8.7.09

Revolução Constitucionalista, uma revolta contra o governo Vargas

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Atendendo a sugestão da minha amiga Giovana do blog Sons do Pensamento, publico aqui um dos mais importantes acontecimentos da história política do Brasil e que completa 77 anos no dia 9 de julho, a Revolução Constitucionalista de 1932.

Vamos aos fatos. E desejando um ótimo feriado para todos os paulistas!

"A revolta do povo paulista começou quando Getúlio Vargas, não respeitou a autonomia de São Paulo, e ameaçou reduzir seu poder dentro do próprio Estado, nomeando um interventor de fora, não conservando seu Governador. A mudança afetou de tal forma a estrutura social existente que não somente a camada dominante foi apeada do poder, mas também todas as camadas se desintegraram de maneira diferente. O Estado havia sido base política do regime da Primeira República, e assim era visto como um potencial foco oposicionista.


A morte de quatro estudantes paulistas, em maio de 1932, em um conflito com as forças legais criou mártires: Miragaia, Martins, Dráusio e Camargo. A inicial do nome dos quatro foram usadas para designar o MMDC, movimento paulista que tramava derrubar o governo. Movimento que marcou a vida de milhares de paulistanos.


Assim a idéia de revolução tomou conta de todos. Partidos políticos que eram rivais estavam unidos; o descontentamento geral aumentou e houve o envolvimento das massas populares; a ação armada militar contou com o apoio dos militares do Mato Grosso, que se manteve leal ao Estado de São Paulo.

Então multidões saíram às ruas, militares foram enviados ao front em todo o Estado. A FUP (Frente Única Paulista), formada pelos dois principais partidos políticos de São Paulo, o PRP (Partido Republicano Paulista) e o PD (Partido Democrático) exigiam a devolução da autonomia política a São Paulo, com a nomeação de um interventor paulista e civil, e a reconstitucionalização do país.


Foi o mais violento choque armado ocorrido no Brasil, e a maior mobilização popular de sua história. As Tropas Paulistanas, com um povo desabituado a suportar tiranias, lutaram praticamente sozinhas contra o resto do país. Para sustentar a luta serviu-se São Paulo de seu grande aparelhamento industrial e um contingente de 35 mil soldados. Mas com o porto de Santos bloqueado, sendo atacado em suas divisas pelas tropas federais que eram mais numerosas e bem equipadas, e aviões bombardeando cidades do interior paulista, a resistência de São Paulo durou três meses, cessando a luta fratricida.


Prisões, cassações e deportações se seguem à capitulação. A luta armada dos constitucionalistas ficou restrita ao Estado de São Paulo, e foi o maior confronto militar do Brasil no século XX.


Mesmo com a derrota paulista, a importância do movimento é incontestável, sua principal reivindicação foi atendida com a organização, no ano seguinte, por uma comissão composta de ilustres brasileiros, de um anteprojeto de Constituição. Uma Assembléia Nacional Constituinte, eleita pelo povo promulga em 1934, a nova Carta Magna."


Bibliografia:


Revolução Constitucionalista de 1932: A Era Vargas, FGV - GPDOC www.cpdoc.fgv.br

Vianna, Helio - História do Brasil, 4ª ed. - São Paulo: Melhoramentos, 1966.


Rocha, Geraldo - Tradições democráticas de São Paulo, Geraldo Rocha www.novomilenio.inf.br

Bigeli, Alexandre - Revolução Constitucionalista de 1932 - www.vestcev.com.br


COMENTÁRIO:

Embora esse movimento tenha nascido de reivindicações das elites paulistas, ele teve também uma grande participação popular através da utilização dos meios de comunicação de massa para mobilizar a população. Os jornais de São Paulo faziam campanha pela revolução, assim como as emissoras de rádio, que tinham uma audiência bem maior.

Até hoje, a história da Revolução de 32 não é muito bem contada. Ou, pelo menos, é contada de duas formas. Através da versão dos governistas (getulistas) e a dos revolucionários (constitucionalistas). Durante muito tempo, a versão dos getulistas foi a mais divulgada nos livros escolares, mas hoje, com uma maior participação dos professores na escolha do material didático, essa história também é contada sob a visão dos rebeldes.

Gostaria de citar também que a Revolução de 32, jamais foi abordada em nenhum filme nacional. O mais próximo que esse conflito chegou nas telas foi na novela “Éramos Seis” e na mini-série “Um Só Coração”. Assim como a Revolução Farroupilha e alguns conflitos tenentistas, a Revolta Paulista bem que poderia dar um ótimo filme, a história tem intrigas, guerra e paixão por uma causa.

Quer saber mais sobre o assunto? Clique aqui
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15 comentários:

GiGi disse...

