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Mostrando postagens de Maio, 2007

As mães de Bagdá

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Durante meses vivemos os horrores da guerra do Iraque. Deixou de ser a ficção de um filme que concorre para um Oscar de Holywood. Pela primeira vez o mundo inteiro tomou consciência e assistiu perplexo o absurdo do confronto bélico desde a gestação até os estertores do melancólico desfecho.

As manifestações populares se alternavam na diversidade dos povos e culturas e a palavra paz foi decantada em todas a línguas com revoadas de tantas pombas brancas que levaram a esperança para o infinito.

Por outro lado, no campo da morte, parecia não existir o ser humano. Ele foi substituído por robôs de um videogame, ao vivo, onde os comandos implacáveis manipulavam tanques e aviões a semearem o caos e o luto da morte.

Presenciamos perplexos a alta tecnologia da indústria da morte e a insensatez a que chega o ser humano quando a obstinação toma conta de alguém com as terríveis e inconseqüentes determinações e justificativas.

Mas, quem ficou com o prejuízo? Certamente não foram os senhores da guerra q…

Manifesto pela decência na escola pública carioca

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Em 1945 o mundo começou a conhecer a extensão do horror do Holocausto. Iniciaram-se as prisões. Dos guardas dos campos de extermínio aos ministros do reich. A todos foi feita a mesma pergunta: Você sabia o que estava acontecendo ? E todos responderam que sim. Você participou? E todos responderam que sim. Por que? A resposta foi única para todos os escalões: Eu estava cumprindo ordens. Todos se isentaram da responsabilidade alegando que nada poderiam fazer sozinhos contra o sistema e que não possuíam autoridade para mudar nada. Não posso deixar de traçar um paralelo com a atual escola pública carioca.

Ora perpetra-se mais um ato nocivo contra esta Escola Pública Carioca, a aprovação automática. Porém não podemos dizer que isto seja o início do fim da boa escola. Na verdade este é o ápice de um processo de degradação que se iniciou, pelo menos, há vinte anos.

Nos últimos vinte anos assistimos à desvalorização profissional do professor. Assistimos à degradação salarial de nossa categoria, …

A menor polícia do mundo

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Ela nasceu no tempo do império, sob as bênçãos de dom Pedro II, com o prestígio do tamanho de sua responsabilidade: cuidar da riqueza do Brasil, transportada em trilhos de ferro. Foi a primeira corporação policial especializada do país. Hoje, 155 anos depois, ela ostenta outro título, com bem menos glamour: o de menor polícia do mundo. 


A privatização das ferrovias brasileiras, em 1996, atirou definitivamente a Polícia Ferroviária Federal no esquecimento. Poucos sabem que ela existe, apesar da previsão constitucional. O efetivo de 3,2 mil homens antes das concessões se reduziu a 780, para fiscalizar 26 mil quilômetros de trilhos, destinados ao transporte de carga. Em Minas, estado com a maior malha ferroviária, são 17 homens, mas apenas seis trabalham. Férias e licenças médicas desfalcam ainda mais a corporação.

Se existe um choque entre o passado glorioso da “Polícia dos Caminhos de Ferro”, como foi chamada em 1952, e a realidade, outras incoerências marcam a história da corporação. Le…