13.6.18

Como eram feitas as telhas coloniais


Telhas de barro para cobertura de edificações existem desde os tempos mais remotos. Foram encontradas na China do período neolítico, datando de mais ou menos 10.000 a.C. e, no Oriente Médio, pouco tempo depois. O seu uso se espalhou pela Ásia e Europa em larga escala. Tanto os gregos como os romanos as usavam, o que foi facilitado após o invento da argamassa por esses últimos, quando puderam ser cimentadas sobre muros e beirais também.

Com a descoberta da América, a tecnologia da fabricação de telhas foi trazida para o novo continente. No século XVII, seu uso tornou-se quase obrigatório nas grandes cidades, por oferecer baixo risco de incêndios, fato fundamentado nas devastadoras conflagrações de Londres, em 1666, e de Boston, em 1679.

Telhas de barro eram, também, preferidas pela sua durabilidade, fácil manutenção e falta de condutibilidade térmica. Nos Estados Unidos, houve um declínio na sua fabricação, em meados do século XIX, pelo surgimento de outros materiais de custo mais barato e, às vezes, mais leves. Foi o caso do cobre, lata, ferro, ferro galvanizado e zinco. Popularizou-se, também, o uso de telhas feitas com placas de ardósia. Entretanto, com o aperfeiçoamento de sua fabricação e automação industrial, o produto passou a custar menos, coincidindo com o furor da construção, na América do Norte, de vilas em estilo italiano, onde se utilizavam telhas de barro, voltando a se tornar populares no começo do século XX.

No Brasil Colonial, os escravos eram encarregados da fabricação das telhas. Geralmente, por ser um trabalho menos pesado, ficava a cargo das escravas e dos escravos idosos e/ou doentes. A técnica adotada era a de moldar a argila na face anterior de suas coxas, produzindo o formato necessário das, assim ditas, telhas coloniais. Obviamente, elas não ficavam uniformes, pois havia coxas magras, roliças, finas, largas, longas, curtas e deformadas. Por isso, as telhas já secas e queimadas eram de diversos tamanhos com diâmetro e espessura variados. Consequentemente, depois de prontos, os telhados eram irregulares e desalinhados, levando a um aspecto de terem sido mal feitos. Estes eram descritos como telhados “feitos nas coxas”.

Daí, vem até os dias de hoje a expressão idiomática, denotando algo feito sem capricho ou, ainda, uma atitude de descaso.

A partir do século XVI em diante toda essa tecnologia de fabricação de telhas passou a ser bastante utilizada também pelos colonos portugueses e pelos padres jesuítas nas regiões de Santa Cruz e arredores da zona oeste carioca.  

Atualmente, com os moldes padronizados e a industrialização, as telhas coloniais ficaram todas iguais, resultando em coberturas bonitas e uniformes, não podendo se afirmar que foram “feitas nas coxas”, mas, há de se convir, os telhados, verdadeiramente coloniais, ofereciam um charme todo especial àquelas casas dos tempos coloniais.

Algumas considerações:

Na realidade essa afirmação faz parte de uma lenda que foi se consolidando. Vamos supor que depois que se fizesse  uma massa de argila, se utilizasse um grande número de escravos para fazer as telhas nas coxas. Como isso leva um bom tempo ate a argila endurecer. Eles ficariam nas olarias sentados ou deitados esperando a argila secar? Claro que não! Na verdade haviam formas de madeira que eram usadas na maioria das olarias. Mas grande parte delas se perderam já que devem ter sido usadas como lenha, depois que as telhas coloniais saíram de uso. Essa historia é bem semelhante com  a do óleo de baleia que afirmam que era  usado na construção junto com a cal e areia. Hoje sabemos que o uso do óleo não procedia. Mas isso é uma outra historia e um outro texto.

Em 1841 surgiram as telhas de encaixe, que eram fabricadas de forma mecânica, o que fez  revolucionar o seu uso, uma vez que proporcionavam encaixes perfeitos e telhados mais uniformes. Essa invenção foi obra dos irmãos Gilardon d’Altkirche, franceses, da Alsácia. Antes essas telhas eram feitas nas coxas dos escravos por serem mais práticas e a sua mão de obra mais barata e disponível.

Este texto foi extraído do blog:

2 comentários:

RODRIGO PHANARDZIS ANCORA DA LUZ disse...

Olá! Realmente é bem interessante o texto e creio ser de conhecimento de poucos sobre como eram feitas as antigas telhas assim como a origem da expressão "nas coxas". Parabéns pelo blogue.

Prof. Adinalzir disse...

Valeu Rodrigo!
Fico muito grato pela sua visita e comentário.
Volte sempre.

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