Ahhhh que legal! :-)

"Éramos Seis"... Lembro-me desta novela, eu era pequena, mas tenho recordações sobre cenas da Revolução, sim.

A única vez em que estudei sobre a Revolução Constitucionalista foi durante o Ensino Médio, em torno de 10 anos atrás. Entretanto, não imaginei que ela fora tão forte e tão importante para a história do Brasil, principalmente ao estado de São Paulo.

Nisso, acredito eu, nós brasileiros pecamos de forma considerável: pouco sabemos sobre o significado de nossos feriados, temos somente como dias em que não se trabalha e se fica à esmo, muitas vezes até praguejando por "atrasarem" o desenvolvimento do país. Tais feriados deveriam ter maior repercussão (muitos deles são comemorados apenas em uma ou noutra região) e conscientização por parte da população, a fim de que esta tenha maior participação com respeito à História de nosso país.

Quem sabe, desta forma, o sentimento de patriotismo seria fortalecido. Por menor que seja a contribuição, ela se faria por demais necessária.

Um beijo!

GiGi disse...

Encontrei um link que expõe outra visão a respeito da Revolução:

http://revistaescola.abril.com.br/historia/fundamentos/foi-revolucao-constitucionalista-1932-482251.shtml

Profª Sheila Suzano disse...

Olá Profº Adinalzir

Obrigada por visitar o blog do Colégio Estadual André Maurois.
e parabéns pelo seu ótimo blog sobre História.
Profª Sheila

Prof. Adinalzir disse...

Também vi muito "Eramos Seis", foi um ótimo trabalho de época da TV Globo, vi e comentei bastante com os meus alunos. Infelizmente, é uma pena que poucos brasileiros se interessam em saber mais sobre a história de nosso país. Mas mesmo assim, nós podemos nos considerar uns felizardos, pois com esse conhecimento podemos perceber e entender mais sobre todas as coisas. Em suma, somos os nerds, rss...
Quanto ao link que você me enviou, revela coisas muito interessantes e contraria a tese de muitas pessoas quando dizem que São Paulo naquele momento queria se separar do Brasil. Como diz no texto o professor Alexandre Hecker "O termo "Revolução" para o movimento constitucionalista não é muito adequado àquilo que se propunha fazer. Não era uma revolução. Na verdade, desejava-se a normatização da legislação e do processo eleitoral, e não uma mudança no sentido de alteração das relações de poder ou qualquer coisa que significasse uma limitação no processo de desenvolvimento capitalista"
Outro detalhe importante que o artigo revela, na minha opinião, é uma coisa que eu sempre disse: a história da Revolução de 32 nunca foi muito bem contada. Ou, pelo menos, foi contada de duas formas, na versão dos governistas (getulistas) e na dos revolucionários. E isso o texto dele mostra muito bem. Êpa, acho melhor parar por aqui. Acho que já falei demais... E você também leva jeito, está se revelando uma ótima históriadora.
Beijos!

Prof. Adinalzir disse...

Oi, Giovana
Escrevi tanto que até esqueci de citar o seu nome na postagem, rss... repare. Beijos!

Prof. Adinalzir disse...

Valeu, Profª Sheila Suzano!
Agradeço os seus elogios ao blog. Volte sempre neste espaço. Abraços!

Olegario Cayres disse...

Tem algo que não ficou bem explicado nesta revolução de 1932, como por exemplo, porque somente o estado de Mato Grosso se aliou a São Paulo?
E tem mais, porque alguns historiadores dizem que São Paulo foi muito leviano e precipitado nesta revolução, quando já se sabia que iria ocorrer uma eleição no ano seguinte no dia 03 de maio de 1933?
Outros dizem que São Paulo constitucionalista retardava a constitucionalização do país e o governo federal ao aceitar a luta prolongava o regime ditatorial com sérios prejuízos ao país, morais, materiais e de vidas preciosas que se iam tombando na guerra entre irmãos e que os motivos da revolução era outro.
Por outro lado, na minha opinião se tivéssemos governantes coerentes, tal desfecho poderia perfeitamente ser evitado de forma pacífica, quando morreram pessoas indolentes, inocentes que pegavam em armas sem noção verdadeira de um ideal!

GiGi disse...

Ahhh, não escreveu muito, não! Sempre gosto de saber mais :-)

Historiadora? Saiba que gostei do elogio!! Na verdade, nunca fui curiosa o suficiente para estudar um pouco mais a história do Brasil. Neste momento, em que pretendo prestar vestibular novamente, preciso estudar bastante. Porém, percebo que, para mim, estudar História está sendo uma verdadeira surpresa e também um encanto! Estou a entender um pouco melhor nossa realidade atual, os porquês, qual a origem de determinados fatos, enfim.

