domingo, maio 29, 2011

As várias faces da Avenida Marechal Floriano

Tour leva cariocas a redescobrirem a história da Marechal Floriano, uma importante avenida do centro do Rio de Janeiro.

Esquina da Rua do Acre com Av. Marechal Floriano em 1906. Foto de Augusto Malta.

Rota de escravos, ponto de ciganos e prostitutas, endereço de festas da elite, canteiro de obras de Pereira Passos, centro comercial popular. Em quase 250 anos, a Avenida Marechal Floriano entrou no mapa de todas as classes sociais. Presidentes estudaram e moraram ali, negros foram negociados como mercadorias, uma princesa caminhou rumo ao altar. Seu passado multifacetado é, desde o início do mês, tema de um tour histórico nas manhãs de sábado, patrocinado pela Light e pela ONG Instituto Cidade Viva. O programa gratuito, concebido para atender a 200 pessoas, já tem uma fila de espera de de 1100 curiosos.

O belo edifício em estilo renascença americana, construído em 1911, na antiga Rua Larga, que foi sede e garagem de bondes da Light e que abriga desde 1994, o centro cultural da empresa.

A abertura da via, em 1763, impressionou os moradores da cidade, recém promovida a capital da colônia. Seus 20 metros de dimensão horizontal lhe fizeram ser batizada de Rua Larga. A extensão privilegiada veio da missão que carregava desde o nascimento. Seria aquele o caminho entre o mercado de escravos do Valongo ( a atual Rua Camerino) e o Campo de Santana, onde os negros eram contratados para pequenos trabalhos. A via logo tornou-se ponto de escoamento de sal, frutas e outros produtos que aportavam no Rio.


Mesmo fundamental para a economia carioca, a rua não era bem freqüentada em seus primeiros tempos. Prostitutas, ciganos e estivadores constituíam o grosso de seu público e afastavam a elite. A elite começou a descobrir a via quase um século depois, a partir de 1831.

- A Lei Eusébio de Queirós proibiu o tráfico interatlântico de escravos e acabou com o mercado do Valongo – conta a historiadora Priscila Melo, que, junto ao marido Raul Melo, apresenta a rua nos tours de sábado. – Muitos empreendedores e comerciantes começam a construir casas na região. Um marco dessa nova fase é a construção do Itamaraty.


O palacete, em estilo neoclássico, recebeu esse nome em homenagem ao seu festeiro idealizador, o Barão de Itamaraty. O nobre usava a edificação apenas como casa de festas – não havia quartos, apenas salões.

A presença do governo na vizinhança valorizou ainda mais a via. Em uma ponta havia as tropas imperiais, agrupadas no terreno que, hoje, serve ao Palácio Duque de Caxias. Na outra extremidade da rua, próxima à atual esquina da Camerino com a Marechal Floriano, o antigo seminário de órfãos de São Joaquim passou por uma reforma e deu lugar ao Colégio Pedro II, o primeiro de educação secundária do país.


A escola logo tornou-se um símbolo de excelência do ensino federal – lembra Priscila. – Entre os seus alunos, estão presidentes da República Velha, como Hermes da Fonseca e Nilo Peçanha. Ainda assim, o historiador Capistrano de Abreu pediu demissão do cargo de professor, por achar os estudantes burros demais.

Ao lado do seminário – e, depois, do colégio -, ficava a Igreja de São Joaquim. À sua frente, estava a Rua Larga. Atrás, uma via com apenas cinco metros de largura, que logo ganhou o apelido de rua Estreita. D. Teresa Cristina margeou este caminho quando descia a Rua do Valongo, em direção ao altar e a D. Pedro II.

O templo, porém, não sobreviveu ao “bota abaixo” do prefeito Pereira Passos. Entre 1904 e 1905, o alcaide mandou demolir a igreja e alargou a Rua Estreita. A Marechal Floriano, assim, ganhava o tamanho e os contornos atuais. O status de avenida veio nos anos 20. A homenagem ao segundo presidente do Brasil também foi idealizada por Pereira Passos.

- Pouco após a proclamação da República, o governo federal comprou o Itamaraty e transformou-o na residência presidencial – explica Priscila. – Deodoro da Fonseca e, depois, Floriano Peixoto moraram ali. O sucessor dele, Prudente de Morais, foi o responsável por transferir esta função para o Palácio do Catete.

A via permaneceu importante para a sociedade carioca até a década de 1940, quando uma nova megareforma a isola do centro comercial nervoso da cidade.

Interventor federal no Rio durante o Estado Novo (1937-1945), Henrique Dodsworth teve a sua sanidade mental contestada pela população ao anunciar a abertura da Avenida Presidente Vargas. Uma via daquele comprimento parecia desnecessária à época. E abrir o caminho para as novas pistas era missão das mais complexas. A demolição atingiu ao menos 14 quarteirões. Ruas inteiras desapareceram e três igrejas seculares foram reduzidas a escombros. A Praça da República, que chegava à porta do Palácio Duque de Caxias, perdeu boa parte de seu tamanho.

- As ruas que ligavam a Marechal Floriano ao Saara foram cortadas – destaca Priscila. – A distância imposta pela nova avenida desestimulou os consumidores de lá a atravessá-la.

