ligava o bairro à Pedra de Guaratiba. A partir de 1589, era parte da Fazenda de Santa Cruz dos Jesuítas, até o ano da expulsão dos padres da companhia de Jesus, em 1759. Logo em seguida, as terras passaram a fazer parte da Coroa Portuguesa (Fazenda Real de Santa Cruz) e o restante dos terrenos começaram a serem vendidos para novos sesmeiros. Em 1800, a paragem de Sepetiba era conhecida como 'Fazenda do Piahy', plantava cana de açúcar, e era resultado do desmembramento da grande Fazenda dos Jesuítas.

Ao decorrer do século XIX, Sepetiba passou a ser frequentada no verão pela Família Real, que utilizava a propriedade para o lazer da elite, como touradas, saraus e danças portuguesas. Com a implantação da “Companhia Ferro Carril”, em 1884, o bonde de tração animal passou a transportar a “mala real” até o cais de Sepetiba, além de cargas e passageiros.

A luz elétrica chega a Sepetiba em 1949 e, de lá para cá, Sepetiba se expande. Muitos loteamentos foram ocupando as áreas próximas à estrada do Piai, a praça Oscar Rossin foi urbanizada e foi aberto o canal na Rua Santa Ursulina para escoar terrenos alagadiços. Na década de 1960, surge o loteamento “Vila Balneário Globo” e, recentemente, em meio à grande polêmica, destaca-se a implantação, ao longo da estrada de Sepetiba, do grande conjunto Nova Sepetiba, construído em 1999 pelo governo do estado para a população de baixa renda.

Recentemente em 2011, foi feito um aterro na praia de Sepetiba na tentativa de recuperar o balneário, pois o esgoto e o excesso de lodo, acabou afastando os frequentadores. E mesmo assim Sepetiba e sua população ainda continuam esquecidas pelo poder público.

Pesquisa de Adinalzir Pereira Lamego.        

Bibliografia Básica:
FREITAS, Benedicto. O Matadouro de Santa Cruz. Cem anos a serviço de uma comunidade. Folha Carioca Editora, Rio de Janeiro, 1977.
FREITAS, Benedicto. Santa Cruz, Fazenda Jesuítica, Real e Imperial, Volume I, Era Jesuítica 1567-1759. Asa Artes Gráficas, Rio de Janeiro/ 1985.
FREITAS, Benedicto. Santa Cruz, Fazenda Jesuítica, Real e Imperial, Volume II, Vice-Reís e Reinado 1760-1821. Asa Artes Gráficas, Rio de Janeiro, 1987.
FREITAS, Benedicto. Santa Cruz, Fazenda Jesuítica, Real e Imperial, Volume IIl, Impérío 1822-1889. Folha Carioca Editora, Rio de Janeiro, 1987.
MANSUR, André Luís. O Velho Oeste Carioca: História da ocupação da Zona Oeste do Rio de Janeiro (de Deodoro a Sepetiba), do século XVI ao XXI. Editora Ibis Libris: Rio de Janeiro, 2008.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Sepetiba
https://www.facebook.com/EspecialRioAntigo/
Imagem do Professor Sinvaldo Souza. Edição de Foto Cleydson Garcia.

2 comentários:

Anônimo disse...

A sua análise foi perfeita e sua conclusão ainda mais brilhante, uma pena que Sepetiba tenha sido tão maltratada pelo poder público.
Sepetiba era a grande praia da Zona Oeste pobre frequentada nos anos 50 e 60 por jogadores de futebol em busca de sossego e políticos.
Cronistas esportivos como Afonso Soares e Whashington Rodrigues foram ilustres moradores da região.
Sensacional Adinalzir.

Prof. Adinalzir disse...

Fico muito honrado com sua visita e comentário muito importante para o conhecimento da história dos bairros da Zona Oeste carioca. Visite sempre esse humilde espaço.
Abraço e uma boa noite!

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