segunda-feira, 13 de setembro de 2021

SOS Guaratiba: um patrimônio cultural ameaçado



Guaratiba foi o nome dado por seus primeiros habitantes, os tupinambás, à região onde abundavam as garças: guará – ave aquática pernalta – e tiba – reunião de muitas coisas.

Depois vieram os homens brancos. Mais precisamente, em 1579, Manoel Velloso Espinha, que, tendo lutado bravamente lado a lado de Estácio da Sá contra os Tamoios, recebeu como recompensa a sesmaria situada ao Norte da atual Restinga de Marambaia, ao longo da costa, com duas léguas de comprimento e mais outras em direção ao sertão, somada à região hoje chamada Barra de Guaratiba.

Essa extensão de terras constitui a Freguesia de Guaratiba que, com a morte de seu proprietário, foi partilhada, tendo como divisa o Rio Piraquê, entre seus dois filhos: Jerônimo Velloso Cubas ficou com a parte Norte e Manoel Espinha Filho com a parte Leste.

Jerônimo não teve herdeiros e, por lei, teve de doar sua parte à província Carmelitana Fluminense, congregação religiosa de frades da Ordem do Carmo, que ali construiu igreja, noviciato e um engenho de açúcar. A região prosperou e nela surgiu a Fazenda da Pedra, região hoje denominada Pedra de Guaratiba.


Igreja Nossa Senhora do Desterro

É na Pedra de Guaratiba que se encontra a singela igrejinha de Nossa Senhora do Desterro, construída à beira mar, em 1628, em terras cedidas por Jerônimo Vellozo Cubas e sua esposa, Beatriz Álvares (ou Alves) Gago.

Já no século XIX, sua fachada foi alterada ao ser revestida de azulejos e, no século XX, sofreu inúmeras vezes reformas, tendo sido tombada pelo IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em 1938.

Além dela, Guaratiba possui a Igreja de São Salvador do Mundo, construída em 1856, a Capela de Nossa Senhora da Saúde, que data de 1750, recentemente restaurada por iniciativa da comunidade local liderada pelo Sr. Ilton Alves de Jesus.

Vista a importância histórica e cultural da região, uma das principais preocupações da ONG “Centro de Estudos Pesquisas e Ações de Guaratiba” (CEPAG) consiste na preservação de seus marcos, referências de sua formação, completamente relegados ao descaso pelas instâncias competentes, a saber:

Marco da Fazenda  Imperial de Santa Cruz

– O Marco da Fazenda Imperial de Santa Cruz (1826), situado na APA da Brisa, cujo pedido de tombamento já foi encaminhado para Prefeitura do Rio e o processo encontra-se “parado” na Fundação Parques e Jardins;

– O Marco das Sesmarias na Ilha de Guaraqueçaba (1629) e os marcos que delimitavam o perímetro do Distrito Federal: em Guaratiba há cinco deles preservados nos quilômetros originais, mas todos os demais foram retirados para fazer guarda-corpo na orla da Barra de Guaratiba.




Além dos marcos especificamente, necessitam de cuidados de preservação: as Pontes da Estrada da Grota Funda que, construídas em 1870, constituíram a 1ª licitação pública para construção na área de Guaratiba, e a Ponte da Restinga de Marambaia – que data do período da 2ª Guerra Mundial e foi inaugurada com a presença do então Presidente Dutra.

Uma das pontes da Estrada da Grota Funda


Ponte da Restinga de Marambaia

Abandonadas também estão as quatro bicas, construídas nas décadas de 50/60, que representam a política do Triângulo Carioca: a primeira na Ilha de Guaratiba, a segunda na Estrada da Barra de Guaratiba, a terceira no Bairro do Mato Alto e a quarta no Largo do Alarcão, em Pedra de Guaratiba.

Fazenda de Marambaia

Por fim, a Fazenda de Marambaia – onde ocorria a seleção de escravos a serem  encaminhados para as fazendas do Alto do Piraí – que, hoje, que pertence à Polícia Militar.

Vale lembrar, para que não reste dúvida sobre a importância histórica e cultural de Guaratiba, que ali também se encontra um dos mais importantes sítios arqueológicos do país: o Sambaqui Zé Espinho.


A região de Guaratiba traz a história do Rio no seu território, ainda conservado pelos cariocas de nascimento e coração que lá habitam!  

Urge, portanto, investimento público na política de preservação cultural desta importante região que explica a nossa história.

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https://www.soniarabello.com.br/sos-guaratiba-um-patrimonio-cultural-ameacado/

Outras fontes:

http://brevescafe.net/quilombodamarambaia.html

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

Um comentário:

Marisa Santos disse...

Muito triste o que acontece com nossa cultura e nossa estória, vão lapidando e abandonando. Gratidão pelos historiadores que nos trás esse conhecimento! Parabéns!!!