Nem o Itamaraty e o Pedro II impediram a Marechal Floriano de transformar-se em uma mera passagem para a Central do Brasil. Opções de lazer, como os cinemas Floriano e Primor, fecharam as portas.

O isolamento, embora fatal para o comércio, teve lá suas vantagens. Longe da mira da especulação imobiliária, a via ainda tem boa parte de seu casario de pé – embora nem sempre preservado.

Excluída dos projetos de revitalização do Centro, a avenida tenta estabelecer o próprio calendário de eventos. Exposições no Largo de Santa Rita e passeios pelo Morro da Conceição, ambos nas adjacências, têm levado os cariocas a redescobrirem a Marechal Floriano. A antiga Rua Larga, de tantas faces, pode virar mais uma página de sua história.

Texto de Renato Grandelle, publicado no jornal O Globo em 28/05/2011.

sexta-feira, maio 27, 2011

Satélites descobrem 17 pirâmides, tumbas e até vilarejos enterrados no Egito

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Um trabalho pioneiro de arqueologia espacial acaba de descobrir 17 pirâmides, mais de mil tumbas e 3 mil vilarejos antigos que estavam desaparecidos sob o solo, através da utilização de imagens de satélite no Egito.

"Indiana Jones foi ultrapassado. Nós seguimos em frente, desculpe Harrison Ford", disse Sarah Parcak, da Univerdade do Alabama, especializada em arqueologia espacial, à BBC. "O melhor momento foi quando pude, finalmente, ver o conjunto de tudo o que encontramos. Não estava acreditando que pudéssemos descobrir tantos sítios por todo o Egito".

A investigação, apoiada pela NASA, analisou as imagens obtidas por satélites a 700 quilómetros da Terra, equipados com câmeras em infra-vermelho, capazes de detectar objectos com menos de um metro de diâmetro na superfície terrestre.

Depois de localizar os locais, a equipe começou as escavações e já está confirmada a descoberta de duas pirâmides na região de Saqqara. Segundo a BBC, as autoridades egípcias pretendem utilizar esta tecnologia para ajudar a proteger o seu património histórico.

Quer saber mais sobre esse assunto? Clique aqui
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domingo, maio 22, 2011

Artesã recria a história do bairro de Santa Cruz (RJ) em forma de miniaturas

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Na edição deste sábado, 21 de maio de 2011, da Revista "Oeste", que circula encartada nos jornais "O Globo" e "Extra". há uma matéria jornalística muito interessante sobre o trabalho da artesã Janaína Botelho, que produziu uma série de maquetes reconstituíndo as principais fases da História de Santa Cruz, para uma exposição que estará sendo apresentada no Centro Cultural Municipal Doutor Antônio Nicolau Jorge, por iniciativa do Núcleo de Orientação e Pesquisa Histórica, o NOPH.

A reportagem, de autoria do jornalista Bruno Cunha, foi ilustrada com belas fotos de autoria de Thiago Lontra, que estão aqui reproduzidas.

A exposição, que recebeu o título de "Rastros de história e de memória: Santa Cruz feita com as mãos", é a primeira trajetória da artesã Janaína Botelho e contou com a parceria da Casa da Moeda.

A artesã Janaína Botelho em reprodução da foto de autoria de Thiago Lontra, publicada na página 12 da Revista Zona Oeste, edição de 21 de maio de 2011.

De acordo com o texto jornalístico de autoria de Bruno Cunha, a artesã, "para contar a história do bairro visualmente, levantou o tema na Internet e conversou com pesquisadores."

Sequência de miniaturas produzidas pela artesã Janaína Botelho, que estarão sendo expostas no Centro Cultural Municipal Dr. Antonio Nicolau Jorge, localizado na Rua das Palmeiras Imperiais, Santa Cruz, Zona Oeste do Rio de Janeiro. A primeira fotografia, da esquerda para a direita, mostra o Sacrário do século XVIII, recentemente restaurado, que já se encontra em exposição.

A visita à exposição de maquetes em miniaturas é uma excelente oportunidade que estará sendo oferecida aos moradores do Rio de Janeiro, e também de outras cidades, para que conheçam a História do Bairro de Santa Cruz, desde as suas origens indígenas, passando pela fase colonial até alcançar o período monárquico.

Maquete intitulada "Piracema", representando a era indígena do bairro de Santa Cruz, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Reprodução da foto de autoria de Thiago Lonta, publicada na edição de 21 de maio de 2011, página 12, da Revista ZONA OESTE, distribuída em encarte com os jornais "O Globo" e "Extra".

Maquete da Ponte dos Jesuítas construída em 1752 e tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1938. Reprodução da foto de autoria de Thiago Lontra, publicada na edição de 21 de maio de 2011 da Revista ZONA OESTE, distribuída em encarte com os jornais "O Globo" e "Extra".

As escolas e pessoas interessadas na exposição "Rastros de história e de memória: Santa Cruz feita com as mãos", poderão agendar a visita no Centro Cultural Municipal Dr. Antonio Nicolau Jorge, localizado na Rua das Palmeiras Imperiais, s/nº, ao lado da Vila Olímpica Oscar Schmidt e das Escolas Municipais Princesa Isabel (Ginásio Carioca) e Fernando de Azevedo ou pelo telefone (21)2418-3140.

Texto de autoria do Prof. Sinvaldo do Nascimento Souza publicado no Rioeducaideias.net
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