2.12.12

A delícia de ser, afinal, Historiador


Apesar de não ter acompanhado de perto os passos que levaram, nos últimos tempos, à regulamentação da profissão de historiador, só a posso saudar com entusiasmo, pois o debate já se encontrava na pauta das nossas reivindicações quando, nos anos 1970, entrei na universidade. 

Hoje, após 33 anos de atividade universitária, sou uma professora veterana, que tive a sorte de acompanhar trajetórias brilhantes, contribuindo à formação de quadros no nosso país. Mas antes, quando comecei minha vida profissional, e durante muito tempo, fui unicamente pesquisadora, vivendo de bolsas até conseguir contratação no Departamento de História da USP. Naqueles tempos, e desde estudante, sentia-me historiadora, e por não ser professora acabava me vendo às voltas com uma espécie de crise de identidade. 

Não concordo com as vozes que levantam dúvidas quanto às vantagens da regulamentação, alegando que restringirá a atuação dos que não são historiadores. Ninguém jamais deixará de reconhecer em pessoas como Alberto da Costa e Silva o notório saber do melhor dos historiadores, o que contudo não impede que haja procedimentos que garantam aos profissionais da história o exercício da sua profissão. Não se nega o estatuto profissional a médicos nem a engenheiros. Por que negá-lo ao historiador? 

Talvez porque, no fundo, paire a dúvida quanto à especificidade do nosso campo de conhecimento, a história sendo vista como assunto meio indistinto, no qual toda pessoa medianamente instruída pode meter sua colher. Cabe a nós, historiadores, deixarmos claro que nossa formação é complexa, morosa e sofisticada. Motivos estes que, junto a tantos outros, justificam plenamente que hoje possamos nos reconhecer e ser reconhecidos como historiadores. 

Ufa! Até que enfim!

Laura de Mello e Souza. 
Professora Titular da USP e Historiadora. 
Pesquisadora do CNPq na área de História desde 1992.

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4 comentários:

Wa Mor disse...

Podiam contar muitas verdades escondidas...
Boa sorte professora.

Prof. Adinalzir disse...

Valeu Wa Mor!
Agradeço pela visita. Volte sempre.
Abraços,

Lu Cidreira disse...

É assim mesmo, no nosso pais as coisas acontecem morosamente, devagar quase parando. Isso nos deixa apreensivos pois quando mexem com as novidades dos legisladores aí muda de configuração, é, ligeiramente aprovado e regulamentado.
Pena que o reconhecimento fosse tarde, e, país sem História é país sem memória. Como todos os profissionais da área sabem.
Abraço professor.

Prof. Adinalzir disse...

Prezado Lu Cidreira
Vamos torcer para que isso seja o começo de uma nova era para todos os historiadores. Um abraço e valeu pela visita!

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