quarta-feira, maio 13, 2026

A história de Juliano Moreira

A história de Juliano Moreira. Um médico e pesquisador negro que revoluciou o tratamento a pacientes com transtornos mentais no Brasil, embasado na ciência, e principalmente, na humanidade.

Juliano Moreira, é considerado o patrono e um revolucionário da psiquiatria e psicanálise no Brasil.

Nascido em Salvador (BA), no dia 6 de janeiro de 1873, Juliano Moreira teve uma infância bem pobre. Sua mãe trabalhava na casa de uma família aristocrata. Juliano Moreira ingressou na faculdade de medicina cedo, aos 14 anos, com a ajuda e incentivo do médico e Barão de Itapoã, onde provavelmente sua mãe trabalhava. Cercado pela ciência e livros, foi o incentivo que lhe faltava. Depois de formado, trabalhou na Universidade Federal da Bahia, e em 1903, assumiu a direção do Hospício Nacional de Alienados, no Rio de Janeiro por mais duas décadas. Lá, ele aboliu o uso de camisas de força, eletrochoques, a prática da lobotomia e retirou grades de todas as janelas, procurando sempre humanizar seu tratamento. Juliano Moreira, também participou de inúmeros pesquisas e estudos na área, desenvolvendo teses de suma importância até hoje.

Em meados da década de 20-30 do século passado, em Jacarepaguá, foi construído na área onde havia um engenho de cana de açúcar, as edificações do Núcleo Histórico da Colônia Juliano Moreira (até então denominada Colônia de Psicopatas de Jacarepaguá). Ao longo de sua história, mais de 5.000 internos passaram pelos seus inúmeros hospitais e pavilhões ali construídos.

Juliano Moreira, morreu em 2 de maio de 1933, em Petrópolis, depois de ser internado para tratamento de tuberculose. Naquela ocasião inúmeras homenagens póstumas foram realizadas em seu nome.



Pintura em Grafite feita por @negromuro No Instituto Phillipe Pinel, no Bairro de Botafogo.  Créditos pela Pesquisa: @historio.photos

Um comentário:

RODRIGO PHANARDZIS ANCORA DA LUZ disse...

Excelente resgate histórico. A trajetória de Juliano Moreira talvez revele uma das figuras mais importantes — e ainda insuficientemente conhecidas — da história da medicina brasileira. Em uma sociedade recém-saída da escravidão, um intelectual negro alcançar projeção nacional na psiquiatria já era algo extraordinário. Mais do que isso, sua atuação ajudou a introduzir uma visão mais humanizada do tratamento psiquiátrico, além de representar importante enfrentamento ao chamado racismo científico tão difundido no final do século XIX e início do XX. A memória de Juliano Moreira ultrapassa a medicina: ela dialoga diretamente com dignidade humana, ciência, cidadania e civilização