6.3.18

Campo tempo Grande


O tempo inteiro andamos com o tempo.
Tempo pra chegarmos à casa a tempo,
tempo pra estudar, pra dormir, pra comprar...
Afinal, tempo é dinheiro.

O fluxo dos automóveis, o vai e vém das pessoas,
o tic-tac do relógio marcando o compassso,
o progresso que chega...
e vai-se o tempo.

Antigamente,
no horizonte se via o bonde,
agora é de ônibus, trem e BRT
que se anda em Campo Grande.

Foi-se o tempo que Campo Grande era uma ilha
"a milhas e milhas de qualquer lugar".
Já não é mais tempo de acreditar que Campo Grande
está "longe demais das capitais".

O tempo é passageiro,
a memória é permanente,
que guarda pra gente,
o futuro, passado e presente.

A população cresce com o tempo,
que fica quase sem tempo pra tudo.
Tudo fica mais rápido...
Estradas, túnel, viaduto.

Da Serrinha
ainda se vê um pouco do passado,
mesmo com o avanço
e o passa-passa dos "mata-sapos*".

Da Desterro a Santana,
se gasta um tempo (que não volta mais),
e do tempo dos laranjais
restou apenas monumento.

Movimento que não para com o tempo,
tempo que não para de passar.
O tempo não para nem no centro,
no Calçadão, nem no Rio da Prata.

As marcas dos trilhos
já não estão mais aqui.
Agora a ordem é o progresso,
Cabuçu, Vila Nova, Tingui...

Da estrada velha e empoeirada
só ficaram as marcas do passado.

O avanço abre passagem para a Brasil,
avenida que assim continua seu caminho
rápido para uns,
necessariamente lento e viril para mim...

Você e outros passageiros da lembrança,
desde a infância até algum dia que virá
das cinzas das indústrias,
ou do verde do Mendanha,
de lá pra cá em um instante,
com o tempo em Campo Grande.

*Termo utilizado por antigos habitantes das áreas rurais de Campo Grande para designar os ônibus, que ao circularem por essas áreas, atropelavam animais típicos dessas regiões, entre outros, sapos.

Texto de Carlos Eduardo de Souza

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