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sexta-feira, abril 10, 2026

Cordovil: o nascer de um bairro

A família Cordovil chega ao Brasil no início dos anos 1700 e logo se estabelece na Fazenda Real, que foi cedida por Sua Majestade, o Rei de Portugal, pelos serviços realizados no reino. Bartolomeu de Siqueira Cordovil, o primeiro dono da fazenda, logo após sua chegada, casa-se na Capela de Irajá, em 1707, com a filha do dono do Engenho de Irajá, a senhorita Margarida Pimenta de Mello. Bartolomeu, entre outros cargos, foi secretário do Governo da Capitania do Rio de Janeiro (assumiu em 20 de janeiro de 1705), cargo concedido apenas a homens de confiança. Faleceu em 3 de janeiro de 1738, deixando como herança as terras para o filho Francisco Cordovil de Siqueira e Mello, que substituiu o pai nos negócios.

Toda a sua descendência teve importância ímpar, não apenas para a história do Rio de Janeiro, mas também para a do Brasil. Sempre que folheamos os anais da Colônia e do Império, vemos o sobrenome Cordovil, como, por exemplo, o Major Wenceslau Cordovil de Siqueira e Mello, que exerceu várias funções, destacando-se como Juiz de Paz e Presidente do Colégio Eleitoral para a eleição de deputados. Outro grande nome foi o Almirante Joaquim Antônio Cordovil Maurity, considerado um herói na Guerra do Paraguai. Foi o aluno número um de sua turma na Escola Naval, participou ativamente da guerra, foi homem de confiança tanto no Império quanto na República e representou o Brasil no exterior em várias missões. O Visconde de Ouro Preto, em sua obra A Marinha de Outrora, fez uma citação ao ato de bravura de Maurity. D. Pedro II também prestou homenagem ao militar por sua dedicação ao Império.

Mas o chamado progresso, disfarçado de capitalismo, chega com força ao Rio de Janeiro. Após o Golpe de 1889, a cidade passa a experimentar uma grande evolução urbana. Locais até então considerados zonas rurais vão, aos poucos, sendo incorporados à cidade, iniciando-se um processo de urbanização que traria muitas pessoas para regiões inóspitas. Quando falamos de bairros como Cordovil, Brás de Pina, entre outros, devemos atribuir seu surgimento principalmente aos trens, pois a necessidade de lotear esses terrenos era urgente. O processo urbano da cidade, influenciado pelo capitalismo, determinou que o pobre não deveria ocupar o centro nem os bairros emergentes. Para que a cidade evoluísse, era necessário realizar uma urbanização que afastasse o pobre de seu local de trabalho, já que, com a nova visão de cidade, o custo de vida no centro seria muito mais alto. A estrutura do espaço urbano tem muito a ver com os conflitos entre classes, a luta pelo domínio territorial e a elitização de determinadas zonas em detrimento de outras.

Como o governo recém-instaurado apoiava os planos das elites, criou-se o ambiente perfeito para a separação social definitiva.

Esse novo padrão de cidade divide o território entre núcleo e periferia, sendo que o núcleo concentra as funções centrais (econômicas, administrativas, financeiras, políticas e culturais), enquanto a periferia abriga, majoritariamente, as famílias de classe média baixa. Foi nessa conjuntura que a família Cordovil viu a oportunidade de obter lucro vendendo definitivamente suas terras ao Visconde de Moraes (1848–1931).

Esse trecho foi retirado do Diário Oficial da compra das terras pelo Visconde de Moraes, responsável pelo loteamento do bairro. Contudo, registros do século XVIII mostram que a família Cordovil já havia colocado terras à venda, e possivelmente os primeiros moradores do bairro chegaram por volta de 1840.

Oficialmente, o bairro nasceu em 5 de outubro de 1910, devido à Lei nº 989/2002, de autoria da vereadora Rosa Fernandes. Porém, o livro de Waldir Fontoura mostra que já existia um local onde o trem parava para descarregar e embarcar produtos. Essa primitiva estação ficava na direção da Rua Cordovil, que, além de servir ao transporte de produtos agrícolas, também era utilizada para o escoamento de materiais destinados à construção de estruturas de captação de água dos mananciais de Tinguá e Xerém.

O trem foi o principal responsável pela transformação das antigas freguesias, até então exclusivamente rurais, em bairros em crescimento. As áreas abertas ao redor da linha férrea destinavam-se, sobretudo, aos mais pobres, que se deslocavam em massa. Para atender todas as classes, as locomotivas eram divididas em primeira, segunda e terceira classes.

Ao analisar periódicos da época, foi possível encontrar uma reportagem de 1836 que descreve as características da região, onde um local estava sendo colocado à venda para quem se interessasse. Essa área corresponde hoje às ruas Amaetinga e Aricambu, locais que ofereciam uma bela visão do mar (quando ele ainda existia, é claro).

