8.6.13

Quando o Pão de Açúcar era uma ilha


Rio Genero, 1624 - Ilustração de Reysboeck no livro Imagens do Brasil Colonial, de Nelson Goulart Reis.

Este é um dos primeiros mapas a mostrar detalhes da cidade do Rio de Janeiro, suas igrejas e fortificações. Várias características geográficas estão representadas de modo curioso, o que se deve tanto à imprecisão do conhecimento geográfico (por exemplo, a Baía de Guanabara alongada, como se fosse um rio) como à topografia, que há 400 anos era bem diferente da atual.

Repare na área em torno do Pão de Açúcar: não existiam a Praia Vermelha nem o terreno da Praça General Tibúrcio, que estavam cobertos pelo mar. O Oceano Atlântico comunicava-se diretamente com as praias da Saudade e de Botafogo. O Morro da Urca, o Pão de Açúcar e o Cara-de-Cão formavam um conjunto rochoso separado do continente - a Ilha da Trindade. Somente em 1697 é que se fez o aterro que ligou a ilha ao continente.

Mais que uma curiosidade, a descoberta deste fato solucionou um problema que intrigava os pesquisadores: porque Estácio de Sá teria escolhido um local tão vulnerável para se fixar e fundar a cidade? Agora sabe-se que o português estava certo: separado do continente, o conjunto do Morro Cara-de-Cão dificultava o ataque dos tamoios e dos franceses por terra. Não era mesmo tão devassado como se pensava, ora pois!

Fonte: www.serqueira.com.br  Aqui você encontrará mapas e imagens antigas do Brasil e do mundo e, principalmente, do Rio de Janeiro, vinculadas a fatos curiosos e pouco conhecidos da História. Não deixe de visitar e divulgar!

1.6.13

Enciclopédia Francesa: A Internet do século 18


Proibida pelo rei e pelo papa, a Encyclopédie levou 21 anos para ser concluída. Seu objetivo era reunir todo o conhecimento humano, mas acabou divulgando uma nova maneira de pensar.

Em uma tarde de novembro de 1752, o rei Luís XV recebeu em audiência um homem desesperado. Jean-François Boyer, jesuíta, bispo de Mirepoix, advertia o rei, com gestos teatrais e lágrimas, de um grande risco que corria o império francês. A terrível ameaça vinha de um grupo de escritores que fomentava idéias de incredulidade, irreligiosidade e rebeldia na população. Os autores, capitaneados pelo filósofo Denis Diderot, já haviam publicado dois tomos de sua coleção de livros, alcançado boas vendagens e se tornado o principal assunto dos salões literários e das páginas de cultura dos jornais.

A ambiciosa idéia de organizar todo conhecimento existente em uma coleção de livros é bem anterior à Encyclopédie. No século 5 a.C., o rei Assurbanípal, da Mesopotâmia, havia ordenado aos sábios de sua corte que escrevessem um livro-síntese sobre tudo o que se conhecia até então. O resultado foram várias tábuas de madeira gravadas em escrita cuneiforme. A palavra enciclopédia vem do grego enkiklios paidéia e significa “cadeia do conhecimento”. O primeiro trabalho que reivindica essa característica em seu título é a Encyclopedia Septem Tomis Distincta de Johann Heinrich Alsted, de 1630, mais de 100 anos antes da mais famosa de todas, a versão francesa, a Encyclopédie ou Dictionnaire Raisonné des Sciences, des Arts et des Métiers (algo como “Enciclopédia ou dicionário sistemático das ciências, artes e profissões”).

Mas, se o formato não era exatamente uma novidade, o que fez a Encyclopédie de Diderot e seu parceiro, Jean le Rond D’Alembert, se tornar uma referência? Simples: ela permitiu que as idéias discutidas nos altos salões da intelectualidade chegassem ao povo.

Os enciclopedistas conduziram seus leitores a uma nova maneira de pensar, na qual a investigação e o método eram propostos como a única forma de chegar ao verdadeiro conhecimento. Aos olhos contemporâneos pode parecer pouco, mas naquele tempo os escolásticos eram os donos da verdade e, para eles, todas as respostas começavam e terminavam em uma única palavra: Deus. Na corte do rei Luís XV, dúvidas sobre a existência divina custavam a cabeça de um cidadão. Imagine escrevê-las, imprimi-las e distribuí-las para milhares de pessoas!

Para entender por que os enciclopedistas tiveram sucesso nessa aventura, é preciso levar em conta o período em que a Encyclopédie chegou às estantes: entre 1751 e 1772. Nessa época, a burguesia já era peça importante para o funcionamento da sociedade, a educação estava sendo ampliada às massas e a vida urbana, com sua agitação e possibilidades, começava a ser o modo de vida predominante na velha Europa. Diante desse cenário, o povo estava sedento por informação, que era vista como um instrumento para melhorar de vida. Só entre 1674 e 1750 foram publicados 30 livros com pretensões enciclopédicas, um número muito maior do que nos 200 anos anteriores. Esses compêndios deixavam em casa, ao alcance das mãos e dos olhos de qualquer um, parte dos conhecimentos que, até então, estavam encerrados nas bibliotecas públicas. Guardadas as devidas proporções, as enciclopédias eram para os homens e mulheres daquele período algo parecido com o que a internet é para a gente hoje.

Fonte: Artigo escrito por Érica Montenegro.

Nilton Bravo (1937-2005), O Michelangelo dos Botequins

Um dos painéis de Nilton Bravo tombado pela Prefeitura no Bar Sulista, na Praça Coronel Assunção, 357 (Gamboa) Nilton Bravo (1937-2...