18.7.09

As boas maneiras à mesa com o uso do garfo

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O assunto que eu coloco aqui é uma das muitas invenções da Idade Média. São coisas tão presentes em nossas vidas que muitas vezes nem sabemos como surgiram. Mostrando que, ao contrário do que podemos imaginar, a época medieval não foi a Idade das Trevas.

"Um objeto de metal cuja data exata de surgimento ignoramos é o garfo. Os homens da Idade Média viam o garfo como um instrumento de debilidade e perversão diabólica. São Pedro Damião (1007-72) não teve nenhuma piedade da pobre princesa bizantina Teodora, casada com o doge Domenico Selvo, que usava garfo e cercava-se de refinamento, tentando tornar mais gentis as maneiras do Ocidente: "Não tocava os acepipes com as mãos, mas fazia com que os eunucos lhe cortassem os alimentos em pequenos pedaços. Depois mal os saboreava, Levando-os à boca com garfos de ouro de dois dentes. A morte terrível da jovem mulher, cujas carnes gangrenaram lentamente, foi vista como uma justa punição divina para tão grande pecado.

Os primeiros testemunhos iconográficos do garfo remontam mais ou menos ao tempo da invectiva de São Pedro Damião: em uma iluminura do Códice das leis lombardas, do início do século XI, o rei Rotaris empunha um garfo à mesa; usavam-nos igualmente os educados comensais de duas outras iluminuras mais ou menos contemporâneas, tiradas de um manuscrito de De Universo, de Rabano Mauro, para abrir a longa exemplificação dos vários tipos de refeições, alimentos e bebidas e para ilustrar o capítulo sobre os cidadãos. O iluminador quis ressaltar que o rito social da refeição é um fator de civilidade e que os utensílios, entre os quais os garfos, exemplificam o que há de agradável na vida urbana.

Clique na imagem acima para vê-la ampliada

Já no século XII, existe apenas uma representação da Última Ceia no qual um garfo solitário encontra-se excepcionalmente pousado sobre a brancura da toalha: está em uma das iluminuras do Jardim das Delícias, da abadessa Herrad de Landsberg, do convento de Hohenburg. Não sabemos se o acréscimo foi uma orientação pessoal da comitente, originada pelo hábito das boas maneiras; em todo, caso assemelha-se muito aos verdadeiros garfos medievais que chegaram, sabe-se lá por meio de que peripécias, ao Museu Horne em Florença.

O uso do garfo generalizou-se passo a passo com a difusão de um alimento tipicamente medieval que é até hoje um pilar da cozinha italiana - a massa - , pois era o instrumento adequado para enrolar os fios quentes e escorregadios."

Bibliografia: Frugoni, Chiara. Invenções da Idade Média, óculos, livros, bancos, botões e outras inovações geniais. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2007.

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5 comentários:

GiGi disse...

Eheheh muito interessante! O pessoal da época tinha umas crenças que para nós soam meio malucas, não é mesmo?

Beijo!

Prof. Adinalzir disse...

E passando da Idade Média para a Idade Contemporânea... Hoje se comemora o Dia do Amigo.

Segue abaixo um texto do grande escritor Machado de Assis:

"Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!

Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!

Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!

Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!

Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!

Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!"

Um Feliz dia do Amigo!

Beijos e volte sempre!

Giovana disse...

Oi, Adinalzir!!

Amei o texto, muito obrigada! Sim, achei que tem tudo a ver, é bem isso mesmo!

Sobre o dia do amigo, postei no meu outro blog a respeito. Se tiver um tempinho, dê uma olhada!

Beijos!

Prof. Adinalzir disse...

Oi, Giovana!
É claro que irei lá e deixarei um comentário.
Beijos!

Sara disse...

Eu não sabia muito sobre esta história em algum momento eu espero para ler mais sobre isso, só agora eu não posso porque eu vou comer com minha família para restaurantes em sao paulo

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