Postagens

Mostrando postagens de Maio, 2014

O escritor "fora de moda"

Imagem
Euclides da Cunha, o autor de Os Sertões, tinha uma característica curiosa: fazia questão de se vestir ostensivamente “fora de moda”. Antes de pensarmos que se tratava de uma tola excentricidade de Euclides, precisarmos entender um pouco do que estava ocorrendo no Brasil àquela época. Proclamada a República (1889), instalou-se um clima de euforia entre as elites brasileiras que decidiram fazer do país uma “nação moderna”. As nossas cidades, principalmente o Rio de Janeiro, deveriam se equiparar às “civilizadas” cidades europeias. Para isso, foram realizadas grandes obras, cortiços foram derrubados, surgiram cafeterias e docerias refinadas.
As pessoas também deveriam estar à altura desse novo Brasil e, portanto, começou uma verdadeira obsessão pela moda – os pobres ficavam proibidos de andar “em mangas de camisa” ou descalços pelo centro. Os mais abastados viviam um período de ostentação, e as colunas sociais ditavam as regras rígidas de comportamento e vestuário. Os dândis e as melindr…

A sujeira é nossa

Imagem
O Rio de Janeiro é lindo. Sua baía, o mar, os morros, a orla, já foram cantados em prosa e verso. Mas é difícil não achá-lo sujo. Um passeio pelo belo jardim de Burle Marx, no parque do Flamengo, revela o descaso do carioca com essa que é uma das mais belas paisagens do mundo. Sacos de lixo, latas, garrafas, plásticos de todas as cores, restos de comida, casca de frutas e excrementos de cachorros compõem um insuportável patchwork de formas e odores. Mas seria a sujeira um privilégio de cariocas? Não. O problema é antigo.
Em um livro delicioso, o historiador Emanuel Araújo já revelou que, no Brasil, “a sujeira é um hábito”. Na época colonial, as Câmaras ordenavam que os moradores calçassem a testada de suas casas numa largura de cinco palmos para atenuar o efeito das chuvas tropicais que corriam dos beirais dos telhados. Os cuidados contra as copiosas ”águas” esbarravam, entretanto, no fato de que o lixo já era atirado, sem cerimônia, à rua por onde andavam, pachorrentamente, os animais…