terça-feira, março 31, 2026

A fortaleza de São João da Barra do Rio de Janeiro

A fortaleza de São João da Barra do Rio de Janeiro, também referida como Fortaleza de São João, localiza-se no lado ocidental da barra da baía da Guanabara, no atual bairro da Urca, Rio de Janeiro

Local da fundação da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, em 1565, o primitivo Forte de São João foi erguido por Estácio de Sá, fundador da cidade, que veio com a missão de expulsar os franceses da Ilha de Serigipe, onde hoje está a Escola Naval.

Acredita-se que este primitivo reduto, sob a invocação de São Martinho, defendia o lado de terra. Resistiu ao primeiro combate naval e terrestre, contra os tamoios, a 1 de junho de 1565. Posteriormente, com a vitória portuguesa definitiva sobre os franceses, a cidade foi transferida para o Morro do Castelo em 1567, sem que a defesa da barra tenha sido descuidada.


O forte ou reduto de São Martinho foi reforçado no governo de Salvador Correia de Sá (1568-1572) com a adição da bateria ou reduto de São Teodósio (1572), sobre a ponta de mesmo nome. No segundo governo de Salvador Correia de Sá (1577-1599) foi levantado o reduto de São José (1578), batendo a barra da baía da Guanabara. Com a conclusão do reduto de São Diogo (24 de junho de 1618), o conjunto entrou em serviço oficialmente, com o nome de Fortaleza de São João da Barra do Rio de Janeiro, cruzando fogos com a Fortaleza de Santa Cruz da Barra e com o Forte da Laje. O conjunto contava com trinta peças de artilharia de diversos calibres, que conservava à época do governador Duarte Correia Vasqueanes (1645-1648)


As suas defesas foram reforçadas pelo governador da capitania, Sebastião de Castro Caldas (1695-1697). Desse modo, repeliu, com o apoio da fortaleza de Santa Cruz, a esquadra do corsário francês Jean-François Duclerc, a 6 de agosto de 1710. Desguarnecida após o sucesso por ordem do governador Francisco de Castro Morais (1710-1711), pouco pôde fazer ante a invasão de dezoito navios, 740 peças de artilharia, dez morteiros e 5 764 homens do corsário francês René Duguay-Trouin, em setembro de 1711.

Juntamente com a Fortaleza de Santa Cruz da Barra, do lado oposto da baía em Niterói e ainda, com o Forte Tamandaré da Laje, que fica numa ilha entre as duas fortalezas, tornavam praticamente intransponível a entrada de navios pela Baía de Guanabara.

Desativado durante a Regência, foi, por ordem de D. Pedro II, inteiramente restaurado em 1872. Em 1874 o Forte serviu de prisão do Bispo de Olinda Dom Vital Maria Gonçalves de Oliveira (1844-1878) após ser condenado pelo Superior Tribunal de Justiça na Questão Religiosa.


Durante a Revolta da Armada, trocou tiros com o encouraçado Aquidabã (capitânea da armada brasileira à época) e os cruzadores Javari e Trajano, das catorze às dezesseis horas de 30 de setembro de 1893, na eclosão da revolta da Armada (1893-1894), tendo o canhão Armstrong de 280 mm (o "Vovô") sido manejado por cadetes da escola Militar da Praia Vermelha. Os danos que lhe foram causados por esse episódio foram reparados em 1895.

Tendo participado de vários episódios da história do País, ali funcionam atualmente o Centro de Capacitação Física do Exército, a Escola Superior de Guerra e o Museu do Desporto do Exército. O Portão de Armas da fortaleza encontra-se tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional desde 1938.

Trabalho de Pesquisa do @brasilis_regnum

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