domingo, julho 26, 2026

Foto aérea raríssima de Santa Cruz, registrada no ano de 1938


Nessa foto aérea raríssima de Santa Cruz, registrada no ano de 1938, podemos ter uma noção e ver diversos pontos que ainda estavam em plena atividade: o que não existe mais e o que ainda permanece.

Antes de mais nada, o que mais chama a atenção nesse registro é que a topografia do lugar continua inalterada, com suas ruas e traçados, sendo alterados apenas o antigo Hospital Imperial, o galpão de abastecimento de comida do bairro e a Caudelaria. E, claro, uma casa ou outra que foi demolida ao longo do tempo para ser construída outra no lugar, o famoso apagamento histórico.


Começamos pelo atual Batalhão de Engenharia Villagran Cabrita. Na fotografia, aparece toda a parte do complexo do atual quartel, com suas construções laterais, a parte de trás e, principalmente, o seu grande campo, conhecido como Campo de Santa Cruz, que aparentemente ainda era aberto ao público, já que estava sem os muros cercando completamente a unidade. Assim como acontece na Quinta da Boa Vista, o local era um espaço de lazer e cultura.

Vemos também o antigo Hospital Real e Imperial, (aproximadamente onde hoje fica o atual hospital Pedro II). Uma construção comprida ao lado da rua que hoje entra no hospital pela lateral, e que foi o segundo hospital do bairro, uma construção feita posteriormente ao que existia dos Jesuítas ao lado do Palácio. Ele foi construído entre os anos de 1818 e 1821, durante o reinado de D. João VI (não confundir com o atual fórum). Toda a construção foi feita com o objetivo de ser mais ampla e possuir maior ventilação para evitar doenças respiratórias. Na época, não era permitido que houvesse construções mais altas que o Palácio, e ele era provavelmente uma das únicas edificações a possuir a mesma altura.


Ao lado do hospital, em uma construção robusta, de acordo com minhas pesquisas, esse lugar funcionava como um armazém, depósito e local de abate de animais de pequeno porte. Ele abastecia o hospital ao lado e, muito provavelmente, a população do bairro. Na época, Santa Cruz ainda era um bairro inteiramente rural, então era necessário guardar outros tipos de alimentos e grãos que muitas vezes não eram produzidos aqui. Assim, seria uma segunda alternativa para quem não queria comprar carnes vindas do Matadouro Imperial.

Atravessando a rua, não podemos deixar de notar a Caudelaria Imperial, local onde ficavam os cavalos durante o período do Império. Animais das mais diversas raças e pertencentes a várias personalidades importantes e membros de famílias reinantes ficavam nesse lugar histórico. Inclusive, acredita-se que os cavalos do futuro Imperador D. Pedro I e seus companheiros tenham ficado ali, tanto para descansar antes de partir rumo a São Paulo quanto na volta, quando ele deu uma festa de três dias em comemoração à Independência do Brasil no Palácio Imperial de Santa Cruz.

Do outro lado da rua, no mesmo complexo, ficavam a área de limpeza e de lazer dos cavalos, onde hoje ficam a Escola Joaquim da Silva Gomes e a Coordenadoria Regional de Educação.

Também não podemos deixar de falar do traçado inalterado das ruas, que permanece até os dias de hoje. A imagem mostra parte da Rua Felipe Cardoso e também a Rua Senador Camará, que naquela época se chamava Rua do Comércio e era o centro do bairro. Além disso, vemos o atual fórum, que na época ainda funcionava como a Escola Mixta do bairro. Muitos não sabem, mas ela foi construída em formato numeral 2 em algarismo romano pra homenagear o criador dessa escola que foi o Imperador D.Pedro II. Também vemos a linha férrea, que nesse registro ainda possuía a ligação de extensão de Santa Cruz até Mangaratiba, pois nessa época já haviam estendido a linha férrea, que anteriormente ia apenas até a cidade irmã e histórica de Itaguaí.

Pesquisa realizada pelo excelente perfil: @acervosantacruz

Fotos colorizadas por Inteligência Artificial do: @arquivo_rio

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