25.11.18

Vila Kennedy, uma das mais tradicionais comunidades do Rio



Conheça a história da Vila Kennedy, uma das mais tradicionais comunidades do Rio.

A década de 60 foi um marco importante na história das favelas, ainda mais quando se trata de remoções que aconteceram por todo o estado sob o regime político da época. Para entender melhor a história da Vila Kennedy, precisamos voltar um pouco no tempo. Lá no auge da ditadura militar, com a “Guerra Fria” fervilhando entre os blocos capitalistas e socialistas, o presidente americano na época, John Kennedy, lança o projeto “Aliança Para o Progresso”. A finalidade principal era financiar ações sociais em países da América Latina, para evitar o avanço comunista (o que já ocorria em Cuba, governada por Fidel Castro com o apoio total da antiga União Soviética, hoje Rússia).

O Brasil, então, fecha acordo com os Estados Unidos e passa a integrar a lista de países participantes do projeto. O governador do então Estado da Guanabara (hoje Rio de Janeiro), Carlos Lacerda, aplica o dinheiro repassado pelo Governo Federal na construção de bairros proletários que receberiam pessoas vindas de comunidades removidas. Nasce assim a Vila Kennedy, em 20 de março de 1964. Inicialmente seria chamada de Vila Progresso, porém, em homenagem ao presidente americano assassinado um ano antes, passou a se chamar Vila Kennedy.

O governador Carlos Lacerda resolve usar uma área localizada na Zona Oeste da cidade, região próxima ao distrito industrial de Bangu e à Zona Rural de Campo Grande. A ideia era remover as famílias da favela do Morro do Pasmado, em Botafogo, e do Esqueleto, no Maracanã. As justificativas das remoções eram de que o Morro do Pasmado fazia parte de um conjunto paisagístico da cidade (proximidade com o Pão de Açúcar) e que o Esqueleto, na verdade, seria uma ocupação da construção inacabada do Campus da então Universidade do Estado da Guanabara (UEG), hoje UERJ.

A comunidade é subdividida em diferentes áreas; Vila Progresso, Manilha, Light, Beira-Rio, Malvinas, Leão, Congo, Chatuba, Morrinho, Alto Kennedy, Cirp, Metral, Barrão, Pedra, Sociólogo Betinho e Quafá. Mas não foi sempre assim, como lembra dona Irene, 79 anos. “Não tinha Metral nem Malvinas, era só esse miolo aqui. Assisti a todas as obras, escolas Café Filho, Orestes Barbosa, até ficar como está hoje”.

A aposentada veio das remoções do Morro do Esqueleto, e é uma das moradoras mais antigas da localidade conhecida como Pedra. Mas se queixa das perspectivas que a região oferece. “Sinto falta de cursos para os jovens, para eles terem uma ocupação e uma profissão no futuro”, lamenta.


Estátua da Liberdade (Sim, nós também temos a nossa!) A Vila Kennedy possui uma famosa réplica da Estátua da Liberdade, esculpida por Frédéric Auguste Bartholdi, o mesmo autor do monumento original de Nova York. Atualmente está catalogada como única desse tamanho na América do Sul. E ainda há grande possibilidade de ter sido feita a partir da peça original.

Ao longo da restauração, foi revelado o verdadeiro material de confecção do monumento. Nos cadastros da prefeitura, constava como uma mistura de níquel e estanho; na verdade, foi feita em zinco, tornando-se a única do Rio com esse material. A outra descoberta foi na coroa do monumento, que apresenta uma parte em bronze, o que não era possível de perceber por ter sido pintada de cinza. A estátua está situada na Praça Miami e é um orgulho para comunidade.

Texto e fotos - Jornal Voz das Comunidades
Data- 22 de Fevereiro de 2017

Pesquisa - Guaraci Rosa

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

2 comentários:

RODRIGO PHANARDZIS ANCORA DA LUZ disse...

Boa noite. Refletindo sobre a História dessa comunidade que, infelizmente, apresenta hoje índices preocupantes de violência, fico a indagar por que deu errado? Pois era pra ter sido um bairro planejado, porém acabou não evoluindo dessa maneira. Creio que talvez uma das causas teria sido o abandono que é comum a quase toda a cidade do Rio de Janeiro ocorrido nessas décadas todas. Só políticas públicas eficientes conseguirão resultados melhores no decorrer de outras várias décadas.

Prof. Adinalzir disse...

Prezado Rodrigo Phanardzis Ancora da Luz
Infelizmente meu amigo, foi isso que aconteceu por parte de nossos governantes. Pessoas sempre incompetentes e com pouca visão de futuro em suas ações.
Boa noite e fico grato pela visita!

Cheiro de mato: odores emitidos pela natureza podem evitar estresse e câncer

Basta uma boa caminhada por uma mata fechada ou no meio de uma floresta para ter certeza do bem estar e da tranquilidade que os ares e...