Milhares de pessoas reunidas diante de uma artista que há décadas ocupa um lugar singular: Shakira não é apenas pop — é narrativa.
Uma mulher que atravessou exposição pública intensa, vida pessoal transformada em espetáculo, julgamentos constantes — e que respondeu como pôde: com música, presença e permanência. Após mais de 10 anos juntos, Shakira e o jogador Gerard Piqué se separaram. O tema virou fenômeno midiático global, com enorme exposição da vida pessoal dela. Ela respondeu artisticamente, com músicas de grande repercussão
Shakira foi acusada de fraude fiscal pelo governo espanhol. Em 2023, ela fechou acordo com a Justiça, evitando julgamento. Pagou multa elevada e regularizou a situação. Esse episódio reforçou a pressão publica a exposição de sua vida fora da música
Nos últimos anos, Shakira: voltou com força à música e aos palcos; construiu uma narrativa de independência, recomeço e afirmação; passou a ser vista como uma artista que transforma crise em linguagem No Rio, não houve apenas performance. Houve mesmo identificação.
Porque o que se vê ali não é apenas uma cantora internacional. É uma figura que encarna algo muito contemporâneo: a disputa de uma mulher por autonomia em meio à superexposição. Um lugar em que as mulheres não precisam chorar sempre, como foi o nome de seu show, e não precisam ser apenas vítimas
Em tempos de redes, crises pessoais viram entretenimento. Mas também podem virar linguagem. E talvez seja essa a mensagem — mesmo quando não dita como discurso: continuar, apesar de tudo, já é uma forma de resposta.
E uma mulher ocupar o espaço público, com o próprio corpo e a própria voz, também é. Foi lindo o show ontem — com tantas figuras brasileiras queridas — e a mensagem também.
Texto de Lilia Schwarcz - @liliaschwarcz
Historiadora e antropóloga brasileira.

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