4.5.13

História, todo mundo gosta, todo mundo faz, todo mundo é... O difícil é fazer todos entenderem


Imagine a situação – Tem início o ano letivo, o professor todo animado e entusiasmado apresenta-se para a turma, fala de sua metodologia, faz um ligeiro comentário sobre o que estudarão naquele ano, tenta ser o mais agradável possível, afinal é o primeiro contato com os alunos, e, depois de alguma conversa, ele faz a pergunta – Vocês gostam de história? – Então impera o silêncio ou ouve-se um murmurinho – História para quê? Estudar coisas que já se passaram? Saber da vida de pessoas que já se foram? Eu odeio história! – Então o professor se depara com uma desagradável situação, ensinar para aqueles que nutrem uma certa antipatia contra a sua disciplina, ou seja, acreditam não gostar de história, mas estão enganados, na verdade gostam, sim! Todo mundo gosta de história, mesmo inconscientemente.

"História inclui todo o traço e vestígio de tudo o que o homem fez ou pensou desde seu primeiro aparecimento sobre a Terra."¹ Partindo deste princípio, pode-se entender que tudo o que o homem fez, vira história, pode-se também afirmar, através de estudos e vivências, que o homem sempre gostou de registrar a sua presença na Terra, suas ações e pensamentos. Desde os primórdios, os homens marcam sua presença no planeta através das pinturas rupestres e variados objetos deixados por eles, nos tempos atuais os registros ocorrem através de múltiplos instrumentos, como fotografias, diários pessoais, músicas, pinturas, livros e outras diversas formas de arquivar o que acredita ser importante para ser visto, contemplado ou estudado pelo próprio autor ou por gerações futuras. 

Mesmo que ocorra em um âmbito familiar, isso tudo na verdade é uma forma de perpetuar sua história, a vontade íntima de ser lembrado por alguém. Muitas pessoas têm certa aversão ao estudo de história pela ideia da mesma ser uma disciplina que implica muita leitura (uma afirmativa verdadeira, mas não conclusiva), acreditam que é necessário DECORAR informações tediosas como nomes de todos os faraós do Antigo Egito ou de imperadores romanos, biografas de presidentes ou datas que a princípio não dizem nada, na verdade essas pessoas não gostam da história formal, acadêmica e tecnicista, mas gostam de exercitá-la e aprendê-la de inúmeras maneiras, por exemplo, o gosto pela conversa com pessoas mais velhas, mais experientes, para saber um pouco mais sobre tudo o que foi mudado pela ação do tempo, de como eram as coisas antes, e, quase sempre ouvindo a clássica frase “no meu tempo era melhor”. 

Todo mundo gosta de olhar uma fotografia, muitas vezes, contemplando-a detidamente, e mesmo sem saber estão fazendo um estudo de uma fonte histórica, afinal, ninguém consegue tirar uma foto do futuro; todos ficam satisfeitos em entender uma curiosidade ligada ao passado; de saber se o que viram em um determinado filme ou novela realmente aconteceu daquele jeito; muitos ficam curiosos em saber como uma obra de edificação foi construída em períodos de menos recursos técnicos, mesmo assim destacam-se por sua beleza e durabilidade; gostam de explicitar que o seu time no passado era bem melhor do que hoje. É indiscutível, todo mundo gosta do saber histórico, pode não ser o saber acadêmico, teórico e especializado, mas de um saber que lhe traga prazer.

Somos todos sujeitos históricos, todo mundo é protagonista de suas ações no tempo e espaço, ações essas que serão revisadas, servirão de base para elucidação de dúvidas ou problemas contemporâneos, mesmo que apenas mentalmente, nossas lembranças virão à tona. Como diz o historiador Erick Hobsbawn “A única generalização cem por cento segura sobre história é aquela que diz que enquanto houver raça humana haverá história”, ou seja, enquanto existir seres humanos sobre a Terra estaremos fadados a fazer História, querendo ou não, gostando ou não.

ROBSON, James Harvey, citado em BURK, Peter. A escrita da História: novas perspectivas. São Paulo. Unesp, 1992.

Nilton Bravo (1937-2005), O Michelangelo dos Botequins

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