31.7.10

O vampiro que descobriu o Brasil

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Recomendo para alunos e professores esse excelente livro de Ivan Jaf. Conta a história de Antônio Brás, um comerciante português, proprietário de uma taberna que funcionava no porto da praça principal de Restelo, perto de Lisboa. Numa noite fria de inverno, quando encerrava mais um longo dia de trabalho, Antônio foi atacado por um comandante. O mesmo cravou-lhe os dentes no pescoço deixando-o caído ao chão e com o sangue escorrendo pelo corpo.

Após o incidente sentia-se, disposto, e cheio de energia, mas estranhava o fato de não conseguir comer e nem beber nada. A partir do terceiro dia, o sol afetava estranhamente sua pele, o corpo doía e começava a enfraquecer.


Ao devorar uma ratazana, Brás retoma sua força e com ela a consciência do que acabara de fazer, e em meio ao pavor da situação, conhece Domingos, o qual lhe dá a notícia de que, assim como ele, Antônio agora era um vampiro. Domingos explica que Antônio fora atacado pelo Velho, o mais poderoso dos vampiros, o único capaz de entrar num corpo humano.

E o Velho estava no corpo do comandante, pois ele tinha a intenção de fazer parte da caravela rumo a conquista portuguesa do monopólio do comércio com as Índias.
Só havia uma maneira de reverter a situação de Antônio, era preciso espetar uma estaca de carvalho no coração do vampiro que lhe atacou e aspirar as cinzas em que o corpo se transformaria. Seria difícil encontrar o Velho no meio daquela multidão, ainda mais sem saber em que corpo se escondera, mas sabia que estaria no corpo de alguém importante, nos momentos históricos decisivos.

Naquele momento, todas as atenções da Europa estavam voltadas ao evento de despedida da armada de Cabral rumo as Índias. E era ali, naquela embarcação que poderia estar o vampiro. Assim, Antônio dá início à caçada ao Velho e embarca junto com a armada de Cabral.


Em 22 de abril de 1500 chegaram a uma terra estranha, com pessoas de pele marron, limpos e felizes, cobertos por penas coloridas, pintados, andando nus e conversando com as aves. A armada de Cabral levantou âncora e agora Antônio estava preso ali, mas com certeza, o Velho também estava. Passou então, a viver isolado numa caverna, aprendendo a ser vampiro.

Durante os próximos 500 anos aprenderia a viver entre a sociedade, estudando os disfarces de um vampiro e de como reconhecê-lo dentro de outros corpos. Antônio vivia em busca do encontro com o vampiro responsável por sua indesejada imortalidade e seu único objetivo era voltar a sua velha situação. Queria voltar a sua vida normal, beber seu vinho tinto rascante e deliciar-se com as lascas de bacalhau frito no azeite.

Logo que desembarcou em terra, Antônio teve seu primeiro encontro com o Velho, que estava no corpo de um frei também vindo na esquadra de Cabral. Não obteve sucesso, mas existiriam outros encontros e ele não desanimava facilmente. Os anos passavam e ao mesmo tempo, aconteciam fatos históricos importantes, nos quais o tão procurado vampiro deveria estar presente.

Depois de Cabral, Brás acompanha toda a história do Brasil. Mas não entendia e nem se importava com tudo o que ocorria em sua volta. Mas foi durante a Invasão Holandesa ao país que teve seu segundo encontro com o vampiro, novamente em vão, o qual estava no corpo de Calabar, um revoltoso que traiu o Brasil para ficar ao lado dos holandeses.


Antônio circula por várias regiões brasileiras, vai de Salvador a Recife, passa por Vila Rica, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. Durante sua incessante caçada, nas quais encontra vestigios do Velho e por algumas vezes, quase consegue pegá-lo, o país passa por um longo processo político e econômico e Brás presencia os acontecimentos que marcaram a história das relações políticas e externas do Brasil. Desde a exploração do pau-brasil, o início da colonização e escravidão, exploração de minérios, abolição da escravatura, o golpe militar de 1964 e todo o processo em que passa o país com o progresso e decadência da ditadura militar até a abertura política, inclusive o movimento das Diretas Já.


Durante 500 anos o imortal Antônio Brás, cada vez mais habituado a condição de vampiro, vive em meio as questões econômicas e sociais ocorridas ao longo de todo o processo histórico brasileiro. Em janeiro de 1999, Antônio planeja uma armadilha e marca um encontro com o vice-presidente do país, o qual fora reeleito e tomara posse há poucas semanas. Depois de cinco séculos de perseguição chegava a hora de acabar com o vampiro que havia lhe mordido e recuperar sua mortalidade. Finalmente o ritual foi concluído e, depois de aspirar as cinzas do Velho, Antônio Brás pode voltar a comer lascas de bacalhau frito no azeite e beber suas taças de vinho tinto rascante.


Somente um imortal para acompanhar toda a história do Brasil, desde o seu descobrimento até os dias atuais. Durante 500 anos, Antônio teve oportunidade de conhecer várias culturas e comportamentos que foram mudando com as diferentes etapas da história do país. Presenciou a evolução, o crescimento e todo o processo político e econômico da nação, bem como as diferenças sociais existentes até hoje.

Achei a idéia de usar um vampiro fantástica, porque só assim tivemos um personagem principal que atravessasse tantos séculos.
Particularmente, gostei bastante do livro e da figura do personagem principal, que conseguiu se preservar não se alimentando de outras pessoas. O humor foi utilizado de forma sutil, o que deu ao livro um ar mais leve. O desfecho final foi muito bom, provando que o autor sabe usar muito bem o mistério.