O que quero apontar é que os primeiros moradores do bairro eram, em sua grande maioria, de origem pobre, embora exista um contraponto a essa hipótese. Brasil Gerson, em seu livro Ruas do Rio, aponta a presença de um grupo de portugueses com bom poder aquisitivo morando no bairro, o que leva a duas possibilidades: ou eram comerciantes em busca de oportunidades de crescimento, ou eram pessoas com melhores condições financeiras que escolheram o bairro para fugir da alta carga tributária da República. Uma família que até hoje habita a região é a família Bonavita, que, em 1930, era proprietária de uma olaria localizada na Estrada do Porto Velho, sendo de origem portuguesa.

“A periferia imediata é, principalmente, o local de residência da classe baixa” (ABREU, 2013, p. 25). O que sustenta a afirmação de que o bairro era majoritariamente formado por pessoas pobres são as propagandas de venda de terrenos. O periódico A Noite noticiou, em 14 de abril de 1913, a venda de terrenos no bairro. Ainda no mesmo ano, O Malho também anunciou vendas, com preços de 300$ réis, 8$500 réis e 5$700 réis. Em comparação, outro bairro que se formava na mesma época, mas sem acesso ao trem, apresentava valores muito superiores. Em Copacabana, que então era um local deserto e ocupado por pescadores, os primeiros terrenos foram vendidos por valores entre 3.000$ e 4.000$ réis. Em uma época em que os trabalhadores não tinham condições de vida dignas e sofriam a pressão da elite e do governo para serem afastados dos núcleos financeiros, os preços desses bairros tornaram-se atrativos para iniciar ou recomeçar a vida. Isso ocorreu especialmente devido às reformas urbanas promovidas pelo governo republicano, representado pelo prefeito Pereira Passos, que transformou o núcleo da cidade e expulsou a população mais desfavorecida de suas moradias.

A taxa de crescimento dos bairros que englobavam a freguesia de Irajá, entre os anos de 1890 e 1906, foi de 109%. Em 1890, a estimativa populacional da freguesia era de 13.130 pessoas; em 1906, esse número passou para 27.410. Essa população concentrou-se principalmente nas regiões próximas à linha férrea, sendo, em sua maioria, composta por pessoas de baixa renda.

Partes desta pesquisa deram origem a um TCC muito elogiado.

Foto: cedida por Tiago Bandeira.

Repostado do perfil do facebook Paulo Jorge.

segunda-feira, julho 21, 2025

Você sabia que no bairro de Campo Grande já teve um Cine Drive In?

E que esse Cine Drive In chegou a funcionar na década de 1980? Aparentemente hoje em dia ele funciona como estacionamento. Ficava localizado na esquina da Rua Campo Grande com a Rua Lucília. Bem próximo da FEUC. Sendo considerado uma grande novidade naquela época. Na história o primeiro modelo de cinema drive-in era conhecido como Park-In Theater e surgiu nos Estados Unidos em 1933, na cidade de Camden, em Nova Jersey. 


Fonte: @vicgdecima   Postado por Adinalzir Pereira

quinta-feira, junho 26, 2025

A Igreja Matriz de Santa Rita

A Igreja Matriz de Santa Rita no Centro do Rio de Janeiro, foi construida no Século XVIII, sendo o primeiro templo dedicado à Santa fora da Itália.

A capela de Santa Rita do Rio de Janeiro foi fundada na primeira década do século XVIII, por iniciativa do Bispo D. Francisco de São Jerônimo (1638-1721). Em 1721, já possuía capela mor construída, alicerce do corpo de nave única, ornamentos e alfaias. Elevada a matriz em 1751, foi confirmada por dois alvarás de 1753.










Nessa época, a igreja recebeu também os cinco retábulos que possui até hoje, sendo um dos primeiros templos brasileiros a apresentar talha rococó, até então uma novidade estilística, que substituiu o barroco ao longo da segunda metade dos setecentos. O pórtico possui portada única e duas janelas no coro, configurando os vãos em V, observados por John Bury como característicos nas fenestras das mais antigas igrejas coloniais. No mesmo tempo de elevação a matriz, foi colocado o frontão recortado, com volutas e angras, encimado por cornija e empenas sinuosas, de onde sobressai uma cruz na parte superior. O óculo, também recortado em linhas sinuosas, provoca uma curva reversa na cimalha abaixo de si.



A portada principal foi substituída por uma neoclássica no século XIX, com arco pleno e sobreverga com entablamento, composto por tríglifo e métopa no friso e cornija reta no arremate superior. A torre única, ao lado esquerdo da fachada, possui porta com arco abatido e sobreverga no térreo, pequena janela de seção retangular na altura no coro, relógio na altura do frontão e dois campanários (em arco pleno) na parte superior com arremate bulboso. A Igreja de Santa Rita, embora tenha passado por várias obras de conservação como a ocorrida em 1870, manteve suas linhas arquitetônicas preservadas. A sede da paróquia da referida Santa, situada no Largo de mesmo nome no Centro do Rio de Janeiro, é a terceira matriz mais antiga da cidade e foi o primeiro edifício com talhas rococós da América, sendo o primeiro templo dedicado à Santa fora da Itália.

Repostado do perfil @brazil_imperial