Gosto de ser nerd, rsrsrs

Obrigada!

Beijo

GiGi disse...

Ah, só uma pequena correçãozinha... "Éramos Seis", quando assisti, passava no SBT :-)

Prof. Adinalzir disse...

Caro Olegario Cayres

Em primeiro lugar agradeço a sua visita a este espaço. Quanto as suas perguntas. Vou tentar explicar:

Puca gente sabe, mas a Revolução de 32 ajudou a criar um estado no Brasil naquele período. Durante o conflito contra ditadura Vargas, um grupo do sul do Mato Grosso se aliou à causa paulista e criou o estado de Maracaju. Caso houvesse a vitória, permaneceria essa divisão e haveria um novo Estado tendo Campo Grande como capital.

Para quem não sabe, desde a Guerra do Paraguai, a parte mais ao sul do MT queria ser independente da parte Norte. Os motivos? Cuiabá, a capital, ficava longe demais; o Sul era muito mais desenvolvido, sendo a parte mais povoada, mais rica.

Pena que Maracaju durou apenas 87 dias e Mato Grosso Uno durou até 1977, quando foi desmembrado durante o governo Geisel, com o MS herdando toda a dívida do irmão mais velho e ainda tendo que pagar uma indenização por conta do território. Logo, devido a esses interesses o Estado do Mato Grosso se aliou a São Paulo até o fim, creio eu.

Quanto a visão dos historiadores, volto a afirmar que até hoje, a história da Revolução de 32 não é muito bem contada. Sempre foi vista de duas formas. Através da visão dos getulistas e dos constitucionalistas. De modo que entre uma versão e outra. Também acho que independente de outros motivos, tudo isso poderia ser evitado, sem ser preciso uma guerra. É isso aí.

Um grande abraço!

Prof. Adinalzir disse...

Oi, Giovana

É sempre um prazer conversar com você aqui neste espaço.

Quanto a ser historiadora, acho que você tem talento sim. Seus textos são muito claros, objetivos e espontãneos. Portanto é só seguir o caminho que já traçou, pois está indo no caminho certo.

Quanto aos nerds, você já ouviu falar no grupo Os Seminovos? A letra da música deles "Escolha Já o Seu Nerd" já diz tudo. Sugiro que escute e se quiser a letra posso te enviar. É uma pena que ela foi direcionada só para os marmanjos (homens). Eles esqueceram das mulheres, bancaram os machistas, rsrsrs. Mas mesmo assim, continue sendo um, pois eles são pessoas inteligentes e admiradas pelo que fazem. E isso você é.

Ah, já ia esquecendo! Agradeço pela correção no "Eramos Seis". Valeu! Beijos!

GiGi disse...

Oi, Adinalzir!

Olha eu aqui denovo, rsrs

Obrigada pela visita, sempre bom tê-lo em meu blog!

Não conhecia "Os Seminovos". Procurei e encontrei a letra e o vídeo. Engraçada a música, rs. Acredito que eles direcionaram aos "nerds" homens porque eles são em maior número (nas faculdades, em cursos das Ciências Exatas predominam homens). Não nego a influência do machismo também, inclusive a mídia propaga a imagem da mulher bonita e sexy como a famosa "loira burra" e a mulher estudiosa inteligente (a nerde) como aquela nada atraente e feia. Estereótipos. Todavia, a letra não deixa de ter alguma verdade.

Quanto à discussão sobre a Revolução, está ótima! Será muito útil para consultas futuras.

Aliás, cheguei à conclusão da importância de ter acesso a várias bibliografias a respeito de um mesmo assunto, quando se trata de História, pois os pontos de vista são bastante variados. Isso é muito rico para a formação de opiniões críticas e sensatas.

Beijos!

Prof. Adinalzir disse...

Oi, Giovana

Sempre é bom dialogar com você. O único problema é que eu converso sempre contigo, mas não conheço o seu rosto. Quando puder me envie uma foto sua.
Quanto aos Seminovos, eu os conheci no programa do Faustão e achei a banda legal. Eles são lá de Juiz de Fora. Com relação aos debates sobre História, que eles sempre se perpetuem. E quando precisar de alguma bibliografia. Se eu puder ajudá-la, eu envio. É só solicitar.
Beijos!

Da Silva disse...

Olá Professor,

Realmente é uma pena sermos privados de conhecer a verdadeira história do Brasil. Creio que sempre houve falhas no material didático utilizado nas escolas.

Abraços,

Prof. Adinalzir disse...

Oi, Da Silva!:-)

Inclusive aqui na minha escola, nós temos livros do Mec com falhas, infelizmente.
Valeu pela visita. Volte sempre!

Abraços!

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