O texto é bem agradável, e traz uma História do Brasil bem diferente daquela que estamos acostumados nos livros "oficiais". Vale a pena ler um livro onde o vampiro não é apaixonado por humanos, como tantos que estão na moda, e sim apaixonado pela humanidade, e também por um bom vinho e bacalhau.

É mais uma grande contribuição para a historia do nosso país.

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18 comentários:

Victor Faria disse...

Obrigado pela dica, professor.

Salvei aqui em meu computador para ler com mais calma depois.

Abraço!

Prof. Adinalzir disse...

Prezado Victor Faria

É gratificante quando um bom livro nos acrescenta algo. A gente fecha o exemplar e fica com vontade de mudar comportamentos, discutir novas idéias, ou até mesmo melhorar a realidade à nossa volta.

Acho que "O vampiro que descobriu o Brasil" é um desses livros. É muito difícil permanecer indiferente ao jeito bem humorado e verdadeiro de Antônio sobre a história brasileira. Ao mesmo tempo que acompanha espantado o surgimento da luz elétrica, dos automóveis e dos eletrodomésticos, ele percebe que algumas coisas nunca irão mudar: a corrupção, o hábito de querer levar vantagem em tudo, a riqueza de poucos, a pobreza de muitos...

Quando puder, leia mesmo que você irá gostar.

Um grande abraço e muito obrigado pela visita! :-)

lucidreira disse...

Olá prof. fiquei um tempo sem meu computador por razões tecnicas. Mas estou de volta, essa dica do livro é uma boa, só depende de onde acha-lo, se possível pode colocar qual a editora ou onde podemos encontra-lo.
Deixe seu recado como comentário em um dos meus blogs. Obrigado.
Abraço

lucidreira disse...

Eu de novo, abrindo o link já descobri a editora, agora vou descobrir como encentrar.
Mais uma vez obrigado.

Prof. Adinalzir disse...

Prezado Lucidreira

Que bom saber que gostou do livro, compre que você não vai se arrepender. Indico a Livraria da Travessa, aqui no Rio de Janeiro, onde o frete é grátis para todo o Brasil.

Até parece que eu estou ganhando comissão, mas é tudo pelo social. Nada mais do que isso, rsrs.

Muito obrigado pela visita!

Um grande abraço, :-)

Prof. Adinalzir disse...

Caro Lucidreira

Estou lhe enviando o link: http://www.travessa.com.br/Busca.aspx?d=1&cta=1&tq=O%20vampiro%20que%20descobriu%20o%20Brasil

Abraços!

Valdeir Almeida disse...

Olá, Professor Adinalzir.

Li este livro duas vezes. Ele é muito interessante, porque, através do vampiro, personagem principal, vamos conhecendo (ou relembrando) grandes momentos da nossa História.

Olha, estou de volta à blogosfera.

Abração

Prof. Adinalzir disse...

Olá, Professor Valdeir Almeida

Também pretendo ler esse livro muitas vezes. Ele realmente é excelente!

E a blogosfera fica muito feliz com a sua volta.

Muito obrigado pela visita! :-)

Franz disse...

Boa indicação de leitura, compadre Adinalzir. Nessa linha de história de vampiros acho que a garotada vai gostar de conhecer a historia do Brasil.
Abraços dessa Belém
Franz

Prof. Adinalzir disse...

Prezado Franz

Esse foi um dos melhores livros que já li. Bom para crianças e adultos.

Abraços desse Rio de Janeiro ainda estrelado! :-)

George de Oliveira disse...

Lembro-me que estava na 6a. série quando a professora de Língua Portuguesa nos pediu para ler esse livro. Nossa, como a narrativa é interessante e envolvente do início ao fim! Realmente, esse livro retrata de maneira satírica os vampiros que sugaram e continuam sugando muito do que o Brasil tem oferecer! Ótimo texto professor. Meus parabéns pelo blog.

Roberto disse...

Como o povo brasileiro tem uma memória muito fraca, este comentário histórico caiu como uma luva! É importante nunca esquecer o que é o COMUNISMO ou SOCIALISMO com o chama EUFEMICAMENTE os seus adeptos, um regime ultrapassado que é muito atraente na teoria, mas que na prática é INVIÁVEL... Acorda POVO BRASILEIRO! Enquanto há tempo... Meus mais sinceros parabéns ao Prof. Adinalzir!

Prof. Adinalzir disse...

Meu caro George de Oliveira
Fico muito grato com sua visita e comentário. Volte sempre que precisar. Abraços!

Prof. Adinalzir disse...

Prezado Roberto
Agradeço a sua visita e comentário. Fique a vontade quando precisar.
Um grande abraço!

Tem de tudo disse...

muito bom memso meus parabaens professor eu ja li esse livro todos os detalhes estao nele \O/

Prof. Adinalzir disse...

Caro Tem de tudo
Fico grato pela visita. Volte sempre que precisar. Um grande abraço!

mael disse...

queria fazer uma pergunta que e o não entendi eu quero saber se esse livro conta uma historia de um caso real? ou é apenas + uma historia normal?
brigadO¨

Sarah Oliiveira disse...

Caro Victor

Gostaria de saber em sua opnião se o Vampiro Antônio é considerado um vilão ou um herói?





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